<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Animais &#8211; Green Savers</title>
	<atom:link href="https://greensavers.sapo.pt/temas/animais/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://greensavers.sapo.pt</link>
	<description>Notícias sobre sustentabilidade, ambiente, alterações climáticas, biodiversidade, florestas, finanças verdes, empresas, economia, ODS</description>
	<lastBuildDate>Thu, 30 Apr 2026 08:01:40 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-PT</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	

<image>
	<url>https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2026/01/gs-favicon-100x100.png</url>
	<title>Animais &#8211; Green Savers</title>
	<link>https://greensavers.sapo.pt</link>
	<width>32</width>
	<height>32</height>
</image> 
	<item>
		<title>Cientistas descobrem a mutação que torna os gatos cor de laranja</title>
		<link>https://greensavers.sapo.pt/cientistas-descobrem-a-mutacao-que-torna-os-gatos-cor-de-laranja/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 03 May 2026 15:55:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Animais]]></category>
		<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[animais]]></category>
		<category><![CDATA[estudo]]></category>
		<category><![CDATA[gatos]]></category>
		<category><![CDATA[internacional]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://greensavers.sapo.pt/?p=271692</guid>

					<description><![CDATA[Os investigadores demoraram um século a descobrir a falha genética que provoca a coloração laranja nos gatos.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Muitos humanos afiliados a gatos cor de laranja garantem que o seu gato é, digamos, especial. Mas agora os cientistas confirmaram que há, de facto, algo de único nos felinos domésticos de cor de gengibre. Num novo <a href="https://www.cell.com/current-biology/abstract/S0960-9822(25)00552-4" target="_blank" rel="noopener">estudo</a>, os investigadores da Stanford Medicine descobriram a mutação genética há muito esperada, mas esquiva, que torna os gatos cor de laranja cor de laranja &#8211; e que parece não ocorrer em nenhum outro mamífero.</p>
<p>A descoberta contribui para a nossa compreensão de como alterações genéticas subtis dão origem a novas caraterísticas, afirmam os investigadores.</p>
<p>Muitos mamíferos têm tons de laranja &#8211; pense em tigres, golden retrievers, orangotangos e humanos ruivos &#8211; mas apenas nos gatos domésticos a coloração laranja está ligada ao sexo, aparecendo muito mais frequentemente nos machos.</p>
<p>“Numa série de espécies que têm pigmento amarelo ou laranja, essas mutações ocorrem quase exclusivamente num de dois genes, e nenhum desses genes está ligado ao sexo”, diz Christopher Kaelin, doutorado, cientista sénior em genética e principal autor do estudo publicado online na Current Biology.</p>
<p>Greg Barsh, MD, PhD, professor emérito de genética e de pediatria, é o autor sénior do estudo.</p>
<p>Embora os cientistas tenham identificado as mutações típicas que induzem as células de pigmentação da pele a produzir pigmento amarelo ou laranja em vez do castanho ou preto padrão, tinham apenas uma ideia aproximada de onde encontrar a mutação correspondente nos gatos.</p>
<p>Eles sabiam, pela preponderância de gatos laranja machos, que a mutação &#8211; apelidada de laranja ligada ao sexo &#8211; estava algures no cromossoma X. (Como na maioria dos mamíferos, as fêmeas têm XX enquanto os machos têm cromossomas sexuais XY.) Qualquer gato macho com laranja ligado ao sexo será totalmente laranja, mas uma gata fêmea precisa de herdar laranja ligado ao sexo em ambos os cromossomas X para ser totalmente laranja &#8211; uma ocorrência menos provável.</p>
<p>As gatas com uma cópia do laranja ligado ao sexo parecem parcialmente laranja &#8211; com um padrão manchado conhecido como tortoiseshell, ou com manchas de laranja, preto e branco conhecidas como calico. Isto deve-se a um fenómeno genético nas fêmeas, chamado inativação aleatória do X, em que um cromossoma X é inativado em cada célula. O resultado é um mosaico de células pigmentares, algumas que expressam a cor laranja ligada ao sexo e outras que não.</p>
<p><strong>Um puzzle genético</strong></p>
<p>Os cientistas têm tirado partido da grande variedade de cores e padrões dos gatos para estudar a genética desde o início do século XX, mas a identidade molecular da peculiar mutação laranja permaneceu nebulosa.</p>
<p>“É uma exceção genética que foi notada há mais de cem anos”, disse Kaelin. “Foi esse puzzle genético comparativo que motivou o nosso interesse pela laranja ligada ao sexo”.</p>
<p>Partindo de um estudo anterior que tinha começado a restringir a região do cromossoma X que continha a mutação, Kaelin e os seus colegas concentraram-se na laranja ligada ao sexo utilizando um processo passo a passo.</p>
<p>“A nossa capacidade de o fazer foi possibilitada pelo desenvolvimento de recursos genómicos para o gato que se tornaram disponíveis nos últimos 5 ou 10 anos”, afirma. Isso inclui os genomas completos sequenciados de uma grande variedade de gatos. Os investigadores também recolheram amostras de ADN de gatos em clínicas de esterilização e esterilização.</p>
<p>Primeiro, procuraram variantes no cromossoma X partilhadas pelos gatos laranja machos e encontraram 51 candidatos. Eliminaram 48 delas, uma vez que também se encontravam em alguns gatos não-laranja. Das três variantes restantes, uma destacou-se por ter provavelmente um papel na regulação dos genes: Tratava-se de uma pequena deleção que aumentava a atividade de um gene próximo, conhecido como Arhgap36.</p>
<p><strong>Expressão invulgar</strong></p>
<p>“Na altura em que o encontrámos, o gene Arhgap36 não tinha qualquer relação com a pigmentação”, diz Kaelin.</p>
<p>O gene, que é altamente conservado nas espécies de mamíferos, estava a ser estudado por investigadores em cancro e biologia do desenvolvimento. O Arhgap36 é normalmente expresso em tecidos neuroendócrinos, onde a sobreexpressão pode levar a tumores. Não se sabia que tinha qualquer função nas células pigmentares.</p>
<p>“O Arghap36 não é expresso nas células pigmentares dos ratos, nas células pigmentares humanas ou nas células pigmentares dos gatos não cor de laranja”, diz Kaelin. “A mutação nos gatos cor de laranja parece ativar a expressão do Arghap36 num tipo de célula, a célula pigmentar, onde normalmente não é expresso”.</p>
<p>Esta expressão desonesta nas células de pigmento inibe um passo intermédio de uma via molecular bem conhecida que controla a cor da pelagem &#8211; a mesma que funciona noutros mamíferos de cor laranja. Nessas espécies, as mutações típicas do cor de laranja interrompem um passo anterior dessa via; nos gatos, o cor de laranja ligado ao sexo interrompe um passo posterior.</p>
<p>“Trata-se, sem dúvida, de um mecanismo muito invulgar em que se obtém a má expressão de um gene num tipo de célula específico”, afirma Kaelin.</p>
<p><strong>Evolução molecular</strong></p>
<p>Estes esforços para saber como é que os gatos domésticos adquiriram cores e padrões diferentes são um ponto de entrada para compreender o aparecimento de outros traços físicos, desde as manchas das chitas até aos corpos aerodinâmicos dos golfinhos. O laranja ligado ao sexo é um novo exemplo de como a evolução acontece à escala molecular.</p>
<p>“Pensamos que é um exemplo de como os genes adquirem novas funções que permitem a adaptação”, diz Kaelin, que também estudou cores e padrões em cães, chitas, tigres, ursos, zebras e hamsters.</p>
