Onda de calor de junho na Europa pode ter custado dois mil milhões de euros em perdas de receita agrícolas

As estimativas são avançadas numa análise do grupo de reflexão Energy & Climate Intelligence Unit (ECIU), que abrange culturas como trigo, cevada e milho. Os analistas ressalvam que este valor não contempla outros custos, como perdas de gado e de culturas vegetais, pelo que os impactos do fenómeno extremo do mês passado podem ser ainda maiores.

Redação

A onda de calor que assolou a Europa no passado mês de junho pode ter causado perdas de dois mil milhões de euros nas receitas dos produtores de cereais previstas para este ano.

As estimativas são avançadas numa análise do grupo de reflexão Energy & Climate Intelligence Unit (ECIU), que abrange culturas como trigo, cevada e milho. Os analistas ressalvam que este valor não contempla outros custos, como perdas de gado e de culturas vegetais, pelo que os impactos do fenómeno extremo do mês passado podem ser ainda maiores.

A análise segue uma previsão avançada a 10 de julho pela COCERAL, uma associação europeia representante de setores como cereais, azeite e arroz. Segundo a entidade, a onda de calor de junho reduziu as previsões para a campanha de cereais na União Europeia e no Reino Unido para os 286,6 milhões de toneladas, uma redução de cerca de nove milhões face às previsões divulgadas um mês antes.

“A onda de calor de junho veio numa altura terrível para os produtores de cereais europeus, afetando o desenvolvimento das culturas e reduzindo rendimentos por todo o continente”, diz Tom Lancaster, analista de solos, alimentos e agricultura da ECIU. E acrescenta que “isso vai doer no bolso dos agricultores, reduzindo os seus rendimentos e, ao mesmo tempo, comprometendo a segurança alimentar europeia”.

As novas previsões apontam para que França seja o país mais afetados pelos efeitos da onda de calor na produção de cereais, com uma perda adicional estimada de 891 milhões de euros, por causa de menos quatro milhões de toneladas de cereais previstas em julho face às previsões de junho.

Portugal está entre os países europeus cujas previsões não foram alteradas.

“Com provas científicas claras de que as alterações climáticas foram a causa da severidade da onda de calor de junho, estas perdas são apenas um prenúncio dos impactos futuros que iremos enfrentar se não alcançarmos a neutralidade das emissões de gases com efeito de estufa e não restabelecermos o equilíbrio climático”, avisa Lancaster.

Além disso, os analistas entendem que as perdas tornarão a Europa mais dependente de importações e podem contribuir para mais aumentos de preços.

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