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	<title>Destaques &#8211; Green Savers</title>
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	<description>Notícias sobre sustentabilidade, ambiente, alterações climáticas, biodiversidade, florestas, finanças verdes, empresas, economia, ODS</description>
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	<title>Destaques &#8211; Green Savers</title>
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		<title>Cientistas descobrem que grandes pedaços do fundo do mar estão misteriosamente virados ao contrário</title>
		<link>https://greensavers.sapo.pt/cientistas-descobrem-que-grandes-pedacos-do-fundo-do-mar-estao-misteriosamente-virados-ao-contrario/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 30 Aug 2026 15:55:25 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Águas e Resíduos]]></category>
		<category><![CDATA[Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[Ciência]]></category>
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					<description><![CDATA[Cientistas descobriram centenas de corpos gigantescos de areia sob o Mar do Norte que parecem desafiar princípios geológicos fundamentais e podem ter implicações importantes para o armazenamento de energia e carbono.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Cientistas descobriram centenas de corpos gigantescos de areia sob o Mar do Norte que parecem desafiar princípios geológicos fundamentais e podem ter implicações importantes para o armazenamento de energia e carbono.</p>
<p>Usando imagens sísmicas 3D (ondas sonoras) de alta resolução, combinadas com dados e amostras de rochas de centenas de poços, pesquisadores da Universidade de Manchester, em colaboração com a indústria, identificaram vastos montes de areia — alguns com vários quilómetros de largura — que parecem ter afundado, deslocando materiais mais antigos, mais leves e mais macios que estavam abaixo deles.</p>
<p>O resultado é uma inversão estratigráfica — uma reversão da ordem geológica normal, em que rochas mais jovens são normalmente depositadas sobre as mais antigas, numa escala nunca antes vista.</p>
<p>Embora a inversão estratigráfica já tenha sido observada em pequena escala, as estruturas descobertas pela equipa de Manchester  são o maior exemplo do fenómeno documentado até agora.</p>
<p>A <a href="https://www.nature.com/articles/s43247-025-02398-8" target="_blank" rel="noopener">descoberta</a>, publicada na revista Communications Earth &amp; Environment, desafia o entendimento dos cientistas sobre o subsolo e pode ter implicações para o armazenamento de carbono.</p>
<p>O autor principal, o professor Mads Huuse, da Universidade de Manchester, afirma que &#8220;esta descoberta revela um processo geológico que nunca tínhamos visto antes nesta escala. O que descobrimos são estruturas em que areia densa afundou em sedimentos mais leves que flutuavam na superfície da areia, invertendo efetivamente as camadas convencionais que esperávamos ver e criando enormes montes sob o mar&#8221;.</p>
<p>Acredita-se que estas estruturas se formaram há milhões de anos, durante os períodos do Mioceno Superior ao Plioceno, quando terremotos ou mudanças repentinas na pressão subterrânea podem ter causado a liquefação da areia e o seu afundamento através de fraturas naturais no leito marinho. Isso deslocou as jangadas de lodo subjacentes, mais porosas, mas rígidas, compostas principalmente por fósseis marinhos microscópicos, ligadas por fissuras de retração, fazendo com que flutuassem para cima.</p>
<p>A descoberta pode ajudar os cientistas a prever melhor onde o petróleo e o gás podem estar retidos e onde é seguro armazenar dióxido de carbono no subsolo.</p>
<p>O Prof. Huuse sublinha que &#8220;esta investigação mostra como os fluidos e os sedimentos podem mover-se na crosta terrestre de formas inesperadas. Compreender como estas estruturas se formaram pode alterar significativamente a forma como avaliamos os reservatórios subterrâneos, a vedação e a migração de fluidos — todos eles fatores vitais para a captura e armazenamento de carbono&#8221;.</p>
<p>Agora, a equipa está ocupada a documentar outros exemplos deste processo e a avaliar como é que ele afeta exatamente a nossa compreensão dos reservatórios subterrâneos e dos intervalos de vedação.</p>
<p>Huuse conclui: &#8220;Tal como acontece com muitas descobertas científicas, há muitas vozes céticas, mas também muitas que manifestam o seu apoio ao novo modelo. O tempo e mais investigação dirão até que ponto o modelo é amplamente aplicável&#8221;.</p>
<p>&nbsp;</p>
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			</item>
		<item>
		<title>“Lacunas e inconsistências” legais fragilizam combate global ao tráfico de tigres</title>
		<link>https://greensavers.sapo.pt/lacunas-e-inconsistencias-legais-fragilizam-combate-global-ao-trafico-de-tigres/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Filipe Pimentel Rações]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 23 Aug 2026 07:55:12 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Animais]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
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		<category><![CDATA[crime]]></category>
		<category><![CDATA[internacional]]></category>
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		<category><![CDATA[tráfico]]></category>
		<category><![CDATA[vida selvagem]]></category>
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					<description><![CDATA[A persistência de “lacunas e inconsistências” nas leis de 12 países que albergam tigres selvagens podem comprometer os esforços globais para combater o tráfico desses grandes felídeos, aponta relatório.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A persistência de “lacunas e inconsistências” nas leis dos países que albergam tigres selvagens podem comprometer os esforços globais para combater o tráfico desses grandes felídeos.</p>
<p>Um <a href="https://wwfeu.awsassets.panda.org/downloads/v8_legislation-report_2025_hr-pages.pdf?19200441/law-of-the-tiger" target="_blank" rel="noopener">relatório</a> da autoria das organizações não-governamentais WWF e Traffic, em colaboração com a consultora jurídica Legal Atlas, revela que é preciso fazer mais para impedir que décadas de conservação de tigres redundem em fracasso devido a leis frágeis e ineficazes dos Estados onde a espécie ainda existe na Natureza.</p>
<p>Estima-se que mais de 3.300 tigres foram apreendidos entre janeiro de 2000 e junho de 2022, a caminho dos mercados negros alimentados pelo tráfico de espécies selvagens. A maior parte das apreensões, cerca de 85%, aconteceram em países onde os tigres ocorrem em estado selvagem, o que, segundo os autores da análise, mostra que se continua a falhar na interrupção das rotas de tráfico que fornecem mercados nacionais e internacionais.</p>
<p>Dizem as organizações que “quadros legais fortes são fundamentais” para combater o tráfico de tigres, em conjunto com a aplicação efetiva dessas leis, o envolvimento das comunidades locais e a redução da procura por produtos derivados de tigres.</p>
<p>O relatório abrangeu 12 dos 14 países que incluídos na atual área de distribuição dos tigres: Bangladesh, Butão, Camboja, China, Índia, Indonésia, Laos, Malásia, Myanmar, Nepal, Tailândia e Vietname. A Rússia e o Cazaquistão não foram incluídos na análise.</p>
<p>“Os governos têm de eliminar lacunas legais e construir sistemas legais que possam fazer frente ao crime organizado e transnacional”, afirma, em nota, Heather Sohl, responsável da divisão de comércio de tigres da WWF.</p>
<figure id="attachment_280735" aria-describedby="caption-attachment-280735" style="width: 427px" class="wp-caption aligncenter"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-280735 size-full" src="https://greensavers.sapo.pt/dev/wp-content/uploads/2025/09/produto-tigre-trafico-relatorio-WWF-setembro-2025.png" alt="" width="427" height="435" srcset="https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2025/09/produto-tigre-trafico-relatorio-WWF-setembro-2025.png 427w, https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2025/09/produto-tigre-trafico-relatorio-WWF-setembro-2025-294x300.png 294w" sizes="(max-width: 427px) 100vw, 427px" /><figcaption id="caption-attachment-280735" class="wp-caption-text">Medicamento para tratar reumatismo feito a partir de partes de tigre vendido em mercado em Myanmar. Foto: WWF-Myanmar.</figcaption></figure>
<p>Para a conservacionista, proteger os tigres do tráfico, reforçar o peso da lei e garantir que os crimes contra a vida selvagem são “tratados como crimes graves” está dependente de “quadros legais eficazes”.</p>
<p>O relatório apela aos países em cujos territórios ainda existem tigres selvagens para criminalizarem toda e qualquer forma de tráfico, incluindo nas plataformas digitais, para clarificarem as suas definições legais de “comércio de vida selvagem” para evitar ambiguidades e lacunas, e para criarem unidades permanentes constituídas por agências de aplicação de lei com plenos poderes de investigação “para aplacar o comércio ilegal de vida selvagem”.</p>
<p>“As lacunas legais são as melhores armas dos traficantes, e o pior inimigo dos tigres”, diz James Wingard, da Legal Atlas.</p>
<p>“A nossa análise expõe como essas falhas na lei – desde instalações de cativeiro não regulamentadas e a ausência de leis direcionadas para híbridos de tigres a falhas na criminalização de toda a cadeia comercial – criam oportunidades que os traficantes podem facilmente explorar”, avisa o primeiro autor do relatório, acrescentando que “fechar essas lacunas é essencial se queremos dar uma hipótese aos tigres, nos tribunais e, mais importante, na Natureza”.</p>
<figure id="attachment_280736" aria-describedby="caption-attachment-280736" style="width: 741px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="wp-image-280736 size-full" src="https://greensavers.sapo.pt/dev/wp-content/uploads/2025/09/pele-tigre-relatorio-WWF-trafico-setembro-2025.png" alt="" width="741" height="396" srcset="https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2025/09/pele-tigre-relatorio-WWF-trafico-setembro-2025.png 741w, https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2025/09/pele-tigre-relatorio-WWF-trafico-setembro-2025-300x160.png 300w, https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2025/09/pele-tigre-relatorio-WWF-trafico-setembro-2025-600x321.png 600w" sizes="(max-width: 741px) 100vw, 741px" /><figcaption id="caption-attachment-280736" class="wp-caption-text">Peles de tigres à venda numa loja no Vietname. Foto: Adam Oswell / WWF.</figcaption></figure>
