A área de florestas tropicais húmidas em todo o mundo perdida em 2025 foi 36% inferior à que se registou em 2024, graças a políticas e a uma fiscalização mais robustas, de acordo com um relatório recente.
Uma análise divulgada esta semana pelo Instituto Mundial dos Recursos (WRI, na sigla original em inglês) revela que, no ano passado, o mundo perdeu 4,3 milhões de hectares desses ecossistemas considerados essenciais refúgios de biodiversidade. Apesar da redução, o nível de perda de floresta tropical em 2025 continua a ser 46% superior ao que se registava há uma década, estimando-se que se percam 11 campos de futebol de floresta tropical húmida primária a cada minuto que passa.
“Uma queda desta escala num único ano é animadora”, diz Elizabeth Goldman, co-diretora da Global Forest Watch, uma iniciativa do WRI que monitoriza a desflorestação a nível mundial. Diz a responsável que, embora isso mostre que ações de combate à desflorestação, quando eficazes, dão bons frutos, parte desse declínio registado no ano passado deve-se aos impactos de incêndios extremos, que impedem a desflorestação pela mão humana.
Apesar dos progressos, a análise do WRI aponta que a perda de floresta tropical a nível global continua muito acima do que é preciso para alcançar a meta de fim da desflorestação e de recuperação das perdas definida para 2030, compromisso assumido pelos países do mundo em 2021 no âmbito da 26.ª cimeira climática mundial (COP26). Atualmente, a desflorestação está 70% acima do que é necessário para alcançar esse objetivo.
Incêndios como ameaça global crescente
Ainda que a expansão da agricultura continue a ser o principal motor da desflorestação a nível mundial, os incêndios contribuíram significativamente para as perdas de 2025. Estimativas avançadas pelo relatório do WRI indicam que fogos intensos, alimentados pelos efeitos das alterações climáticas, foram responsáveis por 42% das perdas de floresta tropical no ano passado, consumindo algo como 25,5 milhões de hectares.
Embora o risco de incêndios esteja a crescer nas regiões tropicais, onde a maior parte dos fogos têm origem humana, os maiores impactos na perda de floresta em 2025 registaram-se em regiões boreais e temperadas, onde as alterações climáticas estão a intensificar ciclos de fogo que ocorrem naturalmente e que fazem parte dessas paisagens.
Os especialistas que assinam esta análise apontam o Canadá como um dos exemplos mais preocupantes de 2025, onde os incêndios florestais destruíram 5,3 milhões de hectares de floresta, não deixando, contudo, de apontar que também no sul da Europa foram registados incêndios de grandes dimensões de impactos.
Apesar do alívio registado em 2025, em algumas regiões do planeta a perda de floresta continua bastante elevada, como na Bolívia, na República Democrática do Congo, no Peru, em Laos e em Madagáscar. Embora os fatores de perda variem, a expansão agrícola, a exploração mineral, os fogos e a exploração local para fins alimentares e obtenção de combustíveis estão entre os mais comuns.
Políticas mais fortes reduzem desflorestação no Brasil
Segundo o relatório, grande parte do declínio global na perda de floresta tropical foi impulsionado pelo Brasil. No ano passado, o país conseguiu reduzir a perda de floresta não associada a incêndios em 41% face a 2024, o nível mais baixo de que há registo.
Dizem os autores que esse declínio coincide com o fortalecimento das políticas ambientais impulsionado pela presidência de Lula da Silva.
“O progresso do Brasil mostra o que se consegue alcançar quando a proteção da floresta é encarada coo uma prioridade nacional”, diz Mirela Sandrini, diretora-executiva do WRI-Brasil. Contudo, deixa avisos: “a paisagem do Brasil está a tornar-se mais inflamável e o aumento do risco de incêndio significa que a aplicação da lei por si só não será suficiente”. Para a responsável, proteger os ganhos conseguidos em 2025 exigirá o reforço da prevenção liderada pelas comunidades locais e a criação de uma economia que valorize a conservação da floresta.
Daqui para a frente, para alcançar as metas globais em termos de combate à desflorestação será preciso não só que os líderes políticos se mantenham firmes nos compromissos assumidos e que continue a fluir investimento para proteger as florestas e mostrar que elas valem mais intactas, mas também da eficácia de mecanismos de financiamento como o Fundo “Florestas Tropicais para Sempre” (TFFF, na sigla original), laçado pelo Brasil na COP30 do final do ano passado, e do regulamento anti-desflorestação da União Europeia, o EUDR.
“O progresso que vimos em países como o Brasil e a Colômbia dá-nos esperança, mas está longe de ser garantido”, avisa Rod Taylor, diretor da secção global de florestas do WRI. “Estes são exemplos inspiradores do que se pode fazer para combater a desflorestação, mas também nos devem recordar do quanto o futuro das nossas florestas depende de vontade política e da resiliência que pode agora ser criada face às alterações climáticas”, acrescenta.









