Os pardelões-do-antártico (Macronectes giganteus) são aves que habitam as zonas marinhas e costeiras mais meridionais do planeta, da Antártida ao Chile, passando pela Argentina, pelo sul de África e pela costa australiana. Contudo, nem mesmo nas regiões remotas onde vivem estão protegidos contra a poluição gerada pelos humanos.
Um estudo realizado por investigadores do Instituto de Biologia de Organismos Marinhos (IBIOMAR), da Universidad Nacional del Litoral, ambos da Argentina, e da Universidade da Califórnia em Davis (Estados Unidos da América) revela os riscos enfrentados pelas crias de pardelão-do-antártico por causa da poluição de plástico que é transportadas pelas correntes marinhas.
Os plásticos tendem a acumular-se à superfície do mar, onde também as aves adultas procuram alimento para si e para levarem para as suas crias, que esperam pelos progenitores em terra. Contudo, os adultos podem estar a levar consigo muito mais do que peixe.
Num artigo publicado na revista ‘Ecotoxicology and Environmental Safety’, os cientistas dizem ter detetado plástico no estômago de mais de 71% das crias que estudaram em duas colónias na Argentina, nas ilhas de Arce e de Gran Robredo. Tudo indica que os progenitores estão a ingerir plásticos no mar e a dá-los, inadvertidamente, às suas crias como se fosse alimento.

Ao analisarem o desenvolvimento das crias, a equipa percebeu que mesmo quantidades pequenas de plástico, em relação à massa corporal do animal, têm impactos significativos na saúde das pequenas aves, especialmente das com cerca de um mês de idade.
“Contar pedaços de plástico é apenas uma parte da história”, diz Luciana Gallo, primeira autora do artigo.
Explica a investigadora do IBIOMAR que “estas crias pareciam saudáveis, e a quantidade de plástico que recolhemos era minúscula, mas ainda assim vimos alterações nos indicadores relacionados com a nutrição, metabolismo e função imunitária”.
As alterações eram mais ténues ou mesmo inexistentes em crias com cerca de três meses, perto da idade em que aprendem a voar, mas os cientistas não sabem se isso é porque o organismo dos animais aprende a compensar a contaminação por plástico ou se as crias mais jovens estão mais expostas à poluição.
Seja como for, os autores deste trabalho acreditam que os resultados devem promover uma maior atenção sobre esta espécie e outras de aves marinhas. Mesmo não sendo uma espécie ameaçada de extinção, a longo prazo a poluição por plástico pode vir a ter impactos significativos nos pardelões-do-antártico.
“No caso das aves marinhas de vida longa, como os pardelões-do-antártico, que se reproduzem lentamente e que estão já expostas a múltiplas pressões no mar, mesmo pequenos efeitos no desenvolvimento, na sobrevivência e, depois, no recrutamento das crias podem vir a ter importância a longo prazo”, explica Marcela Uhart, principal coautora do estudo.









