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	<title>Green Savers &#8211; Green Savers</title>
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	<description>Notícias sobre sustentabilidade, ambiente, alterações climáticas, biodiversidade, florestas, finanças verdes, empresas, economia, ODS</description>
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	<title>Green Savers &#8211; Green Savers</title>
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	<item>
		<title>Nestlé apoiou 20 mil empregos e reforçou investimento em sustentabilidade em Portugal em 2024</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 26 Jun 2026 07:03:44 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Green Savers]]></category>
		<category><![CDATA[nacional]]></category>
		<category><![CDATA[sustentabilidade]]></category>
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					<description><![CDATA[Os dados constam do “Relatório de Valor Económico da Nestlé – Portugal”, elaborado pela PwC, que analisa o impacto económico, social e ambiental da empresa no país.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p data-start="99" data-end="436">A atividade da Nestlé em Portugal apoiou cerca de 20 mil postos de trabalho e gerou 971 milhões de euros em valor acrescentado bruto (VAB) para a economia nacional em 2024. Os dados constam do “Relatório de Valor Económico da Nestlé – Portugal”, elaborado pela PwC, que analisa o impacto económico, social e ambiental da empresa no país.</p>
<p data-start="438" data-end="751">Segundo o estudo, a contribuição da Nestlé representa cerca de 0,3% do Produto Interno Bruto (PIB) português e traduziu-se também em 174 milhões de euros em contribuições fiscais para o Estado. A análise considera os impactos diretos, indiretos e induzidos da atividade da empresa ao longo da sua cadeia de valor.</p>
<p data-start="753" data-end="1123">Presente em Portugal há mais de 100 anos, a Nestlé opera atualmente através de duas unidades de produção – uma fábrica de café, no Porto, e uma fábrica de cereais, em Avanca –, além de centros de distribuição e uma rede de 982 fornecedores nacionais. De acordo com o relatório, esta rede contribui para apoiar cerca de 9.800 empregos e gerar 406 milhões de euros em VAB.</p>
<p data-start="1125" data-end="1318">A empresa destaca ainda que cerca de 60% das matérias-primas utilizadas são adquiridas a fornecedores portugueses, reforçando a ligação à economia local e às cadeias de abastecimento nacionais.</p>
<p data-start="1320" data-end="1597">Além dos indicadores económicos, o relatório evidencia iniciativas de caráter social e ambiental. Em 2024, a Nestlé doou aproximadamente 458 mil euros em produtos alimentares e outros apoios, enquanto os seus colaboradores dedicaram mais de 2.500 horas a ações de voluntariado.</p>
<p data-start="1599" data-end="1986">A empresa refere também que tem vindo a reforçar o investimento em práticas de agricultura regenerativa e na descarbonização das suas operações, nomeadamente através da transição da frota corporativa para veículos 100% elétricos. Paralelamente, mantém programas de promoção da literacia nutricional e da empregabilidade jovem, como o “Nestlé for Healthier Kids” e a “Alliance for YOUth”.</p>
<p data-start="1988" data-end="2346">Para Rachel Muller, diretora-geral da Nestlé Portugal, os resultados refletem o impacto da empresa para além da sua atividade direta. “O nosso compromisso para o futuro é claro: continuar a investir em crescimento sustentável e no fortalecimento da produção nacional, sendo um motor de impacto positivo para a economia e para a sociedade portuguesa”, afirma.</p>
<p data-start="2348" data-end="2656" data-is-last-node="" data-is-only-node="">Num contexto em que a sustentabilidade e a resiliência das cadeias de abastecimento assumem crescente relevância, a empresa considera que o reforço da produção nacional, o apoio aos fornecedores locais e a aposta em práticas mais sustentáveis serão elementos centrais da sua estratégia para os próximos anos.</p>
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		<item>
		<title>Pelo menos 655 milhões de pessoas continuam sem eletricidade em 2024</title>
		<link>https://greensavers.sapo.pt/pelo-menos-655-milhoes-de-pessoas-continuam-sem-eletricidade-em-2024/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Green Savers com Lusa]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 25 Jun 2026 17:03:12 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Green Savers]]></category>
		<category><![CDATA[Eletricidade]]></category>
		<category><![CDATA[internacional]]></category>
		<category><![CDATA[Pessoas]]></category>
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					<description><![CDATA[Segundo um relatório conjunto publicado hoje pela ONU-Energia, Banco Mundial, Organização Mundial da Saúde (OMS), Agência Internacional de Energia (AIE) e Agência Internacional para as Energias Renováveis (IRENA), o acesso mundial à eletricidade estagnou nos 92% em 2024.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Pelo menos 655 milhões de pessoas no mundo continuavam sem acesso à eletricidade em 2024 e cerca de 2.000 milhões a utilizar combustíveis e tecnologias poluentes para cozinhar, de acordo com dados da ONU.</p>
<p class="text-paragraph">Segundo um relatório conjunto publicado hoje pela ONU-Energia, Banco Mundial, Organização Mundial da Saúde (OMS), Agência Internacional de Energia (AIE) e Agência Internacional para as Energias Renováveis (IRENA), o acesso mundial à eletricidade estagnou nos 92% em 2024.</p>
<p class="text-paragraph">Além disso, o ritmo de crescimento anual reduziu-se para metade face à década anterior, uma situação que evidencia que o mundo não está a avançar ao ritmo necessário para cumprir o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) de acesso universal à energia até 2030, de acordo com o mesmo documento.</p>
<p class="text-paragraph">A África subsariana concentra a maior parte das carências: mais de 560 milhões de pessoas não têm eletricidade e cerca de 970 milhões não têm acesso a sistemas de cozinha limpos.</p>
<p class="text-paragraph">Os autores do relatório alertam também que será necessário “triplicar o ritmo de eletrificação” para alcançar a meta de acesso universal em 2030.</p>
<p class="text-paragraph">Face a estes números, estimam que, mantendo-se as tendências atuais, cerca de 1.800 milhões de pessoas continuarão dependentes de combustíveis poluentes, como carvão, lenha, querosene ou carvão vegetal, no final desta década.</p>
<p class="text-paragraph">Ainda assim, o relatório destaca avanços nas energias renováveis, que já representam mais de 30% da produção mundial de eletricidade, enquanto a capacidade renovável atingiu um recorde global de 544 watts por pessoa.</p>
<p class="text-paragraph">No entanto, destaca que existem grandes desigualdades: os países de baixos rendimentos dispõem de apenas 33,6 watts de energia renovável por habitante, contra os 1.224 watts das economias mais desenvolvidas.</p>
<p class="text-paragraph">O relatório alerta ainda que a melhoria da eficiência energética continua a ser “insuficiente” e que o avanço da intensidade energética caiu de 2,4% em 2022 para 1,5% em 2023, longe do nível necessário para cumprir os objetivos.</p>
<p class="text-paragraph">O financiamento constitui outro obstáculo importante, refere o relatório.</p>
<p class="text-paragraph">Os fluxos públicos internacionais destinados à energia limpa nos países em desenvolvimento cresceram apenas para 24.600 milhões de dólares, cerca de 21,7 mil milhões de euros, em 2024, enquanto a ajuda dirigida aos países menos desenvolvidos caiu 11%, para 3.700 milhões de dólares, cerca de 3,3 mil milhões de euros.</p>
<p class="text-paragraph">Os organismos apelaram a “uma maior liderança política, mais investimento e apoio específico às comunidades mais vulneráveis” para tornar a energia “acessível e sustentável”, o que é “fundamental para o desenvolvimento económico, a saúde pública e a segurança energética mundial”.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
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		<title>Coexistência entre eólicas offshore e biodiversidade marinha é possível com monitorização contínua e ação atempada</title>
		<link>https://greensavers.sapo.pt/coexistencia-entre-eolicas-offshore-e-biodiversidade-marinha-e-possivel-com-monitorizacao-continua-e-acao-atempada/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Filipe Pimentel Rações]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 25 Jun 2026 10:03:59 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Biodiversidade]]></category>
		<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[Green Savers]]></category>
		<category><![CDATA[Natureza]]></category>
		<category><![CDATA[Portugal]]></category>
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		<category><![CDATA[eólicas offshore]]></category>
		<category><![CDATA[nacional]]></category>
		<category><![CDATA[natureza]]></category>
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					<description><![CDATA[O avanço da produção de energia renovável para o mar levanta preocupações no que toca aos impactos sobre a vida marinha. Travar a crise climática não pode significar agravar a crise da perda de biodiversidade. O estudo de um parque eólico em Portugal ajuda a aprofundar o conhecimento sobre a relação entre a produção energética offshore e os animais que vivem abaixo e acima das ondas.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A cerca de 18 quilómetros ao largo da costa de Viana do Castelo, na imensidão do azul marinho erguem-se três turbinas eólicas, boiando na superfície da água em plataformas flutuantes ancoradas ao leito marinho, a profundidades de até 100 metros.</p>
<p>Trata-se do parque eólico offshore WindFloat Atlantic (WFA), gerido e operado pela empresa Ocean Winds, um consórcio formado pela portuguesa EDP Renováveis e pela energética francesa Engie. Com uma capacidade instalada de 25 megawatts (MW), o projeto, ainda em fase pré-comercial, ficou totalmente operacional em julho de 2020 e já produziu mais de 430 gigawatts-hora (GWh) de eletricidade renovável para a rede pública.</p>
