Pássaros mais coloridos podem enfrentar maior risco de extinção

Um estudo publicado na revista ‘Conservation Biology’ revela que os pássaros mais coloridos enfrentam um risco muito maior de extinção do que outros membros da ordem dos Passeriformes que apresentem cores menos chamativas e vibrantes, das tonalidades do castanho e cinzento. Os autores do estudo dizem que essa ameaça é mais significativa no sul e sudeste da Ásia e na região da Australásia.

Redação

O mundo das aves está repleto de um quase sem-fim leque de formas e cores, que faz dele um dos grandes exemplos da biodiversidade do planeta. Contudo, essa mesma variedade e exuberância pode também ser um “calcanhar de Aquiles”.

Um estudo publicado na revista ‘Conservation Biology’ revela que os pássaros mais coloridos enfrentam um risco muito maior de extinção do que outros membros da ordem dos Passeriformes que apresentem cores menos chamativas e vibrantes, das tonalidades do castanho e cinzento. Os autores do estudo dizem que essa ameaça é mais significativa no sul e sudeste da Ásia e na região da Australásia.

Natalia Ocampo-Peñuela e Monte Neate-Clegg, a dupla de investigadores da Universidade da Califórnia em Santa Cruz que assina o artigo, explica que a captura para o comércio de animais de estimação exóticos é parte central do problema, mas não é tudo. E sugerem que poderá haver outros fatores em jogo.

Algumas aves enfrentam maior risco de extinção por causa de traços como terem uma grande massa corporal ou por terem dietas muito específicas, o que faz com que sejam especialmente vulneráveis a alterações ambientais, sobretudo causadas pelos humanos, que afetem negativamente os seus habitats.

Mas estes cientistas dizem que menos atenção tem sido prestada à relação entre o risco de extinção e os traços que os humanos muitas vezes valorizam, como o aspeto físico do animal ou os sons que produz. Foi essa relação que quiseram revelar com este trabalho.

Através da combinação de vários tipos de dados – cores, tamanho, dieta, área de distribuição, fatores humanos e comércio e risco de extinção – a dupla diz ter detetado uma “relação positiva clara entre a diversidade de cores e o risco de extinção”, e confirmam que “os pássaros mais coloridos estão em maior risco”. Mas existem variações.

“Os pássaros não são ameaçados pelas mesmas razões em todo o lado, e este artigo reforça essa ideia”, diz Ocampo-Peñuela. “No sudeste asiático o comércio para animais de estimação é um enorme problema para as aves canoras, mas na América Latina e em África provavelmente a perda de habitat e as alterações climáticas são mais importantes”, acrescenta.

No sudeste asiático, pequenas aves coloridas são mantidas como animais de estimação pela sua beleza e pelas canções melodiosas que produzem, explicam os investigadores, o que leva à sua captura e extração das florestas, um fator menos expressivo nos neotrópicos ou em África.

Descobriu-se também que a correlação entre coloração e risco de extinção era também forte em países pouco desenvolvidos, algo que os autores entendem como reflexo do comércio de aves como fonte de rendimento e do facto de haver poucas proteções que o impeçam.

A equipa espera que os resultados desta investigação ajudem a impulsionar ações de conservação a vários níveis, desde regras mais apertadas para o comércio de pássaros coloridos, passando por maior sensibilização das populações até ao maior financiamento para a proteção de espécies nas regiões onde estão em maior risco.

“As pessoas tendem a interessar-se mais por estas aves coloridas e a mobilizar-se em seu apoio, o que as torna espécies-símbolo realmente adequadas para a conservação”, diz Neate-Clegg.

“No entanto, se perdermos as espécies mais coloridas, perderemos aquelas com as quais as pessoas mais se preocupam e que estão a dar o maior contributo para a conservação. Queremos que as pessoas apreciem a beleza destas aves através da lente de uma câmara ou de um par de binóculos, e não numa gaiola.”

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