Tecnologias e produtos têxteis criados pelo be@t atraem visitantes da Première Vision Paris

“O be@t é um projeto de investigação aplicada em grande escala que veio a Paris mostrar com evidências como está a integrar materiais de base biológica, processos circulares e ferramentas digitais na produção têxtil industrial”, salienta António Braz Costa, diretor-geral do CITEVE.

Redação

Cerca de 34 mil profissionais dos setores têxtil e vestuário de mais de 120 países afluíram à Première Vision Paris, um dos maiores eventos profissionais desta área, e mostraram especial interesse nas novidades com selo português que o projeto be@t – bioeconomia na indústria têxtil apresentou no Parc des Expositions Paris Nord Villepinte, de 3 a 5 de fevereiro, no âmbito do criativo stand do CITEVE, foi divulgado em comunicado.

Segundo a mesma fonte, o espaço, “respirando originalidade e localizado bem em frente da entrada, não passava despercebido nem deixava indiferentes os visitantes, que eram desde logo atraídos pelas cores dos demonstradores experimentais de vestuário: 12 manequins estrategicamente colocados e envergando produtos finais desenvolvidos com parceiros industriais nos setores da fiação, tecelagem, acabamento e confeção, em resultado da investigação be@t nos domínios da sustentabilidade e da bioeconomia”.

Passaporte Digital de Produto reforça transparência: índices ambientais superiores a 70%

Instalados em redor do espaço, que foi palco de visitas guiadas para jornalistas da especialidade, os 12 demonstradores davam assim a conhecer o trabalho que o projeto desenvolveu na busca de novas matérias-primas alternativas às de origem fóssil, novos métodos de reciclagem, processos produtivos mais amigos do ambiente, design atrativo e funcional capaz de competir nos mercados da moda. Trabalho esse materializado em peças de vestuário assentes em biomateriais e reciclados (incluindo linho, viscose, liocel, PLA/ácido poliláctico, cânhamo, componentes à base de cortiça, pinho, fibras recicladas e biorresíduos como bugalhos, bagaço de uva e drèche) e atingindo índices ambientais e de circularidade superiores a 70%.

Tais características podiam, além disso, ser verificadas pelos visitantes através de outra das grandes novidades ali apresentadas pelo be@t: o Passaporte Digital de Produto/Digital Product Passport (DPP). Este foi materializado num QR-code – que foi lido por mais de 650 visitantes – anexo a cada peça e cuja leitura com o telemóvel dá acesso a todo o seu historial produtivo, permitindo conhecer a pegada ambiental desde a produção até chegar ao consumidor.

O projeto be@t foi também o mote central da palestra “Reinventing Fashion Through Bioeconomy”, que ocorreu no segundo dia do evento. Graças a um painel de excelência, foram apresentados de como a inovação impulsionada pela bioeconomia está a transformar a forma como a moda é concebida, produzida e valorizada.

Desde fibras de base biológica e recursos regenerativos até processos inspirados na natureza, foram partilhadas soluções motivadoras para sistemas circulares, resilientes e sustentáveis, apresentando uma visão credível para uma indústria da moda que trabalha com a natureza, e não contra ela.

Além de ter sido tema da mais concorrida das talks do programa paralelo da Première Vision Paris, o be@t conseguiu com esta participação no stand do CITEVE – o coordenador do projeto com 60 empresas, universidades e centros de investigação nacionais – destacar-se entre os mais de 1.200 expositores de 44 países e dar a conhecer de forma exponencial a abordagem integrada que faz de todas as vertentes do setor, como a investigação, as matérias-primas, a fibra, o tingimento, a tecnologia, a produção, sempre com a sustentabilidade como referencial. E sustentabilidade aqui entendida do ponto de vista ambiental, mas também económico, o que confere aos produtos be@t um elevado potencial de mercado para o têxtil português no contexto internacional.

“O be@t é um projeto de investigação aplicada em grande escala que veio a Paris mostrar com evidências como está a integrar materiais de base biológica, processos circulares e ferramentas digitais na produção têxtil industrial”, salienta António Braz Costa, diretor-geral do CITEVE, vincando que “os coordenados expostos mostraram também o potencial estético e funcional dos resultados do projeto, bem como a capacidade  de transferência para o mercado, de modo a apoiarem a promoção internacional do «Fabricado em Portugal» enquanto sinónimo de qualidade, sustentabilidade e fashion”.

O be@t esteve assim à altura do convite formulado a Portugal para ser país com foco especial nesta edição da Première Vision Paris, juntamente com França e Japão, enquanto “Territórios do savoir faire”. O certame profissional, que já valoriza habitualmente a criatividade, enfatizou dessa forma ainda mais a diversidade e excelência, permitindo a Portugal exibir o seu “state of art” do têxtil.

Sob o tópico “Portugal – viver de forma sustentável”, o be@t contribuiu para divulgar este território de indústrias e artesãos comprometidos com a moda sustentável; explicar como um ecossistema que dá prioridade à inovação sustentável consegue reunir indústria, artesãos, designers e centros tecnológicos de alto desempenho; e mostrar de que forma tradição e tecnologias de ponta se complementam para criar uma plataforma fundamental para a moda europeia responsável.

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