<p>No caso dos gatos cor de laranja, a “adaptação” pode ser simplesmente aos nossos caprichos. Há séculos atrás, o raro gato laranja, calico ou tartaruga pode ter chamado a atenção dos humanos, que encorajaram a sua proliferação. Atualmente, os gatos cor de laranja estão amplamente distribuídos por todo o mundo.</p>
<p>“Isto é algo que surgiu no gato doméstico, provavelmente no início do processo de domesticação”, diz Kaelin. &#8220;Sabemos isso porque há pinturas que datam do século XII, onde se veem imagens nítidas de gatos calicos. Portanto, a mutação é bastante antiga&#8221;.</p>
<p><strong>Apenas a pele</strong></p>
<p>Para além de uma pelagem cor de marmelada, poderá o sexo laranja ser responsável por outras qualidades nos gatos cor de laranja? “A expetativa, com base nas nossas observações, é que isto seja altamente específico das células pigmentares”, diz Kaelin.</p>
<p>Para verificar, os investigadores mediram também a expressão de Arhgap36 em vários tecidos não cutâneos &#8211; rim, coração, cérebro e glândula suprarrenal &#8211; e não encontraram diferenças entre os gatos cor de laranja e os não-cor de laranja.</p>
<p>“Não creio que possamos excluir a possibilidade de haver uma expressão alterada do gene em algum tecido que não testámos e que possa afetar o comportamento”, admie Kaelin. Mas acha que a reputação dos gatos laranja como agentes amigáveis do caos é mais provável devido ao facto de a maioria deles ser do sexo masculino.</p>
<p>“Não existem muitos estudos científicos sobre a personalidade dos gatos laranja”, conclui.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>As mais antigas provas de ferramentas feitas de ossos de baleia</title>
		<link>https://greensavers.sapo.pt/as-mais-antigas-provas-de-ferramentas-feitas-de-ossos-de-baleia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 03 May 2026 13:55:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Animais]]></category>
		<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Manchete]]></category>
		<category><![CDATA[baleias]]></category>
		<category><![CDATA[estudo]]></category>
		<category><![CDATA[internacional]]></category>
		<category><![CDATA[ossos]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://greensavers.sapo.pt/?p=271712</guid>

					<description><![CDATA[Os seres humanos poderão ter fabricado ferramentas a partir de ossos de baleia até há 20 000 anos, segundo investigadores internacionais que afirmam que esta poderá ser a mais antiga utilização humana de restos de baleia.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Os seres humanos poderão ter fabricado utensílios a partir de ossos de baleia até há 20 000 anos, de acordo com <a href="https://www.nature.com/articles/s41467-025-59486-8" target="_blank" rel="noopener">provas</a> apresentadas na revista Nature Communications. A descoberta destes utensílios ajuda a alargar a compreensão da utilização humana inicial dos restos de baleias e fornece também um retrato da antiga ecologia das baleias.</p>
<p>É provável que os humanos antigos que viviam em zonas costeiras tenham utilizado as baleias como recurso. No entanto, os sítios arqueológicos costeiros pré-históricos são frágeis e estão sujeitos à subida do nível do mar, o que torna difícil reconstruir as interações passadas entre humanos e mamíferos marinhos.</p>
<p>Jean-Marc Pétillon e colegas analisam 83 utensílios de osso escavados em sítios da Baía da Biscaia e 90 ossos adicionais da Gruta de Santa Catalina, em Espanha. Os autores utilizaram a espetrometria de massa e a datação por radiocarbono para identificar a taxonomia e a idade das amostras.</p>
<p>Concluíram que os ossos provêm de pelo menos cinco espécies de baleias de grande porte, as mais antigas das quais são datadas de há cerca de 19-20 mil anos, representando algumas das primeiras provas conhecidas da utilização humana de restos de baleias como ferramentas, segundo os autores.</p>
<p>Estas espécies encontram-se ainda hoje no golfo da Biscaia. Os autores identificam também os restos de baleias cinzentas, que atualmente se limitam sobretudo ao Oceano Pacífico Norte e ao Ártico. Dados químicos adicionais dos utensílios de ossos de baleia sugerem que os hábitos alimentares das baleias eram ligeiramente diferentes dos das espécies que vivem atualmente, apontando para alterações comportamentais ou ambientais.</p>
<p>Estas descobertas fornecem novas provas da utilização humana mais antiga de restos de baleias, particularmente nas regiões costeiras, lançando luz sobre as mudanças na ecologia dos cetáceos ao longo dos últimos 20 mil anos.</p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Não sabemos muito sobre os sons das rãs fêmeas porque estão a ser abafados pelos machos</title>
		<link>https://greensavers.sapo.pt/nao-sabemos-muito-sobre-os-sons-das-ras-femeas-porque-estao-a-ser-abafados-pelos-machos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 03 May 2026 10:55:38 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Animais]]></category>
		<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Manchete]]></category>
		<category><![CDATA[estudo]]></category>
		<category><![CDATA[internacional]]></category>
		<category><![CDATA[rãs]]></category>
		<category><![CDATA[sons]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://greensavers.sapo.pt/?p=271767</guid>

					<description><![CDATA[Os sons das rãs fêmeas foram documentados em menos de 1,5% das espécies, de acordo com os investigadores que afirmam que isto se deve ao facto de as rãs macho serem mais ruidosas e, por isso, receberem mais atenção dos cientistas.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Durante décadas, os cientistas concentraram-se nos chamamentos altos e familiares das rãs macho, esquecendo as vozes mais silenciosas das fêmeas.</p>
<p>&#8220;A nossa revisão chama a atenção para este lado oculto da comunicação das rãs. Encontrámos relatos de chamamentos femininos em mais de 100 espécies de anuros de 29 famílias, mas a maioria dos estudos é anedótica e raramente explora a sua função&#8221;, sublinham os investigadores.</p>
<p>&#8220;Resumimos o conhecimento existente, propomos uma classificação padronizada e identificamos os principais desafios. Este trabalho tem como objetivo corrigir a perspetiva tendenciosa dos machos na bioacústica das rãs e melhorar a nossa compreensão da comunicação, dos comportamentos de acasalamento e da evolução dos anfíbios &#8211; encorajando uma compreensão mais equilibrada de ambos os sexos na investigação bioacústica&#8221;, acrescentam.</p>
<p>Os sons das rãs fêmeas foram <a href="https://royalsocietypublishing.org/doi/10.1098/rspb.2025.0454" target="_blank" rel="noopener">documentados</a> em menos de 1,5% das espécies, de acordo com os investigadores que afirmam que isto se deve ao facto de as rãs macho serem mais ruidosas e, por isso, receberem mais atenção dos cientistas.</p>
<p>Os investigadores analisaram a literatura sobre a comunicação das rãs e descobriram que os sons das fêmeas estão documentados em 112 espécies, embora afirmem que estes estudos são frequentemente anedóticos e raramente contêm informações sobre o objetivo destes sons.</p>
<p>Os autores afirmam que os sons das fêmeas são muito mais difíceis de documentar porque são frequentemente mais suaves, o que leva a uma tendência significativa para a investigação sobre os sons mais altos e mais facilmente reconhecíveis dos machos.</p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>O melhor amigo do homem pode ajudar a travar uma terrível dor nas costas</title>