<p>Precisamente por se encontrar ainda numa fase pré-comercial, o projeto representa uma oportunidade singular para avaliar os efeitos do parque eólico offshore na vida marinha com a qual partilha o mar. Para isso, foi feito um <a href="https://windfloat-atlantic.com/wp-content/uploads/2026/04/Estudo-biodiversidade-WFA-2026.pdf" target="_blank" rel="noopener">estudo sobre a biodiversidade</a> que ocorre no local do parque, antes, durante e após a sua instalação, com o grande objetivo de perceber como é que os animais marinhos reagiam à presença dessas estruturas humana, tão estranhas aos olhos dessas criaturas dos mundos de água salgada.</p>
<p>Coordenado pela consultora independente Blue Grid, em parceria com o centro de investigação MARE, a Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e o Politécnico de Leiria, o estudo, publicado em abril deste ano, decorreu entre junho de 2018 e abril de 2025, e registou a presença de várias espécies na área do parque eólico WFA: cinco de mamíferos marinhos, 33 de aves, três de morcegos e 52 de peixes.</p>
<p>À medida que a transição energética avança a todo o vapor, impulsionada, entre outras coisas, pela vontade de fechar a porta aos combustíveis fósseis e mitigar a crise climática e todas as suas repercussões ambientais, sociais, económicas e securitárias, são várias as vozes, de diversos quadrantes, que avisam que é indispensável aliar essa transformação à conservação e ao restauro da Natureza. Caso essa harmonia não seja tida em conta, porventura na pressa para mostrar ao mundo quedas “sem precedentes” nas emissões nacionais de gases com efeito de estufa, poderá estar a conseguir-se o alívio de uma crise com o agravamento de outra.</p>
<figure id="attachment_300336" aria-describedby="caption-attachment-300336" style="width: 600px" class="wp-caption aligncenter"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-300336 size-full" src="https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2026/06/PhotoTSimas-e1782292118974.jpeg" alt="" width="600" height="800" /><figcaption id="caption-attachment-300336" class="wp-caption-text">Teresa Simas, diretora-executiva e cofundadora da Blue Grid, consultora independente que coordenou o estudo científico de biodiversidade no parque WFA, em parceria com o centro de investigação MARE, a Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e o Politécnico de Leiria.</figcaption></figure>
<p>Com o espaço em terra a escassear para a instalação de centrais de grande escala para a produção de energia de fontes renováveis, e com o recrudescimento da contestação social e ambiental em alguns projetos, muitos olhos viram-se para o mar, onde se estende um mundo de oportunidades. Também aí há preocupações, nomeadamente sobre os impactos de parques de renováveis offshore na vida marinha.</p>
<p>No entanto, como nos diz Teresa Simas, diretora-executiva e cofundadora da Blue Grid, com monitorização contínua, mecanismos de gestão ambiental adaptativa, antecipação e minimização de impactos negativos e com capacidade de atuação atempada, é possível compatibilizar a expansão das renováveis offshore com a conservação e o restauro da biodiversidade marinha.</p>
<p><strong>Cetáceos e turbinas eólicas</strong></p>
<p>Hidrofones, radares, sensores ultrassónicos e investigadores em barcos foram alguns dos métodos usados pelas equipas de especialistas para compreender como é que a vida marinha reage à presença das turbinas eólicas do parque offshore WFA.</p>
<p>Uma das principais conclusões do estudo de monitorização biológica e ecológica é que as variações encontradas na composição das comunidades marinhas, em diversos níveis da cadeia alimentar, se devem sobretudo a fatores naturais associados às estações do ano. O relatório revela que não foram encontrados efeitos negativos sobre o plâncton, organismos microscópicos que são a base da cadeia trófica, que havia mais polvos e peixes dentro da área do projeto do que nas áreas adjacentes e que não parece haver diferenças entre essas zonas no número de avistamentos de mamíferos marinhos.</p>
<p>No entanto, há diferenças no que toca à distribuição das espécies. Os botos (<em>Phocoena phocoena</em>), cetáceos também conhecidos como toninhas e classificados como “Criticamente em perigo” no Livro Vermelho dos Mamíferos de Portugal Continental de 2023, eram mais frequentemente observadas nas áreas adjacentes ao projeto, ao contrário, por exemplo, do golfinho-comum (<em>Delphinus delphis</em>), espécie com estatuto de “Quase ameaçada”, cujas vocalizações foram registadas mais significativamente na área do parque do que fora dela.</p>
<figure id="attachment_300341" aria-describedby="caption-attachment-300341" style="width: 1280px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="wp-image-300341 size-full" src="https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2026/06/1280px-Leap_For_It_27359678360.jpg" alt="" width="1280" height="784" srcset="https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2026/06/1280px-Leap_For_It_27359678360.jpg 1280w, https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2026/06/1280px-Leap_For_It_27359678360-300x184.jpg 300w, https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2026/06/1280px-Leap_For_It_27359678360-1024x627.jpg 1024w, https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2026/06/1280px-Leap_For_It_27359678360-768x470.jpg 768w, https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2026/06/1280px-Leap_For_It_27359678360-600x368.jpg 600w" sizes="(max-width: 1280px) 100vw, 1280px" /><figcaption id="caption-attachment-300341" class="wp-caption-text">O golfinho-comum foi uma das espécies de mamíferos marinhos mais avistada na área do parque eólico offshore WFA. Foto.: incidencematrix / Wikimedia Commons (licença CC BY 2.0).</figcaption></figure>
<p>Teresa Simas explica-nos que a atividade dos botos diminuiu na área após a instalação do projeto, algo que também foi observado noutros parques eólicos offshore. O que poderá ter causado esse aparente afastamento dos botos para as áreas imediatamente envolventes? Embora não se saiba com absoluta certeza a razão, uma possível explicação, com base no conhecimento científico existente, é que os botos são especialmente sensíveis ao ruído produzido pelo funcionamento das turbinas eólicas, “o que pode causar perturbação comportamental e evitamento da área”, explica a especialista.</p>
<p>Há, contudo, uma outra possível explicação, que não exclui necessariamente a anterior. Alguns roazes-corvineiros (<em>Tursiops truncatus</em>) foram observadores na área do parque eólico, uma espécie de cetáceos que pode competir diretamente com os botos por alimento. Por isso, e por serem maiores e considerados mais impositivos do que os botos, esses últimos podem evitar a área do parque para evitarem também entrarem em confronto direto com os roazes.</p>
<p>O caso dos golfinhos-comuns é diferente. De acordo com o estudo, esses animais eram os cetáceos mais comuns na área do parque, representando 78% dos avistamentos de mamíferos marinhos. Esses golfinhos parecem ter uma maior tolerância face ao ruído e presença das turbinas eólicas, e a sua abundância no local pode também dever-se a uma grande concentração de presas, como peixes e polvos, maior do que na área envolvente devido à proibição da pesca na zona do parque.</p>
<p>Ainda que não haja casos documentados de competição direta entre botos e golfinhos-comuns em parques eólicos offshore, os autores deste estudo não rejeitam a hipótese de a maior presença de golfinhos-comuns no interior do parque WFA contribuir para o afastamento dos botos.</p>
<figure id="attachment_300352" aria-describedby="caption-attachment-300352" style="width: 780px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="wp-image-300352 " src="https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2026/06/rudi-de-meyer-6azyKcNnkjU-unsplash-1.jpg" alt="" width="780" height="439" srcset="https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2026/06/rudi-de-meyer-6azyKcNnkjU-unsplash-1.jpg 1920w, https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2026/06/rudi-de-meyer-6azyKcNnkjU-unsplash-1-300x169.jpg 300w, https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2026/06/rudi-de-meyer-6azyKcNnkjU-unsplash-1-1024x576.jpg 1024w, https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2026/06/rudi-de-meyer-6azyKcNnkjU-unsplash-1-768x432.jpg 768w, https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2026/06/rudi-de-meyer-6azyKcNnkjU-unsplash-1-1536x864.jpg 1536w, https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2026/06/rudi-de-meyer-6azyKcNnkjU-unsplash-1-600x338.jpg 600w" sizes="(max-width: 780px) 100vw, 780px" /><figcaption id="caption-attachment-300352" class="wp-caption-text">O estudo detetou também a presença de orcas na área do parque eólico WFA. Foto: Rudi De Meyer / Unsplash.</figcaption></figure>
<p>Sobre se o afastamento dos botos poder ser interpretado como uma real perda de habitat causada pelas turbinas offshore, Teresa Simas diz-nos que, com base nos dados recolhidos, não é possível confirmar nem negar que isso esteja a acontecer, “nem distinguir um efeito real de deslocamento de flutuações naturais na presença da espécie”. O que se pode dizer com certeza é que esse padrão é consistente com o que se observou noutros parques eólicos marinhos.</p>
<p>Além do boto, do roaz e do golfinho-comum, foram também observadas na área do parque WFA orcas (<em>Orcinus orca</em>) e baleias-anãs (<em>Balaenoptera acutorostrata</em>).</p>
<p><strong>Nos céus</strong></p>
<p>Uma das grandes preocupações relativamente aos impactos das eólicas, em terra e no mar, sobre a vida selvagem tem a ver com as colisões de animais voadores, como morcegos e aves, com as turbinas. O estudo feito aponta que os impactos do parque WFA são muito baixos no que toca a choques entre pás e animais alados.</p>
<p>No que toca aos morcegos, os dados mostram que a presença desses mamíferos na área do parque é muito reduzida, uma “atividade esporádica” que está associada ao período migratório, segundo nos explica Teresa Simas. Aliás, o relatório não aponta qualquer registo de colisão de morcegos com turbinas durante a monitorização desse grupo de animais, entre setembro de 2021 e dezembro do ano seguinte.</p>
<p>O morcego-arborícola-pequeno (<em>Nyctalus leisleri</em>), o morcego-rabudo (<em>Tadarida teniotis</em>) e o morcego-arborícola-gigante (<em>Nyctalus lasiopterus</em>) foram as únicas três espécies detetadas durante a monitorização desse grupo de animais, entre setembro de 2021 e dezembro do ano seguinte, na área do parque WFA, que os especialistas consideram não ser usada com regularidade pelos morcegos como local de nidificação ou de alimentação.</p>