<p>Os tigres estão classificados como “Em Perigo” de extinção na Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da União Internacional para a Conservação da Natureza. As estimativas apontam para que restem aproximadamente 5.700 tigres a viverem em liberdade nos seus habitats naturais.</p>
<p>Em tempos ocorrendo um pouco por toda a Ásia, da Turquia ao Extremo Oriente, passando pelo sudeste asiático, atualmente estão limitados a uma dezena de países, como a China, a Índia, a Indonésia, a Malásia, Myanmar, o Nepal e a Rússia, ocupando menos de 7% da sua área de distribuição histórica.</p>
<p>A perseguição humana, a perda de presas, a caça furtiva e o tráfico das suas peles, carne e ossos, a destruição e fragmentação do seu habitat e a captura para cativeiro e reprodução ilegais são algumas das maiores ameaças que têm empurrado cada vez mais os tigres para o limiar da extinção.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Fêmeas de babuínos vivem mais anos quando são criadas por “pais presentes”</title>
		<link>https://greensavers.sapo.pt/femeas-de-babuinos-vivem-mais-anos-quando-sao-criadas-por-pais-presentes/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Filipe Pimentel Rações]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 05 Jul 2026 13:55:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Animais]]></category>
		<category><![CDATA[Ciência]]></category>
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					<description><![CDATA[Uma investigação revela que, nas sociedades de babuínos, relações fortes entre pais e filhas podem permitir que essas últimas vivam dois a quatro anos mais do que fêmeas que não beneficiem dessa relação.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Os progenitores machos, pelo menos no mundo dos mamíferos, não costumam ter um grande papel no que toca ao cuidado das crias. Por norma, são as fêmeas quem assume essa responsabilidade, que, no fundo, determina o futuro do grupo e até da própria espécie.</p>
<p>Uma investigação publicada na <a href="https://royalsocietypublishing.org/doi/10.1098/rspb.2025.0194" target="_blank" rel="noopener">revista ‘Proceedings of the Royal Society B’</a> revela-nos agora que nas sociedades de babuínos os machos mais velhos, depois de ultrapassarem a fase de maior vigor sexual, ajudam nos cuidados das crias. E, no que às crias fêmeas diz respeito, esse cuidado prestado pelos “pais presentes” parece mesmo ajudar a que possam viver durante mais anos.</p>
<figure id="attachment_273449" aria-describedby="caption-attachment-273449" style="width: 500px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="wp-image-273449 size-full" src="https://greensavers.sapo.pt/dev/wp-content/uploads/2025/06/photo3_elizabeth_archie_smalljpg.jpg" alt="" width="500" height="402" /><figcaption id="caption-attachment-273449" class="wp-caption-text">Babuíno macho adulto e cria (em primeiro plano). Foto: Elizabeth Archie / Universidade de Notre Dame (EUA).</figcaption></figure>
<p>“Os babuínos machos tendem a atingir o pico do seu sucesso reprodutivo quando são jovens adultos”, explica, em comunicado, Elizabeth Archie, uma das principais autoras do estudo, que se focou numa população mista de babuínos das espécies <em>Papio anubis</em> e <em>Papio cynocephalus</em>, na região de Amboseli, no Quénia.</p>
<p>No entanto, depois de terem já tido uns quantos filhos e de as suas condições começarem a declinar, “é como se eles entrassem em ‘modo pai’”, descreve a bióloga. Nessa altura, os machos tendem a dispersar menos e a ficar mais perto da sua descendência, e não são já tão motivados pelo impulso da reprodução.</p>
<p>A equipa centrou as suas observações em 216 fêmeas e seus progenitores e descobriu que um terço delas vive no mesmo grupo social dos seus pais durante três ou mais anos. Os outros dois terços tinham pais que ou deixaram o grupo ou morreram durante os primeiros três anos de vida das filhas.</p>
<p>Entre os traços comportamentos que viram, os cientistas atentaram em particular em ações que se sabe reforçarem os laços sociais entre os primatas, como o “grooming”, uma atividade em que um indivíduo cuida da pelagem de outro, ainda que seja muito mais do que isso. Para Archie, o “grooming” pode ser visto como o equivalente a uma conversa amena entre dois humanos enquanto bebem um café.</p>
<p>O estudo concluiu, então, que as fêmeas que mais frequentemente se envolvem nesse tipo de comportamento com os seus progenitores, que vivem com os seus pais durante três anos ou mais, ou ambos, tendem a viver dois a quatro anos mais do que as fêmeas que têm relações pai-filha menos vincadas.</p>
<p>Archie refere, em nota, que os machos adultos mais velhos podem ser membros populares do grupo. Por isso, é expectável que muitos outros indivíduos se tendam a concentrar em torno deles, de modo que uma cria que esteja perto desse macho terá muito mais oportunidades para interações sociais do que uma que esteja sempre agarrada “às saias” da mãe babuíno.</p>
<p>Além disso, os pais podem também ajudar a proteger as filhas de outros machos, que possam representar uma ameaça, criando o que a investigadora chama de “uma zona de segurança para as suas filhas”.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Entrevista: “Muitas empresas estão habituadas a soluções baseadas em plásticos ou metais e têm receio de experimentar alternativas”</title>
		<link>https://greensavers.sapo.pt/entrevista-a-presidente-da-almascience-muitas-empresas-estao-habituadas-a-solucoes-baseadas-em-plasticos-ou-metais-e-tem-receio-de-experimentar-alternativas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ana Filipa Rego]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 14 Jun 2026 07:55:36 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Águas e Resíduos]]></category>
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		<category><![CDATA[Plásticos]]></category>
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					<description><![CDATA[Apostar em tecnologia sustentável é possível sem comprometer desempenho ou lucro. Em entrevista à Green Savers, Carlos Silva, Presidente e CEO da AlmaScience, revela como o laboratório português transforma investigação em protótipos funcionais que promovem a eletrónica verde e materiais circulares no mercado nacional.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p data-start="62" data-end="560">Muitas empresas portuguesas continuam presas a soluções tradicionais em plástico e metal, mas a AlmaScience prova que é possível apostar em tecnologia sustentável sem comprometer desempenho ou lucro. Em entrevista à Green Savers, Carlos Silva, Presidente e CEO da AlmaScience, explica como o laboratório transforma investigação em protótipos funcionais com impacto real na indústria. O objetivo é impulsionar a eletrónica verde e materiais circulares no mercado nacional.</p>
<p data-start="562" data-end="1040">Criada em 2020, a AlmaScience surgiu para colmatar uma lacuna na inovação nacional: aproximar a investigação científica das necessidades reais das empresas. Com uma equipa multidisciplinar que junta químicos, engenheiros, especialistas em design e negócio, o laboratório desenvolve soluções práticas como sensores de papel biodegradáveis, rótulos de hidrogel e sistemas inteligentes para retalho, mostrando que sustentabilidade e desempenho podem coexistir.</p>
<p data-start="1042" data-end="1577">O projeto desafia a resistência das empresas a abandonar métodos convencionais, defendendo que materiais naturais e processos de baixo impacto ambiental podem ser igualmente eficazes. Iniciativas como o PaperWeight AI ou a PetriTag comprovam que produtos verdes podem ser comercialmente viáveis e escaláveis. Para Carlos Silva, Portugal tem potencial para liderar a transição para a eletrónica verde, mas é preciso coragem empresarial, regulamentação adequada e pioneiros que abram caminho à inovação sustentável.</p>
<p><strong>A AlmaScience nasceu com um propósito muito claro de promover a eletrónica verde. O que motivou a criação deste laboratório e que lacuna veio colmatar no panorama nacional da inovação?</strong></p>
<p>A AlmaScience nasceu em 2020 com o objetivo de responder diretamente a um problema do nosso mercado &#8211; a necessidade de se encurtar a distância entre a investigação de ponta e as necessidades reais da indústria na área da sustentabilidade. Acreditamos que ao facilitar este contacto, conseguimos fazer parte da solução para aumentar a competitividade e promover a adoção de tecnologias por parte do tecido empresarial português.</p>
<p>Cinco anos depois, o balanço é muito positivo porque os líderes de mercado valorizam esta agilidade na execução e a entrega de protótipos funcionais.</p>
<p><strong>Como é que a AlmaScience concilia o rigor científico com a necessidade de criar soluções tecnológicas que tenham aplicação prática e valor comercial?</strong></p>
<p>Na AlmaScience, o rigor científico e a aplicabilidade prática não são objetivos separados — trabalham em conjunto desde o primeiro dia com o intuito de criar soluções sustentáveis, que do ponto de vista ecológico quer do ponto de vista económico.</p>
<p>A nossa equipa multidisciplinar inclui cerca de 25 doutorados e mestres em áreas como química, ciência dos materiais e eletrónica, mas também especialistas em desenvolvimento de produto e negócio. Esta combinação garante que a excelência científica está sempre ao serviço de uma aplicação prática.</p>
<p>O nosso processo começa com um workshop de inovação com cada parceiro, onde mapeamos os seus desafios reais. A partir daí, construímos agendas de I&amp;D com objetivos comerciais claros, marcos mensuráveis e prazos definidos. Trabalhamos em ciclos curtos, com provas de conceito rápidas e protótipos funcionais.</p>
<p>Os nossos investigadores não estão isolados em laboratórios — integram equipas que trabalham lado a lado com as empresas. O segredo está em falar simultaneamente a linguagem da ciência e a linguagem dos negócios, garantindo que cada projeto tem viabilidade técnica e comercial.</p>
<p><strong>O vosso laboratório em Almada é descrito como um espaço de investigação aplicada. Pode explicar-nos o que distingue este modelo de um laboratório tradicional de investigação?</strong></p>
