Pequinês e Spaniel japonês entre as raças com mais dificuldades respiratórias

O trabalho analisou 898 cães de 14 raças diferentes, comparando-os com três das raças mais associadas a problemas respiratórios: Pug, Bulldog Francês e Bulldog Inglês.

Redação

Para além dos conhecidos casos de Pugs e Bulldogs, há outras raças de cães braquicefálicos — de focinho curto e face achatada — com elevados níveis de dificuldades respiratórias. Um novo estudo internacional identificou o Pequinês e o Spaniel japonês como estando entre os mais afetados pela Síndrome Obstrutiva das Vias Aéreas dos Braquicefálicos (BOAS).

A investigação foi publicada na revista científica PLOS One e liderada por Francesca Tomlinson, da Universidade de Cambridge, no Reino Unido. O trabalho analisou 898 cães de 14 raças diferentes, comparando-os com três das raças mais associadas a problemas respiratórios: Pug, Bulldog Francês e Bulldog Inglês.

Resultados preocupantes

Os cães foram classificados numa escala de zero a três, sendo zero indicativo de poucos ou nenhuns sintomas e três correspondente a dificuldades acentuadas para respirar e praticar exercício.

Entre as 14 raças avaliadas:

  • O Pequinês apresentou uma taxa de BOAS semelhante à do Bulldog, com apenas 11% dos exemplares livres de sintomas.

  • O Spaniel japonês também revelou resultados preocupantes: apenas 17,4% dos cães avaliados estavam no grau zero.

  • Raças como o King Charles Spaniel, o Shih Tzu e o Boston Terrier apresentaram entre 25% e 50% dos animais sem sintomas relevantes.

  • Já o Cavalier King Charles Spaniel, o Pomerânia, o Boxer e o Chihuahua registaram os melhores resultados, com entre 50% e 75% dos cães classificados no grau zero

Fatores de risco identificados

Para além da raça, os investigadores identificaram características físicas associadas a maior risco de BOAS:

  • Face muito achatada

  • Narinas que colapsam durante a inspiração

  • Excesso de peso

A combinação destes fatores aumenta significativamente a probabilidade de dificuldades respiratórias, que se manifestam por respiração ruidosa, intolerância ao exercício e, nos casos mais graves, necessidade de cirurgia.

Implicações para criadores e donos

Os autores sublinham que os dados recolhidos se basearam em cães voluntários e que os valores comparativos para Pugs e Bulldogs remontam a 2016, podendo ter havido melhorias desde então. Ainda assim, defendem que compreender melhor os fatores de risco permite:

  • Evitar que características prejudiciais sejam valorizadas em exposições caninas

  • Orientar criadores para práticas que reduzam a incidência da síndrome

  • Informar futuros donos na escolha de animais com menor probabilidade de problemas respiratórios

Segundo os investigadores, a melhoria do bem-estar destas raças dependerá da conjugação entre evidência científica e o compromisso de criadores e proprietários em privilegiar a saúde acima da estética.

 

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