Riscos ambientais ameaçam resiliência financeira da UE e estão a criar “crise” na área dos seguros

O aumento dos riscos climáticos e naturais está a pôr em causa a resiliência financeira da União Europeia (UE) e a transformar em zonas de perigo áreas que anteriormente eram consideradas de baixo risco.

Redação

O aumento dos riscos climáticos e naturais está a pôr em causa a resiliência financeira da União Europeia (UE) e a transformar em zonas de perigo áreas que anteriormente eram consideradas de baixo risco.

Essa é a principal conclusão de um relatório divulgado pela organização ambientalista WWF, que aponta também para o agravamento do que descreve como uma “crise” relativa aos seguros num número crescente de regiões da EU, à medida que fenómenos climáticos extremos se tornam mais frequentes e severos.

“Com as perdas económicas a dispararem e com a maioria dos danos se cobertura de seguro, é necessário tomar medidas urgentes para colmatar a lacuna na proteção pelos seguros e salvaguardar a estabilidade financeira da Europa”, diz, em comunicado, Dominyka Nachajute, técnica de políticas de finanças sustentáveis da divisão europeia da WWF.

“Sem medidas decisivas, famílias, empresas e orçamentos públicos enfrentarão custos cada vez mais elevados”, avisa.

A WWF recorda que a Europa está a aquecer quase duas vezes mais rapidamente do que a média global, expondo mais e mais regiões a riscos climáticos e pressionando cada vez mais os mercados dos seguros. Só no ano passado, extremos climáticos como ondas de calor, cheias e secas causaram prejuízos estimados em 43 mil milhões de euros por toda a UE. Os especialistas avisam que se nada for feito para mitigar a crise climática e os seus e os seus impactos, as perdas acumuladas podem ascender aos 126 mil milhões de euros até 2029.

No entanto, entre 1980 e 2023, e apesar dos sinais de alerta, apenas entre 5% e 20% das perdas económicas causadas por eventos extremos estavam cobertas por seguros.

Para se poder evitar ruturas no setor segurador europeu, a WWF apela aos governos e aos reguladores para que façam avaliações abrangentes dos riscos climáticos, que cumpram os objetivos ambientais com os quais se comprometeram, que deem prioridade a soluções de base natural na adaptação climática e que reforcem políticas e sistemas de seguros para melhorar a resiliência financeira.

“Os exponencialmente crescentes danos e perdas causados por eventos climáticos extremos, que estão a fragilizar o mercado dos seguros, são provocados tanto pelo aumento da temperatura como pela destruição dos ecossistemas que nos protegem”, sublinha Kirsten Schuijt, diretora-geral da WWF internacional.

“As florestas, os manguezais ou as zonas húmidas são cruciais para reduzir os impactos devastadores desses eventos extremos e, por isso, precisam de estar no centro das estratégias para aumentar a nossa resiliência e para manter as regiões seguráveis”, acrescenta.

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