<figure id="attachment_261726" aria-describedby="caption-attachment-261726" style="width: 780px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-261726 " src="https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2025/02/clement-falize-NljTy5Y15JM-unsplash-e1738674871931.jpg" alt="" width="780" height="520" /><figcaption id="caption-attachment-261726" class="wp-caption-text">Morcegos em voo. Foto: Clément Falize / Unsplash.</figcaption></figure>
<p>Por a sua presença estar associada somente a movimentos migratórios, os autores do relatório concluem que o risco de colisão dos morcegos com as turbinas eólicas deste pequeno parque offshore no norte do país é “negligenciável”. Contudo, reconhecem que o método usado para avaliar a presença de morcegos na área – a gravação dos ultrassons produzidos por esses mamíferos – não permite detetar colisões, pelo que, de facto, não se sabe de as houve ou não.</p>
<p>Ainda sobre os animais voadores, o estudo registou a presença de 33 espécies diferentes de aves na área de estudo: 17 antes da instalação do parque e 31 durante a fase operacional. As aves mais comuns eram o alcatraz (<em>Morus bassanus</em>), representando quase metade da densidade de aves marinhas na área do parque, a gaivota-de-patas-amarelas (<em>Larus michahellis</em>), a pardela-balear (<em>Puffinus mauretanicus</em>), a gaivota-d’asa-escura (<em>Larus fuscus</em>), o airo (<em>Uria aalge</em>) e a torda-mergulheira (<em>Alca torda</em>).</p>
<figure id="attachment_246528" aria-describedby="caption-attachment-246528" style="width: 900px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-246528 size-full" src="https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2024/01/Skua_20100427_160205_04_12560078934-e1706617496468.jpg" alt="" width="900" height="571" srcset="https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2024/01/Skua_20100427_160205_04_12560078934-e1706617496468.jpg 900w, https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2024/01/Skua_20100427_160205_04_12560078934-e1706617496468-600x381.jpg 600w" sizes="auto, (max-width: 900px) 100vw, 900px" /><figcaption id="caption-attachment-246528" class="wp-caption-text">Pardela-balear. Foto: Marcabrera / Wikimedia Commons (licença CC BY-SA 2.0)</figcaption></figure>
<p>O relatório diz que, de todas as espécies de aves registadas na área do parque, duas são de especial preocupação em termos de conservação por estarem classificadas como “Criticamente em perigo”: o airo e a pardela-balear. Mas essas não parecem ser as que enfrentam os maiores riscos de colisão com as turbinas eólicas.</p>
<p>Os especialistas apontam seis espécies que voam em “altitudes de risco”, à altura das pás rotativas, com as gaivotas de maiores dimensões, como a gaivota-de-patas-amarelas e a gaivota-d’asa-escura, como as mais afetadas pelo risco de colisão. O alcatraz segue em segundo lugar.</p>
<figure id="attachment_300342" aria-describedby="caption-attachment-300342" style="width: 780px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-300342 " src="https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2026/06/1280px-Common_murre_27971292831.jpg" alt="" width="780" height="520" srcset="https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2026/06/1280px-Common_murre_27971292831.jpg 1280w, https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2026/06/1280px-Common_murre_27971292831-300x200.jpg 300w, https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2026/06/1280px-Common_murre_27971292831-1024x682.jpg 1024w, https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2026/06/1280px-Common_murre_27971292831-768x512.jpg 768w, https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2026/06/1280px-Common_murre_27971292831-600x400.jpg 600w" sizes="auto, (max-width: 780px) 100vw, 780px" /><figcaption id="caption-attachment-300342" class="wp-caption-text">Airo. Foto: Melissa McMasters / Wikimedia Common (licença CC BY 2.0).</figcaption></figure>
<p>Ainda assim, Teresa Simas clarifica que, apesar de o risco de choque ser elevado, a literatura científica diz que essas aves tendem a evitar as turbinas, com taxas de evitamento que podem superar os 98%. “Na prática, isto significa que, mesmo quando uma proporção significativa de indivíduos voa a alturas de risco, o número de colisões efetivamente esperado tende a ser uma pequena fração desse total”, explica a especialista.</p>
<p>Durante o período de monitorização, não houve qualquer registo de colisão de aves com as turbinas, assegura, o que está em linha com o atual conhecimento científico e que se pode dever também ao facto de se tratar de um parque eólico offshore com apenas três turbinas.</p>
<p>No entanto, muitas destas aves marinhas atravessam todos os anos grandes porções dos oceanos, percorrendo quilómetros e quilómetros sobre as águas marinhas para alcançarem locais de alimentação e reprodução, para passarem os meses mais quentes ou mais frios do ano. Com a multiplicação dos parques eólicos offshore pelo mundo, uma expansão que se prevê que continue na senda da transição energética, é possível que os impactos as populações e espécies venham a acumular-se ao longo dos movimentos das aves, podendo pôr em risco o seu futuro.</p>
<figure id="attachment_300347" aria-describedby="caption-attachment-300347" style="width: 781px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-300347 " src="https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2026/06/1280px-Northern_Gannet_with_nest_material.jpg" alt="" width="781" height="519" srcset="https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2026/06/1280px-Northern_Gannet_with_nest_material.jpg 1280w, https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2026/06/1280px-Northern_Gannet_with_nest_material-300x199.jpg 300w, https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2026/06/1280px-Northern_Gannet_with_nest_material-1024x681.jpg 1024w, https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2026/06/1280px-Northern_Gannet_with_nest_material-768x511.jpg 768w, https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2026/06/1280px-Northern_Gannet_with_nest_material-600x399.jpg 600w" sizes="auto, (max-width: 781px) 100vw, 781px" /><figcaption id="caption-attachment-300347" class="wp-caption-text">O alcatraz, também conhecido como ganso-patola, era uma das aves mais abundantes no parque eólico offshore. Foto: Hobbyfotowiki / Wikimedia Commons (licença CC0 1.0).</figcaption></figure>
<p>Teresa Simas diz que não era objetivo deste estudo avaliar os impactos cumulativos, à escala regional ou global, dos parques eólicos offshore nas aves, mas diz que é “uma realidade que tem sido enfrentada noutras regiões”, como no Mar do Norte, “onde coexistem múltiplos parques eólicos”.</p>
<p>“A crescente pressão humana sobre os ecossistemas costeiros e marinhos, decorrente de atividades como a pesca, o transporte marítimo, a exploração de recursos, o turismo e, mais recentemente, a expansão das energias renováveis offshore, tem intensificado a preocupação com os impactos cumulativos sobre a biodiversidade marinha”, afirma a especialista da Blue Grid.</p>
<p><strong>A coexistência é possível?</strong></p>
<p>Essa preocupação levou à criação de instrumentos legais e de planeamento à escala europeia e nacional, como a Diretiva 2014/89/UE, que estabelece o quadro para o ordenamento do espaço marítimo europeu, para promover o desenvolvimento sustentável das atividades marinhas, conciliando usos como a produção de energia, a pesca, o transporte marítimo e a conservação da natureza.</p>
<p>A diretiva foi transposta para o enquadramento jurídico nacional, servindo de base para a definição de áreas para o desenvolvimento de parques de energia renovável offshore, integrados no Plano de Situação do Ordenamento do Espaço Marítimo Nacional (PSOEM).</p>
<p>“As zonas marítimas foram selecionadas com base em critérios técnicos de modo a maximizar o aproveitamento do recurso eólico, minimizando, ao mesmo tempo, impactos noutros setores e no meio ambiente, tendo sido excluídas, por exemplo, áreas marinhas protegidas e outras zonas de elevada sensibilidade ecológica”, sintetiza Teresa Simas.</p>
<figure id="attachment_300355" aria-describedby="caption-attachment-300355" style="width: 786px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-300355 " src="https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2026/06/WFA.jpg" alt="" width="786" height="363" srcset="https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2026/06/WFA.jpg 1600w, https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2026/06/WFA-300x139.jpg 300w, https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2026/06/WFA-1024x473.jpg 1024w, https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2026/06/WFA-768x355.jpg 768w, https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2026/06/WFA-1536x709.jpg 1536w, https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2026/06/WFA-600x277.jpg 600w" sizes="auto, (max-width: 786px) 100vw, 786px" /><figcaption id="caption-attachment-300355" class="wp-caption-text">Está previsto que o parque eólico WindFloat Atlantic esteja em operação até 2045. Foto: Teresa Simas.</figcaption></figure>
<p>Para a também investigadora em modelação ambiental e ecológica, com várias décadas de trabalho sobre os impactos da indústria energética na biodiversidade marinha, esse é um quadro legal que “em teoria, permite antecipar, minimizar e gerir os impactos cumulativos antes da instalação dos projetos, incluindo sobre as aves, desde que os critérios ambientais que o informam sejam suficientemente robustos e a sua aplicação seja acompanhada de medidas de mitigação adequadas, monitorização continuada e de mecanismos de gestão ambiental adaptativa”.</p>
<p>O estudo mostrou também que o parque eólico criou um refúgio para diversas espécies, o chamado “efeito de recife”, resultando no aumento da abundância de peixes e de polvos, por exemplo, e algumas de elevado interesse comercial.</p>
<p>“O fator determinante parece ser, sobretudo, a exclusão da pesca dentro da área do parque”, explica Teresa Simas, o que cria, por sua vez, um “efeito de spillover”, no qual as espécies abundantes dentro da área do parque, onde não se pode pescar, “transbordam” para as áreas envolventes, onde é permitida a pesca, beneficiam não só as pescarias, mas também a populações em terra.</p>
<p>A especialista deixa, contudo, um alerta: “o relatório alerta explicitamente que este aumento de diversidade e abundância não deve ser automaticamente interpretado como um benefício ambiental isolado, uma vez que estas estruturas artificiais podem também criar desequilíbrios ecológicos”.</p>
