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	<title>Animais &#8211; Green Savers</title>
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	<description>Notícias sobre sustentabilidade, ambiente, alterações climáticas, biodiversidade, florestas, finanças verdes, empresas, economia, ODS</description>
	<lastBuildDate>Fri, 19 Jun 2026 13:56:40 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Animais &#8211; Green Savers</title>
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	<item>
		<title>Macacos-aranha combinam o seu conhecimento para encontrarem as árvores com os melhores frutos</title>
		<link>https://greensavers.sapo.pt/macacos-aranha-combinam-o-seu-conhecimento-para-encontrarem-as-arvores-com-os-melhores-frutos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Filipe Pimentel Rações]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 21 Jun 2026 07:55:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Animais]]></category>
		<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Natureza]]></category>
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					<description><![CDATA[Cientistas do México e do Reino Unido revelam que os macacos-aranha “combinam a sua informação de forma a produzirem novo conhecimento”]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Os macacos-aranha, primatas do género <em>Ateles</em> conhecidos por usarem as suas caudas flexíveis e preênseis como se fossem um quinto membro para se deslocarem pelas árvores, são capazes de combinar aquilo que sabem com o conhecimento de outros para melhorarem as hipóteses de encontrarem os melhores frutos.</p>
<p>A conclusão é de um estudo publicado na revista ‘<a href="https://www.nature.com/articles/s44260-025-00060-0" target="_blank" rel="noopener">npj Complexity’</a>, no qual cientistas do México e do Reino Unido escrevem que os macacos-aranha “combinam a sua informação de forma a produzirem novo conhecimento”.</p>
<p>Entre 2012 e 2017, foram feitas observações no terreno de grupos de macacos-aranha da espécie <em>Ateles geoffroyi</em> que vivem numa área protegida na península do Iucatão, no México. A equipa percebeu que os animais mudavam frequentemente de subgrupos, com três ou mais indivíduos, para poderem partilhar o que sabem sobre a localização das árvores com os melhores frutos e sobre a melhor altura para os apanharem e comerem, mas também para poderem obter informações que outros tenham.</p>
<p>Por exemplo, esse comportamento poderia traduzir-se em algo como um subconjunto de macacos ir até outro para partilhar o que sabe sobre a localização de uma fonte de alimento e o outro subgrupo partilhar o que sabe sobre quando será a melhor altura para colher os frutos nessa árvore ou nesse local.</p>
<p>É como se cada subgrupo tivesse uma peça do puzzle: juntando-as todos podem beneficiar de uma imagem mais clara sobre onde estão os melhores frutos. Esse conhecimento resulta da experiência que os animais têm dos locais onde vivem, das visitas que fazem às árvores e associando o que encontram à altura do ano em que estão.</p>
<p>Dessa forma, podem minimizar desperdícios de tempo e de energia à procura de alimento ou a visitar locais onde não estejam as fontes de alimento mais nutritivas.</p>
<p>A equipa de cientistas considera que este é “um exemplo convincente de inteligência coletiva em condições naturais”.</p>
<p>Ao mudarem constantemente de subgrupos, os macacos-aranha que sabem coisas diferentes e que conhecem partes distintas da floresta em que vivem podem partilhar essa informação e aumentar o conhecimento o geral do grupo.</p>
<p>Os macacos-aranha <em>Ateles geoffroyi</em> são uma espécie nativa das florestas da América Central e estão classificados como “Em Perigo” de extinção na Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas. A intensa perda de habitat causada pela desflorestação e o tráfico para os mercados de animais de estimação exóticos são as principais ameaças.</p>
<p>Esses riscos são amplificados pelo facto de esses primatas começarem a reproduzir-se tarde, por só darem à luz uma cria por época de reprodução e por terem longos intervalos entre partos.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>“Hipercarnívoros”, mas não tanto: Cientistas registam, pela primeira vez, mabecos a comer frutos</title>
		<link>https://greensavers.sapo.pt/hipercarnivoros-mas-nao-tanto-cientistas-registam-pela-primeira-vez-mabecos-a-comer-frutos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Filipe Pimentel Rações]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 20 Jun 2026 07:55:44 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Animais]]></category>
		<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Natureza]]></category>
		<category><![CDATA[animais]]></category>
		<category><![CDATA[internacional]]></category>
		<category><![CDATA[Mabecos]]></category>
		<category><![CDATA[vida selvagem]]></category>
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					<description><![CDATA[Uma dupla de investigadores diz ter documentado, pela primeira vez, um comportamento inesperado nos mabecos, apontando para uma flexibilidade que poderá ser benéfica para esta espécie ameaçada de extinção. ]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Os mabecos (<em>Lycaon pictus</em>) são considerado “hipercarnívoros” por se alimentaram exclusivamente de outros animais e por terem uma dentição altamente especializada nesse tipo de alimentação.</p>
<p>Pelo menos era essa a ideia, até que uma dupla de investigadores da organização Wild Entrust Africa ter descoberto algo inesperado no norte do Botsuana.</p>
