Oliveiras milenares espanholas estão a ser trasladadas para Europa do Norte, EUA e Emirados

O aumento da procura de oliveiras milenares para fins ornamentais, em países do norte da Europa mas também Estados Unidos e Emirados Árabes Unidos, está a ameaçar estas árvores em Espanha, de acordo com o The Guardian.

“Estamos a perder algumas das maiores e mais velhas árvores da Europa”, explicou ao jornal britânico o responsável pela fundação Félix Rodríguez de la Fonte, César-Javier Palacios. A fundação de Madrid, que homenageia um dos naturalistas mais conhecidos do país vizinho, acabou de lançar uma petição para manter as árvores no seu local de origem, mas o dinheiro tem falado mais alto.

Nas últimas duas décadas, dezenas de empresas foram criadas, em Espanha, para alimentar um mercado milionário para as oliveiras mais antigas. Segundo Palacios, as árvores mais antigas valem até €40.000 no mercado internacional, ainda que a logística seja complexa. “Muitas árvores morrem na viagem. E as que não morrem, em vez de viveram mais 1.000 anos acabam por viver entre 50 e 100 anos”.

Em Espanha, a transladação de oliveiras para outros países é vista como uma analogia do que se passou no país há 150 anos, quando os milionários norte-americanos compraram objectos e relíquias romanas por um preço irrisório, reconstruindo-as, pedra a pedra, no seu país de origem.

Por outro lado, e enquanto França e Itália legislaram contra este negócio, em Espanha ele continua legal. “Aqui é o mesmo que vender um carro”, lamenta César-Javier Palacios. “Estas árvores fazem parte da nossa herança natural e estamos a tratá-las como esculturas ou lampiões, que podemos mudar de um local para o outro”.

Foto: Miltos Gikas / Creative Commons

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