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	<title>Green Savers &#8211; Green Savers</title>
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	<description>Notícias sobre sustentabilidade, ambiente, alterações climáticas, biodiversidade, florestas, finanças verdes, empresas, economia, ODS</description>
	<lastBuildDate>Fri, 10 Jul 2026 07:37:31 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Green Savers &#8211; Green Savers</title>
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	<item>
		<title>Águas do Douro e Paiva entrega kits de emergência aos trabalhadores</title>
		<link>https://greensavers.sapo.pt/aguas-do-douro-e-paiva-entrega-kits-de-emergencia-aos-trabalhadores/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 10 Jul 2026 09:02:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Green Savers]]></category>
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					<description><![CDATA[A entrega dos kits deu continuidade à formação "Plano de Emergência Familiar e Kit de Emergência", promovida no âmbito da Semana da Saúde, durante o qual foram partilhadas orientações e boas práticas sobre a preparação para situações de emergência e a importância do planeamento antecipado.  ]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A Águas do Douro e Paiva distribuiu Kits de Emergência, preparados pela Cruz Vermelha Portuguesa, a todos os seus trabalhadores, para utilização no dia a dia. A iniciativa pretende incentivar a preparação individual para situações de emergência e reforçar a adoção de medidas preventivas que possam revelar-se úteis perante cenários de crise ou interrupções de serviços essenciais, foi divulgado em comunicado.</p>
<p>Segundo a mesma fonte, a entrega dos kits deu continuidade à formação &#8220;Plano de Emergência Familiar e Kit de Emergência&#8221;, promovida no âmbito da Semana da Saúde, durante o qual foram partilhadas orientações e boas práticas sobre a preparação para situações de emergência e a importância do planeamento antecipado.</p>
<p>A iniciativa surge num contexto internacional marcado por uma crescente instabilidade geopolítica, pela maior frequência de fenómenos climáticos extremos e por riscos suscetíveis de afetar o normal funcionamento de infraestruturas e serviços essenciais. Neste enquadramento, a preparação individual assume um papel cada vez mais relevante na proteção das pessoas e na capacidade de resposta perante situações imprevistas.</p>
<p>Cada kit reúne um conjunto de equipamentos essenciais para resposta a situações de emergência, incluindo um kit de primeiros socorros, lanterna com dínamo, rádio portátil, manta térmica, apito, pulseira multifunções, espelho de sinalização, saco e bolsa impermeáveis, garrafa reutilizável, pastilhas purificadoras de água, cartões de emergência e de alergias, entre outros materiais de apoio.</p>
<p>Para Bruno Coimbra, Presidente do Conselho de Administração da Águas do Douro e Paiva, &#8220;Enquanto empresa responsável por um serviço essencial, sabemos que a preparação faz a diferença. Queremos incentivar a preparação para situações de emergência e contribuir para que os nossos trabalhadores estejam mais preparados quando mais for necessário. Cuidar das pessoas é também ajudá-las a protegerem-se a si próprias e a quem lhes é próximo.&#8221;</p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Lã e inovação transformam Manteigas num laboratório no fim de semana</title>
		<link>https://greensavers.sapo.pt/la-e-inovacao-transformam-manteigas-num-laboratorio-no-fim-de-semana/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Green Savers com Lusa]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 10 Jul 2026 08:02:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Green Savers]]></category>
		<category><![CDATA[inovação]]></category>
		<category><![CDATA[lã]]></category>
		<category><![CDATA[Manteigas]]></category>
		<category><![CDATA[nacional]]></category>