<p>Durante 27 dias em 2022 (entre 29 de julho e 24 de agosto), a equipa observou uma alcateia de mabecos, nas margens do Delta do Okavango, a alimentar-se de frutos de ébano-de-zanzibar (<em>Diospyros mespiliformis</em>). Num artigo publicado na revista ‘<a href="https://www.canids.org/CBC/28/African_wild_dog_frugivory.pdf" target="_blank" rel="noopener">Canid Biology &amp; Conservation’</a>, os autores Megan Claase e John McNutt dizem que até esse momento nenhum outro estudo havia documentado o consumo de frutos por mabecos.</p>
<p>O grupo era composto por seis adultos e cinco jovens com mais de um ano e os investigadores observaram-nos não apenas a consumir os frutos, mas a procurá-los ativamente. Os mabecos, segundo as descrições, pegavam nos frutos, com dois a três centímetros de diâmetro, com os dentes incisivos e engoliam-nos praticamente inteiros.</p>
<figure id="attachment_291461" aria-describedby="caption-attachment-291461" style="width: 875px" class="wp-caption aligncenter"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-291461 size-full" src="https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2026/02/mabeco-frutos.png" alt="" width="875" height="487" srcset="https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2026/02/mabeco-frutos.png 875w, https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2026/02/mabeco-frutos-300x167.png 300w, https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2026/02/mabeco-frutos-768x427.png 768w, https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2026/02/mabeco-frutos-600x334.png 600w" sizes="(max-width: 875px) 100vw, 875px" /><figcaption id="caption-attachment-291461" class="wp-caption-text">Mabeco a comer frutos de ébano-de-zanzibar, no delta do Okavango, no Botsuana. Foto: Megan Claase.</figcaption></figure>
<p>Todos os membros da alcateia foram vistos a consumir os frutos e maioria das observações, cerca de 80%, aconteceram perto da toca dos mabecos e momentos antes de o grupo partir para a caça. Isso poderá sugerir que é uma forma de obterem energia antes de saírem em busca de presas.</p>
<p>Os autores argumentam ainda que os mabecos podem estar a consumir os frutos do ébano-de-zanzibar pelas suas propriedades medicinais, há muito conhecidas e usadas pelos humanos.</p>
<p>O consumo dos frutos coincidiu também com uma altura em que a alcateia está a ajudar a cuidar das crias, pelo que, sugerem os investigadores, ao comerem frutos estão a obter alimento adicional para fornecer aos elementos mais novos do grupo.</p>
<p>Muitas hipóteses estão ainda no ar quanto ao “porquê” de os mabecos comerem frutos, quebrando a ideia longeva de que se trata de uma espécie de “hipercarnívoros”.</p>
<p>O mesmo tipo de comportamento tinha já sido observado no ano anterior a este estudo uma alcateia vizinha à que neste artigo é descrita, bem como em 2013 numa alcateia a cerca de 23 quilómetros para leste do delta. No entanto, esses comportamentos não foram documentados, pelo que os autores souberam deles por comunicações diretas que lhes foram feitas pelas pessoas que viram esses comportamentos em primeira-mão.</p>
<p>Os investigadores sugerem que o consumo de frutos pode ser um comportamento aprendido pelos mabecos e não algo inato, o que, dizem, ajudaria a explicar por que razão só agora se conseguiu documentá-lo e por que razão parece ser limitado no espaço.</p>
<figure id="attachment_291462" aria-describedby="caption-attachment-291462" style="width: 655px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="wp-image-291462 size-full" src="https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2026/02/mabeco-frutos2.png" alt="" width="655" height="381" srcset="https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2026/02/mabeco-frutos2.png 655w, https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2026/02/mabeco-frutos2-300x175.png 300w, https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2026/02/mabeco-frutos2-600x349.png 600w" sizes="(max-width: 655px) 100vw, 655px" /><figcaption id="caption-attachment-291462" class="wp-caption-text">Mabecos em busca dos frutos. Foto: Megan Claase.</figcaption></figure>
<p>Claase e McNutt escrevem que este estudo revela a importância de se estudar o comportamento dos animais em vários habitats e ecossistemas, uma vez que só dessa forma é possível descobrir coisas inesperadas, mas ainda assim relevantes, sobre como os animais lidam com alterações na disponibilidade de alimento e também com os efeitos das alterações climáticas.</p>
<p>Os mabecos estão classificados como espécie “Em Perigo” de extinção na Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza. Em tempos abundantes em grande parte da África subsariana, têm atualmente a sua maior área de distribuição no Botsuana e na Namíbia, mas também estão presentes em Angola, na Zâmbia, em Moçambique, na Tanzânia, no Quénia e na República Centro Africana.</p>
<p>Entre as principais ameaças estão a perda de habitat, os conflitos com humanos e a perda de presas selvagens, pelo que esta flexibilidade alimentar dá aos investigadores alguma esperança, uma vez que poderá ajudar os mabecos a adaptarem-se melhor a alterações ambientais e ecológicas que podem tornar ainda mais incerto o seu futuro.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Pinguins com menos sorte na busca de alimento podem aproveitar o conhecimento dos vizinhos</title>
		<link>https://greensavers.sapo.pt/pinguins-com-menos-sorte-na-busca-de-alimento-podem-aproveitar-o-conhecimento-dos-vizinhos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Filipe Pimentel Rações]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 19 Jun 2026 07:03:10 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Animais]]></category>
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					<description><![CDATA[Uma nova investigação, tendo os pinguins-de-adélia como protagonistas, revela como é que essas aves marinhas adquirem e usam informação social para escolherem as áreas com alimento mais abundante.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Pelo mundo fora, vários animais vivem em grupos, quer seja para proteção, para cooperação na caça ou para partilha de tarefas, entre outras finalidades. Alguns formam grupos durante alturas específicas do ano, como é o caso das aves marinhas na época da reprodução.</p>
