Uma tecnologia baseada em algas é mais sustentável em termos económicos e ambientais para as empresas de tratamento de águas residuais, do que os tratamentos convencionais, revela um novo estudo liderado por duas investigadoras do Centro de Investigação Aplicada em Gestão e Economia (CARME) do Politécnico de Leiria, Eleonora Santos e Inês Lisboa
A investigação centrou-se em 11 empresas portuguesas de tratamento de águas residuais e comparou a eficiência entre o método que recorre às algas e o método convencional, como por exemplo, o sistema de lamas ativadas. Os dados sugerem que a nova alternativa apresenta um potencial de redução dos custos operacionais de energia entre 0,05 e 0,41 euros por metro cúbico e entre 15,4 e 180,8 euros por habitante. Além disso, permite ainda poupar cerca de 45 kg de emissões de dióxido de carbono (CO2) por habitante, por ano.
“As lagoas de algas de alta taxa permitem remover nutrientes em tempos de retenção curtos, em comparação com sistemas de lagoas convencionais, apresentando-se como uma boa alternativa tecnológica para o tratamento de efluentes, principalmente para pequenas comunidades. Além da sua eficiência na remoção de poluentes, podem gerar produtos de valor acrescentado, como a biomassa de algas, e podem representar economias de custos de energia”, explica a autora Eleonora Santos.
Mas como é que funciona esta tecnologia baseada em algas? Esta consiste em lagoas rasas, com profundidade entre 30 e 50 centímetros, onde as águas residuais circulam através de uma roda de pás de baixa potência, removendo os resíduos orgânicos e os nutrientes em poucos dias – entre 4 a 10 dias.
Existem várias vantagens em optar por esta tecnologia. De acordo com a investigadora, “Neste ramo de atividade, os custos de energia representam uma grande parte dos custos operacionais. Assim, a poupança de energia permite reduzir os custos operacionais e tornar estas empresas mais eficientes e sustentáveis do ponto de vista económico. Além disso, as soluções de tratamento de águas residuais baseadas em algas têm como efeito a redução da pegada de carbono e por isso contribuem para uma maior sustentabilidade ambiental. Estas lagoas apresentam outra vantagem: a de proporcionar a produção de biomassa de algas que pode ser vendida, aumentando os proveitos das Estações de Tratamento de Águas Residuais (ETARS)“.
A biotecnologia torna-se assim uma solução futura obrigatória no tratamento de efluentes. “À medida que o modelo de negócios de economia circular vai ganhando mais adeptos e se impõe como paradigma de gestão do futuro, a biotecnologia surge como a solução que permite combinar eficiência no tratamento de efluentes com a redução da pegada de carbono, contribuindo para a sustentabilidade económica e ambiental das ETARS“, conclui Eleonora Santos.
O estudo foi desenvolvido em parceria com investigadores da Universidade da Beira Interior e do Centro de Biotecnologia Aplicada de Shannon, na Irlanda.









