Os opiliões são membros da classe dos aracnídeos, embora possam não ser tão conhecidos quanto as aranhas e os escorpiões. De silhueta arredondada e sem separação evidente entre a cabeça e o resto do corpo, têm tipicamente patas longas e finas, e não produzem veneno nem seda.
Esses aracnídeos de passada bamboleante são, tal como outros artrópodes, tradicionalmente considerados presas de vertebrados e predadores de outros invertebrados. Atualmente, há já vários casos registados de invertebrados a predarem vertebrados, rompendo o paradigma anterior, mas pouco se sabe sobre o papel dos opiliões como devoradores de vertebrados.
Uma investigação publicada na revista ‘Ecology and Evolution’ vem mostrar que os opiliões são capazes de capturar e consumir rãs vivas, presas quase tão grandes quanto eles. As observações foram feitas entre 2020 e 2025 em florestas neotropicais do Equador e da Colômbia, mas o trabalho reúne também dados de estudos anteriores sobre a predação dos opiliões no Brasil e na Venezuela.
Com estes novos dados, um comportamento que se considerava raro e limitado a uma mão-cheia de casos, pode, afinal, ser mais comum do que se pensava.
Para esta investigação, os cientistas documentaram casos de opiliões da família Cranaidae, mais especificamente dos géneros Holocranaus e Phareicranaus, a alimentar-se de rãs dos géneros Pristimantis, Dendropsophus e Atelopus. Casos documentados anteriormente abrangem também a família Gonyleptidae, incluindo opiliões dos géneros Neosadocus e Heteromitobates.
Apesar de não terem veneno nem de serem capazes de construir teias, os opiliões, ainda assim, conseguem capturar presas relativamente grandes. Os cientistas dizem que tal se deve ao facto de possuírem corpos robustos que os protegem de contra-ataques, apêndices especializados para agarrar a presa, como quelíceras fortes, e, possivelmente, empregam estratégias de emboscada.
Os investigadores acreditam que esta descoberta tem “implicações importantes” para o conhecimento acerca das teias alimentares em ecossistemas tropicais. Aí, e noutras regiões do mundo, as rãs e os sapos desempenham um papel ecológico importante, como presas e como predadores. Agora, sabe-se que podem também ser presas dos opiliões.
Isso, por sua vez, sugere que esses aracnídeos podem influenciar os equilíbrios ecológicos mais do que antes se pensava, abrindo novas vias de investigação e lançando novas questões de conservação.