<p>Os pinguins-de-adélia (<em>Pygoscelis adeliae</em>), a mais pequena e mais amplamente distribuída das várias espécies de pinguins que habitam a Antártida, fazem parte desse conjunto de animais que vivem em grandes colónias na altura da reprodução.</p>
<p>A vida em grupo é complexa, com alguns pontos negativos, como maior competição por alimento e espaço e maior risco de transmissão de doenças, mas o facto de diversos tipos de animais optarem por viver em conjunto sugere que nem tudo pode ser mau. Uma das vantagens é a partilha de informação, por exemplo, sobre onde estão os melhores locais de alimentação, o que pode ser fundamental para a sobrevivência e para o sucesso reprodutivo dos animais.</p>
<p>Uma nova investigação, tendo os pinguins-de-adélia como protagonistas, revela como é que essas aves marinhas adquirem e usam essa informação social para escolherem as áreas com alimento mais abundante.</p>
<p>Liderado pela The Graduate University for Advanced Studies, no Japão, o trabalho consistiu no estudo de uma colónia de pinguins-de-adélia na enseada de Torinosu Cove, na região de Lützow-Holm Bay, na Antártida. O grupo é composto por 135 casais reprodutores, e a equipa de investigadores acompanhou, através de dispositivos de GPS, os movimentos de cerca de 40% dos indivíduos.</p>
<p>Quando estão a cuidar das crias, os progenitores têm de lançar-se ao mar, frequentemente ao mesmo tempo que outros adultos, para adquirirem alimento com o qual possam alimentar os pequenos pinguins. Ao analisarem essas viagens, os investigadores descobriram como é que os pinguins-de-adélia aproveitam o conhecimento dos seus vizinhos de colónia para encontrarem as melhores áreas de alimentação.</p>
<p>Com base nos dados das 653 viagens em busca de alimento estudadas, os cientistas perceberam que, em muitas delas, os pinguins regressavam aos locais que tinham visitado anteriormente. Isso sugere que os animais usam informação resultante de experiências individuais.</p>
<p>Noutros casos, os pinguins não voltam aos locais anteriores, mas seguiam outros pinguins até aos locais que esses tinham visitado antes. Para os autores deste <a href="https://royalsocietypublishing.org/rspb/article/293/2072/20260122/482049/Unsuccessful-foragers-acquire-social-information" target="_blank" rel="noopener">estudo</a>, isso significa que os pinguins que não tiveram tanto sucesso em buscas anteriores de alimento recorrem à experiência e conhecimento de vizinhos para darem a volta à sua sorte e encontrarem novas áreas de alimentação e mais comida com a qual possam alimentar a sua prole.</p>
<p>Os dados mostram que era mais provável que os pinguins que, numa viagem anterior, não tinham sido bem-sucedidos na busca de alimento mudassem de local de alimentação na viagem seguinte, com base na informação dos vizinhos. Os cientistas dizem que a troca de informações entre pinguins, possibilitada pelo facto de saírem em grupos em busca de alimento no mar, pode ajudá-los a obter mais comida durante a época da reprodução e, dessa forma, a aumentar a probabilidade de sucesso dos casais e da colónia.</p>
<p>Escrevem os investigadores que compreender como a informação transmitida entre pinguins influencia os movimentos dos animais permitirá desvendar os segredos da socialidade e da sua evolução.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Surto de gripe aviária mata mais de 13.000 crias de foca em ilha remota no Oceano Antártico</title>
		<link>https://greensavers.sapo.pt/surto-de-gripe-aviaria-mata-mais-de-13-000-crias-de-foca-em-ilha-remota-no-oceano-antartico/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Filipe Pimentel Rações]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 18 Jun 2026 14:01:01 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Animais]]></category>
		<category><![CDATA[Biodiversidade]]></category>
		<category><![CDATA[Ciência]]></category>
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		<category><![CDATA[vírus]]></category>
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					<description><![CDATA[Entre outubro de 2025 e janeiro de 2026, umas estimadas 13.359 crias de elefantes-marinhos-do-sul (Mirounga leonina) morreram devido ao surto viral. Com base nos dados recolhidos, os cientistas estimam que, em média, 76% das crias dessa espécie morreram na ilha Heard, e numa área em específico a taxa de mortalidade chegou mesmo aos 97%.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A cerca de 1.700 quilómetros (km) a norte da Antártida e a 4.000 km da Austrália continental, uma ilha surge no meio do oceano mais meridional do planeta. Trata-se da Ilha Heard, território australiano, lar de grande número de aves e animais marinhos, incluindo pinguins, focas e pardelas.</p>
<p>Contudo, apesar de, à primeira vista, ser um paraíso isolado, um surto de gripe aviária está a causar devastação entre as populações de animais que ali vivem.</p>
<p>Um <a href="https://www.antarctica.gov.au/galleries/video/player/?video=116193" target="_blank" rel="noopener">trabalho</a> liderado pelo Programa Australiano para a Antártida, do governo da Austrália, revela que, entre outubro de 2025 e janeiro de 2026, umas estimadas 13.359 crias de elefantes-marinhos-do-sul (<em>Mirounga leonina</em>) morreram devido ao surto viral. Com base nos dados recolhidos, os cientistas governamentais estimam que, em média, 76% das crias dessa espécie morreram na ilha Heard, e numa área em específico a taxa de mortalidade chegou mesmo aos 97%.</p>