<p>Por exemplo, o relatório refere o risco de proliferação de espécies não-nativas que podem usar as estruturas artificiais para se dispersarem a larga escala. E Teresa Simas recorda que se prevê que as áreas dos parques offshore possam vir a ter usos múltiplos, incluindo navegação e pesca, pelo que esses benefícios em termos de refúgio e de “spillover” podem vir a ser alterados.</p>
<p>Para a especialista, “a harmonização entre renováveis offshore e biodiversidade marinha é tecnicamente possível”, ainda que, por as tecnologias serem ainda recentes, “seja necessário que uma abordagem científica multidisciplinar possa ser colocada no centro do processo de decisão antes, durante e após a instalação dos parques, de modo que os projetos individuais sejam pensados não como entidades isoladas, mas como peças de um sistema mais vasto de gestão da atividade humana no meio marinho”.</p>
<p>“Os resultados obtidos constituem uma base de conhecimento valiosa para o futuro, uma vez que a partir deles será possível refinar futuros planos de monitorização, propor novos procedimentos de aquisição e análise de dados ambientais e repensar medidas de mitigação coordenadas com a instalação de múltiplos parques numa mesma região”, sublinha.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Alternativas sustentáveis que são a escolha ecológica</title>
		<link>https://greensavers.sapo.pt/alternativas-sustentaveis-que-sao-a-escolha-ecologica/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Green Savers]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 24 Jun 2026 08:59:09 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Green Savers]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://greensavers.sapo.pt/?p=300457</guid>

					<description><![CDATA[Fazer a transição para um estilo de vida ecológico pode parecer uma tarefa enorme. Pensamos muitas vezes que salvar o planeta exige mudar absolutamente tudo o que fazemos, comprar equipamentos dispendiosos ou abdicar por completo das comodidades modernas.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Fazer a transição para um estilo de vida ecológico pode parecer uma tarefa enorme. Pensamos muitas vezes que salvar o planeta exige mudar absolutamente tudo o que fazemos, comprar equipamentos dispendiosos ou abdicar por completo das comodidades modernas. A boa notícia é que viver de forma sustentável em 2026 resume-se a substituições pequenas, fáceis e práticas. Ao mudar apenas alguns artigos do dia a dia em sua casa, pode reduzir drasticamente os resíduos de plástico, poupar energia preciosa e diminuir a sua pegada de carbono global, sem acrescentar stress extra à sua rotina diária.</p>
<p>A verdadeira sustentabilidade significa afastarmo-nos dos artigos de utilização única, que são deitados no lixo após uma só utilização, e optar antes por alternativas duradouras e de alta qualidade. No mercado atual, é possível encontrar uma versão mais inteligente e mais ecológica de quase tudo. Quando escolhe artigos reutilizáveis e bem fabricados em vez de descartáveis baratos, protege o ambiente e poupa bastante dinheiro ao longo do tempo.</p>
<h2>Substituições inteligentes na cozinha e à mesa</h2>
<p>A cozinha é normalmente a maior fonte de resíduos de plástico e de lixo em qualquer casa. Fazer algumas pequenas mudanças aqui pode criar um impacto positivo imediato.</p>
<ul>
<li><strong>Películas de cera de abelha: </strong>abandone a película aderente de plástico, fina e enrugada, que entope instantaneamente os aterros. As folhas reutilizáveis de cera de abelha usam o calor natural das suas mãos para selar tigelas, embrulhar restos de queijo ou empacotar sanduíches. Lavam-se facilmente com água fria e duram meses.</li>
<li><strong>Sacos de silicone Stasher: </strong>em vez de comprar caixas de sacos de plástico com fecho de utilização única para os lanches, mude para bolsas de silicone de qualidade alimentar e mais espessas. Marcas como a Stasher fabricam sacos resistentes que pode lavar na máquina de loiça, congelar e até usar para aquecer alimentos com segurança.</li>
<li><strong>Rolos de cozinha em fibra de bambu: </strong>os rolos de cozinha de papel comuns exigem o abate de milhões de árvores todos os anos. Os panos reutilizáveis de bambu têm o aspeto e o toque de folhas de papel, mas pode metê-los diretamente na máquina de lavar e reutilizar cada folha até oitenta vezes.</li>
<li><strong>Palhinhas de aço inoxidável: </strong>as palhinhas de plástico representam um grande perigo para a vida selvagem dos oceanos. Manter um pequeno conjunto de palhinhas de metal ou de vidro resistente na gaveta da cozinha elimina por completo a necessidade de descartáveis de plástico.</li>
</ul>
<h2>Melhorias conscientes na tecnologia e no estilo de vida</h2>
<p>A sustentabilidade não se resume aos balcões da cozinha e às casas de banho; aplica-se também aos dispositivos e aos hábitos de vida que escolhemos. Optar por tecnologia duradoura e eficiente reduz significativamente os seus resíduos pessoais.</p>
<ul>
<li><strong>Vaporizadores de ervas duradouros: </strong>os métodos convencionais de consumo implicam um uso significativo de papéis, que não podem ser reciclados, de filtros não recicláveis ou de canetas vaporizadoras baratas, que contêm perigosas baterias de lítio e acabam nos aterros. A transição para a utilização de equipamentos sofisticados de plataformas como a <a href="https://magicvaporizers.pt/" target="_blank" rel="noopener">MagicVaporizers</a> seria muito mais amiga do ambiente. Estes dispositivos são concebidos para funcionar durante muitos anos e aplicam métodos de aquecimento energeticamente eficientes.</li>
<li><strong>Pilhas recarregáveis Loop: </strong>em vez de comprar embalagens de pilhas alcalinas que libertam químicos para o solo, invista em pilhas recarregáveis por USB-C. Podem ser reutilizadas milhares de vezes, poupando-lhe dinheiro e mantendo os metais pesados longe dos aterros.</li>
<li><strong>Powerbanks com energia solar: </strong>mantenha os seus pequenos aparelhos eletrónicos a funcionar usando energia pura e renovável. Um carregador portátil com apoio solar pode ficar no parapeito da janela ou pendurado numa mochila, absorvendo a luz natural do sol para carregar o seu smartphone ou tablet.</li>
</ul>
<h2>Melhorias ecológicas na casa de banho e na higiene pessoal</h2>
<p>As casas de banho estão cheias de garrafas de plástico de utilização única, químicos sintéticos e artigos concebidos para serem deitados fora ao fim de apenas algumas semanas. Estas melhorias inteligentes mantêm-no limpo e o planeta verde.</p>
<ul>
<li><strong>Escovas de dentes de bambu: </strong>milhares de milhões de escovas de dentes de plástico são deitadas fora a nível mundial todos os anos, e demoram centenas de anos a decompor-se. As escovas de dentes de bambu têm cabos naturais e biodegradáveis que pode compostar com segurança na horta do seu quintal quando estiver pronto para uma nova.</li>
<li><strong>Barras de champô e amaciador: </strong>os produtos líquidos tradicionais para o cabelo são feitos sobretudo de água embalada em pesados frascos de plástico. As barras de champô sólido são altamente concentradas, usam embalagens de cartão totalmente isentas de plástico e duram bastante mais do que os frascos normais.</li>
<li><strong>Lâminas de barbear de metal: </strong>as lâminas descartáveis de plástico barato são impossíveis de reciclar como deve ser. Uma lâmina de barbear de segurança em aço inoxidável e de elevada resistência permite-lhe substituir apenas a pequena lâmina de metal em si, poupando dinheiro à sua carteira e mantendo toneladas de plástico afiado longe dos aterros.</li>
<li><strong>Pastilhas de pasta de dentes: </strong>em vez de espremer pasta de bisnagas de plástico laminado não reciclável, as pastilhas mastigáveis de pasta de dentes vêm em simples frascos de vidro reutilizáveis. Basta colocar uma na boca, trincá-la e escovar normalmente com uma escova de dentes molhada.</li>
</ul>
<h2>Alternativas para a limpeza e a lavandaria</h2>
<p>Manter a sua casa impecável não deve significar despejar químicos agressivos nos nossos sistemas de água nem comprar infindáveis garrafas de plástico.</p>
<ul>
<li><strong>Ovo de lavandaria Ecoegg: </strong>este engenhoso dispositivo substitui por completo o detergente tradicional para a roupa. É um ovo de plástico reutilizável cheio de grânulos minerais naturais que lavam a roupa com suavidade sem usar quaisquer químicos agressivos, durando centenas de lavagens antes de precisar de uma rápida recarga.</li>
<li><strong>Sprays de limpeza recarregáveis: </strong>empresas como a Bower Collective enviam-lhe garrafas de spray de vidro resistente, juntamente com líquidos de limpeza concentrados em saquetas leves. Em casa, mistura o concentrado com água da torneira normal, o que reduz consideravelmente o peso de transporte e as embalagens de plástico.</li>
<li><strong>Bolas de lã para a secadora: </strong>colocar algumas bolas de lã natural na sua secadora separa as roupas de forma natural. Este simples truque melhora a circulação do ar dentro da máquina, reduzindo o tempo total de secagem em até trinta por cento e eliminando a necessidade de folhas amaciadoras sintéticas.</li>
</ul>
<p>Viver uma vida sustentável não consiste em ser absolutamente perfeito todos os dias. Trata-se simplesmente de olhar para os artigos que usa com mais frequência e perguntar se existe uma opção mais inteligente, mais resistente e mais limpa disponível. Ao encher a sua casa com películas de cera de abelha reutilizáveis, escovas de dentes de bambu e dispositivos eficientes e duradouros, protege ativamente os nossos belos recursos naturais. Comece com apenas duas ou três pequenas substituições esta semana, e verá rapidamente como é fácil fazer uma diferença real e duradoura pelo nosso planeta.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Pedalar Sem Idade Portugal conduz “Conversas Sem Idade” para partilhar conhecimento e experiências</title>
		<link>https://greensavers.sapo.pt/pedalar-sem-idade-portugal-conduz-conversas-sem-idade-para-partilhar-conhecimento-e-experiencias/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 22 Jun 2026 16:01:40 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Green Savers]]></category>
		<category><![CDATA[nacional]]></category>
		<category><![CDATA[Pedalar Sem Idade]]></category>