<p>Tal como o nome indica, o facto de sermos um laboratório de investigação aplicada significa que tudo o que desenvolvemos tem aplicação prática. Para nós, passar da teoria à prática é a premissa mais importante, por isso, trabalhamos com foco na aplicabilidade e escalabilidade industrial desde a fase de conceção. Quando chega o momento de testar em contexto real, estamos 100% preparados para o fazer.</p>
<p><strong>A AlmaScience aposta em materiais naturais e processos de baixo impacto ambiental. Quais são os principais desafios em trabalhar com este tipo de materiais em vez dos convencionais?</strong></p>
<p>O principal desafio é demonstrar que materiais naturais como o papel e a celulose podem ter o mesmo desempenho — ou até superior — que os materiais convencionais, mas de forma sustentável.</p>
<p>Trabalhar com materiais naturais exige inovação constante. Temos de desenvolver processos de funcionalização que permitam criar sensores, componentes eletrónicos e materiais ativos a partir de papel, mantendo a fiabilidade e a eficiência que o mercado exige.</p>
<p>Outro desafio é a mudança de mentalidade. Muitas empresas estão habituadas a soluções baseadas em plásticos ou metais e têm receio de experimentar alternativas. Por isso, é fundamental demonstrar através de protótipos funcionais e testes reais que as nossas soluções são não só sustentáveis, mas também comercialmente viáveis e competitivas.</p>
<p>Felizmente, contamos com uma base florestal extraordinária em Portugal e com conhecimento profundo sobre transformação de celulose. Isto dá-nos uma vantagem competitiva natural para liderar esta transição para materiais mais sustentáveis e funcionais.</p>
<p><strong>Um dos conceitos centrais que defendem é o da “vida útil apropriada”. Pode explicar-nos melhor esta ideia e como é que ela se traduz na prática dos vossos projetos?</strong></p>
<p>Este conceito é uma consequência natural da nossa aposta em desenvolver soluções economicamente sustentáveis. Ou seja, acreditamos que a tecnologia deve durar exatamente o tempo que for útil, porque depois de cumprir a sua missão, passa a ser apenas um resíduo. E este aspeto é particularmente relevante em áreas como a eletrónica. As nossas soluções respeitam o ciclo de vida do produto, evitam desperdícios e encaixam-se num futuro circular.</p>
<p><strong>Como é que a AlmaScience procura sensibilizar os seus parceiros e clientes para esta visão mais sustentável da tecnologia, que contraria a lógica do “quanto mais durável, melhor”?</strong></p>
<p>Com a aplicação prática. A viabilidade prática e financeira do produto são os dois fatores que mais interessam aos nossos parceiros. Se demonstrarmos que, além de sustentáveis, as nossas soluções são comercialmente viáveis, o resto deixa de ser relevante. E para esta mudança de mentalidade tem contribuído o facto de a sustentabilidade já ser uma exigência natural por parte dos grandes líderes e das maiores empresas.</p>
<p><strong>A AlmaScience tem desenvolvido soluções para diferentes setores – retalho, logística, alimentação e bebidas, entre outros. Há algum projeto que considere particularmente emblemático do vosso trabalho e da vossa filosofia?</strong></p>
<p>Temos muito orgulho em todos os projetos, mas existem três que demonstram a polivalência da AlmaScience e que refletem o nosso posicionamento enquanto centro de inovação colaborativo com impacto real.</p>
<p>O PaperWeight AI, ou sensores de papel para prateleiras inteligentes em retalho. Ou seja, estes sensores comunicam diretamente para o armazém e avisam quando as prateleiras estão desfalcadas. Isto permite perceber em tempo real se é necessário repor os produtos, evitando falhas e tornando o processo mais eficiente. A PaperWeight AI (www.paperweight.ai) é a primeira spin-off da AlmaScience e a primeira spin-off originada por um CoLab nacional. Neste momento tem projetos-piloto a decorrer e/ou a iniciar em breve com diversos retalhistas em Portugal e no estrangeiro.</p>
<p>Temos também a PetriTag, que é um sensor biodegradável que se coloca em embalagens alimentares para deteção precoce de contaminação bacteriana.</p>
<p>Ou o GELA, que é um rótulo de arrefecimento rápido à base de hidrogel celulósico. Este gel acelera significativamente o processo de arrefecimento, de modo que uma garrafa de cerveja fica fria em poucos minutos. O projeto-piloto está em curso com um grande produtor de bebidas nacional.</p>
<p>Além deste projetos, o impacto da AlmaScience mede-se também em inovação gerada: entre 2020 e 2024 iniciámos 24 processos de patente, abrangendo 11 tecnologias distintas, e participámos em várias Agendas Mobilizadoras do PRR e projetos internacionais. Estes números refletem a nossa capacidade de transformar conhecimento em propriedade intelectual e valor económico.</p>
<p><strong>O PaperWeight AI foi recentemente distinguida com o Prémio Nacional de Inovação. Que impacto espera que esta tecnologia tenha no setor do retalho e quais são os próximos passos na sua evolução?</strong></p>
<p>O PaperWeight AI vai certamente revolucionar as prateleiras de todos os supermercados, porque o retorno de investimento é quase imediato e porque os estudos demonstram que, hoje em dia, os retalhistas estão a perder 2 a 6% das vendas por falhas na reposição. Não temos dúvidas de que as vantagens deste sistema, juntamente com a simplicidade da instalação e operação e a eficiência na recolha e tratamento de dados, vão ser rapidamente percebidas.</p>
<p>Este sistema é benéfico não só para os retalhistas como para os clientes e marcas porque os produtos passam a estar sempre disponíveis. E, sem ruturas de stock, não se perdem vendas.</p>
<p><strong>O PetriTag e o GELA são exemplos de produtos com uma forte componente de utilidade prática. Como é que conseguem transformar ideias inovadoras em soluções prontas a integrar-se nos processos das empresas?</strong></p>
<p>Transformamos ideias em soluções reais porque trabalhamos desde o início com os utilizadores finais. Cada projeto nasce de um desafio concreto identificado em conjunto com a indústria. A partir daí, aplicamos metodologias ágeis de I&amp;D, com ciclos curtos de prototipagem e validação em contexto real. A nossa equipa combina ciência, engenharia e design de produto, garantindo que cada inovação é tecnicamente sólida, escalável e pronta a integrar-se nos processos industriais sem fricção.</p>
<p><strong>A AlmaScience é uma organização sem fins lucrativos e trabalha num modelo de ecossistema com vários parceiros. De que forma esta abordagem colaborativa contribui para acelerar a inovação sustentável?</strong></p>
<p>Esta abordagem permite uma enorme sinergia entre todos os envolvidos e a proximidade com que trabalhamos permite partilhar conhecimento, desafios e recursos. Por exemplo, os nossos investigadores não estão isolados; eles fazem parte de equipas multidisciplinares que incluem especialistas em produto, negócio e desenvolvimento de produto. Esta abordagem faz com que todos trabalhem em equipa e em simultâneo para um objetivo comum, sem se perder tempo com teorias que depois são inviáveis na prática.</p>
<p><strong>Com nove associados de áreas tão distintas, como se garante uma visão comum e uma coordenação eficaz entre entidades académicas, empresariais e institucionais?</strong></p>
<p>A chave está no propósito partilhado: transformar ciência em impacto sustentável. O nosso modelo de governação e os grupos de trabalho temáticos asseguram alinhamento entre academia, indústria e instituições. Trabalhamos com objetivos e métricas comuns, ciclos curtos de decisão e comunicação constante. Esta proximidade cria sinergias reais e garante que todos remam na mesma direção — inovação com propósito e valor para o mercado.</p>
<p><strong>Que papel desempenham entidades como a Universidade Nova de Lisboa ou a Imprensa Nacional – Casa da Moeda neste ecossistema de inovação?</strong></p>
<p>A Universidade Nova de Lisboa e a Imprensa Nacional – Casa da Moeda são pilares do nosso ecossistema: a NOVA assegura excelência científica e a INCM aporta visão industrial e experiência em inovação aplicada. Mas o valor da AlmaScience vem também da diversidade dos restantes associados — empresas, centros de investigação e entidades públicas — que trazem desafios reais, know-how especializado e recursos complementares. É esta combinação única que torna o ecossistema vivo, colaborativo e orientado para resultados com impacto sustentável.</p>
<p><strong>Olhando para os próximos anos, quais são as áreas de investigação ou os setores onde vê maior potencial para a eletrónica verde e os materiais funcionais sustentáveis?</strong></p>
<p>Os próximos anos serão decisivos para afirmar Portugal como referência em eletrónica verde e materiais sustentáveis. Vejo grande potencial em setores como embalagem inteligente, saúde, retalho e energia, onde a combinação entre sustentabilidade e digitalização cria novas oportunidades. Temos o talento, os recursos e o ecossistema, falta apenas acreditar mais na nossa capacidade de liderar e transformar conhecimento em impacto global.</p>
<p><strong>Que ambições tem para a AlmaScience a médio prazo? Há planos de expansão internacional ou novos projetos em perspetiva?</strong></p>
<p>A médio prazo gostava de ver a AlmaScience reconhecida como uma referência em inovação sustentável aplicada, com mais spin-offs bem-sucedidas e que tivesse duplicado a atual rede de associados. Isto seria sinal de que a nossa capacidade de investimento também seria maior, logo poderíamos assumir mais projetos e mais ambiciosos.</p>
<p>Daqui a 10 anos gostava que quando se pensasse em tecnologia sustentável, em Portugal ou no resto do mundo, a AlmaScience estivesse no top of mind enquanto laboratório de referência.</p>
<p><strong>Na sua opinião, o que falta ainda a Portugal para se afirmar como um polo de referência na inovação sustentável e na tecnologia verde?</strong></p>
<p>Falta que a sociedade e os decisores passem da teoria à prática, mais concretamente:</p>
<p>Que as empresas tenham coragem para implementar as mudanças que ser sustentável envolve, sobretudo nas cadeias de fornecimento e processos produtivos.</p>
<p>Do ponto de vista regulatório, é necessária regulamentação adequada que penalize o impacto ambiental negativo e incentive alternativas verdes, de modo a que seja vantajoso optar pela inovação sustentável.</p>
