Portugal assinala hoje os 130 anos da primeira campanha oceanográfica nacional, protagonizada pelo rei D. Carlos, iniciando ao largo de Oeiras a primeira campanha deste ano de monitorização do impacto da atividade humana nos ecossistemas marinhos.
A missão, a cargo do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), enquadra-se na primeira campanha oceanográfica deste ano da diretiva-quadro estratégia marinha europeia e durará duas semanas, decorrendo a bordo do navio de investigação “Mário Ruivo”.
As campanhas realizadas no âmbito desta diretiva-quadro visam avaliar os impactos da atividade humana nos ecossistemas marinhos, nomeadamente das descargas fluviais e urbanas, pesca, aquacultura, turismo costeiro intensivo, transporte marítimo, atividades portuárias e industriais e deposição de lixo marinho.
A 01 de setembro, mas em 1896, iniciou-se bem próximo, na costa de Cascais, a primeira campanha oceanográfica dirigida pelo rei D. Carlos, a bordo do iate “Amélia”, que, nessa zona, permaneceu até 05 de outubro.
A campanha, que se estendeu ao largo do cabo Espichel, Berlengas e Setúbal, visou o estudo científico da costa portuguesa, incluindo a fauna.
Entre o equipamento usado encontravam-se garrafas de Nansen, garrafas de recolha de água a certas profundidades e assim chamadas devido ao nome do cientista e explorador norueguês que as inventou no final do século XIX, Fridtjof Nansen.
Mais de 100 anos depois, o mesmo tipo de instrumento será utilizado hoje na missão do IPMA ao largo de Oeiras, que tem a duração de cerca de uma hora e é conduzida por seis investigadores do instituto, que irão recolher amostras de água e sedimentos, a analisar depois em laboratório.
Uma segunda campanha, este ano, no âmbito da mesma diretiva-quadro estratégia marinha europeia, está prevista para dezembro, segundo o IPMA.
Ao todo, o navio do IPMA “Mário Ruivo”, nome do biólogo e especialista em oceanografia que morreu em 2017 aos 89 anos, acumulará 115 dias no mar até ao fim do ano, entre campanhas oceanográficas e testes de equipamentos.
Em agosto, o IPMA coordenou uma campanha no norte dos Açores de caracterização do fundo marinho e da sua biodiversidade, abrangendo nomeadamente o complexo de montes submarinos Gnitsevich e o monte submarino Anti-Altair, que estava enquadrada no programa para a gestão e planeamento das áreas marinhas protegidas oceânicas na região.