		<link>https://greensavers.sapo.pt/o-melhor-amigo-do-homem-pode-ajudar-a-travar-uma-terrivel-dor-nas-costas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 02 May 2026 15:55:38 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Animais]]></category>
		<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[cães]]></category>
		<category><![CDATA[estudo]]></category>
		<category><![CDATA[internacional]]></category>
		<category><![CDATA[saúde]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://greensavers.sapo.pt/?p=271756</guid>

					<description><![CDATA[De acordo com investigadores internacionais, a análise da coluna vertebral de cães pode fornecer informações sobre a doença do “disco deslizante” nos seres humanos.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>De acordo com investigadores internacionais, a análise da coluna vertebral de cães pode fornecer informações sobre a doença do “disco deslizante” nos seres humanos.</p>
<p>A equipa analisou cerca de 100 discos herniados e não herniados (que são as almofadas de cartilagem entre as vértebras) de cães após cirurgia. Encontraram alterações minerais nos discos herniados que podem aumentar a probabilidade de rutura.</p>
<p>Este novo <a href="https://royalsocietypublishing.org/doi/10.1098/rspa.2024.0488" target="_blank" rel="noopener">estudo</a> identifica um mecanismo anteriormente desconhecido para a degeneração e calcificação do disco intervertebral em cães, que pode ter ramificações significativas na doença do “disco escorregadio” humano.</p>
<p>&#8220;Mostrámos que o processo de doença discal envolve provavelmente uma conversão de fosfato de cálcio amorfo numa forma cristalina de fosfato de cálcio e que isto predispõe potencialmente o disco a sofrer. A interferência com este processo pode ajudar a prevenir a hérnia discal em cães e em pessoas&#8221;, dizem os investigadores.</p>
<p>É necessária mais investigação, mas os especialistas afirmam que a análise deste processo pode apontar para novas terapias ou medidas preventivas para os discos deslizantes nos seres humanos (e nos cães).</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Os tubarões-tigre e os tubarões-de-pontas-brancas podem chegar ao jantar sem lutar</title>
		<link>https://greensavers.sapo.pt/os-tubaroes-tigre-e-os-tubaroes-de-pontas-brancas-podem-chegar-ao-jantar-sem-lutar/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 02 May 2026 13:55:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Animais]]></category>
		<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Manchete]]></category>
		<category><![CDATA[ciência]]></category>
		<category><![CDATA[estudo]]></category>
		<category><![CDATA[internacional]]></category>
		<category><![CDATA[tubarões]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://greensavers.sapo.pt/?p=271890</guid>

					<description><![CDATA[Tubarões raramente vistos juntos podem estar dispostos a partilhar uma refeição demasiado boa para perder.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Tubarões-de-pontas-brancas e tubarões-tigre alimentam-se pacificamente de uma carcaça perto da Grande Ilha do Havai. Estas observações extremamente raras poderão ajudar os cientistas a compreender melhor a ecologia dos tubarões.</p>
<p>Quando um barco de turismo deixou o porto na primavera de 2024, os passageiros provavelmente não esperavam testemunhar uma cena rara em que tubarões de duas espécies que normalmente não ocupam os mesmos habitats se juntaram a uma carcaça em decomposição e se alimentaram pacificamente durante um dia.</p>
<p>Os tubarões não mostraram qualquer comportamento agressivo entre si, nem com os operadores turísticos e fotógrafos que observaram o evento. Este tipo de observação pode ajudar os cientistas a compreender melhor as relações entre espécies e as interações sociais entre alguns dos maiores caçadores dos oceanos.</p>
<p>Muitos tubarões, particularmente os que vivem em oceanos abertos, são caçadores e não necrófagos. Apesar disso, uma pequena parte da sua dieta provém da necrópsia, um comportamento que podem adotar quando surge a oportunidade.</p>
<p>Agora, escrevendo na revista Frontiers in Fish Science, os investigadores <a href="https://www.frontiersin.org/journals/fish-science/articles/10.3389/frish.2025.1520995/full" target="_blank" rel="noopener">descreveram</a> uma agregação invulgar de tubarões que se juntaram para se alimentarem de uma carcaça que se tinha decomposto principalmente em carne e gordura.</p>
<p>“Tanto quanto sabemos, este é o primeiro estudo a documentar uma agregação alimentar de tubarões-tigre e tubarões-brancos-oceânicos a alimentarem-se simultaneamente, e pacificamente, de uma carcaça”, disse a primeira autora, Molly Scott, uma investigadora marinha da Universidade do Havai em Mānoa. “Estas espécies raramente são vistas juntas na natureza devido aos habitats muito diferentes que ocupam”, adianta.</p>
<p><strong>Banquete em paz</strong></p>
<p>Os tubarões-de-pontas-brancas, uma espécie ameaçada que atinge uma média de dois metros de comprimento, são tubarões solitários, altamente migratórios e passam a maior parte do tempo a vaguear pelos oceanos. Esta escolha de habitat torna-os difíceis de estudar. No entanto, durante a primavera e o verão, agregam-se sazonalmente na Ilha Grande do Havai. Os tubarões-tigre, uma espécie um pouco maior e mais costeira, com uma média de três a quatro metros de altura, vivem ali durante todo o ano. “É incrivelmente raro que estas duas espécies se sobreponham no espaço e no tempo”, afirma Scott.</p>
<p>Em abril de 2024, um barco turístico avistou uma carcaça muito deteriorada a cerca de 10 quilómetros da costa oeste da Ilha Grande. Uma vez na água, os operadores turísticos puderam observar o evento de alimentação durante 8,5 horas. Durante esse tempo, foram avistados pelo menos nove tubarões de ponta branca oceânicos e cinco tubarões-tigre.</p>
<p>“Embora até 12 tubarões estivessem a alimentar-se intermitentemente de uma carcaça muito pequena e altamente degradada, não observámos qualquer agressão agonística inter ou intra-espécies”, diz Scott. &#8220;Isto foi surpreendente para mim; eu assumiria que existiriam alguns comportamentos agonísticos quando há tantos tubarões a tentar alimentar-se à volta de uma carcaça tão pequena. Mas parece que todos os indivíduos sabiam o seu lugar na hierarquia social&#8221;, acrescenta.</p>
<p><strong>Primeiras porções</strong></p>
<p>Os tubarões-tigre, muito provavelmente devido ao seu maior tamanho, foram a espécie dominante. Todos os tubarões-tigre, exceto uma fêmea mais pequena, e os dois maiores tubarões-de-pontas-brancas foram observados com mais frequência a alimentarem-se diretamente da carcaça. Os tubarões mais pequenos mantiveram-se debaixo da superfície e alimentaram-se de restos à deriva. É possível que tenham sido atraídos para o local devido aos restos e regurgitações deixados pelos tubarões-tigre maiores, disseram os investigadores.</p>
<p>Pode também ter havido outras razões para alguns tubarões terem sido os primeiros a comer. &#8220;Alguns indivíduos, como a fêmea do tubarão-tigre, podem ter sido mais tímidos ou menos ousados, provavelmente devido ao seu tamanho. Além disso, como os outros tubarões já tinham estabelecido a hierarquia alimentar antes da chegada da tubarão-tigre fêmea, talvez ela não se sentisse muito bem-vinda para entrar em ação&#8221;, explica Scott.</p>