<p>E existe ainda a barreira da cultura do quanto mais duradouro, melhor. Mas, como já referi, em tecnologia, o importante é que esta dure enquanto for útil. É urgente comunicar melhor ao mercado e aos consumidores em geral sobre as vantagens de termos uma economia circular efetiva.</p>
<p>A par disto, falta um pioneiro que adote estas tecnologias, comprove a sua eficiência – e todos os outros vão querer seguir.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
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		<title>Vídeos de animais selvagens criados por IA “geram confusão e ameaçam a sua conservação”, dizem cientistas</title>
		<link>https://greensavers.sapo.pt/videos-de-animais-selvagens-criados-por-ia-geram-confusao-e-ameacam-a-sua-conservacao-dizem-cientistas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Filipe Pimentel Rações]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 13 Jun 2026 13:55:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Animais]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Natureza]]></category>
		<category><![CDATA[animais]]></category>
		<category><![CDATA[conservação]]></category>
		<category><![CDATA[inteligência artificial]]></category>
		<category><![CDATA[internacional]]></category>
		<category><![CDATA[redes sociais]]></category>
		<category><![CDATA[vida selvagem]]></category>
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					<description><![CDATA[Para muitos, estes vídeos podem parecer inofensivos. Mas uma equipa de biólogos, psicólogos e especialistas em educação diz que podem prejudicar a conservação dos animais selvagens e afastar ainda mais as pessoas do mundo natural.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Um grupo de animados coelhos a saltitarem num trampolim ou um gato destemido que protege uma criança da investida de um leopardo. Vídeos destes fazem as delícias dos internautas e proliferam nas redes sociais.</p>
<blockquote class="instagram-media" style="background: #FFF; border: 0; border-radius: 3px; box-shadow: 0 0 1px 0 rgba(0,0,0,0.5),0 1px 10px 0 rgba(0,0,0,0.15); margin: 1px; max-width: 540px; min-width: 326px; padding: 0; width: calc(100% - 2px);" data-instgrm-captioned="" data-instgrm-permalink="https://www.instagram.com/reel/DPg0gT8DHcS/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" data-instgrm-version="14">
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<p>&nbsp;</p>
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<div style="color: #3897f0; font-family: Arial,sans-serif; font-size: 14px; font-style: normal; font-weight: 550; line-height: 18px;">Ver esta publicação no Instagram</div>
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<p>&nbsp;</p>
<p style="color: #c9c8cd; font-family: Arial,sans-serif; font-size: 14px; line-height: 17px; margin-bottom: 0; margin-top: 8px; overflow: hidden; padding: 8px 0 7px; text-align: center; text-overflow: ellipsis; white-space: nowrap;"><a style="color: #c9c8cd; font-family: Arial,sans-serif; font-size: 14px; font-style: normal; font-weight: normal; line-height: 17px; text-decoration: none;" href="https://www.instagram.com/reel/DPg0gT8DHcS/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" target="_blank" rel="noopener">Uma publicação partilhada por Rahul Nanda (@aikalaakari)</a></p>
</div>
</blockquote>
<p><script async src="//www.instagram.com/embed.js"></script></p>
<p>Há, contudo, um senão. O que é visto nas imagens nunca aconteceu. São fruto da manipulação por Inteligência Artificial. Embora possam parecer reais não o são.</p>
<p>Para muitos, estes vídeos podem parecer inofensivos: entretêm quem os vê e até se pode pensar que aproximam as pessoas dos animais selvagens, o que, teoricamente, seria positivo para a sua conservação. Mas uma equipa de biólogos, psicólogos e especialistas em educação da Universidade de Córdoba, em Espanha, diz que esses vídeos podem ter o efeito precisamente contrário.</p>
<p>Num artigo publicado a revista ‘<a href="https://conbio.onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/cobi.70138" target="_blank" rel="noopener">Conservation Biology’</a>, dizem ter analisado os vídeos mais partilhados nas redes sociais que mostram animais selvagens e que foram produzidos por Inteligência Artificial. E alertam que, no que toca às espécies selvagens visadas, “geram confusão e ameaçam a sua conservação”.</p>
<p>Uma das principais conclusões é que esses conteúdos criam perceções erradas sobre os animais selvagens, especialmente no que diz respeito ao seu comportamento e às interações entre espécies diferentes. No caso do gato que enfrentou o leopardo, os autores dizem, em comunicado, que é muito pouco provável que um desses grandes felídeos salte para o pátio de uma casa e que um gato doméstico se lance para enfrentá-lo.</p>
<p>Outros dos problemas associados à disseminação desses vídeos, que os cientistas consideram ser uma forma de desinformação, é a atribuição de características e comportamentos humanos a animais, o que pode criar ideias erradas sobre as próprias espécies não-humanas, e ainda o aumento do fosso existente entre as sociedades humanas e o mundo natural.</p>
<p>Esses vídeos “mostram características, comportamentos, habitats ou relações entre espécies que não são reais”, afirma, em nota, José Guerrero-Casado, primeiro autor do estudo.</p>
<blockquote class="tiktok-embed" style="max-width: 605px; min-width: 325px;" cite="https://www.tiktok.com/@rachelthecatlovers/video/7531584773500751118" data-video-id="7531584773500751118">
<section><a title="@rachelthecatlovers" href="https://www.tiktok.com/@rachelthecatlovers?refer=embed" target="_blank" rel="noopener">@rachelthecatlovers</a> Just checked the home security cam and… I think we’ve got guest performers out back! @Ring <a title="bunny" href="https://www.tiktok.com/tag/bunny?refer=embed" target="_blank" rel="noopener">#bunny</a> <a title="ringdoorbell" href="https://www.tiktok.com/tag/ringdoorbell?refer=embed" target="_blank" rel="noopener">#ringdoorbell</a> <a title="ring" href="https://www.tiktok.com/tag/ring?refer=embed" target="_blank" rel="noopener">#ring</a> <a title="bunnies" href="https://www.tiktok.com/tag/bunnies?refer=embed" target="_blank" rel="noopener">#bunnies</a> <a title="trampoline" href="https://www.tiktok.com/tag/trampoline?refer=embed" target="_blank" rel="noopener">#trampoline</a> <a title="♬ Bounce When She Walk - Ohboyprince" href="https://www.tiktok.com/music/Bounce-When-She-Walk-7200065594014731054?refer=embed" target="_blank" rel="noopener">♬ Bounce When She Walk &#8211; Ohboyprince</a></section>
</blockquote>
<p><script async src="https://www.tiktok.com/embed.js"></script></p>
<p>“Por exemplo, vemos predadores e presas a brincarem. São-nos mostrados animais com comportamentos humanos que estão muito longe da realidade”, salienta, acrescentando que, sobre o vídeo do leopardo e do gato, que tem já mais de um milhão de ‘gostos’, “cria-se um clima negativo para a conservação de uma espécie como o leopardo, que nunca encontraríamos numa situação como esta”.</p>
<p>O investigador alerta que a exposição a este tipo de vídeos afasta ainda mais os mais jovens e as crianças do mundo natural e da vida selvagem e pode até criar sentimento de frustração nesses grupos etários, pois, com base no que veem online, podem acabar por perceber que os animais os vídeos não são os animais que eventualmente verão na Natureza.</p>
<p>Além disso, “espécies que são vulneráveis parecem mais abundantes com estes vídeos e isso é negativo para a conservação”, refere Rocío Serrano-Rodriguez, principal coautora do artigo.</p>
<p>Esses efeitos são agravados pelo facto de a imagem ser um dos principais meios de aprendizagem na infância e de as camadas mais jovens da sociedade estarem cada vez mais cedo expostas ao que se passa nas redes sociais.</p>
<p>Como se não bastasse, estes conteúdos podem fazer aumentar o apetite pela aquisição de animais selvagens exóticos como animais de estimação, podendo pôr em risco a sobrevivência de populações e até de espécies inteiras.</p>
<p>Face a tudo isto, os investigadores defendem a implementação de estratégias de literacia digital que deem às pessoas as ferramentas de que precisam para questionar os conteúdos que veem online, para procurarem as fontes fidedignas. E isso deve ser transversal a todas as faixas etárias, dos mais pequenos aos mais velhos.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Baleias-de-bossa têm olhos grandes mas não veem muito bem à distância</title>
		<link>https://greensavers.sapo.pt/baleias-de-bossa-tem-olhos-grandes-mas-nao-veem-muito-bem-a-distancia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Filipe Pimentel Rações]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 24 May 2026 10:55:30 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Animais]]></category>
		<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Manchete]]></category>
		<category><![CDATA[Natureza]]></category>
		<category><![CDATA[animais]]></category>
		<category><![CDATA[baleias]]></category>
		<category><![CDATA[ciência]]></category>
		<category><![CDATA[internacional]]></category>
		<category><![CDATA[natureza]]></category>
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					<description><![CDATA[Com grandes olhos vem uma grande visão. Poderíamos pensar que assim era, mas a realidade é bem diferente. Apesar de terem olhos do tamanho de laranjas, as baleias-de-bossa (Megaptera novaeangliae) parecem sofrer de uma espécie de miopia.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Com grandes olhos vem uma grande visão. Poderíamos pensar que assim era, mas a realidade é bem diferente. Apesar de terem olhos do tamanho de laranjas, as baleias-de-bossa (<em>Megaptera novaeangliae</em>) parecem sofrer de uma espécie de miopia.</p>
<p>Cientistas das universidades de North Carolina em Wilmington e de Duke (ambas no estado norte-americano da Carolina do Norte) descobriram que essas baleias só conseguem discernir detalhes de objetos a uma distância três ou quatro vezes superior ao comprimento do seu corpo. Por exemplo, um adulto que meça 15 metros só conseguirá perceber ao certo o que tem à sua frente se estiver a menos de 60 metros desse objeto.</p>
