Plantação de mānuka pode ajudar a recuperar biodiversidade em explorações agrícolas na Nova Zelândia

A investigação concluiu que, apenas cinco anos após a conversão de terrenos de pastoreio em florestas de mānuka, já se observa uma diversidade de espécies semelhante à de florestas mais antigas desta planta nativa.

Redação

Um estudo recente indica que a plantação de árvores de mānuka em antigas áreas de pastagem pode contribuir para o regresso de aves, morcegos e insetos, além de melhorar a qualidade da água em explorações agrícolas na Nova Zelândia.

A investigação, liderada pela empresa de mel Comvita e publicada no New Zealand Journal of Ecology, concluiu que, apenas cinco anos após a conversão de terrenos de pastoreio em florestas de mānuka, já se observa uma diversidade de espécies semelhante à de florestas mais antigas desta planta nativa.

Os cientistas registaram, por exemplo, um aumento significativo de atividade de morcegos — incluindo a espécie de cauda longa, considerada ameaçada — nas áreas reflorestadas, em comparação com os campos de pastagem. Também foram detetadas melhorias na qualidade da água em cursos próximos das zonas com mānuka, com maior presença de macroinvertebrados, indicadores de ecossistemas aquáticos saudáveis.

O estudo, desenvolvido numa propriedade da Ilha Norte, analisou diferentes fases de uso do solo, desde pastagens até florestas plantadas e áreas de regeneração natural. Os resultados apontam para um ponto crítico entre o terceiro e o quinto ano após a plantação, período em que a biodiversidade aumenta de forma mais acentuada.

Segundo os investigadores, a rapidez da recuperação ecológica foi um dos aspetos mais surpreendentes. Ao fim de cinco anos, as áreas plantadas já apresentavam comunidades de insetos e aves comparáveis às de florestas de mānuka com cerca de três décadas.

Além dos benefícios ambientais, os autores sublinham que este modelo pode oferecer novas oportunidades económicas sustentáveis para proprietários rurais, nomeadamente através da produção de mel, ao mesmo tempo que contribui para o sequestro de carbono e para a mitigação das alterações climáticas.

Ainda que os resultados se baseiem num único caso de estudo, os cientistas consideram que a conversão de terrenos agrícolas marginais em florestas de mānuka poderá ter impactos positivos significativos nos ecossistemas, conciliando produção agrícola com conservação da natureza.

Partilhe este artigo


Nova Edição

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.