<p>O estudo foi efetuado num período de tempo relativamente curto, uma vez que a carcaça não pôde ser localizada novamente no dia seguinte. Tendo em conta o tamanho da carcaça, estavam presentes muitos tubarões e esta investigação pode fornecer novos conhecimentos sobre as relações e interações sociais entre tubarões que normalmente não habitam as mesmas águas, afirmaram os investigadores.</p>
<p>Para os seres humanos pode talvez fornecer uma nova perspetiva sobre os tubarões. &#8220;Havia entre dois e três humanos na água em todos os momentos, filmando mais de 12 tubarões a alimentarem-se. Nenhum dos fotógrafos relatou qualquer interação assustadora, agressiva ou prejudicial com os tubarões&#8221;, conclui Scott. “Espero que isto dê uma nova perspetiva de que os tubarões não são os predadores devoradores de seres humanos que se diz que são”.</p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Robôs terapêuticos devem ser colaboradores ativos, como os cavalos</title>
		<link>https://greensavers.sapo.pt/robos-terapeuticos-devem-ser-colaboradores-ativos-como-os-cavalos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 02 May 2026 10:55:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Animais]]></category>
		<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Inovação & Tecnologia]]></category>
		<category><![CDATA[cavalos]]></category>
		<category><![CDATA[ciência]]></category>
		<category><![CDATA[estudo]]></category>
		<category><![CDATA[internacional]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://greensavers.sapo.pt/?p=271936</guid>

					<description><![CDATA[Os robôs interativos não devem ser apenas companheiros passivos, mas parceiros ativos - como cavalos de terapia que respondem às emoções humanas - dizem os investigadores da Universidade de Bristol.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>As intervenções assistidas por equídeos (EAI) oferecem uma alternativa poderosa às terapias tradicionais de conversação para pacientes com PTSD, traumas e autismo, que têm dificuldade em expressar e regular as emoções apenas com palavras.</p>
<p>O <a href="https://dl.acm.org/doi/10.1145/3706598.3714311" target="_blank" rel="noopener">estudo</a>, apresentado na CHI &#8217;25: Proceedings of the 2025 CHI Conference on Human Factors in Computing Systems, realizada em Yokohama, recomenda que os robôs terapêuticos também apresentem um nível de autonomia, em vez de exibições unidimensionais de amizade e conformidade.</p>
<p>A autora principal, Ellen Weir, da Faculdade de Ciências e Engenharia de Bristol, explica: &#8220;A maior parte dos robôs sociais atuais são concebidos para serem obedientes e previsíveis &#8211; seguindo comandos e dando prioridade ao conforto do utilizador.</p>
<p>“A nossa investigação desafia este pressuposto”.</p>
<p>Nas EAIs, os indivíduos comunicam com os cavalos através da linguagem corporal e da energia emocional. Se alguém estiver tenso ou desregulado, o cavalo resiste aos seus sinais. Quando o indivíduo se torna calmo, claro e confiante, o cavalo responde positivamente. Este efeito de “espelho vivo” ajuda os participantes a reconhecer e a ajustar os seus estados emocionais, melhorando tanto o bem-estar interno como as interações sociais.</p>
<p>No entanto, as EAIs requerem cavalos e facilitadores altamente treinados, o que as torna caras e inacessíveis.</p>
<p>Ellen continua: &#8220;Descobrimos que os robôs terapêuticos não devem ser companheiros passivos, mas sim colaboradores ativos, como os cavalos EAI.</p>
<p>&#8220;Tal como os cavalos só respondem quando uma pessoa está calma e emocionalmente regulada, os robôs terapêuticos devem resistir ao envolvimento quando os utilizadores estão stressados ou perturbados. Ao exigirem uma regulação emocional antes de responderem, estes robôs poderiam refletir o efeito terapêutico das EAI, em vez de se limitarem a proporcionar conforto&#8221;, explica.</p>
<p>Esta abordagem tem o potencial de transformar a terapia robótica, ajudando os utilizadores a desenvolver competências de auto-consciência e de regulação, tal como os cavalos fazem nas EAI.</p>
<p>Para além da terapia, este conceito pode influenciar a interação homem-robô noutros domínios, como a formação de robôs para o desenvolvimento de competências sociais, a orientação emocional ou mesmo a gestão do stress nos locais de trabalho.</p>
<p>Uma questão fundamental é saber se os robôs podem realmente reproduzir &#8211; ou pelo menos complementar &#8211; a profundidade emocional das interações entre humanos e animais. A investigação futura deve explorar a forma como o comportamento robótico pode promover a confiança, a empatia e a sintonia fina, garantindo que estas máquinas apoiam o bem-estar emocional de uma forma significativa.</p>
<p>Ellen acrescenta: &#8220;O próximo desafio é conceber robôs capazes de interpretar as emoções humanas e responder de forma dinâmica &#8211; tal como fazem os cavalos. Isto requer avanços na deteção de emoções, dinâmica de movimentos e aprendizagem de máquinas.</p>
<p>&#8220;Temos também de considerar as implicações éticas da substituição de animais sensíveis por máquinas. Poderá um robô oferecer o mesmo valor terapêutico que um cavalo vivo? E se assim for, como podemos garantir que estas interações permanecem éticas, eficazes e emocionalmente autênticas?&#8221;, conclui.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Dores de dentes? A “culpa” pode ser destes animais pré-históricos</title>
		<link>https://greensavers.sapo.pt/dores-de-dentes-a-culpa-pode-ser-destes-animais-pre-historicos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 01 May 2026 15:55:14 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Animais]]></category>
		<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Manchete]]></category>
		<category><![CDATA[animais]]></category>
		<category><![CDATA[ciência]]></category>
		<category><![CDATA[dentes]]></category>
		<category><![CDATA[fóssil]]></category>
		<category><![CDATA[internacional]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://greensavers.sapo.pt/?p=271985</guid>

					<description><![CDATA[Cientistas descobrem que, há 465 milhões de anos, exosqueleto de peixes tinha estruturas com dentina que os ajudavam a sentir os ambientes à sua volta, uma sensibilidade que se mantém nos dentes modernos.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Quem já passou por uma limpeza dentária sabe bem o quão sensíveis os nossos dentes são, e também o são noutros animais. Apesar da sua dura camada de esmalte, os dentes, além da sua função de mastigação, ajudam a recolher informação sobre o que estamos a morder, como a temperatura e a pressão.</p>
<p>Esses dados sensoriais atravessam o esmalte e a dentina, a camada imediatamente inferior à primeira, e a encaminham para uma câmara onde estão alojados os nervos. Esses últimos, por sua vez, enviam os estímulos dentários para o sistema nervoso, onde são processados e são geradas as sensações que temos, incluindo a dor que sentimos, por exemplo, quando uma broca de dentista corre sobre os nossos dentes.</p>
<p>Nessas alturas, muitos de nós provavelmente amaldiçoamos a nossa evolução por nos ter dado dentes sensíveis. Um grupo de cientistas descobriu onde essa sensibilidade surgiu e mostra que evoluiu com um propósito claro e útil, não simplesmente para causar dor, mas sobretudo para ajudar os animais a navegarem pelos seus ambientes.</p>
