Surto de gripe aviária mata mais de 13.000 crias de foca em ilha remota no Oceano Antártico

Entre outubro de 2025 e janeiro de 2026, umas estimadas 13.359 crias de elefantes-marinhos-do-sul (Mirounga leonina) morreram devido ao surto viral. Com base nos dados recolhidos, os cientistas estimam que, em média, 76% das crias dessa espécie morreram na ilha Heard, e numa área em específico a taxa de mortalidade chegou mesmo aos 97%.

Filipe Pimentel Rações

A cerca de 1.700 quilómetros (km) a norte da Antártida e a 4.000 km da Austrália continental, uma ilha surge no meio do oceano mais meridional do planeta. Trata-se da Ilha Heard, território australiano, lar de grande número de aves e animais marinhos, incluindo pinguins, focas e pardelas.

Contudo, apesar de, à primeira vista, ser um paraíso isolado, um surto de gripe aviária está a causar devastação entre as populações de animais que ali vivem.

Um trabalho liderado pelo Programa Australiano para a Antártida, do governo da Austrália, revela que, entre outubro de 2025 e janeiro de 2026, umas estimadas 13.359 crias de elefantes-marinhos-do-sul (Mirounga leonina) morreram devido ao surto viral. Com base nos dados recolhidos, os cientistas governamentais estimam que, em média, 76% das crias dessa espécie morreram na ilha Heard, e numa área em específico a taxa de mortalidade chegou mesmo aos 97%.

Entre outubro de 2025 e janeiro de 2026, umas estimadas 13.359 crias de elefantes-marinhos-do-sul (Mirounga leonina) morreram devido ao surto viral. Foto: Julie McInnes.

Através de testes em laboratório, os investigadores, que submeteram as suas conclusões para publicação numa revista científica, revelam que das noves espécies de vertebrados testadas, seis testaram positivo para a estirpe de gripe aviária de alta patogenicidade que está a disseminar-se pelo mundo, a Influenza A H5N1.

Entre as espécies afetadas, além dos elefantes-marinhos-do-sul, contam-se o pinguim-rei (Aptenodytes patagonicus), o pinguim-gentoo (Pygoscelis papua), o lobo-marinho-antártico (Arctocephalus gazella) e o petrel da espécie Pelecanoides georgicus.

As observações recolhidas por drones permitiram também detetar altos níveis de mortalidade entre os pinguins e também de crias de elefante-marinho na ilha McDonald, que faz parte do mesmo grupo da ilha Heard.

Julie McInness, primeira autora do trabalho, diz que os dados sobre a gripe aviária nessas ilhas “são a primeira deteção num território australiano ultramarino e mostram o contínuo movimento para leste do vírus” na região subantártica.

Análises genéticas sugerem que o vírus terá chegado à ilha Heard em agosto de 2025, oriundo de um grupo de pequenas ilhas no sul do Oceano Índico, conhecidas como ilhas Crozet, a cerca de 1.800 km de distância.

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