Plantas nativas da Ilha Lord Howe deverão recuperar após erradicação dos ratos invasores

Estudo mostra que os roedores introduzidos causavam perdas significativas de sementes e frutos de dezenas de espécies nativas.

Redação

A vegetação nativa da Ilha Lord Howe, no Mar da Tasmânia, deverá beneficiar da erradicação dos ratos introduzidos, concluíram investigadores australianos. Os roedores, eliminados da ilha em 2023, estavam a causar danos generalizados às plantas nativas, nomeadamente através do consumo de sementes e frutos.

Antes da erradicação, os investigadores acompanharam, ao longo de várias épocas, 27 espécies de plantas nativas para avaliar a quantidade de sementes e frutos perdida devido à ação dos ratos. Os resultados, publicados numa revista científica com revisão por pares, mostram que 21 das espécies analisadas eram fortemente afetadas pelos roedores invasores.

Com a ausência dos ratos, estas espécies deverão conseguir recuperar, embora os investigadores alertem que nem todas se encontram na mesma situação. Algumas sofreram impactos particularmente graves e terão de ser acompanhadas de perto para avaliar a sua capacidade de recuperação.

Nem todas as espécies estão igualmente protegidas

A erradicação dos ratos representa uma oportunidade para a recuperação da vegetação da ilha, mas os investigadores sublinham que outros fatores poderão condicionar esse processo. Entre eles está a evolução das condições climáticas, que poderá aumentar a pressão sobre algumas espécies já fragilizadas.

O acompanhamento das plantas será, por isso, importante para perceber se a eliminação dos roedores é suficiente para inverter as perdas registadas e recuperar os processos naturais de regeneração da vegetação.

A Ilha Lord Howe, território australiano situado no Pacífico, alberga numerosas espécies de plantas e animais que evoluíram de forma isolada. A introdução de ratos representou uma ameaça significativa para este património natural, uma vez que os roedores se alimentavam de sementes, frutos e outros recursos das espécies nativas.

Os resultados agora obtidos sugerem que a eliminação de uma pressão introduzida pelo ser humano poderá permitir que muitas dessas plantas recuperem, embora algumas necessitem de monitorização continuada, sobretudo perante os efeitos adicionais das alterações climáticas.

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