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					<description><![CDATA[“O tema central, ‘Fricção’, inspira-se no próprio fenómeno físico da lã, onde a fricção cria a sua força. Como metáfora social e económica, o projeto promove o encontro entre realidades divergentes, o diálogo intergeracional e a união de saberes ancestrais com design contemporâneo”, refere num comunicado enviado à agência Lusa. ]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A vila de Manteigas recebe, entre hoje e domingo, o segundo momento do Lãnd Wool Innovation Week 2026 para transformar o concelho serrano “num laboratório vivo de reflexão, design e inovação”, disse a organização.</p>
<p class="text-paragraph">“O tema central, ‘Fricção’, inspira-se no próprio fenómeno físico da lã, onde a fricção cria a sua força. Como metáfora social e económica, o projeto promove o encontro entre realidades divergentes, o diálogo intergeracional e a união de saberes ancestrais com design contemporâneo”, refere num comunicado enviado à agência Lusa.</p>
<p class="text-paragraph">O Lãnd Wool Innovation Week é promovido pelo município de Manteigas, no distrito da Guarda, e pela Rede de Aldeias de Montanha para transformar o território “num laboratório vivo de reflexão, design, inovação e reconexão identitária”.</p>
<p class="text-paragraph">A programação para estes três dias parte do princípio de que “a lã é um recurso estratégico e cultural para o futuro sustentável dos Territórios de Montanha”.</p>
<p class="text-paragraph">“Após uma bem-sucedida primeira sessão realizada em maio, este segundo momento do Lãnd aprofunda as dinâmicas de contacto e cocriação, começando esta sexta-feira com a mesa-redonda &#8216;Territórios e Fricção&#8217;”.</p>
<p class="text-paragraph">Flávio Massano, presidente da Câmara de Manteigas, Marta Vicente, do Centro Ciência Viva, e Sara Lamúrias, curadora do Lãnd e professora na Faculdade de Arquitetura da Universidade de Lisboa, vão falar sobre “o equilíbrio entre territórios, cultura e ciência para a criação de novos caminhos de pertença comum”.</p>
<p class="text-paragraph">Segue-se a apresentação do livro “Uma nova economia para a aldeia do séc. XXI”, de Ana Bijoias Mendonça, investigadora do Societies and Environmental Sustainability Research Group (CFE/Universidade de Coimbra), e Jaime Izquierdo Vallina, antigo assessor ministerial e Comissário para o Desafio Demográfico no Governo das Astúrias.</p>
<p class="text-paragraph">No primeiro dia serão também divulgados os resultados das residências artísticas e comunitárias com as comunidades sénior e escolar do concelho de Manteigas, às 15:00 e 17:00, respetivamente.</p>
<p class="text-paragraph">Coordenada pela artista Susana António, a primeira residência resultou na instalação artística “Rota dos Comerciantes”, um “testemunho vivo de partilha de memórias e continuidade cultural”, adiantou a organização</p>
<p class="text-paragraph">Já os alunos, sob a direção de Susana Venâncio, criaram uma instalação focada “na ligação tátil à lã e no desenvolvimento de uma consciência ecológica e de pertença comum entre as crianças”.</p>
<p class="text-paragraph">A partir das 19:00 realiza-se a “Merenda do Alforge”, um jantar comunitário, na Praça Luís de Camões.</p>
<p class="text-paragraph">No sábado (15:00), serão reveladas, na Oficina dos Direitos, as peças criadas nas residências criativas do Lãnd por designers como Gonçalo Prudêncio, Miguel Vieira Baptista, Raquel Castro e Maria Bruno Neo.</p>
<p class="text-paragraph">Estas criações foram concebidas em parceria com as duas fábricas de Manteigas, a Ecolã e a Burel Factory, com “o propósito de habitar e valorizar a Casa Lãnd (antiga Casa do Povo), devolvendo o valor do design e da manufatura à própria comunidade local”.</p>
<p class="text-paragraph">O último dia do Lãnd Wool Innovation Week começa às 06:00 com a quarta etapa da Grande Rota da Transumância, na Cruz das Jugadas, seguida de uma missa de homenagem aos pastores da Serra da Estrela.</p>
