Recifes antigos ajudam a explicar diversidade da vida marinha atual

A investigação, coordenada pelo cientista Alexandre Siqueira, indica que a maior expansão de recifes de coral dos últimos 100 milhões de anos ocorreu entre há 20 e 10 milhões de anos.

Redação

Um novo estudo liderado pela Edith Cowan University revela que a região entre a Austrália e o Sudeste Asiático foi, há milhões de anos, um verdadeiro “berçário” de recifes de coral gigantes, desempenhando um papel determinante na origem da extraordinária biodiversidade marinha que hoje caracteriza os oceanos tropicais.

A investigação, coordenada pelo cientista Alexandre Siqueira, indica que a maior expansão de recifes de coral dos últimos 100 milhões de anos ocorreu entre há 20 e 10 milhões de anos. Esse período marcou um ponto de viragem na história da Terra, durante o qual os recifes não só cresceram como atingiram dimensões muito superiores às atuais.

Atualmente, os recifes de coral ocupam menos de 1% dos oceanos, mas suportam cerca de um quarto de todas as espécies marinhas. Ainda assim, a origem dessa diversidade tem permanecido pouco clara.

Com base na análise de registos geológicos, fósseis e dados genéticos, a equipa concluiu que mudanças ambientais, biológicas e tectónicas favoreceram uma expansão sem precedentes dos recifes na região hoje conhecida como Arquipélago Indo-Australiano.

Segundo os investigadores, o crescimento destes ecossistemas criou novos habitats e oportunidades ecológicas, permitindo a evolução e diversificação de numerosas espécies, incluindo grupos emblemáticos como os peixes-papagaio.

Vestígios de um sistema colossal

Os cientistas designaram esta antiga rede de recifes como o “Grande Sistema de Recifes Indo-Australiano do Mioceno”. Curiosamente, algumas das suas possíveis relíquias encontram-se ao largo da costa noroeste da Austrália, em locais como Ashmore Reef, Scott Reef e Rowley Shoals.

Estudos anteriores já sugeriam que esta barreira de recifes rivalizava, em extensão, com a atual Great Barrier Reef. No entanto, os novos dados apontam para algo ainda mais impressionante: alguns recifes individuais poderão ter sido maiores do que qualquer recife existente na atualidade.

Ao longo de milhões de anos, a biodiversidade gerada nesta região terá depois dispersado e acumulado noutras zonas do Indo-Pacífico, contribuindo para a riqueza biológica que hoje se observa.

Nova peça no puzzle científico

Os resultados, publicados na revista Science Advances, ajudam a clarificar a evolução dos recifes de coral e reforçam a importância histórica da costa noroeste australiana na formação dos ecossistemas marinhos modernos.

Entre as hipóteses avançadas para explicar este fenómeno está o movimento das placas tectónicas, nomeadamente o deslocamento da placa australiana em direção ao norte, que terá criado extensas zonas de águas pouco profundas — condições ideais para o desenvolvimento de recifes.

Apesar de subsistirem algumas incertezas, os investigadores sublinham que este período foi crucial para moldar a vida marinha como a conhecemos hoje, deixando uma herança que ainda influencia os oceanos atuais.

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