Probióticos diários podem ajudar a prevenir infeções de pele em cães

Durante 90 dias, a equipa acompanhou 12 cães da raça Golden Retriever, avaliando alterações nas bactérias presentes no intestino e na pele. Os resultados indicam uma correlação positiva entre a saúde intestinal e a qualidade da pele, reforçando a chamada ligação “intestino-pele”.

Redação

A administração diária de probióticos e pós-bióticos pode melhorar significativamente a saúde intestinal e cutânea dos cães, reduzindo o risco de infeções de pele e a necessidade de antibióticos, segundo um estudo conduzido por investigadores da Universidade de Adelaide.

A investigação, publicada nas revistas científicas Veterinary Dermatology e Veterinary Research Communications, baseia-se numa das análises mais detalhadas ao microbioma canino realizadas até hoje, recorrendo a técnicas avançadas de sequenciação de ADN.

Durante 90 dias, a equipa acompanhou 12 cães da raça Golden Retriever, avaliando alterações nas bactérias presentes no intestino e na pele. Os resultados indicam uma correlação positiva entre a saúde intestinal e a qualidade da pele, reforçando a chamada ligação “intestino-pele”.

Segundo Darren Trott, professor de medicina veterinária e diretor do Australian Centre for Antimicrobial Resistance Ecology, o estudo procurou colmatar a falta de conhecimento sobre os efeitos sistémicos dos probióticos. “Os resultados mostram que um suplemento oral diário pode promover bactérias benéficas não só no intestino, mas também na pele, abrindo novas possibilidades para apoiar a saúde cutânea sem recorrer a antibióticos”, afirma.

Entre as principais conclusões, destaca-se o aumento de espécies bacterianas benéficas como Lactobacillus acidophilus, Lactobacillus johnsonii e Limosilactobacillus reuteri, tanto no sistema digestivo como na pele. Em paralelo, verificou-se uma maior diversidade microbiana — um indicador de saúde — e uma redução de bactérias potencialmente nocivas, como Staphylococcus pseudintermedius, frequentemente associada a infeções cutâneas em cães.

O estudo utilizou tecnologia de sequenciação genética de última geração, permitindo identificar com maior precisão as espécies bacterianas e compreender melhor a evolução das comunidades microbianas.

Para Michael Shipstone, dermatologista veterinário envolvido na investigação, os resultados fornecem uma base importante para estudos futuros em animais com doenças de pele, como a dermatite atópica, onde o desequilíbrio microbiano é um fator relevante.

Além dos benefícios diretos para a saúde animal, os investigadores sublinham o potencial impacto na redução do uso de antibióticos. As doenças de pele são uma das principais razões para a sua prescrição em animais de companhia, contribuindo para o problema global da resistência antimicrobiana.

Ainda assim, os autores alertam que são necessários mais estudos para confirmar se estas alterações no microbioma se traduzem em melhorias clínicas em cães com doenças já diagnosticadas. Ensaios futuros irão avaliar se a suplementação pode restaurar o equilíbrio microbiano e aliviar sintomas em animais afetados.

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