<figure id="attachment_299942" aria-describedby="caption-attachment-299942" style="width: 1200px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="wp-image-299942 size-full" src="https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2026/06/elephant_seal_mortalities_heard_island_julie_mcinnes.1200x0.jpg" alt="" width="1200" height="900" srcset="https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2026/06/elephant_seal_mortalities_heard_island_julie_mcinnes.1200x0.jpg 1200w, https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2026/06/elephant_seal_mortalities_heard_island_julie_mcinnes.1200x0-300x225.jpg 300w, https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2026/06/elephant_seal_mortalities_heard_island_julie_mcinnes.1200x0-1024x768.jpg 1024w, https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2026/06/elephant_seal_mortalities_heard_island_julie_mcinnes.1200x0-768x576.jpg 768w, https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2026/06/elephant_seal_mortalities_heard_island_julie_mcinnes.1200x0-600x450.jpg 600w" sizes="(max-width: 1200px) 100vw, 1200px" /><figcaption id="caption-attachment-299942" class="wp-caption-text">Entre outubro de 2025 e janeiro de 2026, umas estimadas 13.359 crias de elefantes-marinhos-do-sul (Mirounga leonina) morreram devido ao surto viral. Foto: Julie McInnes.</figcaption></figure>
<p>Através de testes em laboratório, os investigadores, que submeteram as suas <a href="https://www.biorxiv.org/content/10.64898/2026.06.16.732752v1.full.pdf+html" target="_blank" rel="noopener">conclusões</a> para publicação numa revista científica, revelam que das noves espécies de vertebrados testadas, seis testaram positivo para a estirpe de gripe aviária de alta patogenicidade que está a disseminar-se pelo mundo, a Influenza A H5N1.</p>
<p>Entre as espécies afetadas, além dos elefantes-marinhos-do-sul, contam-se o pinguim-rei (<em>Aptenodytes patagonicus</em>), o pinguim-gentoo (<em>Pygoscelis papua</em>), o lobo-marinho-antártico (<em>Arctocephalus gazella</em>) e o petrel da espécie <em>Pelecanoides georgicus</em>.</p>
<p>As observações recolhidas por drones permitiram também detetar altos níveis de mortalidade entre os pinguins e também de crias de elefante-marinho na ilha McDonald, que faz parte do mesmo grupo da ilha Heard.</p>
<p>Julie McInness, primeira autora do trabalho, diz que os dados sobre a gripe aviária nessas ilhas “são a primeira deteção num território australiano ultramarino e mostram o contínuo movimento para leste do vírus” na região subantártica.</p>
<p>Análises genéticas sugerem que o vírus terá chegado à ilha Heard em agosto de 2025, oriundo de um grupo de pequenas ilhas no sul do Oceano Índico, conhecidas como ilhas Crozet, a cerca de 1.800 km de distância.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Tamanho de urso-pardo na Ibéria diminuiu mais de 50% ao longo de milhares de anos</title>
		<link>https://greensavers.sapo.pt/tamanho-de-urso-pardo-na-iberia-diminuiu-mais-de-50-ao-longo-de-milhares-de-anos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Green Savers com Lusa]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 18 Jun 2026 13:14:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Animais]]></category>
		<category><![CDATA[Biodiversidade]]></category>
		<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Natureza]]></category>
		<category><![CDATA[Portugal]]></category>
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		<category><![CDATA[urso]]></category>
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					<description><![CDATA[Segundo estudo de investigadores da Universidade Nova, “esta diminuição estará fortemente associada à pressão humana e à alteração de habitats, fatores que marcaram a evolução recente da espécie”.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Um estudo de investigadores da Universidade Nova mostra que o urso-pardo (<em>Ursus arctos</em>) na Península Ibérica sofreu uma redução significativa de tamanho, superior a 50%, ao longo de milhares de anos, anunciou hoje a Universidade Nova de Lisboa.</p>
<p class="text-paragraph">O trabalho, sobre a evolução dimensão e adaptação do urso-pardo na Península Ibérica ao longo do Plistocénico (há entre 2.588 milhões e 11,7 mil anos), revelou que os animais do passado eram “significativamente maiores e mais robustos do que os atuais, podendo, em alguns casos, ultrapassar os 300 kg”, quando atualmente o seu peso varia “entre 140 kg no caso dos machos e 100 kg no das fêmeas”.</p>
<p class="text-paragraph">Segundo os investigadores, “esta diminuição estará fortemente associada à pressão humana e à alteração de habitats, fatores que marcaram a evolução recente da espécie”, indica um comunicado divulgado pela Faculdade de Ciências e Tecnologia daquela universidade, a NOVA FCT.</p>
<p class="text-paragraph">Além de caracterizar o tamanho e morfologia dos ursos, a investigação estabelece um novo modelo evolutivo para o urso-pardo na Península Ibérica, identificando diferentes populações ao longo do tempo e possíveis mudanças ligadas ao clima e ao ambiente, acrescenta.</p>
<p class="text-paragraph">O estudo tem por base a análise de mais de 500 fósseis provenientes de seis locais em Portugal, incluindo a Gruta da Furninha (Peniche), Gruta das Fontainhas (Cadaval), Serra de Molianos (Alcobaça), Gruta do Caldeirão (Tomar), Gruta do Escoural (Montemor-o-Novo) e Gruta da Oliveira (Torres Novas).</p>
<p class="text-paragraph">Os investigadores concluíram que certas populações antigas do urso-pardo apresentavam características físicas semelhantes às do extinto urso-das-cavernas (<em>Ursus spelaeus</em>), “sugerindo que os ursos-pardos poderão ter ocupado nichos ecológicos semelhantes de forma local na ausência de ursos-das-cavernas”.</p>