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					<description><![CDATA[A próxima sessão decorre amanhã, 23 de junho, e conta com a participação de Ole Kassow, fundador do movimento internacional “Cycling Without Age”.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A <a href="https://pedalarsemidadeportugal.pt/" data-auth="NotApplicable" target="_blank" rel="noopener">Pedalar sem Idade Portugal,</a> movimento sem fins lucrativos que promove passeios ao ar livre para seniores e pessoas com mobilidade reduzida, está a organizar mais uma sessão de &#8220;Conversas Sem Idade&#8221;, uma iniciativa dedicada à partilha de conhecimento, experiências e boas práticas relacionadas com envelhecimento, mobilidade inclusiva, voluntariado e bem-estar, foi divulgado em comunicado.</p>
<p>Segundo a mesma fonte, com o tema “Movimento Cycling Without Age”, a próxima conversa &#8211; que será realizada <a href="https://www.eventbrite.pt/e/bilhetes-conversas-sem-idade-cycling-without-age-1991361837863?aff=oddtdtcreator" data-auth="NotApplicable" target="_blank" rel="noopener">online</a> no dia 23 de junho, às 16h00 &#8211; permitirá conhecer a história, a visão e o impacto de uma iniciativa que nasceu da vontade de combater a solidão e o isolamento social não desejados através de passeios de “trishaw”, as bicicletas adaptadas com um sofá confortável. A sessão é gratuita e será conduzida pelo fundador deste movimento dinamarquês que inspira milhares de voluntários em todo o mundo, Ole Kassow.</p>
<p>“Criámos esta iniciativa em 2023 com o objetivo de apoiar e capacitar os nossos voluntários, proporcionando momentos de partilha e de aprendizagem contínua”, afirma Amos Panesse, Gestor de Projeto Local da Pedalar Sem Idade Portugal. “Contudo, percebemos que as sessões de ‘Conversas Sem Idade’ são igualmente interessantes para a comunidade em geral, pelo que decidimos, no início deste ano, torná-las acessíveis a todos os que quiserem assistir e participar num diálogo sobre os desafios do envelhecimento na sociedade atual.”</p>
<p>As conversas têm sido centradas em temas como envelhecimento ativo, combate ao isolamento social não desejado, mobilidade inclusiva, saúde mental e voluntariado. Através desta iniciativa, a Pedalar Sem Idade Portugal pretende reforçar o sentimento de pertença dos voluntários, sensibilizar a comunidade para os desafios sociais, promover relações intergeracionais e dar visibilidade a práticas que contribuam para uma melhor qualidade de vida.</p>
<p>A inscrição é gratuita e obrigatória, podendo ser efetuada <a href="https://www.eventbrite.pt/e/bilhetes-conversas-sem-idade-cycling-without-age-1991361837863?aff=oddtdtcreator" data-auth="NotApplicable" target="_blank" rel="noopener">aqui.</a></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Quanto tempo demora a carregar um carro elétrico e do que depende realmente?</title>
		<link>https://greensavers.sapo.pt/quanto-tempo-demora-a-carregar-um-carro-eletrico-e-do-que-depende-realmente/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Green Savers]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 22 Jun 2026 14:54:31 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Green Savers]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://greensavers.sapo.pt/?p=300161</guid>

					<description><![CDATA[Antecipar quanto tempo demora a carregar um carro elétrico torna-se muito mais fácil quando se conhecem os fatores que influenciam cada sessão de carregamento.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Antecipar quanto tempo demora a carregar um carro elétrico torna-se muito mais fácil quando se conhecem os fatores que influenciam cada sessão de carregamento. A duração pode variar em função do carro, da potência do ponto de carregamento, do nível da bateria com que se começa e da autonomia que pretende recuperar durante a paragem. Portanto, mais que focar-se num valor fixo, é útil compreender os elementos que determinam o ritmo de carregamento e como os mesmos se traduzem na experiência do dia a dia.</p>
<h2><a name="_Toc232381921"></a>Cada carro tem o seu próprio ritmo de carregamento</h2>
<p>Uma das primeiras ideias que deve ficar clara é que cada carro elétrico carrega de forma diferente. O modelo e as características da bateria determinam uma potência máxima de carregamento, que por sua vez define até que ponto a capacidade do ponto de carregamento pode ser utilizada.</p>
<p>Além disso, existe o próprio carregador; a potência disponível influencia diretamente a sessão de carregamento, bem como o nível inicial da bateria. Considerar todos estes fatores torna mais fácil compreender porque é que a mesma paragem pode oferecer resultados diferentes com outro veículo ou num outro momento.</p>
<p>Por esta razão, a resposta à questão de quanto tempo demora a <a href="https://iberdrola-bppulse.es/pt/mapa" target="_blank" rel="noopener">carregar um carro elétrico</a>, para ter valor, deve apoiar-se numa perspetiva total. O carro, o ponto de carregamento e o estado da bateria fazem parte de um todo.</p>
<h2><a name="_Toc232381922"></a>O tipo de carregamento transforma a experiência</h2>
<p>O tempo de carregamento está também intimamente ligado ao tipo de recarga que usa. A recarga lenta, com corrente alternada (como a que usamos em casa ou no trabalho), é ideal para quando o carro vai ficar parado durante várias horas. Este é o tipo de carregamento que se faz durante um dia de trabalho, em casa ou durante uma paragem longa num parque de estacionamento.</p>
<p>Por outro lado, a recarga rápida ou ultrarrápida, com corrente contínua, foi concebida para recuperar autonomia em apenas alguns minutos. Esta é a que encontrará principalmente em estações de carregamento à beira da estrada para viagens longas, onde a rapidez é fundamental para seguir caminho, e também pode ser integrada nas suas rotinas diárias, como enquanto faz compras num centro comercial ou supermercado, junto do ginásio ou em parques de estacionamento da sua cidade.</p>
<p>Compreender esta diferença é muito útil, pois permite perceber que cada tipo de carregamento serve uma necessidade específica e interpretar o tempo de carregamento em termos práticos, associados à utilização real do automóvel.</p>
<h2><a name="_Toc232381923"></a>Numa paragem rápida, o mais importante é a autonomia que recupera</h2>
<p>Quando usamos um carregador rápido, o foco tende a estar nos minutos passados a carregar o carro. Na verdade, existe uma regra muito simples: com um carregador de 150 kW, obtém cerca de 150 km de autonomia em apenas 10 minutos, e se utilizar um de 300 kW, poderá recuperar até 300 km no mesmo tempo.</p>
<p>Enquanto aproveita para tomar um café ou esticar as pernas durante uma viagem, o seu carro recupera a energia necessária para chegar ao destino. Na cidade, é possível recarregar o suficiente para as suas deslocações de toda a semana em apenas alguns minutos. A chave não é o tempo que passa conectado, mas sim o impulso que recebe: a tranquilidade de saber que uma simples paragem breve e natural representa um ganho de autonomia suficiente para continuar a desfrutar da viagem.</p>
<h2><a name="_Toc232381924"></a>A bateria e a potência disponível ditam o ritmo da sessão</h2>
<p>Uma questão fundamental é compreender que a potência de carregamento não é linear, mas segue uma curva otimizada pelo próprio veículo. Quando o estado de carga (SoC) é baixo, a bateria oferece uma resistência interna mais baixa, permitindo aproveitar a potência máxima da estação. À medida que a percentagem aumenta, o sistema do automóvel reduz gradualmente a entrada de energia para proteger a composição química das células e garantir a sua vida útil.</p>
<p>Neste processo, o sistema de gestão da bateria (BMS) desempenha um papel crucial, regulando a potência em função da temperatura. Se a bateria não se encontrar dentro da janela térmica ideal, o veículo ajustará a potência de carregamento por forma a manter a segurança e a eficiência. Além disso, em estações com infraestruturas partilhadas, a gestão inteligente pode equilibrar a potência entre os veículos conectados.</p>
<p>Por tudo isto, a recarga não deve ser vista como uma variável fixa, mas como um processo dinâmico e adaptativo que procura sempre o equilíbrio entre a rapidez e a proteção da bateria.</p>
<h2><a name="_Toc232381925"></a>Então, de que depende realmente o tempo de carregamento?</h2>
<p>O tempo de carregamento depende de vários fatores que atuam em simultâneo: o tipo de recarga, a potência que o carregador pode fornecer, a potência que o automóvel pode utilizar, o nível inicial da bateria e a temperatura da bateria durante a sessão.</p>
<p>Vê-lo desta forma torna o processo de carregamento muito mais transparente. Deixa de ser um número isolado para se tornar uma experiência que pode variar ligeiramente consoante o contexto, mas que dominará após os primeiros carregamentos. E tudo isto permitir-lhe-á interpretar cada paragem com mais clareza, ajustar melhor as expectativas e aproveitar melhor cada carregamento.</p>
<h2><a name="_Toc232381926"></a>Compreender o carregamento ajuda a viajar com mais tranquilidade</h2>
<p>Ter estas variáveis claras na mente torna tudo mais simples. Faz com que fique mais fácil planear uma paragem, estimar quanta autonomia poderá recuperar e perceber qual o tipo de ponto mais conveniente num dado momento.</p>
<p>A questão real não é meramente quanto tempo demora a carregar um carro elétrico, pois qualquer resposta deve abranger o que de facto acontece durante este processo e como se enquadra na sua viagem ou no seu uso diário do automóvel. É nesta perspetiva que a informação acrescenta valor, porque lhe permite interpretar mais facilmente cada sessão de carregamento.</p>
<p>Fonte: <a href="https://iberdrola-bppulse.es/pt/" target="_blank" rel="noopener">Iberdrola | bp pulse</a></p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Arroz, milho e mandioca responsáveis por 11% da desflorestação global, revela estudo</title>
		<link>https://greensavers.sapo.pt/arroz-milho-e-mandioca-responsaveis-por-11-da-desflorestacao-global-revela-estudo/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 20 Jun 2026 10:55:18 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Green Savers]]></category>
		<category><![CDATA[desflorestação]]></category>
		<category><![CDATA[estudo]]></category>
		<category><![CDATA[internacional]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://greensavers.sapo.pt/?p=292619</guid>

