Quercus e ANTRAM exigem a Juncker redução de 24% das emissões poluentes dos transportes pesados em 2025

“Se a Europa quer, de facto, liderar o combate às alterações climáticas, então deve comprometer-se em reduzir as emissões de dióxido de carbono (CO2) dos camiões em 24%, em 2025, uma meta que, se alcançada, permitiria uma poupança anual de 7700 euros por camião.” É esta a mensagem enviada ao Presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, numa acção conjunta organizada pela Federação Europeia dos Transportes e Ambiente (T&E), de que a Quercus é membro, e subscrita também pela Associação Nacional de Transportes Públicos Rodoviários de Mercadorias (Antram).

 O apelo a Juncker foi enviado numa carta assinada por 36 grandes empresas mundiais, transportadoras e associações do sector, exigindo que a Comissão apresente, já no próximo mês, uma proposta mais ambiciosa para reduzir as emissões de CO2 dos camiões.

O sector dos transportes é, na verdade, o maior problema climático da Europa, sendo responsável por 27% das emissões de CO2 da União Europeia. Por outro lado, os veículos pesados representam 26% das emissões associadas ao transporte rodoviário. As empresas e associações signatárias desta carta afirmam estar cientes das suas responsabilidades, mas argumentam que os decisores políticos, por seu turno, têm de criar condições de enquadramento adequadas que permitam ao sector alcançar as suas metas. Uma das formas mais eficazes de o conseguir é pela definição de padrões de eficiência de combustível para os veículos pesados.

“Adicionalmente, a Quercus e a ANTRAM concordam que deverá ser definida uma meta ambiciosa para a venda de camiões com zero emissões”, afirma a organização ambiental em comunicado. Para cumprir as metas do Acordo de Paris, o sector dos transportes precisa reduzir as suas emissões para zero, até 2050 e, embora já exista tecnologia de emissões zero para camiões, o seu fornecimento é ainda limitado e apresenta custos elevados. Nesse sentido, a próxima proposta relativa aos padrões de eficiência de combustível para camiões – que se prevê ser publicada a 16 de Maio – também deverá garantir que os fabricantes tenham um objectivo mínimo para a venda de camiões zero emissões.

Esta “missiva que não pode ser ignorada pelos decisores políticos da Comissão Europeia, na medida em que ao juntar grandes agentes económicos e associações de vários países reforça a mensagem de que a adopção de metas climáticas ambiciosas não é apenas benéfica para o ambiente, mas também para a economia e inovação europeias”, alerta a Quercus.

Para a ANTRAM os negócios futuros passam pela utilização de veículos ambientalmente mais “friendly” e tecnologicamente responsáveis. “Estamos certos de que um serviço de transporte imprescindível e de excelência passa por veículos de transporte rodoviário com preços competitivos e que cooperem nesse esforço, compartilhando as soluções como oportunidades estratégicas para o futuro”, explicam.

 Os signatários desta carta incluem a Carrefour, IKEA, Unilever, Heineken, Nestle, Geodis, Alstom, DB Schenker, Philips Lighting, o grupo de supermercados Colruyt, para além de outras empresas. Ao nível das associações nacionais de transporte, estão representados, para além de Portugal, a Holanda, Espanha, Hungria e Bélgica.

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