<p class="text-paragraph">O estudo permite também confirmar que, nos fósseis analisados em Portugal – onde o urso-pardo está extinto desde o século XIX, devido à ação humana – “não existem até o momento evidências [provas] de outras espécies de ursos”.</p>
<p class="text-paragraph">Ursos-pardos do Plistocénico em Portugal: tendências morfométricas, fatores paleoambientais e inferências paleobiológicas é o título do trabalho desenvolvido por Darío Estraviz-López, enquanto estudante de doutoramento da NOVA FCT, e por María Ríos, investigadora de pós-doutoramento da instituição, que contou também com colaboradores internacionais.</p>
<p class="text-paragraph">O estudo foi publicado na revista científica &#8216;<a href="https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S003101822600427X" target="_blank" rel="noopener">Palaeogeography, Palaeoclimatology, Palaeoecology</a>&#8216;.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Criadores de gado inauguram exposição fotográfica de animais atacados pelos lobos</title>
		<link>https://greensavers.sapo.pt/criadores-de-gado-inauguram-exposicao-fotografica-de-animais-atacados-pelos-lobos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Green Savers com Lusa]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 18 Jun 2026 11:23:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ambiente]]></category>
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		<category><![CDATA[Biodiversidade]]></category>
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					<description><![CDATA[A mostra é promovida pela União de Produtores de Gado Lesados pelos Lobos (UPGALL), vai percorrer várias regiões do país e pretende chegar ao parlamento.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Uma exposição fotográfica com 10 painéis com mais de um metro quadrado de dimensão que mostram ataques dos lobos a rebanhos vai ser inaugurada na terça-feira na Junta de Freguesia de Outeiro, em Viana do Castelo.</p>
<p class="text-paragraph">A mostra é promovida pela União de Produtores de Gado Lesados pelos Lobos (UPGALL), vai percorrer várias regiões do país e pretende chegar ao parlamento.</p>
<p class="text-paragraph">“Claro que são imagens chocantes. Há criadores que se sentem mal quando chegam ao rebanho e são confrontados com o resultado da predação dos lobos. São imagens reais, não são ‘Tiktok’, nem Inteligência Artificial. É o que está a acontecer aos animais dos criadores do rio Douro para cima”, afirmou, em declarações à agência Lusa, o porta-voz da UPGALL, Orlando Gonçalves.</p>
<p class="text-paragraph">O porta-voz adiantou que o objetivo é “partilhar com a sociedade, em geral, e, em particular, com o poder público e político as imagens, para mostrar a hecatombe que a predação está a provocar”.</p>
<p class="text-paragraph">“A exposição fotográfica é elucidativa da selvajaria em que vivemos e percorrerá o país até às mais altas instâncias da política e do poder, para mostrar que os criadores de gado, em geral, e dos cavalos garranos, em particular, consideram o lobo um parasita psicopata que mata e estropia tudo que encontra pela frente”, afirmou.</p>
<p class="text-paragraph">Orlando Gonçalves referiu que será feito um convite ao ministro da Agricultura e Pescas para se deslocar a Montalegre, “onde a situação é de bradar aos céus”.</p>
<p class="text-paragraph">“É uma zona que está encostada a Espanha. Aos serem caçados na Espanha, [os lobos] passam para Portugal e algumas alcateias comem na zona de Montalegre e voltam para a Galiza&#8221;, explicou.</p>
<p class="text-paragraph">A exposição acontece no dia “em que os criadores de cavalos garranos da Serra de Santa Luzia, em Viana do Castelo, concretizam uma tarefa hercúlea para encontrar e reunir os garranos assilvestrados que o lobo ainda não matou para serem marcados”.</p>
<p class="text-paragraph">“O maneio anual, a frustração e os prejuízos estão garantidos, pois dos cerca de mil garranos que habitualmente pastavam na serra e zonas limítrofes estima-se que apenas se encontrem 300”, afirmou.</p>
<p class="text-paragraph">Em 13 de maio, os agricultores foram ao parlamento expor “o drama” que os assola, tendo mesmo convidado os deputados da Comissão Parlamentar de Agricultura e Mar a deslocarem-se ao terreno.</p>
<p class="text-paragraph">O convite ficou feito para terça-feira, dia anual da marcação de garranos na serra de Santa Luzia.</p>
<p class="text-paragraph">Investigadores concluíram que os cavalos garranos podem representar até 80% da dieta do lobo ibérico em algumas zonas do noroeste de Portugal e Espanha, o que coloca pressão sob a espécie autóctone ameaçada.</p>
<p class="text-paragraph">A espécie funciona como uma “presa tampão, favorecendo a redução da predação sobre espécies de gado economicamente valiosas como vacas, cabras e ovelhas”, observam os autores do estudo, de acordo com o comunicado da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP).</p>
<p class="text-paragraph">Contudo, os garranos estão sob “pressão crescente”.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Sem teia, sem veneno, mas ferozes: Opiliões são capazes de capturar e devorar rãs vivas</title>
		<link>https://greensavers.sapo.pt/sem-teia-sem-veneno-mas-ferozes-opilioes-sao-capazes-de-capturar-e-devorar-ras-vivas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Filipe Pimentel Rações]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 18 Jun 2026 07:03:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Animais]]></category>
		<category><![CDATA[Biodiversidade]]></category>
		<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Natureza]]></category>
		<category><![CDATA[animais]]></category>
		<category><![CDATA[ciência]]></category>
		<category><![CDATA[internacional]]></category>
		<category><![CDATA[natureza]]></category>
		<category><![CDATA[Opiliões]]></category>
