O Proibido Déjà Vu, do projeto Márcio Lopes Winemaker, não é apenas um vinho. É uma resposta consciente às mudanças climáticas no Douro, pensado para as próximas décadas. A terceira edição, referente a 2023, será lançada até final deste ano, mantendo a mesma filosofia de adaptação ao futuro climático da região, foi divulgado em comunicado.
“Fizemos um vinho de lote pensando no Douro daqui a 10 ou 20 anos, tendo em conta o aquecimento global”, afirma Márcio Lopes. “O Proibido Déjà Vu é o resultado de castas que se adaptam às mudanças climáticas, mantendo acidez, frescura e capacidade de envelhecimento, mesmo com verões mais quentes e secos.”
O segredo do Proibido Déjà Vu está na seleção de castas de ciclo longo, como Tinta da Barca, Alvarelhão, Touriga Nacional e Tinta Roriz, esta de uma vinha com quase 90 anos. As uvas amadurecem lentamente, permitindo manter o equilíbrio de pH e acidez, essenciais para a longevidade do vinho.

“Mais do que o álcool, é a acidez – e sobretudo o equilíbrio entre as partes – que faz um vinho envelhecer bem. As castas de ciclo longo mantêm frescura e estrutura mesmo com temperaturas mais elevadas, sem necessidade de correções na adega”, explica o enólogo.
“Algumas castas tradicionais do Douro, como a Tinta Roriz, a Touriga Franca ou a Tinta Barroca, perdem acidez rapidamente em verões mais quentes ou períodos com maior amplitude térmica. Temos castas que efetivamente não vamos conseguir manter no futuro! É por isso que identificámos vinhas velhas e plantámos castas resistentes, para garantir que o futuro do Douro continue equilibrado e elegante.”
Um Douro que olha para o amanhã
A produção do Proibido Déjà Vu segue um método artesanal: vindima manual, transporte em pequenas caixas, fermentação lenta e estágio em barricas usadas, permitindo que o caráter do terroir se expresse sem interferências.
As uvas provêm de subzonas distintas do Douro (Foz Côa, Nagozelo do Douro e Vale de Mendiz) e de altitudes entre 150m e 550m, garantindo diversidade e complexidade aromática. Esta combinação de terroir, idade das vinhas e castas resistentes resulta num vinho encorpado, fresco e equilibrado, refletindo o potencial do Douro para enfrentar as mudanças climáticas.
“Estamos a criar um estilo que não responde a modas, mas que viaja no tempo. Queremos que o vinho continue a ser encorpado e fresco, mesmo com os efeitos do aquecimento global”, acrescenta Márcio Lopes.
Embora o Proibido Déjà Vu exista em edições anteriores, estando no mercado a edição de 2022, o foco principal não é a novidade, mas a filosofia de adaptação climática que cada garrafa representa. A terceira edição, referente a 2023, reforça a visão do enólogo: um vinho que é uma ponte entre o presente do Douro e o seu futuro climático, mantendo identidade, frescura e sustentabilidade.
No Douro, o projeto Márcio Lopes Winemaker, fundado em 2010, desenvolve-se sob a marca Proibido, combinando vinhas próprias com o trabalho de proximidade junto de pequenos viticultores parceiros. Na região, Márcio Lopes é proprietário da Quinta do Pombal, em Vila Nova de Foz Côa (Douro Superior), e adquiriu em 2024 a Quinta do Malhô, em Ervedosa do Douro, no concelho de São João da Pesqueira (Cima Corgo).









