Reciclagem de embalagens cresce apenas 1% no primeiro semestre e continua longe das metas europeias

Sociedade Ponto Verde alerta que o ritmo de crescimento é insuficiente para cumprir os objetivos de reciclagem, com o vidro a continuar a ser o material mais preocupante.

Green Savers com Lusa

As embalagens provenientes da recolha seletiva enviadas para reciclagem aumentaram apenas 1% no primeiro semestre de 2026, totalizando 233.065 toneladas, o equivalente a mais 2.071 toneladas face ao mesmo período do ano passado. Apesar da evolução positiva, a Sociedade Ponto Verde (SPV) considera que o crescimento continua muito aquém do necessário para que Portugal consiga cumprir as metas europeias de reciclagem de embalagens.

Entre os vários materiais, o vidro continua a ser motivo de preocupação, registando um aumento de apenas 1% na recolha seletiva.

“Metade do ano já passou e os números mostram que, se continuarmos neste caminho, estaremos perante mais um ano em que não conseguiremos cumprir as metas de reciclagem de embalagens. O sistema continua a responder abaixo do seu potencial e aquilo que falta, neste momento, é agir no terreno. É imperativo transformar o investimento já realizado em melhores resultados na recolha seletiva e na triagem para conseguirmos aumentar a reciclagem de embalagens”, afirma Ana Trigo Morais, CEO da Sociedade Ponto Verde.

Portugal tem atualmente a obrigação de reciclar 65% das embalagens colocadas no mercado. No entanto, em 2025, o país registou uma taxa de retoma de resíduos de embalagens de 60,5%, ficando abaixo da meta europeia e entrando em situação de incumprimento.

Segundo a SPV, o principal desafio continua a estar na eficiência dos sistemas de recolha seletiva e triagem. A entidade considera que o esforço dos cidadãos na separação dos resíduos deve ser acompanhado por melhorias no serviço prestado.

“Os cidadãos têm vindo a ser chamados a participar e a separar corretamente as suas embalagens. Mas também esperam encontrar um serviço com mais qualidade e conveniência, com ecopontos mais acessíveis, disponíveis, limpos e recolhidos com regularidade. A verdade é que o sistema está a ser financiado, mas esse investimento continua sem se traduzir numa melhoria de serviço que é urgente e necessária”, acrescenta Ana Trigo Morais.

Mais investimento, mas resultados ainda limitados

O investimento no Sistema Integrado de Gestão de Resíduos de Embalagens (SIGRE) tem vindo a aumentar nos últimos anos. Em 2026, o financiamento assegurado pela SPV e pelas restantes entidades gestoras deverá atingir os 237 milhões de euros, mais 25 milhões do que em 2025.

Já no ano passado, o sistema beneficiou de um reforço histórico de 90 milhões de euros, elevando o financiamento total para 212 milhões de euros.

De acordo com a SPV, este aumento dos recursos financeiros destinou-se a reforçar a capacidade de investimento dos sistemas municipais, multimunicipais e concessionários responsáveis pela recolha seletiva, com o objetivo de acelerar melhorias operacionais e incentivar uma maior participação dos cidadãos.

Papel e alumínio em destaque, vidro continua a atrasar metas

Entre os diferentes materiais, o papel e cartão registaram um crescimento de 5%, enquanto o alumínio aumentou 7%.

Já o vidro voltou a apresentar uma evolução muito limitada, colocando em risco o cumprimento das metas específicas de reciclagem deste material.

As embalagens de cartão para alimentos líquidos (ECAL), apesar de sinais de recuperação, continuam 1% abaixo dos valores registados no período homólogo.

No caso dos plásticos, os resultados variam consoante a tipologia. A redução global observada resulta sobretudo da quebra nas chamadas “outras embalagens de plástico”, categoria que inclui produtos como embalagens de batatas fritas, copos de iogurte ou embalagens de frutos secos.

Em sentido contrário, algumas categorias apresentaram desempenhos positivos. O filme plástico, que inclui sacos e películas de agrupamento de embalagens, cresceu 8%. As embalagens em PEAD, como frascos de detergente e champô, aumentaram 3%, enquanto as embalagens PET, utilizadas em garrafas de bebidas, registaram um crescimento de 6%.

Tecnologia e inovação apontadas como prioridades

Para a Sociedade Ponto Verde, a prioridade passa agora por garantir que o investimento disponível se traduz numa maior modernização e eficiência do sistema.

A entidade defende uma aposta reforçada em tecnologia, incluindo ecopontos inteligentes com sensores, sistemas de recolha porta a porta mais eficientes e modelos “pay as you throw”, nos quais os utilizadores pagam em função da quantidade de resíduos indiferenciados produzidos.

Segundo a SPV, estas soluções poderão aumentar a eficiência da recolha seletiva, melhorar a qualidade da triagem e contribuir para um aumento significativo das quantidades de embalagens encaminhadas para reciclagem.

A organização destaca ainda que, ao longo dos seus 30 anos de atividade, investiu cerca de 19,4 milhões de euros em projetos de inovação e investigação e desenvolvimento ligados à gestão de resíduos e reciclagem de embalagens.

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