<p>De acordo com uma investigação arqueológica liderada pela Universidade de Chicago, nos Estados Unidos da América, a dentina terá evoluído primeiramente como um tecido sensorial no exosqueleto (uma camada dura tipo “armadura” que reveste atualmente invertebrados como os insetos e os crustáceos) de peixes do Período Ordovícico, há cerca de 465 milhões de anos, como os do género <em>Astraspis</em><i>.</i></p>
<p>Os investigadores recordam que há muito que se acredita que os dentes, como os conhecemos hoje, terão evoluído a partir de estruturas salientes nessa armadura, ainda que a sua função exata estivesse, pelo menos até agora, envolta em mistério. Num <a href="https://www.nature.com/articles/s41586-025-08944-w" target="_blank" rel="noopener">artigo publicado recentemente na revista ‘Nature’</a>, esta equipa confirma que essas estruturas continham dentina que provavelmente terá ajudado esses peixes antigos a sentirem as condições das águas nas quais nadavam e a detetarem predadores.</p>
<p>Por isso, argumentam que a dentina evoluiu como “um tecido sensorial no exosqueleto dos primeiros vertebrados, uma função que os dentes dos vertebrados modernos retêm”, escrevem no artigo.</p>
<p>Neil Shubin, um dos principais autores, explica, em comunicado, que o Ordovícico era “um ambiente predatório bastante intenso”, pelo que teria sido “muito importante” para peixes antigos terem capacidade para “sentirem as propriedades da água à sua volta”.</p>
<p>Os resultados da investigação mostram, diz Yara Haridy, primeira autora do estudo, que as estruturas semelhantes a dentes encontradas nas armaduras de animais marinhos há centenas de milhões de anos ainda não eram os exatamente dentes como hoje os conhecemos, porque não serviam para mastigar, mas ajudavam os animais, tanto peixes como artrópodes, a conhecerem o que se passava à sua volta.</p>
<p>Tubarões, raias e peixes-gato modernos possuem, ao longo da sua pele, o que os cientistas chamam de dentículos, que tornam os seus corpos ásperos ao toque e que, por estarem ligados a nervos como os dentes, assemelham-se, dizem eles, às estruturas no exosqueleto desses animais marinhos do Ordovício.</p>
<p>Por isso, os investigador dizem que a sensibilidade dentária que hoje podemos pensar ser uma maldição surgiu para ajudar animais antigos a sobreviverem em mundo ancestrais repletos de predadores, podendo, em muitos casos, ter sido a diferença entre a vida e a morte.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Esquilos-do-ártico estão a ‘acordar’ mais cedo da hibernação. Fêmeas são as primeiras a despertar</title>
		<link>https://greensavers.sapo.pt/esquilos-do-artico-estao-a-acordar-mais-cedo-da-hibernacao-femeas-sao-as-primeiras-a-despertar/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Filipe Pimentel Rações]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 01 May 2026 13:55:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Alterações Climáticas]]></category>
		<category><![CDATA[Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[Animais]]></category>
		<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Green Savers]]></category>
		<category><![CDATA[Natureza]]></category>
		<category><![CDATA[Esquilos-do-ártico]]></category>
		<category><![CDATA[estudo]]></category>
		<category><![CDATA[internacional]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://greensavers.sapo.pt/?p=234676</guid>

					<description><![CDATA[A subida da temperatura no Ártico está a fazer com que as fêmeas dos esquilos Urocitellus parryii acordem mais cedo da hibernação. As incógnitas são muitas e os cientistas desconhecem ainda como é que isso pode afetar o futuro da espécie.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>À medida que a Terra aquece, os impactos nos ecossistemas, nos animais e nas plantas são cada vez maiores e mais diversos. Um deles é o encurtamento dos períodos de hibernação, que poderá ter consequências para a sobrevivência desses animais, incluindo o pequeno esquilo-do-ártico (<em>Urocitellus parryii</em>).</p>
<p>Uma equipa de cientistas dos Estados Unidos da América quis perceber de que forma as alterações climáticas estão a afetar a vida deste roedor terrestre na região ártica do Alasca. Para isso, analisaram mais de 25 anos de dados recolhidos sobre o clima e a biologia do animal e constataram que o aquecimento da Terra está a tornar mais curta a sua hibernação e que as fêmeas acordam primeiro do que os machos.</p>
<p>Cory Williams estuda os esquilos-do-ártico há mais de 15 anos e é um dos principais autores de um <a href="https://www.science.org/doi/10.1126/science.adf5341" target="_blank" rel="noopener">artigo publicado na revista ‘Science’</a>, no qual ele e a sua equipa alertam para a rapidez do aquecimento no Ártico, reconhecendo, contudo, que ainda pouco se sabe sobre os impactos nos ecossistemas dessa região do planeta, sobretudo devido à falta de estudos de longo prazo.</p>
<p>“Penso que o que orna este estudo único é o facto de olharmos para um conjunto de dados suficiente longo que mostra os impactos das alterações climáticas num mamífero no Ártico”, explica o investigador da Colorado State University. E argumenta que o trabalho permite estabelecer “uma ligação direta entre as alterações na temperatura e a fisiologia e ecologia destes animais”.</p>
<figure id="attachment_234678" aria-describedby="caption-attachment-234678" style="width: 801px" class="wp-caption aligncenter"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-234678 " src="https://greensavers.sapo.pt/dev/wp-content/uploads/2023/05/A_ground_squirrel_alerting_nearby_squirrels_of_a_potential_danger_b382620b-711a-45fe-8476-882d2d3faa79.jpg" alt="" width="801" height="534" srcset="https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2023/05/A_ground_squirrel_alerting_nearby_squirrels_of_a_potential_danger_b382620b-711a-45fe-8476-882d2d3faa79.jpg 1024w, https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2023/05/A_ground_squirrel_alerting_nearby_squirrels_of_a_potential_danger_b382620b-711a-45fe-8476-882d2d3faa79-600x400.jpg 600w, https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2023/05/A_ground_squirrel_alerting_nearby_squirrels_of_a_potential_danger_b382620b-711a-45fe-8476-882d2d3faa79-300x200.jpg 300w, https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2023/05/A_ground_squirrel_alerting_nearby_squirrels_of_a_potential_danger_b382620b-711a-45fe-8476-882d2d3faa79-768x512.jpg 768w" sizes="(max-width: 801px) 100vw, 801px" /><figcaption id="caption-attachment-234678" class="wp-caption-text">O desfasamento entre o despertar das fêmeas e dos machos pode resultar em &#8216;desencontros amorosos&#8217;, mas não se sabe ainda os impactos que isso poderá ter no futuro da espécie.<br />Foto: Robbie Hannawacker / National Park Service (EUA)</figcaption></figure>
<p>Os esquilos-do-ártico no Alasca sobrevivem aos invernos rigorosos, tal como outros animais, hibernando durante mais de metade do ano, em tocas a quase um metro abaixo da superfície. Isso implica reduzirem o ritmo a que funciona os seus organismos: pulmões, coração, cérebro e funções fisiológicas. Durante esse ‘sono profundo’, os esquilos passam a viver num estado quase de animação suspensa, em que tudo funciona em câmara lenta para evitar gastos de energia desnecessários.</p>
<p>A única energia que gastam será talvez a que usam para se manterem minimamente quentes e evitar congelarem. Chegando a primavera, emergem do subsolo e lançam-se em busca de alimento para tentarem repor as calorias perdidas durante a hibernação, além de, claro, um parceiro com o qual se possam reproduzir.</p>
