Os sistemas solares flutuantes ‘offshore’ [no mar] podem gerar cerca de 12% mais eletricidade do que outros iguais em terra, indica um estudo de investigadores de Taiwan hoje divulgado.
“O que descobrimos é que os sistemas solares flutuantes ‘offshore’ podem gerar mais eletricidade ao longo da sua vida útil — cerca de 12% mais do que os sistemas em terra nas mesmas condições”, disse Ching-Feng Chen, investigador da Universidade Nacional de Tecnologia de Taipé que realizou o estudo em conjunto com Shih-Kai Chen.
O trabalho dos dois investigadores, publicado hoje na revista científica Renewable and Sustainable Energy, conclui que devido à maior produção de energia também há mais reduções nas emissões de carbono.
Outro estudo, feito por investigadores portugueses e publicado numa revista da especialidade em abril mas só agora divulgado, demonstrou também a vantagem da produção ‘offshore’ mas em relação à energia eólica, que apresentou menos variabilidade, menos períodos de baixa produção e maior estabilidade, quando comparada com a produção em terra.
Atualmente existe um consenso científico sobre a necessidade de impedir um aumento da temperatura global acima de 1,5ºC (graus celsius) em relação à época pré-industrial, diminuindo emissões de gases com efeito de estufa. Há investimentos na energia eólica ‘offshore’ mas também muitos países estão a investir em sistemas fotovoltaicos, incluindo instalações em superfícies de água interiores e ‘offshore’.
Há investigação sobre essa técnica mas faltava uma avaliação comparativa, disseram os autores do estudo de Taiwan em comunicado.
Em Taiwan, onde a expansão da energia renovável é um desafio devido à dimensão limitada da ilha e a restrições geográficas, os investigadores compararam as explorações solares tradicionais em terra com a primeira instalação comercial de grande escala de painéis fotovoltaicos flutuantes ‘offshore’.
Ching-Feng Chen explicou que embora os dois sistemas utilizem tecnologia semelhante, colocar painéis fotovoltaicos na água pode torná-los mais eficazes.
“Uma razão importante para tal é o efeito de arrefecimento da água circundante. O calor excessivo compromete a eficiência dos painéis solares, e a água absorve calor”, referiu, acrescentando que “numa perspetiva mais ampla, o trabalho mostra que a energia solar flutuante ‘offshore’ não é apenas uma alternativa técnica, mas uma solução estratégica para outros países com recursos terrestres limitados, que pode ajudar a expandir a sua capacidade de energia renovável, atendendo às restrições ambientais e de uso da terra.”
O estudo forneceu informações abrangentes sobre a pegada de carbono dos dois tipos de sistemas, com orientações para decisores políticos e outras partes interessadas para mitigar as emissões de dióxido de carbono.
Sobre as vantagens do ‘offshore’ na energia eólica, o Instituto Politécnico de Setúbal explica, também em comunicado, que o estudo ali desenvolvido por três investigadores concluiu que a energia produzida no mar contribui para “uma produção de energia renovável mais estável e previsível”.
O estudo, com o título “Robustness of Energy Delivery and Economic Sensitivity in Onshore and Offshore Wind Power”, foi publicado em abril na revista científica internacional “Energies”, onde foi tema de capa.
Teve como autores Fernando Camilo e Paulo Santos, da Escola Superior de Tecnologia de Setúbal (ESTSetúbal/IPS) e investigadores integrados do MARE – Centro de Ciências do Mar e do Ambiente, e Armando Pires, também docente da ESTSetúbal/IPS e investigador sénior do CTS-UNINOVA/LASI (associado à Universidade Nova de Lisboa).
Segundo os autores, o estudo contribui para melhorar o conhecimento sobre a integração de energias renováveis nos sistemas elétricos e apoiar decisões futuras sobre investimentos e planeamento energético.