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					<description><![CDATA[Esses aracnídeos de passada bamboleante são, tal como outros artrópodes, tradicionalmente considerados presas de vertebrados e predadores de outros invertebrados. Agora, uma investigação vem mostrar que os opiliões são capazes de capturar e consumir rãs, presas quase tão grandes quanto eles.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Os opiliões são membros da classe dos aracnídeos, embora possam não ser tão conhecidos quanto as aranhas e os escorpiões. De silhueta arredondada e sem separação evidente entre a cabeça e o resto do corpo, têm tipicamente patas longas e finas, e não produzem veneno nem seda.</p>
<p>Esses aracnídeos de passada bamboleante são, tal como outros artrópodes, tradicionalmente considerados presas de vertebrados e predadores de outros invertebrados. Atualmente, há já vários casos registados de invertebrados a predarem vertebrados, rompendo o paradigma anterior, mas pouco se sabe sobre o papel dos opiliões como devoradores de vertebrados.</p>
<p>Uma investigação publicada na revista ‘<a href="https://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/ece3.73542" target="_blank" rel="noopener">Ecology and Evolution’</a> vem mostrar que os opiliões são capazes de capturar e consumir rãs vivas, presas quase tão grandes quanto eles. As observações foram feitas entre 2020 e 2025 em florestas neotropicais do Equador e da Colômbia, mas o trabalho reúne também dados de estudos anteriores sobre a predação dos opiliões no Brasil e na Venezuela.</p>

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<p>Com estes novos dados, um comportamento que se considerava raro e limitado a uma mão-cheia de casos, pode, afinal, ser mais comum do que se pensava.</p>
<p>Para esta investigação, os cientistas documentaram casos de opiliões da família Cranaidae, mais especificamente dos géneros <em>Holocranaus</em> e <em>Phareicranaus</em>,<em> </em>a alimentar-se de rãs dos géneros <em>Pristimantis</em>, <em>Dendropsophus</em> e <em>Atelopus</em>. Casos documentados anteriormente abrangem também a família Gonyleptidae, incluindo opiliões dos géneros <em>Neosadocus</em> e <em>Heteromitobates</em>.</p>
<p>Apesar de não terem veneno nem de serem capazes de construir teias, os opiliões, ainda assim, conseguem capturar presas relativamente grandes. Os cientistas dizem que tal se deve ao facto de possuírem corpos robustos que os protegem de contra-ataques, apêndices especializados para agarrar a presa, como quelíceras fortes, e, possivelmente, empregam estratégias de emboscada.</p>
<p>Os investigadores acreditam que esta descoberta tem “implicações importantes” para o conhecimento acerca das teias alimentares em ecossistemas tropicais. Aí, e noutras regiões do mundo, as rãs e os sapos desempenham um papel ecológico importante, como presas e como predadores. Agora, sabe-se que podem também ser presas dos opiliões.</p>
<p>Isso, por sua vez, sugere que esses aracnídeos podem influenciar os equilíbrios ecológicos mais do que antes se pensava, abrindo novas vias de investigação e lançando novas questões de conservação.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
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		<item>
		<title>Conflito ou coexistência? Como agricultores em Vila Franca de Xira olham para as aves aquáticas nos arrozais</title>
		<link>https://greensavers.sapo.pt/conflito-ou-coexistencia-como-agricultores-em-vila-franca-de-xira-olham-para-as-aves-aquaticas-nos-arrozais/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 16 Jun 2026 16:02:12 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Animais]]></category>
		<category><![CDATA[Biodiversidade]]></category>
		<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Natureza]]></category>
		<category><![CDATA[Portugal]]></category>
		<category><![CDATA[nacional]]></category>
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					<description><![CDATA[Quando humanos e animais selvagens vivem nos mesmos espaços e dependem dos mesmos recursos, é provável que surjam conflitos, com riscos para ambas as partes. Foi precisamente sobre este tema que se debruçou João Paulino.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O mundo natural está a tornar-se cada vez mais pequeno. A expansão dos humanos para espaços historicamente ocupados mais por animais selvagens do que pela nossa espécie de <em>Homo</em>, a par da destruição dos habitats naturais, está a aproximar cada vez mais seres que não têm história de convivência, ou a que têm é curta.</p>
<p>Quando humanos e animais selvagens vivem nos mesmos espaços e dependem dos mesmos recursos, é provável que surjam conflitos, com riscos para ambas as partes. Foi precisamente sobre este tema que se debruçou João Paulino.</p>
<p>No âmbito do seu doutoramento no Centro de Ecologia, Evolução e Alterações Ambientais (CE3C), da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, o investigador analisou a perceção dos produtores de arroz relativamente às aves aquáticas com as quais convivem, na Lezíria Grande, na zona de Vila Franca de Xira.</p>
<p>O estudo, publicado recentemente na revista ‘<a href="https://link.springer.com/article/10.1007/s10344-026-02103-w" target="_blank" rel="noopener">European Journal of Wildlife Research’</a>, centrou-se num tema que os autores descrevem como sendo “cada vez mais relevante nos ecossistemas agrícolas mediterrânicos”: a coexistência entre a atividade agrícola e a conservação da Natureza.</p>
<p>A investigação contou também com Pedro Granadeiro e Teresa Catry, ambos do CE3C, e Ana Nuno, do Centro Interdisciplinar de Ciências Sociais (CICS.NOVA), da Universidade Nova de Lisboa, e especializada nas dimensões sociais da conservação.</p>