					<description><![CDATA[A investigação analisou a desflorestação associada à agricultura ao longo de duas décadas e conclui que estas culturas alimentares, muitas vezes ausentes do centro do debate ambiental, devem ser consideradas nas estratégias globais de combate à perda de florestas.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p data-start="90" data-end="413">O arroz, o milho e a mandioca — três dos principais alimentos básicos consumidos no mundo — foram responsáveis por cerca de 11% da desflorestação global entre 2001 e 2022, superando culturas como o cacau, o café e a borracha. A conclusão é de um <a href="https://www.nature.com/articles/s43016-026-01305-4" target="_blank" rel="noopener">estudo</a> publicado na revista científica <span class="hover:entity-accent entity-underline inline cursor-pointer align-baseline"><span class="whitespace-normal">Nature Food</span></span>.</p>
<p data-start="415" data-end="679">A investigação analisou a desflorestação associada à agricultura ao longo de duas décadas e conclui que estas culturas alimentares, muitas vezes ausentes do centro do debate ambiental, devem ser consideradas nas estratégias globais de combate à perda de florestas.</p>
<p data-start="415" data-end="679"><strong>121 milhões de hectares perdidos em duas décadas</strong></p>
<p data-start="735" data-end="965">A agricultura é amplamente reconhecida como um dos principais motores da desflorestação. No entanto, os esforços internacionais têm-se concentrado sobretudo na produção de carne bovina, óleo de palma, soja, borracha, cacau e café.</p>
<p data-start="967" data-end="1401">Para ultrapassar limitações anteriores — como dados geograficamente restritos ou incapazes de captar dinâmicas complexas de uso do solo — os investigadores Chandrakant Singh e Martin Persson desenvolveram o modelo DeDuCE (Deforestation Driver and Carbon Emissions). O sistema combina dados de satélite sobre perda de cobertura florestal com informação agrícola espacial e estatística relativa a 184 produtos alimentares em 179 países.</p>
<p data-start="1403" data-end="1671">Segundo os resultados, entre 2001 e 2022 foram perdidos 121 milhões de hectares de floresta devido à expansão de áreas agrícolas, pastagens e plantações florestais. Esta transformação do uso do solo gerou emissões estimadas em 41,2 gigatoneladas de dióxido de carbono.</p>
<p data-start="1673" data-end="1784">A expansão de pastagens foi responsável por 42% da desflorestação e por 52% das emissões de carbono associadas.</p>
<p data-start="1673" data-end="1784"><strong>Impacto distribuído à escala global</strong></p>
<p data-start="1827" data-end="2118">Ao contrário de outras culturas cuja produção — e consequente desflorestação — se concentra em regiões específicas, como o óleo de palma no Sudeste Asiático ou a soja na América do Sul, o impacto das culturas alimentares básicas está distribuído de forma relativamente uniforme pelo planeta.</p>
<p data-start="2120" data-end="2368">Esta dispersão geográfica dificulta a identificação de “pontos críticos” e sugere que políticas de combate à desflorestação devem integrar também os sistemas alimentares de base, frequentemente associados à segurança alimentar e ao consumo interno.</p>
<p data-start="2370" data-end="2723">Os autores defendem que os resultados podem contribuir para melhorar os inventários nacionais de emissões de gases com efeito de estufa e apoiar o desenvolvimento de enquadramentos regulatórios mais eficazes. O estudo sublinha ainda as diferenças na qualidade dos dados estatísticos e espaciais disponíveis consoante as regiões e os produtos analisados.</p>
<p data-start="2725" data-end="2945" data-is-last-node="" data-is-only-node="">A investigação reforça a necessidade de uma abordagem mais abrangente às cadeias de abastecimento agrícolas, numa altura em que governos e empresas procuram cumprir metas climáticas e compromissos de desflorestação zero.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Transição energética e continuidade: o papel dos UPS e da eletrónica de potência num consumo mais inteligente</title>
		<link>https://greensavers.sapo.pt/transicao-energetica-e-continuidade-o-papel-dos-ups-e-da-eletronica-de-potencia-num-consumo-mais-inteligente/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Green Savers]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 18 Jun 2026 15:58:43 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Green Savers]]></category>
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					<description><![CDATA[A eficiência energética é igualmente fulcral para a mobilidade elétrica e para o abandono dos combustíveis fósseis.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A qualidade e continuidade da alimentação energética de casas e empresas nunca foi tão importante, especialmente face à crescente popularidade do teletrabalho, dos painéis solares, ou dos sistemas de automação residencial (domótica).</p>
<p>A eficiência energética é igualmente fulcral para a mobilidade elétrica e para o abandono dos combustíveis fósseis. Contudo, o que podemos fazer para, num momento de <a href="https://eco.sapo.pt/2026/06/03/transicao-energetica-de-portugal-exige-simplificacao/" target="_blank" rel="noopener">transição energética</a>, otimizar o consumo energético das nossas casas e empresas?</p>
<p>O problema das perturbações na rede é um dos que mais afeta a continuidade e qualidade da energia, e abordá-lo deve ser uma prioridade. Os Sistemas de Alimentação Ininterrupta, ou <i>Uninterruptible Power Supply</i> (UPS) são um serviço que resolve a questão, contribuindo para uma eletrificação mais resiliente e eficiente.</p>
<h2>O impacto das perturbações na rede</h2>
<p>Uma rede elétrica é perturbada sempre que ocorrem cortes de energia ou picos de tensão. As consequências podem ser mínimas (internet mais lenta, por exemplo) ou relativamente graves, incluindo danos físicos irreparáveis em dispositivos.</p>
<p>Em contextos mais sérios, como o teletrabalho, as perturbações na rede podem causar vários problemas: erros durante reuniões importantes, falhas em serviços online, ou até mesmo perda de documentos.</p>
<h2>O papel dos UPS</h2>
<p>Recorrer a um serviço de UPS é a solução mais eficiente para evitar perturbações da rede e consumir energia de forma mais inteligente em casas e empresas. Muito resumidamente, os UPS corrigem cortes de energia e picos de tensão ao estabilizar a corrente: nem energia <i>a menos</i>, nem energia <i>a mais</i>.</p>
<p>Os serviços de <a href="https://www.salicru.com/pt-pt/ups-2.html" target="_blank" rel="noopener">proteção elétrica</a> recorrem a baterias conectadas a dispositivos eletrónicos para fornecer energia em caso de corte, garantindo a qualidade e continuidade da alimentação a qualquer momento. Mas o papel dos UPS vai além da mera estabilização da eletricidade.</p>
<p>O fabricante europeu Salicru é especializado em eletrónica de potência e inversores solares desde 1965, e tem um dos melhores exemplos de um serviço de UPS moderno, com aplicações para dispositivos específicos, conversão instantânea de frequências, e um Eco-mode que permite um aumento de eficiência até 99%.</p>
<h3>Principais benefícios dos UPS:</h3>
<ul>
<li aria-level="1">Permite a utilização contínua de energia, mesmo durante cortes</li>
<li aria-level="1">Protege dispositivos elétricos durante picos de tensão</li>
<li aria-level="1">Aumenta a vida útil de dispositivos eletrónicos</li>
<li aria-level="1">Permite uma poupança energética sustentável</li>
<li aria-level="1">Previne erros e inconsistências que podem prejudicar operações mais sérias (empresas, teletrabalho, etc.)</li>
</ul>
<h3>Como escolher a voltagem certa:</h3>
<ul>
<li aria-level="1"><b>500-1000 VA &#8211;</b> Para necessidades básicas e dispositivos como portáteis e consolas;</li>
<li aria-level="1"><b>1000-2000 VA &#8211;</b> Para aparelhos avançados, como servidores ou PCs de elevada potência;</li>
<li aria-level="1"><b>Acima de 2000 VA &#8211;</b> Para equipamentos, operações, e sistemas mais sérios, fundamentalmente em contextos empresariais.</li>
</ul>
<h2>Os UPS e o autoconsumo solar</h2>
<p>No contexto do autoconsumo solar, os serviços de UPS fazem parte de um ecossistema de gestão inteligente da energia. São um complemento importante aos inversores solares, os aparelhos responsáveis por converter a energia captada pelo painel em eletricidade utilizável para residências e empresas.</p>
<p>A incorporação conjunta de UPS e inversores solares permite não só a utilização contínua da energia, como a sua gestão responsável. A adoção crescente de sistemas eletrónicos permite um controlo e entendimento avançados sobre como o autoconsumo solar é gerido, garantindo máxima eficiência energética.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>DGAV e EFSA alertam para riscos associados ao transporte de plantas durante viagens de verão</title>
		<link>https://greensavers.sapo.pt/dgav-e-efsa-alertam-para-riscos-associados-ao-transporte-de-plantas-durante-viagens-de-verao/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 08 Jun 2026 14:01:50 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Green Savers]]></category>
		<category><![CDATA[DGAV]]></category>
		<category><![CDATA[EFSA]]></category>
		<category><![CDATA[nacional]]></category>
		<category><![CDATA[plantas]]></category>
		<category><![CDATA[riscos]]></category>
		<category><![CDATA[transporte]]></category>
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					<description><![CDATA[Ao assinalar o Dia Mundial da Segurança Alimentar, a Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV), em colaboração com a Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA), reforça a importância de uma abordagem transversal à segurança alimentar, destacando a saúde das plantas enquanto elemento essencial para proteger a agricultura, a biodiversidade e os ecossistemas.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Com a aproximação do verão e o aumento das viagens internacionais, aumentam também os riscos associados ao transporte de plantas, sementes e outros produtos vegetais entre países, facilitando a disseminação de pragas e doenças com impacto na agricultura, na biodiversidade e na segurança alimentar. Muito antes de chegarem à mesa, os alimentos dependem da saúde das plantas. É esse ponto de partida que sustenta a produção agrícola, garante a disponibilidade de alimentos e assegura o equilíbrio dos ecossistemas. Sem plantas saudáveis, fica comprometida a existência de sistemas alimentares seguros e sustentáveis.</p>
