Recompensas alimentares e treino melhoram transporte de camelos vivos (vídeo)

A investigação analisou métodos de carga e descarga de camelos em veículos de transporte, prática frequentemente associada a elevados níveis de stress para os animais.

Redação

Um estudo internacional liderado por investigadores da Southern Cross University conclui que o transporte de camelos vivos pode ser significativamente mais humano quando se recorre a recompensas alimentares e técnicas de treino, em vez de castigos físicos.

A investigação, coordenada pela especialista em bem-estar animal Barbara Padalino e publicada na revista científica Animals, analisou métodos de carga e descarga de camelos em veículos de transporte, prática frequentemente associada a elevados níveis de stress para os animais.

Em várias regiões do mundo, milhões de camelos são criados para produção de leite e carne, além de serem utilizados em atividades recreativas, como corridas e passeios. No entanto, o seu tratamento durante o transporte continua a levantar preocupações, devido ao recurso a práticas tradicionais como chicotadas, gritos e imobilização, que aumentam o stress e podem gerar situações perigosas tanto para os animais como para os tratadores.

A equipa de investigação — que integrou também a Universidade de Bolonha e a Bahauddin Zakariya University — treinou camelos das raças Kohi e Barilya para entrarem e saírem de camiões de forma autónoma, recorrendo a reforço positivo.

Durante dez dias, numa exploração agrícola mista, os dromedários (Camelus dromedarius) foram ensinados a aproximar-se e a entrar no veículo de transporte. Sempre que completavam com sucesso uma etapa, recebiam uma recompensa alimentar e um sinal sonoro, emitido através de um “clicker”.

O bem-estar dos animais foi monitorizado através de termografia infravermelha, técnica não invasiva que mede a temperatura ocular como indicador de stress, medo ou dor.

Os resultados mostram que os camelos responderam de forma positiva ao treino, passando, ao fim de cerca de nove dias, a realizar a carga e descarga de forma autónoma, sem necessidade de coerção agressiva.

Segundo Barbara Padalino, os camelos apresentam comportamentos semelhantes aos de outros animais de produção. “Podem ser tímidos, teimosos ou receosos, tal como cavalos ou bovinos durante o transporte”, explicou. “Com reforço positivo, é possível treinar estes animais — que podem pesar até 700 quilos — para obedecer a instruções, tornando o processo mais seguro.”

A investigadora sublinha ainda que esta abordagem poderá ser aplicada a outras espécies de grande porte, como o gado bovino.

A nível global, estima-se que existam cerca de 40 milhões de camelos, sendo que a Austrália alberga a maior população de camelos selvagens, com cerca de um milhão de animais. Apesar de o setor ser relativamente pequeno no país, milhares de camelos são anualmente utilizados para produção e exportação, considerados uma alternativa ao abate por controlo aéreo.

Os investigadores defendem que o recurso ao reforço positivo pode ser implementado em qualquer região do mundo e planeiam promover ações de formação no Médio Oriente, assim que a situação geopolítica o permitir.

O estudo conclui que práticas mais cuidadosas durante o transporte não só melhoram o bem-estar animal e a segurança dos tratadores, como podem também ter impacto positivo na qualidade da carne produzida.

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