As prioridades climáticas dos países do Pacífico vão estar em discussão este sábado, 3 de outubro, num fórum internacional em Suva, nas Fiji, que pretende contribuir para as posições da região antes da COP31, marcada para este ano.
O encontro “1.5°C to Stay Alive”, na Universidade do Pacífico Sul, reunirá investigadores, ministros, responsáveis políticos e especialistas em clima da Austrália e de vários países do Pacífico. As discussões e conclusões do fórum deverão transitar para a primeira sessão do programa oficial da pré-COP31, na segunda-feira, 5 de outubro.
Organizado pela COP Universities Alliance, em conjunto com o Institute for Climate Risk & Response da Universidade de Nova Gales do Sul, a Universidade do Pacífico Sul e a Universidade de Melbourne, o encontro pretende colocar as perspetivas dos países do Pacífico no centro das discussões que antecedem as negociações climáticas.
“Os países do Pacífico tiveram um papel fundamental na definição do objetivo de 1,5 °C no Acordo de Paris porque, para a região, este não é um número arbitrário. É considerado um limiar de sobrevivência”, afirma Wesley Morgan, investigador da Universidade de Nova Gales do Sul e responsável pela organização do fórum, citado em comunicado.
O encontro acontece num momento em que aumenta a possibilidade de a temperatura média global ultrapassar temporariamente os 1,5 °C acima dos níveis pré-industriais. Para Morgan, essa possibilidade não deve significar o abandono da meta estabelecida no Acordo de Paris.
“A prioridade deve ser limitar o pico do aquecimento ao nível mais baixo possível, atingir o zero líquido o mais rapidamente possível e, depois, procurar formas de fazer baixar novamente as temperaturas”, defende.
Aquecimento dos oceanos e financiamento climático
Entre os temas previstos estão a ciência associada à limitação do aquecimento global, as obrigações jurídicas internacionais, o aumento da temperatura dos oceanos e do nível do mar, a adaptação às alterações climáticas e o financiamento climático.
O fórum vai também analisar as implicações de uma decisão do Tribunal Internacional de Justiça sobre as responsabilidades dos Estados perante os danos relacionados com as alterações climáticas.
Segundo Morgan, a questão é particularmente relevante para a Austrália, um dos grandes exportadores mundiais de carvão e gás. O investigador refere que o país defendeu durante anos que as emissões resultantes da utilização dos combustíveis fósseis que exporta eram da responsabilidade dos países consumidores.
“O Tribunal Internacional de Justiça deixou agora claro que os grandes produtores de combustíveis fósseis também têm obrigações de prevenir os danos climáticos associados à produção de combustíveis fósseis”, afirma.
Liderança do Pacífico em destaque
A enviada climática das Ilhas Marshall, Tina Stege, fará a intervenção de abertura do fórum. O programa termina com uma sessão de alto nível de Talanoa, conceito associado a uma forma de diálogo aberta e inclusiva característica das culturas do Pacífico, com ministros e representantes dos países da região.
O encontro contará ainda com especialistas do Pacífico que participam nos trabalhos do Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas (IPCC), bem como investigadores e especialistas de universidades australianas e de outros países da região.
Para Morgan, o objetivo é reforçar a participação dos países do Pacífico nas discussões internacionais sobre clima, em vez de falar sobre a região sem envolver diretamente os seus representantes.
“O Pacífico está há muito na linha da frente da pressão global por uma ação climática mais forte. Este fórum reconhece essa experiência e liderança”, afirma.
A organização considera que a realização de discussões climáticas de relevância internacional no Pacífico pode contribuir para colocar as experiências, prioridades e soluções da região no centro da agenda que antecede a COP31.









