Dados oficiais do IMT- Instituto de Mobilidade e Transportes indicam que em 2016 houve 49.772 veículos que viram as suas matriculas canceladas, por terem chegado ao fim da sua vida. Os números agora revelados levantam, no entanto, dúvidas à associação ambiental Zero, que questiona esta instituição sobre o paradeiro destes veículos.

Em comunicado, a Zero destaca algumas situações em que o cancelamento da matricula de veículos em fim de vida foram feitas em “condições pouco claras”, a saber: 10.892 veículos viram a sua matrícula ser cancelada sem ter sido emitido o obrigatório certificado de destruição, o que é ilegal face à legislação comunitária (Directiva 2000/53/CE).

Os números do IMT indicam também que 15.096 veículos viram a sua matrícula cancelada por terem sido exportados a pedido do interessado. Ora, para a Zero esta situação afigura-se pouco plausível, o que levou esta associação ambientalista a solicitar à AT a confirmação destas operações, nomeadamente o número de veículos exportados e o respectivo país de destino.

Da lista de dúvidas levantadas por esta associação ambientalista fazem ainda parte os 7.526 veículos que viram a sua matrícula cancelada porque desapareceram, e os 16.258 veículos viram a sua matrícula cancelada por falta de transferência de propriedade, não se sabendo no entanto qual foi o seu destino.

Uma situação muito grave em termos ambientais, alertam os responsáveis da Zero, que avisam que os “veículos em fim de vida são considerados resíduos perigosos devido a diversos dos seus componentes como baterias, óleos usados ou outros fluídos”, sendo fundamental que “sejam encaminhados para operadores devidamente preparados para a sua descontaminação, o que pode não ter sido o caso destes cerca de 50 mil VFV”, avisam.

A falta de legislação sobre o cancelamento de matrículas, com demasiadas situações de excepção em relação à obrigatoriedade de emissão de um certificado de destruição, é apontada como uma das razões para uma gestão pouco eficiente dos veículos em fim de vida.

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