<p>À medida que as zonas húmidas naturais vão desaparecendo, os arrozais assumem um papel cada vez mais importante como habitat para aves aquáticas, diz a equipa. Contudo, e apesar do valor amplamente reconhecido destes ecossistemas agrícolas para a conservação destas espécies, as estratégias de conservação raramente consideram as perceções dos produtores de arroz, salientam os investigadores, um vazio no conhecimento que, com este trabalho, quiserem preencher.</p>
<p>“O sucesso ou fracasso de muitas medidas de conservação em arrozais depende, em grande parte, das ações, decisões e colaboração destes agricultores”, diz João Paulino.</p>
<p>As aves aquáticas são frequentemente vistas pelos agricultores como potenciais pragas, devido aos danos que podem causar nas culturas. Os flamingos, as cegonhas e os íbis foram identificados pelos produtores de arroz como as espécies que estes consideram responsáveis pelos maiores prejuízos, sobretudo durante os períodos de sementeira e colheita.</p>
<p>Em resposta, os agricultores adotam várias técnicas para espantar as aves, como canhões de gás propano, para as manterem afastadas dos campos.</p>
<p>Esta situação origina um conflito entre os seres humanos e a vida selvagem, dizem os investigadores, algo que pode comprometer a conservação de algumas espécies e dificultar a relação entre os produtores e as entidades ligadas à preservação da Natureza.</p>
<p><strong>Agricultores mais jovens com perceções “particularmente negativas”</strong></p>
<p>De acordo com os resultados do trabalho, percebeu-se que os agricultores mais velhos têm uma perceção menos negativa das aves aquáticas, mas, ao mesmo tempo, são os que se mostram menos dispostos a considerar estratégias de mitigação de conflitos. Por outro lado, os agricultores mais jovens mostraram ter perceções “particularmente negativas”.</p>
<p>Além disso, os cientistas perceberam que os agricultores com níveis mais elevados de escolaridade demonstraram perceções mais positivas e maior recetividade a soluções, considerando as medidas de dissuasão economicamente eficazes.</p>
<p>Com base na informação recolhida, a equipa apresenta várias recomendações para promover “uma coexistência mais sustentável entre a agricultura e a conservação da natureza”, diz em nota.</p>
<p>Entre essas, destaca-se o envolvimento dos produtores na recolha de dados científicos que permitam quantificar o impacto real das aves na produção de arroz e identificar, de forma rigorosa, as espécies responsáveis pelos maiores prejuízos.</p>
<p>Dessa forma, seria possível não só fazer dos agricultores parte de esforços de conservação, como também conceber medidas de afastamento direcionadas para as espécies que estão, de facto, a ter impactos negativos nas culturas, em vez das técnicas não seletivas que afastam todas as aves, bem como outros animais que podem ser benéficos para a produção agrícola.</p>
<p>“Apenas através do conhecimento da real dimensão económica do problema será possível desenvolver soluções eficazes”, declara João Paulino.</p>
<p>Dizem os investigadores que estas soluções poderão passar não só pela recolha sistemática de dados, mas também pela implementação de ações de educação ambiental e pela criação de esquemas agroambientais que reconheçam e compensem o valor de conservação proporcionado pelos arrozais, bem como os eventuais prejuízos causados pelas aves.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>“Bússola interna” dos pombos-correios pode estar, afinal, no fígado</title>
		<link>https://greensavers.sapo.pt/bussola-interna-dos-pombos-correios-pode-estar-afinal-no-figado/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 16 Jun 2026 13:03:53 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Animais]]></category>
		<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[animais]]></category>
		<category><![CDATA[ciência]]></category>
		<category><![CDATA[internacional]]></category>
		<category><![CDATA[pombos]]></category>
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					<description><![CDATA[Os cientistas sabem que as aves migradoras e os pombos-correios dependem, pelo menos em parte, do campo magnético do planeta para navegar, mas como é que o fazem tem permanecido um dos maiores mistérios da biologia. Agora, uma nova investigação vem pôr em cima da mesa outra explicação.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Há muito que se pensa que as aves, pelo menos em parte, usam o campo magnético da Terra para se orientarem. Foram encontrados recetores especializados no bico, olhos e cérebros desses animais, que se acredita desempenharem um papel nesse tipo de receção.</p>
<p>Os cientistas sabem que as aves migradoras e os pombos-correios dependem, pelo menos em parte, do campo magnético do planeta para navegar, mas como é que o fazem tem permanecido um dos maiores mistérios da biologia. Algumas teorias defendem que as aves “veem” os campos magnéticos através de moléculas sensíveis à luz que têm nos olhos, outras apontam para partículas metálicas existentes no bico.</p>
<p>Agora, uma nova investigação vem pôr em cima da mesa outra explicação: os pombos-correios têm nos seus fígados recetores magnéticos que são fundamentais para que consigam navegar em dias em que o sol está coberto por nuvens.</p>
<p>Os pombos-correios são aves com um extraordinário sentido de orientação, podendo voar centenas de quilómetros e, ainda assim, encontrar o caminho de volta a casa. A investigação, publicada na revista ‘<a href="https://www.science.org/doi/10.1126/science.ady2486" target="_blank" rel="noopener">Science’</a>, vem sugerir que esse “superpoder” não está nos olhos ou no cérebro dessas aves, como se pensava, mas no seu fígado.</p>
<p>O trabalho, liderado pela Universidade de Bona e pelo Instituto Max Planck do Comportamento Animal, encontrou células especiais no fígado de pombos-correios, chamadas de macrófagos, que podem sentir o campo magnético da Terra.</p>
