Tartarugas-gigantes estão, uma vez mais, a caminhar sobre a ilha de Floreana, também conhecida como Santa Maria, no arquipélago das Galápagos, depois de terem sido levadas à extinção nos anos de 1840 por tripulações de frotas baleeiras que se alimentavam desse grande réptil terrestre.
Na semana passada, 158 juvenis de Chelonoidis niger niger, a subespécie de tartaruga-gigante-das-galápagos nativa da ilha de Floreana, foram reintroduzidos no habitat ancestral dos seus antepassados. A ação é parte de um projeto de restauro ecológico da ilha que, além da tartaruga-gigante, pretende reintroduzir 12 espécies nativas, no que é descrito como uma das iniciativas de restauro ecológico mais ambiciosas que já foram implementadas no arquipélago equatoriano.
De acordo com a informação divulgada pela Fundação Charles Darwin, parceira do projeto, as tartarugas-gigantes libertadas na semana passada são o resultado de décadas de trabalho científico.
Nos anos 2000, os cientistas realizaram testes genéticos a algumas tartarugas-gigantes que viviam no vulcão Wolf na ilha de Isabela, também nas Galápagos, e perceberam que transportavam genes das tartarugas de Floreana, uma linhagem que, por aquela altura, se pensava irremediavelmente perdida.
Através de um programa de reprodução em cativeiro, os especialistas tentaram criar uma população de tartarugas que fosse geneticamente o mais próxima possível das originais tartarugas-gigantes da Floreana.

Hugo Mogollón, diretor da Galápagos Conservancy, organização que liderou a libertação das tartarugas, diz, em nota, que a identificação das tartarugas em Isabela com os genes da subespécie da Floreana e a criação dos seus descendentes permitiu devolver a essa ilha as tartarugas numa “forma que reflete fielmente a linhagem original”.
Para o responsável, essa ação criou “uma fundação científica crítica para o restauro dos ecossistemas de Floreana e a reintrodução futura de espécies nativas adicionais”.
Explicam os especialistas que as tartarugas-gigantes serão fundamentais para os esforços de restauro ecológico da Floreana, pois ajudam a manter habitats abertos, promovem o crescimento de plantas nativas e criam as condições para o bom funcionamento de todo o ecossistema. Além disso, espera-se que o regresso das tartarugas beneficie também várias outras espécies de animais, como aves marinhas, recifes de coral e populações de peixes.
As tartarugas-gigantes Chelonoidis niger niger foram as primeiras espécies nativas do projeto de restauro da Floreana a serem libertadas na ilha. Com essa fase concluída, as organizações não-governamentais e instituições públicas do Equador estão já a preparar os próximos passos, que inclui libertações de outras espécies indígenas, como mimídeos, cobras, tentilhões e papa-moscas-das-galápagos.









