Uma equipa de investigadores da University of Auckland e da Utrecht University concluiu que as comunidades microbianas podem estar organizadas de forma muito mais sofisticada do que se pensava, contrariando a ideia tradicional de que estes ecossistemas são compostos apenas por organismos cooperantes e “aproveitadores”.
Os resultados, publicados na revista científica Proceedings of the Royal Society B: Biological Sciences, baseiam-se em simulações computacionais que analisaram a forma como os microrganismos produzem e partilham recursos essenciais à sobrevivência coletiva.
Segundo os investigadores, os micróbios raramente vivem de forma isolada. Tal como acontece numa economia, diferentes organismos podem especializar-se em determinadas funções, produzindo recursos dos quais outros dependem. O estudo procurou compreender como esta divisão de tarefas influencia a evolução das comunidades microbianas ao longo do tempo.
As simulações revelaram que um dos fatores decisivos é o alcance dos recursos produzidos. Quando os benefícios desses recursos chegam a muitos organismos, as comunidades tendem a desenvolver elevados níveis de especialização, distribuindo diferentes responsabilidades entre os seus membros. Em contrapartida, quando o alcance é mais limitado, as comunidades podem tornar-se dependentes de um único organismo generalista, responsável pela produção da maioria dos recursos necessários ao grupo.
Uma das conclusões mais inesperadas foi a constatação de que estas comunidades podem permanecer aparentemente estáveis durante centenas de milhares de gerações antes de sofrerem reorganizações profundas e rápidas na sua estrutura.
Os autores defendem que os resultados desafiam a narrativa simplista que opõe cooperantes a “batoteiros” nas comunidades microbianas. Em vez disso, sugerem que os microrganismos desenvolvem estratégias de cooperação e especialização muito mais complexas, moldadas pela forma como os recursos são partilhados.
A investigação poderá contribuir para uma melhor compreensão da evolução dos microbiomas, incluindo o microbioma intestinal humano, bem como dos mecanismos associados à resistência aos antibióticos e ao funcionamento dos ecossistemas naturais.
Segundo os investigadores, a descoberta amplia o conhecimento sobre a forma como as comunidades microbianas se organizam e evoluem, oferecendo novas perspetivas para áreas tão diversas como a saúde, a microbiologia e as ciências ambientais.









