Políticos têm visões mais polarizadas sobre alterações climáticas do que o eleitorado

Apesar do consenso no mundo da Ciência sobre o papel central das atividades humanas nas alterações climáticas, no mundo da Política esse reconhecimento depende da orientação ideológica dos representantes. E isso pode ter impactos, positivos ou negativos, nos esforços de mitigação climática.

Redação

As alterações climáticas são hoje mais do mero facto científico: são uma arma política e ideológica. Aliás, há mesmo quem defenda que nem sequer são facto científico, mas sim um embuste criado para assustar e desestabilizar.

Assim, apesar do consenso no mundo da Ciência sobre o papel central das atividades humanas nas alterações climáticas, no mundo da Política esse reconhecimento depende da orientação ideológica dos representantes. E isso pode ter impactos, positivos ou negativos, nos esforços de mitigação climática.

Agora, um estudo publicado recentemente na revista ‘Communications Sustainability’, liderado pela Universidade de Konstanz (Alemanha), vem mostrar que os políticos têm visões muito mais polarizadas sobre as alterações climáticas do que os cidadãos comuns.

O trabalho passou pela análise de declarações de 714 representantes políticos eleitos e de 18.281 cidadãos residentes da Austrália, Bélgica, Alemanha, Israel, Luxemburgo, Países Baixos, Noruega e República Checa.

Uma das principais conclusões do estudo é que “a diferença entre as posições de representantes da esquerda e da direta é quase três vezes maior do que a diferença entre as visões de eleitores da esquerda e da direita”, explica Johannes Kotz, primeiro autor do artigo. E esse desfasamento é ainda mais vincado entre políticos de partidos dos extremos e o eleitorado.

Além disso, as diferenças entre políticos da esquerda e da direita não se resumem a posicionamentos distintos no que toca a políticas de mitigação, a investimentos e outros tipos de medidas. Diferenças fundamentais existem no que toca à forma como os políticos olham para os próprios alicerces científicos das alterações climáticas, designadamente, as causas do fenómeno.

“As visões sobre as alterações climáticas não são apenas opiniões abstratas que não têm consequências políticas”, salienta Kotz, para quem elas estão diretamente ligadas ao apoio ou rejeição de medidas climáticas concretas.

Os investigadores entendem que isso pode levar a um quadro de representação política que não reflete realmente as opiniões do eleitorado sobre as alterações climáticas nem a sua disponibilidade para apoiar, por exemplo, políticas de mitigação.

“Mostramos que a crença nas alterações climáticas de origem humana está politicamente polarizada e é relevante para o apoio a políticas de mitigação por parte de políticos e cidadãos nas democracias desenvolvidas”, lê-se no artigo científico divulgado.

“Este estudo destaca a necessidade de se desenvolverem estratégias de comunicação eficazes e reformas estruturais para promover debates políticos baseados na Ciência e apartidários, bem como para realinhar as opiniões climáticas dos políticos com as dos eleitores, especialmente entre os políticos de direita”, concluem os investigadores.

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