<p>Assim, e com base em análises à anatomia e aos tecidos dos olhos de baleias-de-bossa, os cientistas calculam que esses grandes cetáceos têm uma acuidade visual de apenas 3,95 ciclos por grau. Veja-se, por exemplo, que os humanos têm uma acuidade visual que se situa algures entre os 60 e os 70 ciclos por grau. Estima-se que a águia-audaz (<em>Aquila audax</em>), uma ave de rapina da Austrália e da Nova Guiné, chega aos 138 ciclos por grau.</p>
<figure id="attachment_271357" aria-describedby="caption-attachment-271357" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-271357 " src="https://greensavers.sapo.pt/dev/wp-content/uploads/2025/05/humpback-whales-see-less-than-we-thought-20250515-ms25591-news.jpg" alt="" width="800" height="533" srcset="https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2025/05/humpback-whales-see-less-than-we-thought-20250515-ms25591-news.jpg 1500w, https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2025/05/humpback-whales-see-less-than-we-thought-20250515-ms25591-news-300x200.jpg 300w, https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2025/05/humpback-whales-see-less-than-we-thought-20250515-ms25591-news-1024x683.jpg 1024w, https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2025/05/humpback-whales-see-less-than-we-thought-20250515-ms25591-news-768x512.jpg 768w, https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2025/05/humpback-whales-see-less-than-we-thought-20250515-ms25591-news-600x400.jpg 600w" sizes="auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-271357" class="wp-caption-text">As investigadoras Lorian Schweikert e Vanessa Moreno estudam um olho de baleia-de-bossa em laboratório na Universidade de North Carolina em Wilmington, nos EUA.<br />Foto: Michael Spencer/UNCW</figcaption></figure>
<p>Esta equipa de investigadores, que publicou as descobertas na <a href="https://royalsocietypublishing.org/doi/epdf/10.1098/rspb.2024.3101" target="_blank" rel="noopener">revista ‘Proceedings of the Royal Society B’</a>, considera que compreender como funciona a visão das baleias-de-bossa, e de outros animais, é fundamental, especialmente para mitigar ameaças como o enredamento em artes de pesca. Não conseguindo detetar pormenores à distância, as baleias-de-bossa não conseguem também perceber que nadam em direção a redes nas quais podem ficar presas, podendo resultar em morte por afogamento, pois as baleias, como mamíferos que são, precisam de ar para sobreviver.</p>
<p>Podemos pensar que uma visão fraca, em comparação com outros animais, como nós, pode colocar as baleias-de-bossa em desvantagem, mas o facto é que para elas a capacidade de ver detalhes de pouco serve. Essas baleias, tal como outras da família dos cetáceos sem dentes, alimentam-se sobretudo de krill e de pequenos peixes que formam cardumes, pelo que distinguir apenas grandes formas difusas chega perfeitamente para saberem onde estão as presas, não havendo necessidade para uma visão mais precisa.</p>
<p>No entanto, para distinguirem redes de pesca, não é uma grande ajuda e pode colocá-las em perigo. Por isso, os investigadores esperam que o conhecimento sobre a visão das baleias-de-bossa possa impulsionar novos designs de redes de pesca que sejam mais visíveis para esses animais, e outros, a fim de se reduzir as mortes por enredamento.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Flamingos criam “tornados aquáticos” para capturarem as suas presas</title>
		<link>https://greensavers.sapo.pt/flamingos-criam-tornados-aquaticos-para-capturarem-as-suas-presas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 17 May 2026 13:55:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Animais]]></category>
		<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Manchete]]></category>
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					<description><![CDATA[Usando as suas patas com membranas interdigitais e os seus bicos em forma de "L", os flamingos caçam ativamente as suas presas, usando a força da deslocação da água em seu proveito.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Avistamentos de grupos de flamingos a caminharem placidamente por zonas alagadas, com as cabeças submersas, podem parecer imagens relativamente tranquilas, mas, abaixo da superfície, pequenas “tempestades” agitam o leito aquático.</p>
<p>Um grupo de investigadores dos Estados Unidos da América (EUA) estudou como os flamingos-chilenos (<em>Phoenicopterus chilensis</em>) no Zoo de Nashville, no estado norte-americano do Tennessee, para tentar perceber como essas aves rosadas, com um dos sistemas de filtração mais sofisticados do mundo aviário, capturam as suas presas.</p>
<p>Os flamingos alimentam-se de partículas em suspensão na água e também de pequenos crustáceos, como copépodes, que nadam livremente. Para conseguirem apanhá-los, os flamingos têm de conseguir concentrá-los num só sítio e engoli-los de uma só assentada, porque capturam um a um seria fastidioso e exigiria muito mais tempo e energia.</p>
<p>Através de experiências em laboratório, para as quais treinarem flamingos para se alimentarem em tanques equipados com câmaras de vídeo e do estudo de modelos em 3D dos seus bicos e patas, os investigadores descobriram que as aves usam as suas patas para agitar os sedimentos no leito da área alagada e para os empurrarem para a frente em espirais. Ao agitarem as suas cabeças para cima e para baixo, os flamingos usam a força da deslocação da água para trazer essas espirais de sedimentos para perto da superfície, criando, no processo, pequenos tornados.</p>
<p><iframe loading="lazy" title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/3cgcF8th5Nk?si=1kqzlGXBW2mhhluO" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p>Por fim, vão abrindo e fechando rápida e continuamente os seus bicos em forma de “L”, formando vórtices ainda mais pequenos que encaminham os sedimentos e as presas diretamente para as suas bocas.</p>
<p>Para os autores do artigo que dá conta desta descoberta, publicado recentemente na <a href="https://www.pnas.org/doi/10.1073/pnas.2503495122" target="_blank" rel="noopener">revista ‘PNAS’</a>, a confirmação deste comportamento deita por terra qualquer ideia de que os flamingos se alimentam passivamente, passando os seus bicos filtradores pela água e apanhando quais partículas ou crustáceos pelo caminho. Em vez disso, os resultados mostram que os flamingos caçam ativamente as suas presas.</p>
<p>“Os flamingos, na verdade, são predadores, estão ativamente à procura de animais que se movem pela água”, diz Victor Ortega Jiménez, da Universidade da Califórnia em Berkeley (EUA) e primeiro autor do estudo.</p>
<p>Para o investigador, estas aves são animais filtradores “super-especializados”, com cabeças, pescoços, patas, bicos e comportamentos que lhes permitem, com eficácia, “capturar esses organismos minúsculos e ágeis”.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Falcão aprende a usar “engarrafamentos” para caçar sem ser visto</title>
		<link>https://greensavers.sapo.pt/falcao-aprende-a-usar-engarrafamentos-para-cacar-sem-ser-visto/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 10 May 2026 15:55:01 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Animais]]></category>
		<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Manchete]]></category>
		<category><![CDATA[Natureza]]></category>
		<category><![CDATA[animais]]></category>
		<category><![CDATA[ciência]]></category>
		<category><![CDATA[falcão]]></category>
		<category><![CDATA[internacional]]></category>
		<category><![CDATA[natureza]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://greensavers.sapo.pt/?p=271491</guid>

					<description><![CDATA[Um zoólogo da Universidade do Tennessee documentou como um falcão-do-tanoeiro (Accipiter cooperi) aprendeu a usar o trânsito rodoviário para ter maior sucesso nas suas caçadas.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Os animais nas cidades têm de encontrar formas criativas para sobreviverem e adaptações comportamentais, e às vezes até físicas, que os ajudem a prosperar num ambiente repleto de humanos.</p>
<p>Algumas dessas criaturas observam e aprendem como nós usamos o espaço e procuram disso tirar partido, e um zoólogo da Universidade do Tennessee documentou como um falcão-do-tanoeiro (<em>Accipiter cooperi</em>) aprendeu a usar o trânsito rodoviário para ter maior sucesso nas suas caçadas.</p>
<p>Num <a href="https://www.frontiersin.org/journals/ethology/articles/10.3389/fetho.2025.1539103/full" target="_blank" rel="noopener">artigo publicado recentemente na revista ‘Frontiers in Ethology’</a>, Vladimir Dinets conta como, entre novembro de 2021 e março de 2022 observou uma dessas aves de rapina a caçar por entre os carros, usando-os como “camuflagem”.</p>
<p>O investigador recorda que tudo de passou num cruzamento perto de sua casa, na cidade de West Orange, no estado de Nova Jérsia, nos Estados Unidos da América. Não é uma zona particularmente problemática em termos de trânsito, mas quando algum peão toca no botão para atravessar a passadeira, o semáforo fica vermelho durante mais tempo, pelo que a fila de carros torna-se mais longa. Como acontece noutros ponto do mundo, quando o sinal para os peões fica verde, um sinal sonoro é emitido, avisando as pessoas invisuais de que é seguro atravessarem a estrada.</p>
<p>Dinets lembra-se de, certo dia de inverno, estar no seu carro, parado na fila, quando um falcão-do-tanoeiro levantou voo de uma árvore, voou sobre o passeio a pouco altura do chão e paralelamente aos carros. De súbito, faz um desvio repentino, cruza a fila de carros e atira-se sobre algo perto de uma das casas do outro lado da rua.</p>
<p>“No dia seguinte vi a mesma coisa acontecer e decidi investigar”, diz Dinets, que explica que o jardim em frente dessa casa atraía grupos de pequenas aves, como pardais, pombos e estorninhos. Segundo conta o cientista, uma família de ratos vivia nessa habitação humana, e por vezes deixava restos de comida no jardim, um chamariz para esses pequenos pássaros, que estavam na mira do falcão.</p>
<p>Mas a rapina só atacava quando a fila de carros se estendia até à árvore da qual ele se lançava, para que a sua investida pudesse passar despercebida às presas, pelo menos até ser demasiado tarde para poderem escapar.</p>
<p>De acordo com as observações que fez, Dinets diz que a fila de carros só chegava à arvore quando alguém tocava no botão para atravessar a passadeira e, com isso, soava o sinal sonoro, pelo que argumenta que o falcão apoiava a sua tática de caça nesse estímulo auditivo.</p>
