A Ilha Coulman, no Mar de Ross e a uma dezena de quilómetros da costa da Antártida, é considerada uma das maiores colónias do mundo de pinguins-imperadores (Aptenodytes forsteri). Mas na última época de reprodução algo de preocupante aconteceu.
O número de crias que nasceram entre junho de 2025 e janeiro deste ano foi 69% inferior ao da época de reprodução anterior. Num artigo publicado na revista ‘Communications Earth & Environment’, um grupo de investigadores do Instituto de Investigação Polar da Coreia (KOPRI) revela que um grande icebergue desprendeu-se da Antártida continental, aproximou-se da ilha e bloqueou o acesso da colónia às suas áreas de alimentação.
Os cientistas dizem que isto mostra que não é só a cobertura de gelo marinho (essencial para que os pinguins e outros animais descansem, se reproduzam e se alimentem) que afeta o sucesso reprodutivo. Também os movimentos de icebergues de grandes dimensões podem ser determinantes.
Em novembro e dezembro de 2025, a equipa realizou dois levantamentos aéreos dos pinguins-imperadores na Ilha Coulman, tendo contado apenas 6.658 crias vivas.
O icebergue em questão tinha cerca de 13,9 quilómetros de comprimento e quatro de largura e ter-se-á desprendido da massa continental algures em março de 2025.
Os investigadores estimam que a barreira criada pelo icebergue terá aumentado significativamente a distância que os progenitores tinham de percorrer para encontrar alimento, para se susterem a eles e às suas crias que aguardavam na ilha. Em 2024 essa distância era de cerca de 9,3 quilómetros, mas em 2025, por causa do obstáculo, era já de quase 15 quilómetros.
Ainda que reconheçam que este trabalho se limita a uma só época de reprodução e que as consequências dos movimentos dos icebergues podem ser imprevisíveis e temporárias, o autores do estudo dizem que investigações futuras sobre a reprodução dos pinguins-imperadores deverão ter em linha de conta os impactos desses acontecimentos na estimativa de tendências de mais longo prazo, fundamentais para avaliar o estado de conservação da espécie, atualmente classificada como “em perigo” na Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza.
Os cientistas estimam que a população global de pinguins-imperadores tenha já sofrido uma perda de 10% entre 2009 e 2018, e prevê-se que os impactos crescentes das alterações climáticas na Antártida, a única região onde a espécie ocorre em estado selvagem, causarão uma redução que poderá ser superior a 50% até à década de 2080. O principal fator de ameaça é a perda de gelo marinho provocada pelo aumento da temperatura no pólo sul da Terra.