<p>Helena Chmura, da Universidade de Alaska Fairbanks e principal autora do artigo, aponta que a camada de solo que está acima do pergelissolo, estrato de solo que está permanentemente congelado (ou <em>permafrost</em>, em inglês), “congela mais tarde no outono, não fica tão fria em meados do inverno e descongela ligeiramente mais cedo na primavera”.</p>
<p>A cientista diz que as alterações climáticas ao longo do último quatro de século têm feito com que o solo mais superficial, onde os esquilos fazem as suas tocas a hibernam, descongele cerca de 10 dias mais cedo do que antes, interferindo com os padrões de hibernação dessa espécie.</p>
<p>Ao recolherem dados sobre a temperatura de esquilos-do-ártico selvagens, descobriram que as fêmeas estão a adaptar-se mais rapidamente à chegada antecipada da primavera e, por isso, a acordar mais cedo da hibernação do que os machos.</p>
<p>Os autores salientam como positivo o facto de as fêmeas poderem começar a procurar alimento mais cedo e que isso poderá traduzir-se em ninhadas mais saudáveis e em níveis mais altos de sobrevivência da espécie.</p>
<p>Contudo, o desfasamento entre o fim do período de hibernação das fêmeas e dos machos pode resultar em ‘desencontros amorosos’ e numa menor taxa de reprodução. Outra consequência negativa de acordarem mais cedo é ficarem expostos durante mais tempo aos predadores, como raposas, lobos e águias.</p>
<p>Os investigadores reconhecem que, pelo menos por agora, é impossível prever os impactos de uma hibernação mais curta no futuro da espécie, pelo que são precisos mais trabalhos para aprofundar o conhecimento sobre esse fenómeno e também sobre como as alterações climáticas estão a afetar a vida dos predadores que se alimentam desses pequenos roedores.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Lobos que se alimentam de lontras-marinhas no Alasca ameaçados por altas concentrações de mercúrio</title>
		<link>https://greensavers.sapo.pt/lobos-que-se-alimentam-de-lontras-marinhas-no-alasca-ameacados-por-altas-concentracoes-de-mercurio/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 01 May 2026 10:55:40 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Animais]]></category>
		<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Natureza]]></category>
		<category><![CDATA[Alasca]]></category>
		<category><![CDATA[ciência]]></category>
		<category><![CDATA[internacional]]></category>
		<category><![CDATA[lobos]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://greensavers.sapo.pt/?p=272034</guid>

					<description><![CDATA[Em 2020, o corpo de uma loba foi encontrado numa ilha no Alasca e análises revelaram que o seu fígado e rins continham grandes concentrações de mercúrio. A descoberta lançou uma equipa de cientistas numa demanda para tentarem perceber o que poderá ter acontecido.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Em novembro de 2020, o cadáver de uma loba da subespécie <em>Canis lupus ligoni</em> com quatro anos de idade foi descoberto numa ilha ao largo da costa sudeste do Alasca. Esses lobos ocorrem apenas nessa região dos Estados Unidos da América e na costa da Columbia Britânica, no Canadá.</p>
<p>O animal tinha sido apetrechado com um colar com GPS por biólogos que estudavam o comportamento de predação desses lobos na região. Sem sinais exteriores que pudessem ajudar a identificar a causa da morte, o corpo, encontrado na Ilha Pleasant, foi submetido a necrópsia. Os resultados revelaram que a loba, batizada com o código 202006, tinha altas concentrações de mercúrio no fígado e nos rins, bem como noutros tecidos.</p>
<figure id="attachment_272036" aria-describedby="caption-attachment-272036" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="wp-image-272036 " src="https://greensavers.sapo.pt/dev/wp-content/uploads/2025/05/loba-202006-alasca-lontras.png" alt="" width="800" height="373" srcset="https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2025/05/loba-202006-alasca-lontras.png 1500w, https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2025/05/loba-202006-alasca-lontras-300x140.png 300w, https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2025/05/loba-202006-alasca-lontras-1024x478.png 1024w, https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2025/05/loba-202006-alasca-lontras-768x358.png 768w, https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2025/05/loba-202006-alasca-lontras-600x280.png 600w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-272036" class="wp-caption-text">A loba 202006 morreu em novembro de 2020, no Alasca. Não se sabe ainda porquê ao certo, mas o seu fígado e rins tinham altas concentrações de mercúrio. Foto: Gretchen Roffler / Alaska Department of Fish and Game</figcaption></figure>
<p>Estima-se que, atualmente, as concentrações de mercúrio na atmosfera estejam 450% acima dos valores que se registariam sem intervenção humana. A queima de combustíveis fósseis e da extração de ouro de pequena escala são duas das principais fontes dessas emissões atmosféricas. Além disso, o degelo dos glaciares está também a provocar o transporte de partículas de mercúrio arrancadas da crosta terrestre para os mares e oceanos à medida que esses blocos gelados vão derretendo com o aumento da temperatura do planeta. O Alasca é uma das regiões da Terra com os ritmos mais acelerados de degelo dos glaciares.</p>
<p>Quando em contacto com a água, o mercúrio transforma-se em metilmercúrio. Essa substância, que é tóxica, não é metabolizada pelos organismos que a ingerem, pelo que vai-se acumulando nos corpos dos animais ao longo das suas vidas, um processo chamado bioacumulação, e à medida que subimos na cadeia alimentar, as suas concentrações são cada vez maiores, a chamada bioampliação.</p>
<p>A descoberta de altos níveis de mercúrio na loba 202006 levou um grupo de cientistas a tentar perceber o que terá estado na origem desses níveis invulgares. Num artigo publicado na revista ‘Science of the Total Environment’, revelam que as populações de lobos <em>Canis lupus ligoni</em> que vivem na Ilha Pleasant têm concentrações mais elevadas de mercúrio nos seus corpos do que os animais da mesma subespécie que vivem em território continental.</p>
<p>Essa diferença deve-se ao facto de a dieta dos lobos insulares se basear largamente em lontras-marinhas (quase 70%), ao passo que a dos lobos continentais depende sobretudo de alces e veados.</p>
<p>Sobre os lobos da Ilha Pleasant, Benjamin Barst, da Universidade do Alasca em Fairbanks e um dos principais autores do estudo, diz que “eles estão a comer tantas lontras-marinhas que estão a receber esta dose mais elevada de mercúrio, que se vai acumulando ao longo do tempo”.</p>
<p>Os lobos são predadores com uma grande capacidade de adaptação, pelo que podem mudar as suas dietas e comportamentos de caça consoante a abundância das presas disponíveis. Vivendo isolado numa ilha, os lobos de Pleasant têm à sua disposição uma maior variedade de presas marinhas do que de presas habitualmente encontradas em habitats continentais.</p>
<p>Ainda não se sabe se a viragem alimentar para as lontras-marinhas é algo permanente ou esporádico, mas os investigadores consideram que se aumentar o número desses mustelídeos a largo da costa do Alasca e da Columbia Britânica, é possível que os lobos se habituem a tê-las como importantes fontes de calorias, o que pode, por sua vez, aumentar a exposição dos canídeos selvagens à contaminação por mercúrio.</p>
