O mundo das aves está repleto de formas extraordinárias de sedução, uma tarefa que, quase sempre, cabe aos machos. Com plumagens exuberantes, cantos melódicos e complexos ou com coreografias únicas, tentam mostrar que são a escolha mais acertada para produzir a geração seguinte.
Contudo, recentemente descobriu-se que uma espécie de noitibó, uma ave insetívora de hábitos noturnos que pertence à família dos Caprimulgídeos (em Portugal também existem espécies de noitibós, como o noitibó-de-nuca-vermelha), tem uma técnica peculiar para seduzir parceiras.
Durante anos, os ornitólogos na América do Sul ouviam sons estranhos nas florestas e matagais onde vivem os noitibós Hydropsalis torquata, algo semelhante a estalidos. Agora, o mistério foi resolvido por uma dupla de cientistas, que encontrou a resposta na Argentina, onde a espécie também ocorre.
Christopher Clark, da Universidade da Califórnia em Riverside (Estados Unidos da América), e Juan Ignacio Areta, da instituição pública argentina CONICET, colocaram câmara de infravermelhos e de alta velocidade nas árvores e perceberam que, nas horas que antecedem a madrugada, os machos desses noitibós batiam com os pulsos um no outro, com as asas estendidas na vertical acima da cabeça, durante os rituais de acasalamento, uma exibição sonora acompanhada de saltos. [VEJA O VÍDEO AQUI]
Os sons eram produzidos no breu na noite, frequentemente entre as três e as quatro da manhã, quando a floresta estava praticamente em silêncio. As imagens confirmaram que os estalidos não eram sons vocais, mas sim produzidos pelo choque físico entre os ossos das asas do local equivalente ao antebraço nos humanos.
Ao examinarem exemplares de museu de noitibós Hydropsalis Torquata os autores perceberam que as aves não parecem ter nenhuma adaptação especial associada a esse comportamento. “Os humanos também não estão especialmente adaptados para bater palmas, mas ainda assim conseguirmos produzir um som alto”, diz Clark, que assina o artigo que dá conta da descoberta na revista ‘Journal of Avian Biology‘.
“Estas aves podem não precisar de grandes alterações estruturais para fazerem isto”, sugere, mas fazem-no decididamente para conquistar uma parceira.
Os investigadores não sabem também, pelo menos para já, se o estalido das asas pode transmitir mensagens tão sofisticadas quando os sons vocais.
“A física do som afeta o tipo de mensagem que as aves transmitem. Podem evoluir diferentes tipos de estalidos? Ou estão limitadas a um só sinal básico? É algo que gostaríamos de compreender”, admite o cientista.









