Renováveis geram 5,3 mil milhões de euros para o PIB e poupam até 636€ por ano às famílias portuguesas

“Estudo de impacto das energias renováveis em Portugal” prevê um crescimento de mais de 370% até 2040, se forem ultrapassados os entraves atuais.

Redação

A APREN – Associação Portuguesa de Energias Renováveis apresenta hoje o “Estudo de impacto das energias renováveis em Portugal”, desenvolvido pela consulta EY-Parthenon, que evidencia o papel crescente do setor das renováveis como um dos principais motores da economia nacional presentes e de futuro, e um fator determinante na redução dos custos energéticos para famílias e empresas.

Segundo a mesma fonte, em 2024, as energias renováveis contribuíram com 5,34 mil milhões de euros para o Produto Interno Bruto (PIB), o equivalente a mais de 1% da economia nacional, na mesma ordem de grandeza de setores tradicionais da economia portuguesa, como o agroalimentar. Este valor “reflete uma transformação estrutural do setor, com destaque para a energia eólica e hídrica, responsáveis por mais de 80% do impacto direto”, sublinha o comunicado.

O estudo aponta para um potencial de crescimento do impacto no PIB superior a 370% até 2040, podendo o contributo das renováveis atingir 32,2 mil milhões de euros por ano nessa altura. Um cenário que posiciona o setor como um “verdadeiro motor económico”, mas que depende da criação de condições estruturais, nomeadamente ao nível do licenciamento, investimento em redes e capacidade de armazenamento.

Além do impacto macroeconómico, o setor tem registado uma evolução “expressiva” em indicadores-chave como o emprego, a qualificação e a contribuição fiscal. O número de postos de trabalho nas energias renováveis cresceu 224% desde 2014 e 121% entre 2021 e 2024, refletindo a rápida expansão do setor em Portugal.

Este crescimento tem sido acompanhado por uma valorização das remunerações acima do ritmo de criação de emprego, sinalizando uma crescente especialização e qualificação da força de trabalho, associada a atividades de maior valor acrescentado ao longo da cadeia, desde o desenvolvimento de projetos à operação e manutenção de infraestruturas. Na análise a 2040, prevê-se um crescimento de mais de 400% no emprego do setor, e de 29% do salário médio.

Também ao nível fiscal, o contributo do setor tem vindo a ganhar peso. Só entre 2023 e 2024, a receita de IRS associada às energias renováveis cresceu 17%, sendo que, num cenário de desenvolvimento favorável, este impacto poderá aumentar cerca de 500% até 2040, acompanhando o crescimento esperado da atividade económica do setor.

O impacto das energias renováveis estende-se diretamente ao dia a dia dos consumidores. Entre 2018 e 2025, a integração de energia com custo marginal reduzido no Mercado Ibérico de Eletricidade gerou poupanças acumuladas de quase 42 mil milhões de euros, traduzindo-se, em 2024, numa redução da fatura anual até 636 euros para famílias e mais de 63 mil euros para empresas.

A par dos benefícios económicos, o setor desempenha um papel “determinante” na redução das emissões de gases com efeito de estufa e na diminuição da dependência energética do exterior, dois eixos centrais da transição energética. Este contributo traduz-se numa redução “significativa” da necessidade de importação de energia.

Nos últimos anos, a produção renovável evitou a compra de combustíveis fósseis nos mercados internacionais, gerando uma poupança média anual de cerca de 2,4 mil milhões de euros, ao mesmo tempo que reforça a segurança energética do país, num contexto internacional marcado pela volatilidade dos preços e pela instabilidade geopolítica.

Para Susana Serôdio, Coordenadora de Políticas e Inteligência de Mercado da APREN, “os resultados deste estudo mostram que as energias renováveis são hoje um ativo estratégico. Não apenas pela resposta às alterações climáticas, mas pelo seu impacto direto na economia, no emprego e no rendimento das famílias. O potencial de crescimento até 2040 é claro e pode posicionar o setor como um verdadeiro ‘novo turismo’ da economia nacional. Mas esse futuro não é garantido: exige decisões políticas, simplificação de processos e investimento estruturante para que Portugal não perca esta oportunidade.”

 

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