<p>Atualmente, até 40% das culturas agrícolas são perdidas anualmente devido a estas ameaças, comprometendo a produção alimentar, a economia agrícola e a estabilidade dos ecossistemas. Fatores como a intensificação do comércio internacional, as alterações climáticas e o aumento da mobilidade global têm vindo a acelerar a propagação destes organismos e o risco da sua entrada em novos territórios.</p>
<p>Ao assinalar o Dia Mundial da Segurança Alimentar, no dia 7 de junho, a Direção-Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV), em colaboração com a Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA), reforça, em comunicado, a importância de uma abordagem transversal à segurança alimentar, destacando a saúde das plantas enquanto elemento essencial para proteger a agricultura, a biodiversidade e os ecossistemas.</p>
<p>Segundo a mesma fonte, a saúde vegetal é um dos pilares da segurança alimentar, estando diretamente relacionada com a qualidade e disponibilidade dos alimentos, a sustentabilidade da produção agrícola e a preservação ambiental. Neste contexto, a prevenção e a sensibilização para os riscos associados à propagação de pragas e doenças das plantas assumem uma importância crescente.</p>
<p>Muitas vezes sem consciência do seu impacto, pequenos gestos aparentemente inofensivos, como trazer plantas ou outros elementos naturais na bagagem, podem introduzir organismos prejudiciais com impacto na agricultura e no ambiente.</p>
<p>Para minimizar estes riscos, é fundamental adotar práticas, como não transportar plantas, sementes ou produtos vegetais entre países sem certificação adequada; comprar plantas apenas a fornecedores autorizados; e estar atento a sinais de pragas ou doenças em jardins, hortas ou espaços agrícolas<em>.</em></p>
<p>“Muitas vezes não temos consciência de que um gesto simples durante uma viagem pode facilitar a introdução de pragas com impacto na agricultura, na biodiversidade e na disponibilidade de alimentos. A prevenção começa através de escolhas informadas e de comportamentos responsáveis, que ajudam a proteger os ecossistemas e a sustentabilidade da produção agrícola” afirma Ana Paula Cruz Garcia, Subdiretora Geral da DGAV.</p>
<p>A sensibilização para estes riscos integra também a campanha europeia #PlantHealth4Life, promovida pela EFSA e pela Comissão Europeia, que procura aproximar o tema da saúde das plantas do quotidiano dos cidadãos e incentivar comportamentos mais conscientes e responsáveis.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Dia Mundial do Ambiente: “Tenho confiança que vamos ultrapassar o desafio das alterações climáticas antropogénicas”</title>
		<link>https://greensavers.sapo.pt/entrevista-filipe-duarte-santos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ana Filipa Rego]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 05 Jun 2026 09:01:28 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Green Savers]]></category>
		<category><![CDATA[dia mundial do ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[nacional]]></category>
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					<description><![CDATA[A propósito do Dia Mundial do Ambiente, falámos com Filipe Duarte Santos. Apesar do agravamento dos impactos climáticos, o presidente do Conselho Nacional do Ambiente e do Desenvolvimento Sustentável (CNADS) acredita que ainda existe margem para cumprir os objetivos do Acordo de Paris.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div class="qMYqUG_convSearchResultHighlightRoot">
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<p data-start="674" data-end="1251">Numa altura em que o Dia Mundial do Ambiente volta a colocar a sustentabilidade no centro do debate público, Filipe Duarte Santos, geofísico, professor universitário e presidente do Conselho Nacional do Ambiente e do Desenvolvimento Sustentável (CNADS), considera que a principal mudança dos últimos anos foi a crescente perceção de que as alterações climáticas deixaram de ser uma ameaça distante para se tornarem uma realidade presente. Os fenómenos extremos, os impactos económicos e a consolidação do conhecimento científico contribuíram para uma consciencialização mais ampla de um problema que hoje atravessa áreas tão diversas como a energia, a saúde, a segurança e a competitividade económica.</p>
<p data-start="1253" data-end="1824" data-is-last-node="" data-is-only-node="">Ao longo desta entrevista à Green Savers, o  especialista em alterações climáticas analisa os desafios da transição energética, o papel das empresas, dos consumidores e da regulação, e alerta para o elevado custo da inação climática. Embora reconheça as dificuldades associadas à descarbonização da economia global e à crescente fragmentação geopolítica, mantém uma perspetiva de confiança assente na capacidade histórica de adaptação da humanidade e na evolução das soluções tecnológicas disponíveis para enfrentar a crise climática.</p>
<p data-start="1253" data-end="1824" data-is-last-node="" data-is-only-node=""><strong>O Dia Mundial do Ambiente volta a colocar a sustentabilidade na agenda pública. Na sua perspetiva, o que é que mudou de forma mais significativa na forma como a sociedade encara a crise climática nos últimos anos?</strong></p>
<p data-start="1253" data-end="1824" data-is-last-node="" data-is-only-node="">O que mudou mais significativamente foi a passagem de uma perceção das alterações climáticas como um problema distante e abstrato para a consciência crescente de que se trata de uma realidade já presente no quotidiano das sociedades. Os fenómenos extremos tornaram-se mais intensos e alguns mais frequentes, os impactos económicos são cada vez mais visíveis e o conhecimento científico consolidou-se de forma inequívoca. Ao mesmo tempo, a questão climática deixou de ser apenas ambiental para passar a envolver questões de segurança, saúde pública, energia, competitividade económica e justiça intrageracional e intergeracional.</p>
<p data-start="1253" data-end="1824" data-is-last-node="" data-is-only-node=""><strong>Ainda estamos a tempo de limitar o aquecimento global a níveis considerados seguros, ou essa janela de oportunidade está já perigosamente reduzida?</strong></p>
<p data-start="1253" data-end="1824" data-is-last-node="" data-is-only-node="">A janela de oportunidade continua aberta, mas está claramente a estreitar-se de forma acelerada. Cada ano de atraso torna mais difícil atingir os objetivos do Acordo de Paris de manter a temperatura média da atmosfera à superfície abaixo de 2 °C, relativamente ao período pré-industrial. Limitar o aquecimento global exige reduções muito rápidas das emissões globais de gases com efeito de estufa nesta década e nas próximas e uma transformação profunda dos sistemas energéticos, industriais e urbanos para realizar a transição dos combustíveis fósseis para fontes primárias de energia descarbonizadas. Não estamos perante um problema sem solução tecnológica, mas perante um enorme desafio político, económico e social.</p>
<p data-start="1253" data-end="1824" data-is-last-node="" data-is-only-node=""><strong>Em várias ocasiões tem sublinhado que a transição energética exige cooperação global. Hoje, num contexto geopolítico mais fragmentado, essa cooperação está mais difícil do que nunca?</strong></p>
<p data-start="1253" data-end="1824" data-is-last-node="" data-is-only-node="">Sim, a fragmentação e conflitualidade geopolítica atual dificulta muito a cooperação internacional precisamente num momento em que ela é muito necessária. A competição geoestratégica entre grandes potências, as guerras, as tensões comerciais e a crescente securitização da energia criam obstáculos adicionais à transição energética. Contudo, os impactos gravosos das alterações climáticas continuam a ser um problema global que nenhum país pode resolver isoladamente. A descarbonização da economia mundial exige cooperação tecnológica, financeira e institucional à escala planetária. Presentemente os EUA já estão a investir mais em combustíveis fósseis do que a China, porque esta tem uma oferta abundante de eletricidade devido à aposta que faz no uso das energias renováveis.</p>
<p data-start="1253" data-end="1824" data-is-last-node="" data-is-only-node=""><strong>Portugal tem sido apontado como um dos países europeus com melhores resultados na integração de renováveis. Esse desempenho é estrutural ou ainda frágil face aos desafios futuros?</strong></p>
<p data-start="1253" data-end="1824" data-is-last-node="" data-is-only-node="">Portugal teve progressos muito importantes, sobretudo na eletricidade renovável, beneficiando de condições naturais favoráveis e de políticas consistentes ao longo de vários anos. Nos anos de 2023, 2024 e 2025 a incorporação de energias renováveis no consumo total de eletricidade foi de 61%, 71% e 68%, respetivamente. No conjunto dos 27 países da UE os valores correspondentes foram bastante mais baixos: 44%, 47% e 49%. No entanto, persistem fragilidades estruturais. Portugal está atrasado no desenvolvimento e instalação de sistemas autónomos de armazenamento em baterias (stand-alone) à escala da rede elétrica, fundamentais para reforçar a estabilidade e a segurança do sistema elétrico muito dependente de renováveis. A segurança face à intermitência das renováveis tem sido quase exclusivamente assegurada pelo bombeamento hídrico. Para além da eletrificação da economia, Portugal deveria desenvolver mais a utilização dos combustíveis de baixo carbono, em particular o biometano para ajudar à transição energética. A dependência energética externa continua elevada e o setor dos transportes tem tido grande dificuldade em se descarbonizar. O sucesso alcançado é real, mas a transição ainda está longe de concluída.</p>
<p data-start="1253" data-end="1824" data-is-last-node="" data-is-only-node=""><strong>Quando falamos de neutralidade carbónica até 2050, estamos a falar de um objetivo realista ou mais de um horizonte político desejável?</strong></p>
<p data-start="1253" data-end="1824" data-is-last-node="" data-is-only-node="">É um objetivo necessário, mas extremamente exigente. Do ponto de vista tecnológico, muitos dos instrumentos fundamentais já existem ou estão em rápido desenvolvimento. O principal problema não é apenas tecnológico, mas sobretudo político, económico e social. A neutralidade carbónica implica alterações profundas nos padrões de produção, consumo, mobilidade e uso do território. É um objetivo realista apenas se houver continuidade política, investimento sustentado e cooperação internacional.</p>
