Sapos-da-cana não são canibais de forma consistente

Um estudo recente mostra que o canibalismo entre girinos varia significativamente consoante a idade, o tamanho e as condições ambientais em que se desenvolvem.

Redação

Os girinos do sapo-da-cana (Rhinella marina), espécie invasora na Austrália, são conhecidos por se alimentarem dos ovos de outros indivíduos da mesma espécie. No entanto, este comportamento não é tão uniforme como se pensava. Um estudo recente mostra que o canibalismo entre girinos varia significativamente consoante a idade, o tamanho e as condições ambientais em que se desenvolvem.

A investigação, baseada em experiências laboratoriais e na análise de dados já publicados, conclui que os girinos mais velhos e em fases de desenvolvimento mais avançadas tendem a apresentar taxas mais elevadas de canibalismo. O mesmo se verifica nos indivíduos de maior dimensão e naqueles provenientes de charcos com escassez de recursos, onde a competição por alimento é mais intensa.

Os cientistas analisaram populações de sapo-da-cana na Austrália e na sua área de distribuição natural, na Guiana Francesa, na América do Sul. Os resultados mostram que girinos maiores são mais propensos ao canibalismo em ambas as regiões, o que indica que este comportamento já existia antes da introdução da espécie na Austrália. Ainda assim, para um mesmo tamanho corporal, os girinos australianos consomem mais ovos da própria espécie do que os seus congéneres sul-americanos.

Até agora, acreditava-se que os girinos de sapo-da-cana na Austrália tinham evoluído rapidamente para um comportamento canibal consistente e intenso, algo considerado invulgar entre larvas de anfíbios, onde este tipo de comportamento tende a ser variável. O novo estudo vem clarificar que essa variabilidade existe, tanto nas populações invasoras como nas nativas, ajudando a compreender melhor os fatores ecológicos e evolutivos que influenciam o canibalismo nesta espécie.

Segundo os autores, esta plasticidade comportamental ajuda a explicar a adaptação bem-sucedida do sapo-da-cana a diferentes ambientes e pressões ecológicas, reforçando a importância de considerar o contexto ambiental ao avaliar o impacto das espécies invasoras.

Partilhe este artigo


Nova Edição

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.