Alimentar larvas de coral com uma espécie de “papas para coral” pode aumentar de forma significativa as suas hipóteses de sobrevivência, abrindo uma nova via para a recuperação dos recifes de coral ameaçados pelas alterações climáticas. A conclusão é de um novo estudo da Universidade de Tecnologia de Sydney (UTS).
A investigação, liderada pela bióloga marinha Jennifer Matthews e publicada esta na revista Communications Biology, demonstra que as larvas de coral alimentadas com suplementos lipídicos específicos — ricos em ómega-3 e esteróis essenciais — tornam-se mais fortes, crescem mais depressa e têm maior probabilidade de sobreviver e fixar-se nos recifes.
Tradicionalmente, os projetos de restauração de recifes têm-se concentrado em aumentar o número de larvas, mas a taxa de sobrevivência após a fixação é muito baixa. “Menos de 1% das larvas de coral sobrevive ao primeiro ano”, explica Matthews. “Desenvolver estratégias nutricionais adequadas, com o equilíbrio certo de lípidos, pode ser uma forma prática de melhorar esses resultados.”
O estudo mostrou que as larvas consomem e metabolizam ativamente estas gorduras essenciais, confirmando que a nutrição precoce é determinante para o desenvolvimento e resiliência dos corais. “Comprovámos que suplementos lipídicos específicos, em particular os esteróis, aumentam o desempenho das larvas e ajudam os corais jovens a lidar melhor com o stress”, acrescenta a investigadora. “Cada coral que sobrevive faz a diferença na recuperação dos recifes.”
A equipa da UTS está agora a testar esta abordagem fora do laboratório, em colaboração com os Indigenous Sea Rangers, o investigador Eric Fisher da GBR Biology e a empresa Reef Magic, realizando ensaios diretamente na Grande Barreira de Coral. “Estes testes de campo estão a ajudar-nos a perceber como é que o apoio nutricional pode ser aplicado em grande escala, em contextos reais de restauração”, refere Matthews.
Embora não exista uma solução única para travar o declínio dos recifes, a cientista acredita que a nutrição pode vir a ser uma ferramenta essencial neste esforço global. “Com o aquecimento dos oceanos, precisamos de dar todas as vantagens possíveis aos corais”, afirma. “Melhorar a sua sobrevivência inicial através da nutrição pode ser o fator que inclina a balança da perda para a recuperação.”