<p>“Assim que o sinal sonoro era ativado, a rapina voava de algum lado para a pequena árvore, esperava que os carros fizessem fila e, então, atacava”, aponta o cientista, para quem esse comportamento revela que “o falcão compreendia a ligação entre o som e o tamanho da eventual fila de carros”.</p>
<p>Além disso, Dinets acredita que a ave tem “um bom mapa mental do lugar”, uma vez que, quando a fila de carros chegava até à sua árvore, o falcão não conseguia ver a rua do outro lado da estrada, pelo que era como se voasse “às cegas”, dependendo somente da sua memória.</p>
<p>No inverno seguinte, Dinets avistou um falcão-do-tanoeiro com plumagem de adulto e acredita que era o mesmo indivíduo. Meses depois, no verão, o sinal sonoro de travessia para peões deixou de funcionar, e o investigador não voltou a ver falcões.</p>
<p>“Uma cidade é um habitat muito difícil e perigoso para qualquer ave, mas especialmente para uma grande ave de rapina especializada em presas vivas: é preciso evitar janelas, carros, linhas elétricas e incontáveis outros perigos enquanto se apanha alguma coisa para comer todos os dias”, salienta Dinets.</p>
<p>No artigo, escreve que “o comportamento aqui descrito é um impressionante feito de inteligência, que explica em grande parte a capacidade que a espécie tem para colonizar com sucesso um ambiente tão invulgar e perigoso como a paisagem urbana”, e sugere que essa inteligência provavelmente já existia antes de o falcão se ter instalado na cidade.</p>
<p>“Podemos apenas imaginar o nível de conhecimento e compreensão do ambiente que têm os falcões que vivem em paisagens mais naturais.”</p>
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		<title>HortaFCUL, um pulmão dentro da cidade de Lisboa</title>
		<link>https://greensavers.sapo.pt/hortafcul-um-pulmao-dentro-da-cidade-de-lisboa/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ana Filipa Rego]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 10 May 2026 07:55:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Águas e Resíduos]]></category>
		<category><![CDATA[Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[Biodiversidade]]></category>
		<category><![CDATA[Ciência]]></category>
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					<description><![CDATA[Criada e gerida por pessoas da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, a HortaFCUL pretende sensibilizar e difundir a prática da permacultura como solução para muitos dos problemas ecológicos, sociais e económicos que o mundo atravessa.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A história da HortaFCUL começa com um grupo de estudantes de Biologia da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (FCUL) no outono de 2009, que queria sensibilizar a comunidade universitária para práticas de permacultura inovadoras que pudessem responder a alguns dos maiores desafios que enfrentamos, como a segurança e soberania alimentares, a degradação dos ecossistemas e as alterações climáticas. “Nasceu, portanto, de uma frustração pela ausência de espaços naturais e de aplicação prática onde se manifestassem as aprendizagens adquiridas sobretudo em cadeiras de Biologia Ambiental e, simultaneamente, de uma vontade enorme de mostrar que é possível transformar estes espaços partindo de uma iniciativa comunitária”, conta à Green Savers António Vaz Pato, biólogo formado na FCUL e um dos “guardiões” da horta.</p>
<p>Inicialmente foi enviada uma carta aos membros da Direção da faculdade que, contrariamente às expectativas dos promotores, sem demoras permitiram a utilização de um relvado junto ao edifício C2 (edifício de Biologia) para criar uma horta e um jardim comestível. “Talvez a expectativa da Direção com esta prontidão fosse mostrar que este tipo de iniciativas, encorajadas por estudantes sem ‘noção de compromisso e responsabilidade’, não dura o tempo de um fósforo aceso”, confidencia. No entanto, “a verdade é que o projeto está bem e de saúde passados 15 anos, provando aos céticos que, apesar das contrariedades, não é utópico fazer nascer projetos desta índole”, afirma.</p>
<p>De facto, depois de todos estes anos, a horta permanece viva graças aos seus “guardiões” que nos acompanharam na visita por este jardim comunitário. Perto do lugar onde tudo começou, Tiago Silva, biólogo e um dos membros fundadores da HortaFCUL, conta-nos que tudo surgiu “com uma conversa, porque uns anos antes tínhamos iniciado o projeto de uma horta aqui bastante perto da faculdade, nas traseiras da casa de um colega. E desse projeto pensámos ‘porque é que não fazemos algo aqui?’, porque a faculdade estava repleta de relva, que é um deserto verde, quase uma monocultura e que consome bastante água. E, portanto, não fazia sentido”.</p>
<p><strong>Horta do C2, o berço do projeto</strong></p>
<p>Assim, a Horta do C2 foi o primeiro espaço criado e é considerada o berço e referência do projeto. Foi criada em 2009, mas ao longo do tempo tem sofrido sucessivas remodelações e expansões, acompanhando o ritmo de desenvolvimento do projeto. Possui um pequeno lago, construído em 2010, que confere diversidade, permitindo albergar espécies vegetais mais dependentes de água e espécies aquáticas.</p>
<p>Em 2013, recebeu uma bioconstrução em canas, elevando assim a sua vertente estética, criando um espaço de lazer abrigado e possibilitando o crescimento de espécies trepadoras, como é o caso dos kiwis. Mais tarde, em 2018, refez-se o abrigo com uma solução mais duradoura.</p>
<p>Em 2015, no Ano Internacional dos Solos, a Horta passou a conferir uma componente artística ao projeto, com a criação de um mural didático feito em graffiti que representa a História do planeta e da vida na Terra.</p>
<p>Depois de criada uma diversidade de elementos, o desenvolvimento do ecossistema “tem sido natural e é hoje uma agrofloresta multifuncional onde os vários extratos vegetais estão em contínuo desenvolvimento, um espaço com cerca de 150m2 de baixa manutenção e de carácter permanente”, explica Tiago Silva, que revela que atualmente a hortinha conta com 61 espécies diferentes de plantas perenes.</p>
<blockquote><p><em>A HortaFCUL nasceu de uma frustração pela ausência de espaços naturais e de aplicação prática onde se manifestassem as aprendizagens adquiridas sobretudo em cadeiras de Biologia Ambiental e, simultaneamente, de uma vontade enorme de mostrar que é possível transformar estes espaços partindo de uma iniciativa comunitária António Vaz Pato, biólogo formado na FCUL e um dos “guardiões” da horta.</em></p></blockquote>
<p>Os “guardiões” da HortaFCUL têm vindo a expandir a sua área de intervenção e a contribuir, direta e indiretamente, para vários espaços do campus da FCUL. Depois da Horta do C2, surgiu a PermaLab, em 2016, a FCULresta, em 2021, as Bioilhas, em 2023, e a Horta Solar também no ano passado, que, segundo António Vaz Pato, é o espaço-apêndice sem envolvimento direto dos “guardiões”.</p>
<p><strong>FCULresta e Bioilhas</strong></p>
<p>Mesmo ao lado da Horta do C2, encontramos a FCULresta, uma minifloresta densa, biodiversa e multifuncional, em pleno centro da cidade. Pretende ser uma referência prática para uma abordagem transdisciplinar com uma profunda mobilização da sociedade para a ação climática, promoção da biodiversidade urbana e outros Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da FCULe sua cidade Capital Verde Europeia 2020.</p>
<p>Para além do apoio institucional e da sua vertente prática, a FCULresta procura ter uma forte componente científica para aprofundar o conhecimento da função destes espaços naturalizados em contexto urbano.</p>
<p>Mais à frente, Tiago Silva mostra-nos uma das Bioilhas da Faculdade e explica-nos que estas propõem a conversão de áreas verdes tradicionais em ecossistemas biodiversos, abertos ao uso livre pela comunidade envolvente. “Ao invés de um espaço amplo, estéril e exposto, como é o caso dos relvados, as Bioilhas criam espaços de clareira rodeados por vegetação densa, criando um ambiente mais convidativo, tranquilo e confortável para o campus da FCUL”, aponta. O seu epíteto ‘Salas de aula biodiversas’ surge da necessidade de aumentar a oferta de espaços que sirvam o ensino ao ar livre, mais vocacionado para a prática das Ciências Biológicas. Sendo zonas de intervenção lenta e gradual, as Bioilhas têm como propósito a co-criação do ecossistema pelas partes envolvidas no projeto. Mais ainda, “constituem uma oportunidade de os alunos sentirem que são parte da construção e evolução do campus, fomentando o sentido de responsabilidade pelos espaços que frequentam”, conta Tiago.</p>
<p><strong>Permalab, um laboratório de permacultura</strong></p>
<p>Seguindo caminho, e já muito perto do Campo Grande, encontramos o Permalab, um laboratório de permacultura com estufa, horta e centro de compostagem, onde podemos também ver baloiços feitos de pneus. Trata-se de uma zona que convida à implementação de projetos propostos pela permacultura e sua monitorização com metodologias científicas.</p>
<p>Na zona dos compostores, arrumos e hortícolas, Florian Ulm, outro “guardião”, fala-nos sobre a forma como procedem à compostagem dos resíduos orgânicos. Na verdade, segundo o relatório <em>Living the sustainable development</em>, de 2016, a HortaFCUL foi pioneira num primeiro ensaio de compostagem comunitária em Portugal, e já produziu quase 48 toneladas de composto orgânico, sequestrando carbono equivalente a 1,5 vezes a pegada de carbono anual de um cidadão português. Um composto que foi investido na produção de alimentos e na propagação de plantas, sendo uma parte considerável também doada à comunidade.</p>
<p><strong>Modelo de organização sociocrático</strong></p>
<p>O projeto HortaFCUL é coordenado e gerido por uma equipa de voluntários, conhecidos como &#8220;guardiões&#8221; da Horta. Estes representam o primeiro círculo de pessoas, responsáveis pelo projeto, pela sua manutenção e desenvolvimento, através de tomadas de decisão e planificação das atividades.</p>
<p>Existe também um segundo círculo de pessoas que colaboram e ajudam em atividades pontuais do projeto, aos quais chamam &#8220;Amigos da Horta&#8221;.</p>
<p>O terceiro círculo de pessoas são as que participam nos seus eventos e workshops, partilhando o gosto e interesse pela permacultura.</p>
