População de jaguares no México cresce 10% em seis anos

O terceiro censo nacional da população de jaguares (Panthera onca) no México revelou um aumento de 10% desde a última avaliação em 2018 e de 30% face a 2010, quando o governo classificou a espécie como ameaçada de extinção.

Filipe Pimentel Rações

O terceiro censo nacional da população de jaguares (Panthera onca) no México revelou um aumento de 10% desde a última avaliação em 2018 e de 30% face a 2010, quando o governo classificou a espécie como ameaçada de extinção.

A destruição do habitat, a caça furtiva, o tráfico ilegal e os conflitos com a pecuária são algumas das principais ameaças que empurraram a espécie para uma zona de perigo no que toca à sua sobrevivência nesse país, e continuam a exercer pressão sobre o maior felídeos das Américas.

No entanto, esforços de conservação que juntaram cientistas, organizações não-governamentais, entidades governamentais e comunidades locais nas últimas duas décadas permitiram recuperar as populações desse grande felídeo selvagem, fazendo aumentar os seus números de 4.800 animais há seis anos para 5.326 em 2024.

Entre as ações implementadas que tornaram tal possível estão o aumento das áreas protegidas onde ocorrem jaguares, a criação de corredores ecológicos para mitigar a fragmentação dos habitats, passagens para a vida selvagem que reduzem mortes por atropelamento e o reforço do combate aos crimes ambientais.

Apesar das notícias animadoras, o trabalho não está acabado, uma vez que para que os jaguares deixem de ser considerados uma espécie ameaçada de extinção a sua população nacional tem de alcançar, no mínimo, oito a 10 mil indivíduos a viverem na Natureza. E isso, estimam os especialistas, só deverá acontecer daqui a mais de 30 anos, considerando as tendências populacionais atuais.

A maior concentração de jaguares foi registada, durante a realização do mais recente censo, na região da Península de Iucatão, com uma população de 1.699 indivíduos. Núcleos populacionais significativos foram também detetados nas regiões do Pacífico Sul, com 1.541 animais, no centro e nordeste mexicano, com 813, na zona do Pacífico Norte, com 733, e na região costeira do Pacífico central, com 540 jaguares.

O trabalho foi coordenado pela organização Alianza Nacional para la Conservación del Jaguar (ANCJ), que elaborou as estimativas populacionais com base em imagens recolhidas durante 90 dias por mais de 920 câmaras automáticas instaladas em 15 estados mexicanos.

A ANCJ apela ao reforço dos esforços de conservação da espécie no México, nomeadamente, à proteção dos seus habitats e dos corredores ecológicos, ao fortalecimento do mecanismo de indemnização por perdas de gado resultantes de ataques de jaguares, ao aumento dos recursos para uma melhor gestão das áreas protegidas e o reforço do combate ao tráfico das suas peles, crânios, garras e dentes caninos.

De acordo com a organização, o tráfico de produtos derivados de jaguares está a tornar-se uma “ameaça grave” à sobrevivência desses grandes felídeos e é preciso combatê-la com mais força.

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