Um grupo de investigadores captou o que diz serem as primeiras imagens de uma lula do Ártico da espécie Rossia moelleri no seu habitat natural numa região remota do Atlântico Norte.
Os registos foram conseguidos no Parque Nacional do Nordeste da Gronelândia, considerado o maior parque nacional do mundo, estendendo-se sobre o mar envolvente até três milhas náuticas a partir da costa.
A descoberta foi liderada pela bióloga Paige Maroni, da Universidade da Austrália Ocidental, e divulgada na revista ‘Polar Biology’.
“O Parque Nacional do Nordeste da Gronelândia é o maior parque nacional da Terra, mas uma das regiões marinhas no Ártico menos biologicamente documentadas”, descreve a primeira autora do artigo.
Além do registo da presença da lula R. moelleri, um animal de aspeto compacto e arredondado que não ultrapassa os 10 centímetros de comprimento, de olhos proeminentes adaptados à vida nas profundezas escuras e frias do oceano, os cientistas descobriram que se tratava de uma fêmea com vários conjuntos de ovos nas proximidades. Por isso, tudo indica que haja reprodução ativa naquela região remota e gélida do planeta.

“A lula e os ovos foram registados a uma profundidade de 50 metros em água a cerca de 1,6 graus Celsius negativos, o que destaca a resiliência da vida marinha num dos ambientes mais extremos da Terra”, diz Maroni.
A investigadora considera que conhecer e documentar a biodiversidade nessa região é “crucial” para compreender como é que o ecossistema funciona e avaliar a sua resiliência num quadro de “alterações climáticas em aceleração”.
No artigo, os cientistas escrevem que, dada a “rápida transformação ambiental” da região do leste da Gronelândia é importante continuar a monitorizar as lulas R. moelleri para perceber como lidam com o aumento da temperatura das águas marinhas em que vivem e com todas as demais consequências ecológicas provocadas por esse aquecimento.
“Tais descobertas mostram como mesmo registos isolados e comprovados, provenientes de ecossistemas polares pouco estudados, podem proporcionar uma compreensão desproporcionalmente profunda da resiliência e da adaptabilidade da vida marinha nos limites da habitabilidade”, declaram.