<p data-start="1253" data-end="1824" data-is-last-node="" data-is-only-node=""><strong>A Europa tem vindo a reforçar a regulação através de instrumentos como a CSRD. Estas exigências estão a acelerar a mudança nas empresas ou a criar mais burocracia do que impacto real?</strong></p>
<p data-start="1253" data-end="1824" data-is-last-node="" data-is-only-node="">Existe inevitavelmente um aumento da complexidade regulatória, mas a transparência é indispensável para evitar distorções e falsas alegações ambientais. A CSRD representa um avanço importante porque obriga as empresas a integrarem os riscos climáticos e de sustentabilidade na sua estratégia e na sua governação. O desafio é garantir que estas exigências produzem mudanças substantivas e não apenas relatórios formais.</p>
<p data-start="1253" data-end="1824" data-is-last-node="" data-is-only-node=""><strong>No debate público, fala-se cada vez mais de greenwashing. A proliferação de métricas e relatórios ESG ajuda a clarificar ou acaba por gerar mais ruído?</strong></p>
<p data-start="1253" data-end="1824" data-is-last-node="" data-is-only-node="">Há um risco de excesso de métricas e de complexidade. Contudo, o problema não é a existência de métricas, mas a falta de capacidade de resposta, comparabilidade e credibilidade. O greenwashing tornou-se um problema sério porque algumas empresas utilizam a sustentabilidade mais como instrumento de comunicação e de promoção da imagem exterior do que um instrumento de transformação efetiva para assegurar um desenvolvimento sustentável, integrando critérios de responsabilidade ambiental, impacto social e ética administrativa na geração de valor a longo prazo. Por isso, precisamos de indicadores mais robustos, verificáveis e internacionalmente comparáveis.</p>
<p data-start="1253" data-end="1824" data-is-last-node="" data-is-only-node=""><strong>As empresas são frequentemente apontadas como parte do problema climático. Na sua visão, estão hoje mais próximas de serem parte da solução ou o equilíbrio ainda é insuficiente?</strong></p>
<p data-start="1253" data-end="1824" data-is-last-node="" data-is-only-node="">As empresas desempenham um papel central em ambas as dimensões. Muitos dos problemas ambientais atuais resultaram de modelos económicos altamente dependentes dos combustíveis fósseis e da exploração intensiva e por vezes insustentável de recursos. Por outro lado, as empresas constituem o vetor principal da componente económica do desenvolvimento sustentável e são essenciais para conseguir a transição energética. Hoje existe uma consciência crescente no mundo empresarial de que sustentabilidade, inovação e competitividade estão cada vez mais interligadas, embora o ritmo de transformação continue insuficiente no que respeita à urgência climática.</p>
<p data-start="1253" data-end="1824" data-is-last-node="" data-is-only-node=""><strong>Como é que avalia o papel dos consumidores na aceleração da transição energética? Têm realmente poder para influenciar o comportamento das empresas?</strong></p>
<p data-start="1253" data-end="1824" data-is-last-node="" data-is-only-node="">Os consumidores têm influência, sobretudo quando as suas escolhas se tornam coletivamente significativas. No entanto, não devemos transferir exclusivamente para os indivíduos a responsabilidade da transição. As opções dos consumidores dependem dos instrumentos e infraestruturas disponíveis, dos preços, da informação, do conhecimento e das políticas públicas. A transformação estrutural exige ação coordenada entre governos, empresas e sociedade civil. Esta integra a mudança de comportamentos dos consumidores a nível individual e coletivo, conseguida por meio do conhecimento e da consciencialização da gravidade crescente dos impactos das alterações climáticas.</p>
<p data-start="1253" data-end="1824" data-is-last-node="" data-is-only-node=""><strong>O setor dos combustíveis fósseis continua a ter um peso determinante na economia global. O que é que explica a persistência desta dependência, apesar do avanço das renováveis?</strong></p>
<p data-start="1253" data-end="1824" data-is-last-node="" data-is-only-node="">Os 27 membros da atual UE reduziram as suas emissões de 40% de 1990 a 2024 o que é singular no panorama mundial. Apesar deste sucesso a UE teve em 2024 uma dependência de 69% nos combustíveis fósseis. Portugal teve uma dependência menor de 64%. A nível mundial os combustíveis fósseis constituem cerca de 80% do consumo final de energia desde há 50 anos. A economia global moderna foi construída ao longo de mais de dois séculos com base nos combustíveis fósseis. Existe uma enorme inércia tecnológica, económica e institucional. Além disso, petróleo, gás e carvão têm a vantagem de uma elevada densidade energética, continuam relativamente abundantes e acessíveis, dispõem de infraestruturas instaladas gigantescas e forte relevância geopolítica. As renováveis estão a crescer rapidamente, mas substituir integralmente os combustíveis fósseis implica uma transformação dos sistemas industriais e energéticos de enorme complexidade.</p>
<p data-start="1253" data-end="1824" data-is-last-node="" data-is-only-node=""><strong>Em vários estudos tem alertado para o impacto económico das alterações climáticas. Estamos a subestimar o custo da inação?</strong></p>
<p data-start="1253" data-end="1824" data-is-last-node="" data-is-only-node="">Claramente. Muitas análises económicas continuam a subavaliar os riscos sistémicos associados às alterações climáticas, incluindo o custo dos impactos sobre os recursos hídricos, agricultura, florestas, biodiversidade, saúde, infraestruturas, os movimentos migratórios, seguros, estabilidade financeira e segurança alimentar. Os países menos industrializados e os mais pobres sofrem os impactos mais gravosos, especialmente aqueles cuja economia tem uma elevada dependência na agricultura. O custo da inação será muito superior ao custo da mitigação e adaptação, sobretudo se ultrapassarmos determinados limiares climáticos críticos. Aquilo que é determinante é considerar ou não as alterações climáticas como uma questão ética de solidariedade intrageracional e intergeracional.</p>
<p data-start="1253" data-end="1824" data-is-last-node="" data-is-only-node=""><strong>A descarbonização implica mudanças profundas em setores como a construção, a mobilidade ou a indústria pesada. Qual é, na sua opinião, o setor mais difícil de transformar?</strong></p>
<p data-start="1253" data-end="1824" data-is-last-node="" data-is-only-node="">Os setores industriais mais difíceis de descarbonizar são cimenteiras, siderurgias, química e petroquímica, transporte marítimo, aviação e transporte rodoviário de longa distância, devido à elevada intensidade energética e à dependência de combustíveis fósseis. A descarbonização destes setores constitui um desafio tecnológico significativo onde a inovação será crítica. Existe já muito conhecimento sobre várias soluções tecnológicas, tais como o hidrogénio verde e a captura de dióxido de carbono em instalações industriais com emissões elevadas tais como as cimenteiras e as centrais térmicas de biomassa (BECCS-Bioenergy with Carbon Capture and Storage), ou diretamente da atmosfera.</p>
<p data-start="1253" data-end="1824" data-is-last-node="" data-is-only-node=""><strong>A aposta em tecnologias como captura de carbono e combustíveis sintéticos é uma solução indispensável ou corre o risco de adiar mudanças estruturais mais profundas?</strong></p>
<p data-start="1253" data-end="1824" data-is-last-node="" data-is-only-node="">O dióxido de carbono capturado pode ser utilizado ou sequestrado em formações geológicas subterrâneas seguras (CCS- Carbon Capture and Storage). Note-se que com moléculas de hidrogénio obtidas na produção de hidrogénio verde e com moléculas de dióxido carbono capturado é possível produzir combustíveis sintéticos, incluído aqueles que são usados nos atuais motores de combustão interna. De acordo com a Agência Internacional de Energia o cumprimento das metas do Acordo de Paris só é possível com o uso das tecnologias de captura de carbono. A utilização destas tecnologias tem sido economicamente viável sobretudo na indústria dos combustíveis fósseis para extrair gás natural e petróleo dos reservatórios, o que lhes confere uma imagem negativa no contexto da problemática do clima. Porém. é um domínio de I&amp;D muito promissor. Para resolver o problema das alterações climáticas e satisfazer a procura galopante de energia à escala global, resultante da IA e da digitalização da economia, será necessário recorrer a toda a multiplicidade de processos de geração de energia de baixo carbono disponíveis.</p>
<p data-start="1253" data-end="1824" data-is-last-node="" data-is-only-node=""><strong>Quando olha para o modelo de desenvolvimento atual, considera que estamos perante um problema tecnológico, político ou cultural?</strong></p>
<p data-start="1253" data-end="1824" data-is-last-node="" data-is-only-node="">Estamos perante um problema simultaneamente tecnológico, político, económico e cultural. Dispomos já de muitas soluções tecnológicas relevantes. O principal desafio reside na dificuldade das sociedades em alterar modelos de produção, consumo e de poder económico resultante da situação de lock-in da indústria de combustíveis fósseis. A sustentabilidade envolve componentes ambientais, económicas e ambientais e depende da nossa capacidade de incorporar uma visão ética do futuro nas nossas decisões atuais.</p>
<p data-start="1253" data-end="1824" data-is-last-node="" data-is-only-node=""><strong>Num plano mais pessoal, depois de décadas a estudar o sistema climático e os impactos humanos, olha para o futuro com mais esperança ou preocupação  e porquê?</strong></p>
<p data-start="1253" data-end="1824" data-is-last-node="" data-is-only-node="">Olho para o futuro cada vez mais a partir do conhecimento que tenho obtido sobre o passado do homem e das suas civilizações. O futuro é uma incógnita, mas aquilo que virá a ser depende sobretudo do passado e do presente. Estou a escrever um livro para a editora Springer em que descrevo a história da relação entre as mudanças climáticas naturais e a evolução dos Hominínios, ou seja, os humanos atuais e todas as espécies da nossa árvore evolutiva desde há seis milhões de anos. Restamos apenas nós, em grande parte porque desenvolvemos uma extraordinária capacidade de adaptação a alterações ambientais rápidas e violentas geradas principalmente por mudanças climáticas naturais. Tenho confiança que vamos ultrapassar o desafio das alterações climáticas antropogénicas.</p>
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