Peixes dominantes correm maior risco de ingerir microplásticos do que os subordinados

A descoberta foi feita por um trio de cientistas da Universidade de Glasgow (Reino Unido) e da East China Normal University (China), que queriam perceber os diferentes níveis de risco enfrentados pela vida marinha face à poluição por microplásticos.

Redação

Os peixes no topo das hierarquias sociais estão mais expostos ao risco de ingestão de minúsculas partículas de plástico do que os que têm posições inferiores.

A descoberta foi feita por um trio de cientistas da Universidade de Glasgow (Reino Unido) e da East China Normal University (China), que queriam perceber os diferentes níveis de risco enfrentados pela vida marinha face à poluição por microplásticos.

Num artigo publicado na revista ‘Proceedings of the Royal Society B’, além de revelarem o maior perigo que correm os peixes mais dominantes, mostram também que grupos com hierarquias sociais muito bem estabelecidas parecem conseguir distinguir melhor comida de poluição. Isso faz com que esses peixes, no âmbito dessas “famílias”, acabem por ingerir menos microplásticos do que grupos com “cadeias de comando” menos rígidas.

O movimento da água é também um fator determinante. De acordo com os investigadores, a maioria dos peixes ingeria menos microplásticos em locais onde a água flui, como em rios. Contudo, o contrário é verdade para os mais dominantes, que consomem mais plástico quando nadam em águas movimentadas.

Estes resultados, argumentam os autores do trabalho, mostram que em habitats poluídos os peixes dominantes e mais fortes estão especialmente vulneráveis aos microplásticos e que esse risco é influenciado pela estrutura social na qual esses animais vivem.

A investigação teve por base o estudo de uns pequenos peixes fluviais da espécie Phoxinus phoxinus recolhidos no Rio Kelvin, na Escócia, e que podem ser encontrados tanto em águas paradas como correntes, em grupo de poucos indivíduos a várias centenas.

“Uma importante implicação deste trabalho é o facto de o fluxo da água não dever ser tratado como uma condição secundária na investigação sobre microplásticos”, refere Weiwenhui Liang, primeira autora do artigo.

“A maior parte dos estudos experimentais sobre os efeitos dos microplásticos tem sido realizada em águas paradas, mas muitos animais aquáticos experienciam a poluição em água em movimento”, acrescenta.

Para a investigadora, este trabalho deixa claro que, pelo menos no que diz respeito a esta espécie, “a dominância pode ser uma faca de dois gumes”, pois “os traços que ajudam alguns peixes a conseguir acesso a alimento podem também fazer com que seja mais provável ingerirem poluição quando as partículas de plástico se parecem com a sua comida habitual”.

Por isso, Weiwenhui Liang considera que o risco representado pelos microplásticos “não é partilhado equitativamente dentro dos grupos sociais dos animais”, dependendo de “quem é o peixe, como se comporta e do ambiente social que o rodeia”.

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