<p>Os investigadores vão continuar a investigar a relação entre as altas concentrações de mercúrio encontradas nos lobos e o seu consumo de lontras-marinhas, para tentarem perceber que implicações isso poderá ter para a sobrevivência desses predadores terrestres que se estão a converter, aparentemente, em predadores costeiros.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Regenera: Um projeto que une pessoas, animais e ambiente após os incêndios</title>
		<link>https://greensavers.sapo.pt/regenera-um-projeto-que-une-pessoas-animais-e-ambiente-apos-os-incendios/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ana Filipa Rego]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 01 May 2026 07:55:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[Animais]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Manchete]]></category>
		<category><![CDATA[nacional]]></category>
		<category><![CDATA[One Health]]></category>
		<category><![CDATA[projeto]]></category>
		<category><![CDATA[Regenera]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://greensavers.sapo.pt/?p=285656</guid>

					<description><![CDATA[Após os incêndios de 2025, a UPPartner lançou o Projeto Regenera, inspirado na abordagem One Health. A iniciativa pretende restaurar ecossistemas, apoiar comunidades e reforçar a biodiversidade em Arganil. As primeiras cem colmeias instaladas simbolizam o ponto de partida para a regeneração do território.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p data-start="574" data-end="1196">O Projeto Regenera nasceu da necessidade de agir rapidamente após um dos verões mais devastadores para Portugal, marcado pelos incêndios que destruíram casas, terrenos e meios de subsistência. Bernardo Soares, médico veterinário e diretor de One Health da UPPartner, explica, em entrevista à Green Savers, que a a iniciativa procura unir esforços humanos, animais e ambientais para restaurar o equilíbrio perdido. A primeira ação do projeto passou pela instalação de cem colmeias, um gesto que visa não só recuperar a produção de mel, mas também reativar os processos de polinização essenciais à regeneração da flora local.</p>
<p data-start="1198" data-end="1826">A abordagem do Regenera assenta na filosofia One Health, que reconhece a interdependência entre saúde humana, animal e ambiental. Em Arganil, esta visão traduz-se em ações concretas junto de comunidades afetadas, com destaque para parcerias locais, como a Casa do Apicultor, que garantem conhecimento técnico e proximidade com os apicultores. Para Bernardo Soares, regenerar vai muito além da recuperação ecológica: implica envolver as pessoas, fortalecer a economia local e criar um modelo de cooperação sustentável que possa inspirar outras regiões e empresas a assumir responsabilidade ativa na preservação do ambiente.</p>
<p data-start="1198" data-end="1826"><strong>O Projeto Regenera nasce após um dos verões mais duros para o território português. Como surgiu a ideia e o que o motivou pessoalmente a avançar com esta iniciativa?</strong></p>
<p>Na UPPartner, acompanhamos de perto o que acontece no país e é com enorme tristeza que, ano após ano, assistimos ao flagelo dos incêndios e às suas consequências devastadoras. Recordo-me de que, durante o incêndio de Pedrógão Grande, alguns colaboradores tinham familiares e propriedades nas zonas afetadas, e ouvimos em primeira mão o impacto humano desta tragédia. Enquanto empresa com uma forte componente de responsabilidade social, acreditamos que o nosso papel não é apenas comunicar — é ouvir, agir e amplificar as vozes das comunidades. Foi dessa escuta ativa que nasceu o One Health Regenera: um projeto que pretende apoiar pessoas, animais e o meio ambiente afetados, combinando a nossa experiência em comunicação com uma atuação direta no terreno, em parceria com entidades locais que partilham a mesma missão.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone wp-image-285658 size-full" src="https://greensavers.sapo.pt/dev/wp-content/uploads/2025/11/Apicultura-2-scaled-1.jpg" alt="" width="2560" height="1440" srcset="https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2025/11/Apicultura-2-scaled-1.jpg 2560w, https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2025/11/Apicultura-2-scaled-1-300x169.jpg 300w, https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2025/11/Apicultura-2-scaled-1-1024x576.jpg 1024w, https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2025/11/Apicultura-2-scaled-1-768x432.jpg 768w, https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2025/11/Apicultura-2-scaled-1-1536x864.jpg 1536w, https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2025/11/Apicultura-2-scaled-1-2048x1152.jpg 2048w, https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2025/11/Apicultura-2-scaled-1-600x338.jpg 600w" sizes="(max-width: 2560px) 100vw, 2560px" /></p>
<p><strong>O projeto inspira-se na visão One Health, que liga a saúde humana, animal e ambiental. De que forma este princípio orienta o trabalho que estão a desenvolver em Arganil?</strong></p>
<p>O One Health é mais do que uma visão — é um princípio que guia todas as nossas ações. Trabalhar com base nesta abordagem significa reconhecer que a saúde das pessoas, dos animais e do ambiente é interdependente, e que só através desse equilíbrio é possível regenerar de forma sustentável. Em Arganil, o nosso apoio traduz-se na recuperação de colmeias destruídas pelos incêndios e na instalação de 100 novas unidades, que vão permitir o regresso das abelhas e a reposição da produção de mel na região. Este gesto tem um impacto em várias dimensões: ajuda os apicultores locais a recuperar o seu sustento, contribui para a biodiversidade através da polinização e, de forma indireta, reforça também o bem-estar das pessoas e a vitalidade do ecossistema.</p>
<blockquote><p>O One Health é mais do que uma visão — é um princípio que guia todas as nossas ações. Trabalhar com base nesta abordagem significa reconhecer que a saúde das pessoas, dos animais e do ambiente é interdependente, e que só através desse equilíbrio é possível regenerar de forma sustentável</p></blockquote>
<p><strong>A instalação de cem novas colmeias foi o primeiro passo do Regenera. Por que escolheram começar pelas abelhas e qual o papel destes polinizadores na recuperação da biodiversidade?</strong></p>
<p>Se pensarmos numa espécie que melhor simbolize o equilíbrio entre pessoas, animais e ambiente, as abelhas são o exemplo perfeito do conceito One Health. A sua importância é transversal: sustentam ecossistemas, promovem a regeneração das plantas e asseguram a continuidade das culturas agrícolas. Depois de um incêndio, os ecossistemas ficam totalmente devastados e inabitáveis, tanto para a fauna como para a flora. As abelhas são, por isso, o ponto de partida natural — porque a sua ação polinizadora é a base de todo o processo de regeneração. Com o seu trabalho silencioso, devolvem vida à terra, favorecem o renascimento da vegetação e tornam novamente possível o regresso de outras espécies.</p>
<p><strong>Fala-se muitas vezes da importância da regeneração ecológica, mas nem sempre se traduz em ações concretas. Como é que o Regenera transforma essa consciência ambiental em impacto real no terreno?</strong></p>
