A associação ambientalista Quercus pediu ontem esclarecimentos ao Instituto da Conservação da Natureza sobre as mudanças anunciadas no centro de reprodução do lince-ibérico de Silves e instou o ex-ministro Jorge Moreira da Silva a comentar a medida.
Em comunicado, Quercus apelou ao antigo ministro do Ambiente, classificado como o “pai da reintrodução do lince-ibérico em Portugal”, que se pronuncie publicamente sobre as mudanças anunciadas na semana passada no Centro Nacional de Reprodução do Lince-Ibérico (CNRLI) de Silves.
“Causa estranheza o eventual e repentino afastamento do atual coordenador e de toda a equipa de técnicos especializados que, há 16 anos, contribuem para o sucesso” do CNRLI, denunciou a associação Quercus.
Segundo a associação, as mudanças na administração do CNRLI, com efeito a partir de 1 de junho, poderão ter um impacto negativo na continuidade da investigação científica sobre essa espécie, “que chegou a estar à beira da extinção”.
A Quercus apelou ao governo para esclarecer, “com a máxima brevidade”, se a atual equipa do CNRLI será incorporada no ICNF, e, caso contrário, quem irá substituí-la.
Também pediu que “sejam explicadas as medidas previstas para assegurar uma transição técnica, legal e operacionalmente segura”.
A associação ambientalista exigiu uma maior transparência da parte do Governo e lembrou que a conservação da natureza deve “assentar numa relação de cooperação entre entidades públicas, organizações não-governamentais, centros de recuperação, investigadores e sociedade civil”.
Na última quarta-feira, a ministra do Ambiente declarou que a decisão do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) de passar a gerir diretamente o Centro Nacional de Reprodução do Lince Ibérico (CNRLI) era uma questão de “gestão interna”.