<blockquote><p><em>A HortaFCUL foi pioneira num primeiro ensaio de compostagem comunitária em Portugal, e já produziu quase 48 toneladas de composto orgânico, sequestrando carbono equivalente a 1,5 vezes a pegada de carbono anual de um cidadão português. Um composto que foi investido na produção de alimentos e na propagação de plantas, sendo uma parte considerável também doada à comunidade</em></p></blockquote>
<p>António Vaz Pato explica que a inclusão de novos membros na HortaFCUL “depende de um modelo organizacional que segue os princípios da sociocracia”. Por outras palavras, a sociocracia “sugere um modelo de governança auto-organizado, caracterizado pela ausência de hierarquias na tomada de decisões”. Esta abordagem alternativa, acrescenta, “implica pensamento crítico e diálogo para ultrapassar conflitos, bem como pragmatismo (as pequenas decisões quotidianas devem ser tomadas independentemente da ausência de um membro da comunidade) e confiança (a comunidade confiará no trabalho de cada membro para realizar as suas tarefas)”.</p>
<p>Num projeto de base voluntária como a HortaFCUL, a inclusão de um membro “não depende de um processo de decisão complexo entre os membros, mas sim da participação ativa e do empenho de cada um no projeto”, sublinha o biólogo. Assim, cada guardião partilha uma parte da responsabilidade coletiva de manter o projeto ativo e funcional. “Isto é possível graças a um sistema que confia a cada pessoa a tarefa de proteger e facilitar uma dimensão ou um processo específico do projeto, de modo a manter os restantes guardiões conscientes das diferentes necessidades relativas a este último”, sublinha.</p>
<p>Por exemplo, continua, os membros “podem assumir o papel de guardiões da comunicação, da horta, da tesouraria ou mesmo do viveiro de plantas, consoante as suas competências e interesses, e comprometem-se a informar o grupo de qualquer desenvolvimento, acontecimento ou desafio relativo a essa secção do projeto”.</p>
<p><strong>5 A&#8217;s  </strong></p>
<p>António Vaz Pato revela ainda que são várias as ferramentas aplicadas em sistemas de sociocracia, das quais a abordagem <em>dragon dreaming</em> de John Croft e as reuniões dos 5 A’s “são as mais relevantes no contexto da HortaFCUL”. Em poucas palavras, explica, a primeira estabelece a divisão do processo de criação coletiva em quatro fases: (1) sonhar (recolha de informação, motivação, energia), (2) planear (conceção da estratégia, triagem de soluções), (3) executar (implementação, monitorização do progresso) e (4) celebrar (consolidação do conhecimento, reflexão coletiva, valorização do feito). “Uma vez que duas destas fases são sumidouros de energia (planear e executar) e as outras duas são fontes de energia (sonhar e celebrar), Croft sugere que devemos investir igualmente o nosso tempo nas quatro fases. Para que um novo ciclo se inicie, o grupo deve experimentar as quatro etapas do processo”, afirma.</p>
<p>Quanto aos 5 A&#8217;s, trata-se, segundo o biólogo, de uma ferramenta que sublinha a necessidade de promover reuniões eficazes e produtivas entre os membros, atribuindo 5 funções rotativas: o Almirante, (facilitador da reunião, certifica-se de que todos os tópicos são abordados e atribui tempos de conversação justos aos participantes da reunião), o Atado (regista todas as informações importantes discutidas na reunião e será o Almirante na reunião seguinte), o Acolhedor, (certifica-se de que as pessoas que chegam atrasadas são bem informadas sem perturbar a reunião), o Alcoviteiro (analisa os conflitos, desafios e interações sociais durante a reunião, dá feedback sem comentários ao grupo e/ou aos indivíduos no final da reunião) e o Acertado (garante que o Almirante e todo o grupo são responsáveis pelo tempo disponível).</p>
<p>Além disso, as reuniões com este modelo “exigem pragmatismo, confiança e participação consciente para garantir que a reunião produza decisões claras e objetivas num curto espaço de tempo”.</p>
<p><strong>Objetivos e a importância da regeneração dos solos</strong></p>
<p>Segundo António Vaz Pato, o principal objetivo da HortaFCUL é “ser um centro catalisador e promotor de boas práticas de sustentabilidade em áreas urbanas, contagiando novos projetos a tomar a sua própria iniciativa”. Este projeto, aponta, “desenvolveu um papel importante, dentro e fora do campus, como gerador e catalisador de sólidos conhecimentos práticos e técnicos baseados na experimentação e na evidência científicas”.</p>
<p>Ao longo dos seus anos de existência, a HortaFCUL “tornou-se uma comunidade resiliente, sustentável e inclusiva, permitindo ao público em geral, independentemente da sua área de especialização ou grau de formação, aprender mais sobre soluções baseadas na natureza &#8211; ou seja, abordagens que procuram resolver desafios humanos imitando processos e dinâmicas naturais”, assegura.</p>
<p>Os solos são a matriz que suporta a vida e os da cidade estão geralmente erodidos e poluídos. Por isso, quando se trata de jardinagem urbana, a regeneração do solo é um dos desafios. Porquê? Porque “sem solos saudáveis não é possível, por um lado, produzir alimentos e sustentar a população humana, e, por outro, garantir que as metas de adaptação às alterações climáticas são cumpridas”, responde o guardião.</p>
<p>O biólogo reconhece que as opiniões se dividem quanto à dificuldade de regenerar solos e sabe que essa dificuldade depende do contexto de cada região ou clima. “Em áreas urbanas, as fontes de perturbação são imensas (poluição, movimentação de terras, alteração da paisagem&#8230;), o que coloca inúmeros desafios à regeneração do solo”, afirma. No entanto, acrescenta, a abundância de recursos gerados nas cidades (geralmente chamados de resíduos), podem fazer parte dessa solução, deixando de ser um problema. “Se pensarmos na quantidade de resíduos orgânicos produzidos numa cidade que poderão dar origem a composto de qualidade (composto este essencial para a remediação dos solos), vemos o enorme potencial que as áreas urbanas podem ter enquanto exportadoras de recursos vitais para restaurar, sobretudo, ecossistemas agrícolas e seminaturais”, como parques e jardins urbanos, sublinha.</p>
<p><strong>Jardinar </strong><strong>para a biodiversidade</strong></p>
<p>A jardinagem também ajuda a potenciar e a conservar a biodiversidade. Como? “Com muita diversidade e muita densidade de plantas, que trarão inevitavelmente maior diversidade a nível de insetos, aves, bactérias, fungos, mamíferos, macroinvertebrados e tantos outros grupos de seres vivos”, responde. Esta é, segundo António, a “chave para termos um ecossistema dinâmico, plurifuncional e complexo, tal como observamos na Natureza”, onde, continua, “vemos esta teia intricada de relações entre espécies que traz essa estabilidade tão importante para a resiliência de um ecossistema”.</p>
<p>O biólogo salienta que, na HortaFCUL, tentam mimetizar estes padrões que encontram nas áreas naturais. E sobretudo sem preconceitos ou ideias pré-concebidas sobre o que é biodiversidade. Na HortaFCUL “mostramos todos os dias o papel essencial que muitas espécies vegetais exóticas podem ter em ecossistemas urbanos enquanto promotoras de biodiversidade, por exemplo”, afirma. As áreas urbanas “são zonas fantásticas para experimentar novas soluções na temática dos Novos Ecossistemas (ecossistemas que surgem já da interação do ser humano com a paisagem)”, adianta.</p>
<p>Para António Vaz Pato, também é importante considerar a antropodiversidade (diversidade humana) num projeto como este. Jardinar para a diversidade “é uma ferramenta de criação de comunidades heterogéneas e multifuncionais com inputs diferentes das pessoas que a constituem. Em projetos comunitários, esta dimensão é especialmente relevante”, conclui.</p>
<p><strong>15 anos de um projeto liderado pela comunidade</strong></p>
<p>Os resultados deste jardinar para a biodiversidade estão espelhados no relatório <em>Living the sustainable development: a university permaculture project as an ecosystem service Provider</em>, que resume estes 15 anos de existência. António Vaz Pato destaca 4 áreas em que a HortaFCUL tem tido um papel “crucial” no seio da sua comunidade.</p>
<p>Em primeiro lugar, a promoção da biodiversidade. “Se olharmos apenas para as plantas &#8211; a flora do ecossistema &#8211; descobrimos que os espaços da HortaFCUL têm, ao todo, mais de uma centena de espécies de ciclo de vida perene numa área que corresponde sensivelmente a 4% da área total do campus, enquanto nos restantes espaços verdes da FCUL (26% da superfície do campus), foram identificadas perto de 90 espécies perenes”.</p>
<p>Depois, num tempo em que os efeitos das ondas de calor são sentidos com crescente intensidade em cidades como Lisboa, a oferta de espaços frescos na cidade “é essencial para o conforto e a saúde da população”. No espaço do campus da Faculdade de Ciências, “medimos a evolução da cobertura arbórea das áreas verdes e observámos que os espaços da HortaFCUL ofereciam até 3 vezes mais cobertura arbórea que os outros relvados convencionais da faculdade”, conta.</p>
<p>O biólogo remete ainda para a compostagem, já aqui referida, mas diz que, “mais importante do que isto tudo, é a ação social que projetos desta índole promovem junto da sua comunidade”. Desde o início da HortaFCUL, 74 voluntários fizeram parte como membros ativos do projeto. Foram contabilizados mais de 440 eventos (um evento a cada 11 dias) e os dias de trabalhos estimam-se terem sido pelo menos 450 (1.800 horas de trabalho voluntário). Os eventos mais representativos &#8211; workshops, visitas guiadas e conversas &#8211; totalizaram 225 ocorrências em 13 anos, com uma média de 24 participantes por evento (5.353 participantes no total). Relativamente a parcerias e apoios diretos a outros projetos, houve 87 ocasiões documentadas (em média, 6 por ano).</p>
<p>Para o biólogo, o mais importante do projeto “é ser de tal forma eclético e holístico que consegue dar uma resposta a todos os níveis dos serviços do ecossistema (suporte, regulação, aprovisionamento e sociais) e a uma grande fração dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável”.</p>
<p>E em termos práticos, isso significa, pelo caudal abundante de relações e parcerias que o projeto foi criando, uma “grande capacidade mobilizadora” junto de projetos que foram nascendo ao longo destes últimos 15 anos. “Esse para mim é o grande impacto regenerativo e transformador da HortaFCUL, pois sabemos que o que fazemos a nível local tem uma grande importância, mas se formos analisar a nível global, o impacto é irrisório. Agora, se somarmos à HortaFCUL outra centena de projetos, o impacto começa a ser mais expressivo a nível global”, conclui.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><strong><em>Quais os ciclos da horta?</em></strong></p>