<p>Os macrófagos são células do sistema imunitário que decompõem glóbulos vermelhos já velhos. Nesse processo, vão acumulando ferro, dando-lhes propriedades quânticas que poderão, por sua vez, conferir-lhes a capacidade para reagirem a campos magnéticos.</p>
<p>O papel central desses “reservatórios de ferro” na orientação magnética dos pombos-correio foi testado em laboratório, com os cientistas a concluírem que as aves que não tinham essas células intactas não eram capazes de regressar a casa em dias em que o sol estava coberto por nuvens. Isso, porque quando o sol brilha os pombos podem usá-lo como referência, mas quando está oculto têm de se apoiar no campo magnético do planeta.</p>
<p>“Não estávamos de todo à espera que células imunitárias funcionassem como sensores de campos magnéticos”, admite Christian Kurts, principal coautor do estudo, acrescentando que a investigação “revela um mecanismo anteriormente desconhecido para a receção magnética em animais”.</p>
<p>“Estas descobertas fornecem as primeiras evidências concretas de como o campo magnético da Terra pode ser percebido pelo corpo e transmitido ao cérebro para orientar os movimentos”, salienta Clivia Lisowski, primeira autora do artigo.</p>
<p>Os cientistas sugerem que o que descobriram com este trabalho poderá aplicar-se também a outras espécies, como os tubarões que navegam pelos oceanos durante a noite ou em zonas onde a luz solar não chega, morcegos e ratos-toupeiras.</p>
<p>Além disso, não põem de lado a hipótese de até os humanos poderem estar a sentir campos magnéticos de formas que ainda não conhecemos.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Nova espécie de rã terrestre descoberta no Equador</title>
		<link>https://greensavers.sapo.pt/nova-especie-de-ra-terrestre-descoberta-no-equador/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Green Savers com Lusa]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 16 Jun 2026 12:50:40 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Animais]]></category>
		<category><![CDATA[Biodiversidade]]></category>
		<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Natureza]]></category>
		<category><![CDATA[animais]]></category>
		<category><![CDATA[ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Equador]]></category>
		<category><![CDATA[internacional]]></category>
		<category><![CDATA[natureza]]></category>
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					<description><![CDATA[Investigadores do Instituto Nacional de Biodiversidade e de universidades como San Francisco de Quito, no Equador, e de Wollongong, na Austrália, descobriram a nova espécie durante expedições científicas na zona do Rio Branco, na província amazónica de Zamora Chinchipe, fronteiriça ao Peru.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Uma nova espécie de rã terrestre, do género <em>Pristimantis</em>, foi descoberta no lado equatoriano da Cordilheira do Condor, que forma a fronteira natural entre o Equador e o Peru, informou segunda-feira o Instituto Nacional de Biodiversidade (Inabio).</p>
<p class="text-paragraph">Investigadores do Inabio e de universidades como San Francisco de Quito, no Equador, e de Wollongong, na Austrália, descobriram a nova espécie durante expedições científicas na zona do Rio Branco, na província amazónica de Zamora Chinchipe, fronteiriça ao Peru.</p>
<p class="text-paragraph">Até agora a espécie apenas foi registada em duas localidades próximas na zona do Rio Branco, entre os 1.655 e os 1.830 metros acima do nível do mar, tendo os espécimes sido observados à noite em folhas de arbustos de florestas húmidas.</p>
<p class="text-paragraph">&#8220;A descoberta é corroborada por evidências morfológicas e genéticas que confirmam tratar-se de uma espécie até então desconhecida pela ciência&#8221;, acrescentou o instituto, citado pela agência noticiosa espanhola EFE.</p>
<p class="text-paragraph">A nova espécie foi denominada <em>Pristimantis etsa</em>, sendo este um ser mitológico da cultura do povo indígena amazónico shuar, localizado no leste do Equador.</p>
<p class="text-paragraph">‘Etsa’ é “um ser associado ao Sol e à transmissão de conhecimentos essenciais para a vida” e a designação da nova rã “procura reconhecer a estreita relação entre a biodiversidade e o património cultural da região”, segundo o Inabio.</p>
<p class="text-paragraph">Entre as características únicas que a diferenciam dos seus parentes mais próximos, a nova rã possui pregas dorsolaterais formadas por pequenos tubérculos e uma mancha amarela marcante na região inguinal das fêmeas, bem como uma combinação de características anatómicas não observadas noutras espécies conhecidas do grupo.</p>
<p class="text-paragraph">As análises genéticas revelaram ainda que a <em>Pristimantis etsa</em> pertence ao grupo de espécies <em>Pristimantis cryptomelas</em>, mas constitui uma linhagem evolutiva independente, estreitamente relacionada com espécies que também habitam a Cordilheira do Condor, refere a EFE.</p>
<p class="text-paragraph">&#8220;Esta descoberta fornece novas evidências sobre o papel desta cordilheira como um importante centro de diversificação biológica nos Andes amazónicos&#8221;, assinalou o instituto equatoriano.</p>
<p class="text-paragraph">No seu <a href="https://zookeys.pensoft.net/article/187506/" target="_blank" rel="noopener">estudo</a>, os investigadores alertam que a espécie tem uma distribuição extremamente restrita e enfrenta ameaças significativas devido à mineração, à expansão agrícola e à fragmentação florestal, recomendando que seja considerada vulnerável, de acordo com os critérios da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN).</p>
<p class="text-paragraph">A Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da UICN indica o risco de extinção das várias espécies de animais e plantas.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
	</channel>
</rss>
