Por onde andaram Júlia e Bartolomeu, os jovens que foram estudar num navio à vela?

O regresso do School at Sea

Em Setembro contámos-lhe a história de Júlia e Bartolomeu, dois amigos da Horta, no Faial, Açores, que procuravam apoios para estudar durante seis meses a bordo de um navio à vela pelo Atlântico Norte – o célebre projecto School at Sea.

A viagem terminou a 18 de Abril e os jovens contaram ao Diário de Notícias algumas das peripécias a bordo do Regina Maris, que deixou Amesterdão (Holanda) rumo a Inglaterra e passou sucessivamente por Tenerife (Espanha), Cabo Verde, Saba (Pequenas Antilhas, Holanda), Panamá, Colômbia, Cuba, Bermudas e Horta (Açores), antes de regressar ao porto holandês de onde partiu.

Durante a viagem, Bartolomeu Ribeiro, de 17 anos, e Júlia Branco, de 15, viveram com uma comunidade rastafári, na Dominica, e perceberam diferentes realidades sociais, económicas e culturais entre diferentes países. “De Cuba para as Bermudas o choque é enorme”, confessa Bartolomeu. “Passámos de um sítio onde as pessoas lutam imenso para conseguir comida para um lugar onde a luta é para conseguir o último iPhone. São extremos”, confessou ao Diário de Notícias.

Em Cuba e no Panamá, os jovens foram divididos em quatro grupos e foi-lhes dado um orçamento para viverem durante uma semana. “No Panamá o desafio era atravessar o país quase inteiro por nossa conta. Vai um professor com cada grupo, apenas para garantir que ninguém infringe as regras”, recorda o jovem.

O School at Sea contou com 34 jovens – 32 holandeses e a dupla portuguesa. Os jovens seguem os programas das suas escolas de origem e são acompanhados por professores de áreas nucleares. A bordo, um dia é dedicado aos estudos, o outro a tudo o que implica a vida marítima, da navegação à cozinha. Pelo meio, têm ainda a oportunidade de explorar muitos países e culturas.

Para estudar a bordo do navio à vela, os dois amigos tiveram de reunir €21.000. “Trabalhámos muito para arranjar apoios para que pudéssemos concretizar este sonho”, admite Bartolomeu. A Cofaco, detentora da marca Bom Petisco, suportou metade das propinas. E os jovens chegaram a promover vendas de doces para conseguir o investimento restante, como confessaram em Setembro ao Green Savers.

Segundo Júlia Branco, neste momento existem cinco portugueses a tentar reunir patrocínios para viajarem no próximo ano. “Espero que mais portugueses participem, porque é fantástico ver outras perspectivas do mundo”. Um deles é irmão de Bartolomeu. O mar está-lhes no sangue.

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