Onda de calor no Reino Unido terá provocado cerca de 2.700 mortes em 2026

O estudo conclui que aproximadamente 42% destas mortes poderão estar relacionadas com o aquecimento adicional provocado pelas alterações climáticas causadas pela atividade humana.

Redação

As ondas de calor registadas no Reino Unido durante os meses de maio e junho de 2026 terão causado cerca de 2.700 mortes em excesso em Inglaterra e no País de Gales, segundo uma nova análise realizada por investigadores do Imperial College London, do Met Office e da London School of Hygiene & Tropical Medicine.

O estudo conclui que aproximadamente 42% destas mortes poderão estar relacionadas com o aquecimento adicional provocado pelas alterações climáticas causadas pela atividade humana.

De acordo com os investigadores, as temperaturas máximas registadas durante estes episódios foram entre 3°C e 4°C superiores às que ocorreriam num cenário sem alterações climáticas induzidas pelo ser humano. Os especialistas estimam que cerca de 550 pessoas tenham morrido devido ao calor durante a onda de calor de maio, entre os dias 21 e 29, enquanto outras 2.200 mortes terão ocorrido durante o episódio de junho, entre os dias 18 e 28.

Os dois eventos foram considerados históricos. Em maio, o Reino Unido registou um novo recorde nacional para o mês, com 35,1°C observados no oeste de Londres. Já em junho, três dias consecutivos de temperaturas recorde culminaram com valores superiores a 37°C na região de East Anglia.

Segundo o estudo, cerca de 59% das mortes associadas à onda de calor de maio e 38% das registadas em junho poderão ser atribuídas ao aumento das temperaturas provocado pelas alterações climáticas. Sem esse aquecimento adicional, fenómenos desta intensidade seriam significativamente menos prováveis.

Os investigadores alertam ainda para uma vulnerabilidade crescente em regiões menos habituadas a temperaturas extremas. Apesar de o sul de Inglaterra ter registado os valores mais elevados, a taxa de mortalidade por milhão de habitantes foi semelhante na região das Midlands, sugerindo que as populações locais poderão estar menos preparadas para enfrentar episódios de calor intenso.

A investigadora Clair Barnes, do Imperial College London, afirma que o país enfrenta uma nova realidade climática. “É tempo de reconhecer que vivemos agora num país com verões perigosamente quentes. Para proteger a população durante futuros episódios extremos, é urgente adaptar as infraestruturas e reforçar os esforços globais para alcançar emissões líquidas nulas”, declara.

Também Mark McCarthy, responsável pela área de atribuição climática do Met Office, destaca o caráter excecional dos fenómenos registados este ano. Segundo o especialista, os recordes de temperatura ultrapassaram marcas que permaneciam inalteradas desde 1944, no caso de maio, e desde 1976, no caso de junho.

Por sua vez, Malcolm Mistry, professor assistente da London School of Hygiene & Tropical Medicine, alerta que as ondas de calor estão rapidamente a transformar-se num importante problema de saúde pública no Reino Unido. O investigador defende a necessidade de acelerar a adaptação das habitações, locais de trabalho e infraestruturas críticas para proteger os grupos mais vulneráveis, incluindo idosos, bebés e crianças.

A Agência de Segurança Sanitária do Reino Unido (UKHSA) sublinha que os dados apresentados resultam de modelos estatísticos baseados em tendências históricas e não correspondem a um registo oficial de mortalidade observada. Ainda assim, considera que as estimativas ajudam a demonstrar a dimensão do risco associado ao calor extremo e a crescente ameaça que as alterações climáticas representam para a saúde pública.

Os especialistas alertam que os períodos de calor intenso no Reino Unido deverão tornar-se mais frequentes, mais longos e mais severos nas próximas décadas, à medida que o aquecimento global continua a intensificar-se.

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