<p>O Regenera nasce precisamente para dar resposta a essa lacuna. Não se trata apenas de falar sobre sustentabilidade, mas de agir e gerar impacto real. O projeto alia comunicação e ação, procurando traduzir consciência em movimento. Para isso, é fundamental compreender os mecanismos de comunicação existentes — tanto nas comunidades locais como entre as empresas parceiras — e adaptar a mensagem para que todos se sintam parte desta missão comum. Acreditamos que a regeneração só acontece quando é percebida como um objetivo coletivo, que une pessoas, animais e ambiente em torno do mesmo propósito: reconstruir o equilíbrio natural e social.</p>
<p><strong>Que tipo de parcerias têm sido essenciais para o sucesso do projeto — seja com autarquias, comunidades locais ou entidades privadas?</strong></p>
<p>Todas as parcerias são estrategicamente pensadas e estabelecidas com um objetivo claro: fazer mais e melhor através da cooperação. No terreno, as comunidades locais e as entidades regionais são fundamentais, porque conhecem profundamente o território e as suas pessoas. Sem esse conhecimento, seria impossível compreender as reais necessidades e atuar de forma eficaz. Um exemplo claro é a Casa do Apicultor, cuja colaboração tem sido determinante — tanto pelo seu conhecimento técnico sobre apicultura e ligação com os apicultores, como pela proximidade à comunidade de Arganil. As parcerias com empresas privadas são igualmente importantes. Através da sua capacidade de mobilização, recursos e visibilidade, conseguimos ampliar o alcance e a eficácia da iniciativa, garantindo que o Regenera se torna um verdadeiro modelo de colaboração sustentável.</p>
<p><strong>Os incêndios de 2025 deixaram marcas profundas no território e nas populações. Que desafios têm encontrado na relação com as comunidades afetadas e como procuram envolvê-las neste processo de regeneração?</strong></p>
<p>Um dos principais desafios é a falta de eficácia dos sistemas de comunicação locais. Em zonas rurais, a população está muitas vezes dispersa, o que exige um trabalho de proximidade através de entidades locais enraizadas na comunidade. Outro desafio é o ceticismo natural de quem já viveu tragédias semelhantes — o receio de que esta seja apenas uma ação pontual, sem continuidade. Por isso, fazemos questão de reforçar que o One Health Regenera é um projeto de longo prazo, pensado para gerar impacto duradouro e inspirar novas iniciativas locais. Através do diálogo direto com a população e da cooperação com parceiros que conhecem bem o território, construímos confiança e envolvemos as comunidades no processo de regeneração, para que este seja, de facto, partilhado e sustentável.</p>
<blockquote><p>Um dos principais desafios é a falta de eficácia dos sistemas de comunicação locais. Em zonas rurais, a população está muitas vezes dispersa, o que exige um trabalho de proximidade através de entidades locais enraizadas na comunidade</p></blockquote>
<p><strong>O Regenera tem também uma vertente pedagógica e mobilizadora. De que forma pretendem inspirar outras empresas e cidadãos a participar nesta causa?</strong></p>
<p>Regenerar é uma ação que envolve todos e cada um de nós. É uma responsabilidade coletiva e global, não apenas local, preservar o que nos permite viver em equilíbrio com o planeta. Na UPPartner, continuaremos a reforçar esta mensagem — dentro e fora da organização — promovendo um contexto pessoal e profissional alinhado com a visão One Health, que une pessoas, animais e ambiente num mesmo propósito. O nosso objetivo é continuar a desenvolver campanhas e apoiar novos projetos no âmbito do One Health Regenera, capitalizando sinergias e ampliando resultados. Quanto maior o envolvimento de todos — empresas, instituições e cidadãos — maior será a capacidade de regenerar e alcançar um verdadeiro equilíbrio ambiental e social.</p>
<p><strong>A regeneração ecológica é um processo de longo prazo. Quais são os próximos passos do projeto e que metas gostariam de alcançar nos próximos anos?</strong></p>
<p>Estamos a acompanhar de perto a evolução desta primeira campanha em Arganil, medindo o seu impacto com o apoio dos nossos parceiros locais. Esta fase é essencial para avaliarmos os resultados e consolidarmos um modelo de atuação eficaz e replicável. Já temos definida uma segunda campanha, que será lançada no início do próximo ano, em colaboração com uma entidade que desenvolve um trabalho notável noutra zona rural do país — e que merece maior visibilidade e apoio. O nosso propósito é que o One Health Regenera se torne uma referência nacional de regeneração ambiental e social, apoiando organizações que trabalham sob o mesmo princípio e sensibilizando as comunidades para um futuro mais equilibrado e sustentável. Acreditamos que revitalizar ecossistemas e fortalecer comunidades é a base para construir um país mais resiliente, saudável e consciente do seu papel no planeta.</p>
<p><strong>Enquanto médico veterinário, acredita que a relação entre saúde animal e ambiental ainda é subvalorizada em Portugal? O que seria necessário mudar para integrar melhor esta visão nas políticas públicas?</strong></p>
<p>Mais do que subvalorizada, diria que é ainda largamente desconhecida. É essencial investir numa maior formação e informação credível junto dos diferentes públicos — desde cidadãos a decisores.<br />
Na UPPartner, procuramos desempenhar o nosso papel como agentes ativos de mudança, comunicando e agindo para reforçar esta ligação entre saúde animal, humana e ambiental. Paralelamente, é urgente valorizar o papel do médico veterinário, que muitas vezes é reduzido à vertente clínica dos animais de companhia. A verdade é que o veterinário tem uma função decisiva na prevenção de doenças zoonóticas, no combate à resistência antimicrobiana e na garantia da segurança alimentar. É nesta interseção entre saúde pública, ambiente e bem-estar animal que o conceito One Health ganha todo o seu sentido — e onde as políticas públicas podem e devem evoluir.</p>
<blockquote><p>O veterinário tem uma função decisiva na prevenção de doenças zoonóticas, no combate à resistência antimicrobiana e na garantia da segurança alimentar. É nesta interseção entre saúde pública, ambiente e bem-estar animal que o conceito One Health ganha todo o seu sentido — e onde as políticas públicas podem e devem evoluir</p></blockquote>
<p><strong>Em Arganil, a primeira ação traduziu-se na instalação de cem colmeias. Que resultados concretos esperam observar nos próximos meses — em termos de biodiversidade, polinização e impacto nas comunidades locais?</strong></p>
<p>A instalação destas 100 colmeias representa um primeiro e importante passo para restaurar a biodiversidade e a atividade apícola na região. Prevemos que, com o contributo dos nossos parceiros, este número possa aumentar gradualmente, ampliando o impacto no território. Até janeiro, o solo estará em processo de regeneração natural, e a partir dessa altura as condições estarão reunidas para o regresso das abelhas. As novas colmeias permitirão não apenas retomar a produção de mel, mas também reiniciar a polinização, essencial para o equilíbrio dos ecossistemas locais. Com o aumento da produção, haverá maior sustentabilidade económica para os apicultores e outros agentes do setor, reforçando as cadeias locais de valor e beneficiando indiretamente toda a comunidade. Mais do que recuperar o que foi perdido, queremos restaurar um ciclo de vida que se perdeu temporariamente — e demonstrar que regenerar é possível quando se atua com visão e continuidade.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
	</channel>
</rss>
