Um novo estudo internacional concluiu que as ondas de calor marinhas podem intensificar significativamente os ciclones tropicais nas horas que antecedem a sua chegada a terra, aumentando o risco de destruição e os custos associados.
A investigação, baseada em 41 anos de registos globais (entre 1981 e 2023) da temperatura diária da superfície do mar e numa base de dados internacional de ciclones com impacto em terra, revela que estes fenómenos extremos do oceano estão ligados a uma maior probabilidade de intensificação rápida das tempestades.
Os cientistas explicam que a chamada “intensificação rápida” ocorre quando a velocidade do vento de um ciclone aumenta pelo menos 30 nós em apenas 24 horas — um processo associado a consequências particularmente graves para populações e infraestruturas costeiras.
De acordo com o estudo, ciclones expostos a ondas de calor marinhas apresentam uma probabilidade significativamente superior de sofrer esta intensificação. Em regiões como o noroeste do Mar das Caraíbas e o Golfo do México, essa probabilidade é cerca de 50% mais elevada.
Os efeitos fazem-se sentir também ao nível dos danos provocados. Os investigadores concluem que ciclones “turbinados” por estas condições oceânicas originam cerca de mais 60% de desastres com prejuízos superiores a mil milhões de dólares, quando comparados com tempestades que não são influenciadas por ondas de calor marinhas.
Este agravamento resulta sobretudo de ventos mais fortes, maior intensidade de precipitação e marés de tempestade mais severas.
Os autores sugerem ainda que o aumento observado no número de ciclones com intensificação rápida poderá estar relacionado com a crescente frequência e extensão das ondas de calor marinhas, um fenómeno associado ao aquecimento global dos oceanos.