<p><em>Na Horta, gostamos de dizer que &#8220;fechamos ciclos&#8221; no sentido de promover a circularidade que existe na Natureza, ao invés do modelo linear e descartável preponderante na economia atual. E quando falamos em ciclos, falamos em processos que vão desde a biogeoquímica (ciclos da água e ou dos gases/elementos) à própria natureza humana (ciclos sociais). Aqui ficam os ciclos mais expressivos da Horta: </em></p>
<p><em> &#8211; Ciclo do conhecimento: as atividades identificadas com este ciclo estão de alguma forma relacionadas com a produção de conhecimento, práticas de sensibilização ecológica e educação. Este ciclo inclui resultados como artigos, workshops e palestras com o objetivo específico de capacitar a comunidade em termos de informação e sensibilização científica e de conhecimentos práticos.</em></p>
<p><em> &#8211; Ciclo social: atividades especificamente associadas à celebração, ao convívio e ao envolvimento comunitário. Neste ciclo, os maiores contribuintes são as festas ou os encontros comunitários.</em></p>
<p><em> &#8211; Ciclo de produção: Este ciclo está ligado principalmente à produção de alimentos, à produção de biomassa e à propagação de plantas</em></p>
<p><em> &#8211; Ciclo orgânico: Qualquer atividade relacionada com a utilização e gestão da biomassa está integrada neste ciclo. Um exemplo seria a produção de composto.  </em></p>
<p><em> &#8211; Ciclo dos materiais: Este ciclo inclui os processos de reciclagem de resíduos e materiais que, de outra forma, seriam eliminados, bem como as actividades que reutilizam materiais para atingir um determinado objetivo (principalmente na construção).</em></p>
<p><em>&#8211; Ciclo hidrológico: Qualquer atividade relacionada com a gestão da água (armazenamento, distribuição, utilização sustentável dos recursos hídricos) é considerada neste ciclo.</em></p>
<p><em> &#8211; Ciclo ecológico: Todos os resultados que visam melhorar os indicadores ecológicos e a função dos ecossistemas através da disponibilização de habitats estão incluídos neste ciclo. As atividades agroflorestais estão integradas neste ciclo, bem como a criação de novos canteiros de vegetação perene, ou seja, novos ecossistemas e habitats à microescala.</em></p>
<p><em>António Vaz Pato</em></p>

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<p><em>*Reportagem originalmente publicada na revista de junho de 2024</em></p>
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		<title>O aquecimento global pode aumentar o risco de cancro nas mulheres</title>
		<link>https://greensavers.sapo.pt/o-aquecimento-global-pode-aumentar-o-risco-de-cancro-nas-mulheres/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 09 May 2026 15:55:10 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Alterações Climáticas]]></category>
		<category><![CDATA[Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Manchete]]></category>
		<category><![CDATA[cancro]]></category>
		<category><![CDATA[estudo]]></category>
		<category><![CDATA[internacional]]></category>
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					<description><![CDATA[Um estudo sobre países do Médio Oriente associa temperaturas mais elevadas a um risco acrescido de cancro da mama, dos ovários, do útero e do colo do útero.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Um<a href="https://www.frontiersin.org/journals/public-health/articles/10.3389/fpubh.2025.1529706/abstract" target="_blank" rel="noopener"> estudo</a> sobre países do Médio Oriente associa temperaturas mais elevadas a um risco acrescido de cancro da mama, dos ovários, do útero e do colo do útero.</p>
<p>Os cientistas que investigam o impacto das alterações climáticas na saúde das mulheres descobriram que o aumento do calor está associado a um aumento das taxas de cancro da mama, dos ovários, do útero e do colo do útero. Os investigadores analisaram 17 países do Médio Oriente e do Norte de África, onde se prevê que as temperaturas aumentem 4 graus Celsius até 2050, e descobriram que estes quatro tipos de cancro se tornaram mais comuns e com maior probabilidade de serem fatais com cada grau de aumento da temperatura.</p>
<p>O aumento não pode ser explicado pela melhoria do diagnóstico ou das taxas de sobrevivência. Os investigadores apelam à integração urgente da capacidade de resistência às alterações climáticas nos planos de saúde pública.</p>
<p>Os cientistas descobriram que o aquecimento global no Médio Oriente e no Norte de África está a tornar o cancro da mama, dos ovários, do útero e do colo do útero mais comum e mais mortal. O aumento das taxas é pequeno, mas estatisticamente significativo, o que sugere um aumento notável do risco de cancro e das mortes ao longo do tempo.</p>
<p>“À medida que as temperaturas aumentam, a mortalidade por cancro entre as mulheres também aumenta, em especial no que se refere aos cancros do ovário e da mama”, afirma Wafa Abuelkheir Mataria, da Universidade Americana do Cairo, primeira autora do artigo na revista Frontiers in Public Health. &#8220;Embora os aumentos por grau de aumento da temperatura sejam modestos, o seu impacto cumulativo na saúde pública é substancial&#8221;, acrescenta.</p>
<p><strong>Um ambiente pouco saudável</strong></p>
<p>As alterações climáticas não são saudáveis. O aumento das temperaturas, o comprometimento da segurança alimentar e da água e a má qualidade do ar aumentam a incidência de doenças e mortes em todo o mundo. As catástrofes naturais e a pressão de condições meteorológicas imprevistas também perturbam as infraestruturas, incluindo os sistemas de saúde.</p>
<p>No que diz respeito ao cancro, isso pode significar que as pessoas estão mais expostas a fatores de risco como as toxinas ambientais e têm menos probabilidades de receber um diagnóstico e tratamento rápidos. Esta combinação de fatores pode levar a um aumento significativo da incidência de cancros graves, mas é difícil quantificar esse aumento.</p>
<p>Para investigar os efeitos das alterações climáticas no risco de cancro das mulheres, os investigadores selecionaram uma amostra de 17 países do Médio Oriente e do Norte de África: Argélia, Barém, Egito, Irão, Iraque, Jordânia, Kuwait, Líbano, Líbia, Marrocos, Omã, Qatar, Arábia Saudita, Síria, Tunísia, Emirados Árabes Unidos e Palestina. Estes países são muito vulneráveis às alterações climáticas e já estão a assistir a aumentos de temperatura impressionantes.</p>
<p>Os investigadores recolheram dados sobre a prevalência e a mortalidade do cancro da mama, do cancro do ovário, do cancro do colo do útero e do cancro uterino e compararam esta informação com a evolução das temperaturas entre 1998 e 2019.</p>
<p>“As mulheres são fisiologicamente mais vulneráveis aos riscos para a saúde relacionados com o clima, especialmente durante a gravidez”, afirma o coautor, Sungsoo Chun, da Universidade Americana do Cairo. &#8220;Este facto é agravado pelas desigualdades que limitam o acesso aos cuidados de saúde. As mulheres marginalizadas enfrentam um risco multiplicado porque estão mais expostas aos perigos ambientais e têm menos acesso a serviços de rastreio e tratamento precoce&#8221;, adianta.</p>
<p><strong>Os números</strong></p>
<p>A prevalência dos diferentes tipos de cancro aumentou entre 173 e 280 casos por 100 000 pessoas por cada grau Celsius adicional: os casos de cancro do ovário foram os que mais aumentaram e os de cancro da mama os que menos aumentaram. A mortalidade aumentou de 171 a 332 mortes por 100 000 pessoas por cada grau de aumento da temperatura, com o maior aumento no cancro do ovário e o menor no cancro do colo do útero.</p>
<p>Quando os investigadores dividiram os dados por país, descobriram que a prevalência e as mortes por cancro aumentaram em apenas seis países &#8211; Qatar, Bahrein, Jordânia, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Síria. Isto pode dever-se a temperaturas particularmente extremas no verão nestes países ou a outros fatores que o modelo não conseguiu captar. O aumento não foi uniforme entre os países: por exemplo, a prevalência do cancro da mama aumentou 560 casos por 100.000 pessoas por cada grau Celsius no Qatar, mas apenas 330 no Bahrein.</p>
<p>Embora isto mostre que o aumento da temperatura ambiente é um fator de risco provável para estes cancros, também sugere que a temperatura tem um efeito diferente em diferentes países, pelo que é provável que existam outros fatores que modifiquem o risco. Por exemplo, o aumento do calor pode estar associado a níveis mais elevados de poluição atmosférica cancerígena em alguns locais.</p>
<p>“O aumento da temperatura atua provavelmente através de múltiplas vias”, aponta Chun. &#8220;Aumenta a exposição a agentes cancerígenos conhecidos, perturba a prestação de cuidados de saúde e pode mesmo influenciar os processos biológicos a nível celular. Em conjunto, estes mecanismos podem aumentar o risco de cancro ao longo do tempo&#8221;, revela.</p>
<p><strong>Fatores de risco</strong></p>
<p>Uma prevalência mais elevada pode também refletir melhorias no rastreio do cancro. No entanto, seria de esperar que um melhor rastreio resultasse em menos mortes, uma vez que o cancro em fase inicial é mais fácil de tratar. Mas tanto as taxas de mortalidade como a prevalência aumentaram, o que sugere que o fator determinante é a exposição a fatores de risco.</p>
<p>“Este estudo não pode estabelecer uma causalidade direta”, adverte Mataria. &#8220;Embora tenhamos controlado o PIB per capita, outros fatores não medidos podem contribuir. No entanto, as associações consistentes observadas em vários países e tipos de cancro constituem uma base convincente para uma investigação mais aprofundada.&#8221;</p>
<p>Esta investigação também sublinha a importância de considerar os riscos relacionados com o clima no planeamento da saúde pública.</p>
<p>“O reforço dos programas de rastreio do cancro, a criação de sistemas de saúde resistentes ao clima e a redução da exposição a agentes cancerígenos ambientais são passos fundamentais”, afirma Chun. “Sem abordar estas vulnerabilidades subjacentes, o fardo do cancro associado às alterações climáticas continuará a aumentar&#8221;, conclui.</p>
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