Setor da distribuição farmacêutica reduz 7% das emissões entre 2021 e 2024

Os dados são avançados pela ADIFA – Associação de Distribuidores Farmacêuticos, que diz que tal se deve a melhorias operacionais, maior eficiência logística e reforço dos mecanismos de reporte ambiental.

Redação

Entre 2021 e 2024, o setor português da distribuição farmacêutica registou uma redução global de 7% nas emissões de gases com efeito de estufa.

Os dados são avançados pela ADIFA – Associação de Distribuidores Farmacêuticos, que diz que tal se deve a melhorias operacionais, maior eficiência logística e reforço dos mecanismos de reporte ambiental.

“O setor caminha, a um ritmo constante e sustentado, em direção ao compromisso de atingir a neutralidade carbónica até 2040”, diz a entidade, lembrando que esse foi um compromisso assumido em 2022. A meta, aponta, está alinhada com as metas nacionais e europeias em matéria de sustentabilidade e “assenta num conjunto de medidas concretas que promovem uma distribuição farmacêutica mais verde”.

Diz a ADIFA que, em 2024, a pegada carbónica consolidada da distribuição farmacêutica de serviço completo situou-se em 21.548,2 toneladas de dióxido de carbono equivalente (CO2e). O transporte e os combustíveis continuam a representar a principal componente das emissões do setor, “refletindo a natureza desta atividade económica e a necessidade de assegurar o abastecimento diário de medicamentos em todo o território nacional”, salienta a associação.

Ainda assim, entre 2021 e 2024, os distribuidores farmacêuticos conseguiram reduzir em 24% as emissões associadas ao combustível da frota e em 23% as emissões relacionadas com o transporte a montante, algo que a ADIFA diz dever-se à otimização de rotas, ao reforço da eficiência logística e à introdução progressiva de veículos de baixas emissões.

“Garantir que os medicamentos chegam diariamente a todas as farmácias do país é uma missão de interesse público que implica uma operação logística muito exigente”, afirma, citado em nota, Nuno Flora, presidente executivo da ADIFA.

“O desafio da sustentabilidade consiste, precisamente, em conciliar essa responsabilidade com a redução do impacto ambiental da nossa atividade. Os resultados alcançados nos últimos anos mostram que é possível avançar nessa trajetória sem comprometer a qualidade e a capilaridade do serviço prestado aos cidadãos”, acrescenta o responsável.

A transição energética constitui também uma prioridade para os distribuidores farmacêuticos de serviço completo, assegura a ADIFA. Em 2024, o último ano para o qual há dados consolidados, a produção de energia renovável através de instalações fotovoltaicas atingiu 1,49 milhões de quilowatts-hora (kWh), o que a associação diz ter permitido alcançar uma autonomia energética de 10%.

Ao mesmo tempo, os distribuidores farmacêuticos portugueses têm vindo a investir na instalação de iluminação LED, na modernização de sistemas de climatização, em auditorias energéticas e na contratação de eletricidade proveniente de fontes 100% renováveis.

A estratégia de sustentabilidade do setor estende-se ainda à gestão de materiais e processos, detalha a ADIFA. A reutilização de materiais, a aquisição de produtos reciclados, a faturação eletrónica e a desmaterialização documental são algumas das medidas implementadas para promover uma utilização mais eficiente dos recursos e reduzir o impacto ambiental das operações, acrescenta a mesma fonte.

A formação e a sensibilização dos profissionais para as boas práticas ambientais têm assumido um papel igualmente relevante neste progresso, salienta.

Para a ADIFA, a sustentabilidade ambiental é hoje “uma dimensão indissociável da resiliência da cadeia de abastecimento do medicamento”. Num setor que assegura a distribuição de mais de 300 milhões de unidades por ano e garante o acesso equitativo aos medicamentos em todo o território nacional, refere a associação setorial, a transição verde exige um investimento contínuo e a adoção de soluções adaptadas à realidade operacional das empresas.

“Os distribuidores farmacêuticos de serviço completo estão comprometidos com a construção de um ecossistema de saúde mais sustentável. A descarbonização da atividade é uma responsabilidade que assumimos com total determinação, não apenas porque o futuro do planeta assim o exige, mas porque constitui uma condição essencial para garantir que continuamos a responder adequadamente às necessidades da população portuguesa”, acrescenta Nuno Flora.

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