Poluição por cocaína altera comportamento de salmão em ambiente natural

A investigação, liderada por uma equipa da Griffith University em colaboração com instituições da Suécia, Reino Unido e Alemanha, é a primeira a demonstrar estes efeitos em condições reais, e não apenas em laboratório.

Redação

Um estudo internacional concluiu que a presença de cocaína e dos seus metabolitos em ambientes aquáticos pode alterar o comportamento de peixes em meio natural, levando a mudanças significativas nos seus padrões de movimento e dispersão.

A investigação, liderada por uma equipa da Griffith University em colaboração com instituições da Suécia, Reino Unido e Alemanha, é a primeira a demonstrar estes efeitos em condições reais, e não apenas em laboratório.

O trabalho acompanhou 105 juvenis de salmão-do-Atlântico (Salmo salar) no lago Vättern, na Suécia, ao longo de oito semanas, recorrendo a implantes de libertação lenta de substâncias químicas e tecnologia de rastreamento acústico para monitorizar os seus movimentos.

Os peixes foram divididos em três grupos: um grupo de controlo, um grupo exposto a cocaína e outro exposto a benzoylecgonina, o principal metabolito da droga, frequentemente detetado em águas residuais.

Os resultados mostraram que os peixes expostos ao metabolito nadaram até 1,9 vezes mais por semana e dispersaram-se até 12,3 quilómetros mais do que os peixes não expostos, com efeitos mais acentuados ao longo do tempo.

Segundo os investigadores, estas alterações no comportamento podem ter impacto na forma como as populações interagem com o ecossistema. “Para onde os peixes vão determina o que comem, o que os come e como as populações se estruturam”, explica o investigador Marcus Michelangeli.

O estudo sublinha que a cocaína e os seus derivados chegam aos rios e lagos sobretudo através de sistemas de tratamento de águas residuais que não estão preparados para remover completamente este tipo de compostos.

Uma das conclusões mais relevantes é o facto de o metabolito da cocaína ter tido um efeito mais forte do que a própria substância original, algo que os autores consideram importante para futuras avaliações de risco ambiental.

Os investigadores esclarecem ainda que não existem implicações para o consumo humano de peixe, uma vez que os níveis de exposição observados correspondem aos já detetados em ambientes contaminados e os animais estudados eram juvenis.

O estudo foi publicado na revista científica Current Biology.

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