Sítios da UNESCO último reduto da vida selvagem

Os sítios designados pela UNESCO protegem também pelo menos um em cada dez grandes símios, girafas, leões, rinocerontes e dugongos.

Green Savers com Lusa

Os últimos indivíduos de espécies criticamente ameaçadas de extinção estão em sítios protegidos pela UNESCO, que albergam também até um terço dos elefantes, tigres e pandas que restam no mundo.

Os sítios designados pela UNESCO protegem também pelo menos um em cada dez grandes símios, girafas, leões, rinocerontes e dugongos.

E albergam as últimas vaquitas-marinhas (cerca de uma dezena ao todo), os últimos rinocerontes-de-Java (cerca de 60) e mais de 85% dos últimos orangotangos-de-sumatra (15.000).

Os dados fazem parte de um relatório hoje divulgado pela UNESCO, a primeira avaliação global de todos os 2.260 sítios, sejam Património Mundial, Reservas da Biosfera ou Geoparques Mundiais.

O documento mostra o contributo dos sítios para a regulação climática, conservação da biodiversidade e meios de subsistência das pessoas, mas também alerta para os desafios que os sítios enfrentam, nomeadamente decorrentes das alterações climáticas.

Na área da natureza, os autores do documento destacam que os sítios (que abrangem mais de 30.000 áreas protegidas) absorvem 700 megatoneladas líquidas de dióxido de carbono (CO2) por ano, o equivalente às emissões anuais da Alemanha provenientes de combustíveis fósseis, sendo que as florestas representam cerca de 85% dessa absorção.

As florestas dentro dos sítios UNESCO representam cerca de 15% de todo o CO2 absorvido pelas florestas de todo o mundo.

Mas os autores notam também que os sítios sofrem pressões crescentes e que quase 90% deles estão expostos a elevados níveis de stress ambiental devido a atividades humanas e riscos relacionados com o clima.

O relatório indica que todas as regiões são afetadas, mas especialmente as tropicais, e acrescenta que mais de 300.000 quilómetros quadrados de cobertura arbórea foram perdidos em sítios designados pela UNESCO desde 2000, uma área maior do que a República do Congo.

Cerca de dois terços das perdas deveram-se à expansão agrícola e à exploração florestal.

No século XX, as condições de habitat degradaram-se em temos globais, mas as alterações foram menores nos sítios designados pela UNESCO, revela o documento.

E destaca que, com a intensificação das alterações climáticas, os incêndios florestais induzidos pelo clima tornaram-se o principal fator de perda florestal em sítios designados pela UNESCO.

“Sem ações imediatas, as alterações climáticas comprometerão criticamente o contributo destes sítios”, alertam os autores.

Segundo os dados contidos no relatório, 98% dos sítios sofreram pelo menos uma condição climática extrema desde 2000, sendo o calor extremo o mais prevalente.

O número de sítios UNESCO impactados por riscos relacionados com o clima (secas, inundações, incêndios e branqueamento de corais) aumentou 40% na última década, e o número de sítios que deverão sofrer uma exposição adicional a condições climatéricas extremas poderá triplicar até 2050.

Martin Delaroche, um dos responsáveis da UNESCO que apresentou o relatório, disse que os números “infelizmente, não são surpreendentes”.

Uma pequena alteração na temperatura, com aproximação a um aumento de 2°C até 2050 face aos valores pré-industriais, “poderá triplicar o número de locais sujeitos a todo o tipo de pressões, incluindo extremos climáticos como calor extremo, secas, stress hídrico e inundações, além de provocar perdas adicionais de biodiversidade” nos sítios designados pela UNESCO.

Portugal possui 17 sítios classificados como Património Mundial da UNESCO, como o Mosteiro dos Jerónimos ou a paisagem cultural do Alto Douro Vinhateiro , 12 classificados como Reserva da Biosfera, como Castro Verde ou Arrábida, e seis Geoparques Mundiais, como o Naturtejo ou Açores.

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