Suspensa direção da maior reserva moçambicana acusada de não travar conflito homem-animal

“Fica suspensa toda a direção da reserva especial do Niassa, começando pelo administrador da reserva e todos os elementos que estavam na área da administração e gestão da reserva especial do Niassa. Vamos criar uma equipa multissetorial que vai gerir a reserva especial até novas ordens”, avançou o secretário do Estado na província do Niassa, Silva Livone.

Green Savers com Lusa

O secretário do Estado no Niassa suspendeu, esta segunda-feira, a direção da Reserva Especial do Niassa (REN), a maior de Moçambique, a organização cogestora, acusando-os de não acabar com o conflito homem-animal que tem vitimado a população.

“Fica suspensa toda a direção da reserva especial do Niassa, começando pelo administrador da reserva e todos os elementos que estavam na área da administração e gestão da reserva especial do Niassa. Vamos criar uma equipa multissetorial que vai gerir a reserva especial até novas ordens”, avançou o secretário do Estado na província do Niassa, Silva Livone.

O responsável falava após um encontro com empresas de exploração faunística naquela reserva especial no norte de Moçambique, a maior do país, onde também anunciou a suspensão da Wildlife Conservation Society (WCS), co-gestora daquela área protegida, acusando-os de não travarem o conflito homem-fauna.

“Ficou comprovado que há um fraco compromisso entre os operadores, a direção da reserva com as comunidades locais e com a população. Fruto desta fraca coordenação, arrogância, má atuação, há perpetuação dos índices do conflito Homem-fauna bravia. Nós queremos é proteger a fauna e a flora, proteger as pessoas, proteger as nossas comunidades e desenvolver a nossa província”, disse Livone.

O responsável nomeou uma equipa de gestão interina liderada por Adelino Emílio, atual chefe do departamento provincial de fiscalização dos serviços provinciais do ambiente, avisando que agora a reserva vai contar com a presença das forças policiais que vão tentar travar qualquer desordem.

“Na administração da reserva especial serão acompanhados por outras instituições de defesa e segurança da nossa província, dividindo-se em quotas de cinco elementos de cada uma das instituições”, disse Livone.

E acrescentou: “deve estar lá o forte contingente da polícia de proteção dos recursos naturais para coadjuvar os colegas e toda a jurisdição da Reserva especial do Niassa deverá ser fortemente protegida até novas ordens. Se houver ameaça responder à altura e medida da ameaça, incluindo o terrorismo, porque conhecemos o ‛modus operandi’ e práticas que essas pessoas têm estado a fazer na nossa província”.

No mesmo encontro, o responsável anunciou a suspensão de três empresas privadas das atividades de exploração faunística, acusando-as igualmente de fraca intervenção na prevenção do conflito entre homem e animais.

‎“Está banida na nossa província a Sociedade Búfalo Safari, no distrito de Majune. A Polícia da República de Moçambique e outras Forças de Defesa e Segurança devem ocupar esta área até novas instruções. Se eles estiverem lá é apreender tudo, incluindo material bélico, tudo, ocupar este local até novas ordens”, ordenou Livone.

O responsável suspendeu também a Sociedade Nhalikanga que é uma coutada oficial do distrito de Marrupa, além da Wildlife Conservation Society (WCS), co-gestora daquela área protegida, avisando que vai ter forças policiais a controlar as atividades.

“Definitivamente, rescindimos qualquer relação e qualquer elemento da empresa a WCS aterrar no aeroporto de Lichinga ou entrar em qualquer das áreas de jurisdição da província deve ser imediatamente recolhido. A nossa relação com a WCS terminou até novas ordens. Se estiver no território a ocupar o espaço [vão] ser devidamente devolvidos à sua proveniência todos os elementos ligados à WCS”, disse Livone.

A Reserva Especial do Niassa é gerida no âmbito de um acordo de parceria público-privada envolvendo o Governo de Moçambique, através da Administração Nacional das Áreas de Conservação (ANAC), e a Wildlife Conservation Society (WCS).

Estabelecida em 1960, a Reserva Espacial do Niassa – criada como reserva de caça em 09 de outubro de 1954 -, localizada no norte do país, é a maior área protegida de Moçambique, com uma extensão de 42.400 quilómetros quadrados, albergando das maiores populações de algumas espécies no país, como elefantes, leões, leopardos, búfalos entre outros.

A reserva integra a Área de Conservação Transfronteiriça Niassa-Selous, que resulta de um acordo bilateral entre Moçambique e Tanzânia.

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