Porque é que algumas pessoas agem face às alterações climáticas enquanto outras permanecem em silêncio?

O estudo, divulgado pela Murdoch University, analisou respostas de cerca de 500 pessoas nos Estados Unidos que apoiam a ação climática e identificou três perfis distintos de envolvimento.

Redação

Uma nova investigação em psicologia sugere que os apoiantes da ação climática não constituem um grupo homogéneo, identificando diferentes perfis psicológicos que ajudam a explicar porque é que algumas pessoas se mobilizam enquanto outras permanecem inativas.

O estudo, divulgado pela Murdoch University, analisou respostas de cerca de 500 pessoas nos Estados Unidos que apoiam a ação climática e identificou três perfis distintos de envolvimento.

O autor principal da investigação, Susilo Wibisono, sublinha que o debate público sobre ativismo climático tende a ser simplificado.

“O discurso público sobre o ativismo climático, especialmente o ativismo mais radical, tende a ser bastante redutor”, afirma, acrescentando que “os apoiantes da ação climática são muitas vezes tratados como se fossem um grupo único, mas queríamos perceber em que é que são diferentes e o que os motiva.”

A investigação envolveu também equipas da University of Queensland, da Flinders University, da Georgetown University e da Université du Québec à Montréal.

Três perfis de apoiantes

Segundo os investigadores, foram identificados três perfis principais entre os apoiantes da ação climática.

“O primeiro corresponde aos ativistas clássicos — pessoas organizadas, cooperativas e genuinamente empenhadas na causa social”, explica Susilo Wibisono.

“São aqueles com maior probabilidade de realizar ações convencionais, como assinar petições ou aderir a grupos”, adianta.

O segundo grupo é composto por pessoas mais ansiosas e inseguras, com vontade de ajudar, mas com dificuldade em envolver-se ativamente.

“O segundo grupo é constituído por pessoas mais ansiosas e inseguras. Querem ajudar, mas não conseguem pôr-se em movimento”, refere o investigador, acrescentando que “não têm uma identificação forte com o movimento climático e essa combinação de sensibilidade emocional com falta de ligação a um grupo de referência deixa-as num estado intermédio.”

O terceiro grupo, considerado o mais surpreendente, reúne pessoas mais inclinadas para ações disruptivas, embora nem sempre motivadas por preocupação climática.

“O terceiro grupo tende a ser mais disruptivo nas suas abordagens, mas não necessariamente porque esteja muito empenhado na causa climática”, explica.

“São pessoas com tendência para reforçar hierarquias — ou seja, que aceitam a ideia de que alguns grupos devem ter mais poder do que outros”, aponta, sublinhando que “não seria expectável encontrar este tipo de perfil no ativismo climático, mas foi o grupo que mostrou maior predisposição para ações radicais.”

“A nossa interpretação é que estas ações podem não estar tanto ligadas à justiça climática, mas sim à expressão de uma dimensão mais competitiva da personalidade”, revela.

Implicações para o ativismo climático

Os autores defendem que estes resultados mostram a necessidade de abordagens mais diferenciadas na comunicação sobre clima.

“Em vez de lançar uma mensagem genérica de apelo à ação, os movimentos beneficiariam de uma reflexão mais cuidada sobre quem estão a interpelar e qual é o ponto de partida psicológico dessas pessoas”, conclui Wibisono.

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