Uma equipa internacional de investigadores conclui que uma simples substituição de matérias-primas na produção de cimento pode tornar o processo significativamente mais sustentável e também mais eficiente em termos energéticos.
O estudo, publicado na revista científica Communications Sustainability, indica que substituir o calcário utilizado no cimento Portland por rochas ricas em cálcio, como o basalto, pode reduzir as emissões de dióxido de carbono em mais de 80%.
O cimento Portland é o material de construção mais utilizado no mundo. Atualmente, a sua produção exige aquecer calcário a temperaturas superiores a 1.500 °C, libertando grandes quantidades de CO₂ como subproduto químico. A indústria do cimento representa cerca de 4,4% das emissões globais.
Os investigadores Jeff Prancevic e Cody Finke analisam a viabilidade de substituir o calcário por rochas silicatadas ricas em cálcio, como o basalto e o gabro, mantendo o produto final como cimento Portland convencional.
Segundo o estudo, estas rochas estão amplamente disponíveis na natureza e existem reservas suficientes para sustentar a produção de cimento durante centenas de milhares de anos aos níveis atuais de consumo.
A investigação estima ainda que esta mudança pode reduzir o consumo de energia em mais de 40% face ao processo tradicional.
Em termos de emissões, o valor por tonelada de cimento pode cair de cerca de 609 kg de CO₂ para entre 43 e 59 kg, dependendo do tipo de rocha utilizada.
Os autores referem que o processo pode ser implementado com tecnologia já existente na indústria, o que facilita uma adoção mais rápida em comparação com outras alternativas ao cimento convencional.
Além da redução de emissões, as rochas utilizadas contêm metais que podem ser recuperados como subprodutos, o que poderá aumentar a viabilidade económica do processo.
Os investigadores defendem que esta abordagem pode acelerar a descarbonização do setor da construção, mantendo ao mesmo tempo a compatibilidade com o cimento já usado atualmente.