<p class="text-paragraph">Pelas 13:00 decorre o tradicional “Almoço do Pastor” e uma experiência em 3D sobre as transumâncias do mundo no Parque Ambiental da Fábrica do Rio.</p>
<p class="text-paragraph">Durante a tarde haverá música com a “Sinfonia Mêêê em Bemol Maior”, uma odisseia sonora que mergulha no universo pastoril, e a conversa “O Balido como Elemento de Sustentabilidade da Paisagem”, dinamizada por Nuno Afonso, do Laboratório Rural.</p>
<p class="text-paragraph">O Lãnd Wool Innovation Week integra o Plano de Ação da Estratégia de Eficiência Coletiva PROVERE Aldeias de Montanha 2030 e é cofinanciado pelo programa Centro 2030.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>O poder dos mares: Como as renováveis marinhas energizam a Economia Azul e a transição</title>
		<link>https://greensavers.sapo.pt/o-poder-dos-mares-como-as-renovaveis-marinhas-energizam-a-economia-azul-e-a-transicao/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Filipe Pimentel Rações]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 09 Jul 2026 08:04:40 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[Green Savers]]></category>
		<category><![CDATA[Portugal]]></category>
		<category><![CDATA[energia]]></category>
		<category><![CDATA[nacional]]></category>
		<category><![CDATA[oceano]]></category>
		<category><![CDATA[renováveis]]></category>
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					<description><![CDATA[As energias renováveis marinhas são um dos grandes pilares de uma Economia Azul realmente sustentável e cada vez mais relevantes na transição energética para lá do fóssil. Portugal, “país de mar”, está bem posicionado para fazer parte desses esforços.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Os mares e oceanos que fazem da Terra o “planeta azul” não são apenas parte do cenário ou vazadouros onde durante séculos os humanos despejaram tudo e mais alguma coisa.</p>
<p>Essas grandes massas de água, além de serem a casa de incontáveis formas de vida, umas que já se conhecem e muitas mais que ainda estão por descobrir, são fundamentais na regulação do clima do mundo, na absorção e sequestro de carbono, na produção de oxigénio e, claro, na dinamização das economias de muitos países, senão mesmo de todos, direta ou indiretamente.</p>
<p>Durante grande parte da história da nossa espécie, tirámos e tirámos desses mundos de água salgada sem olhar a consequências, mas, por fim, os líderes humanos estão a perceber que os mares e oceanos podem continuar a ser pilares fundamentais das economias sem que isso tenha de traduzir-se na persistência da sua degradação e da sua exploração sem olhar a meios.</p>
<p>Dessa mudança de pensamento surge a Economia Azul Sustentável, que, de forma simples e intuitiva, é um conceito que abrange os setores económicos que têm por base a exploração de recursos marinhos de forma sustentável. Desse conjunto fazem parte, por exemplo, a pesca, o transporte marítimo, o turismo costeiro, a dessalinização e a extração de minerais e de metais. Há, no entanto, ainda definições de Economia Azul que incluem a exploração de combustíveis fósseis como um dos pilares, pelo que o epíteto de “sustentável” parece pouco apropriado.</p>
<p>Nos casos em que esse atributo é devidamente aplicado, a Economia Azul é vista como um aliado de peso na transformação da relação das sociedades humanas com os mares e oceanos, não visando só a sua exploração, mas percebendo que sem mares e oceanos saudáveis e funcionais o desenvolvimento económico vê-se perante um grande entrave.</p>
<p>A Economia Azul na União Europeia (UE) está em franco crescimento. Um relatório da Comissão Europeia publicado no ano passado dava conta de um aumento do valor bruto acrescentado do conjunto dos setores de 250,7 mil milhões de euros em 2022 para uns estimados 263 mil milhões de euros em 2023, empregando quase cinco milhões de pessoas.</p>
<p>O setor que mais tem crescido em termos de valor acrescentado bruto é o das Energias Renováveis Marinhas (ERM), com um aumento de cerca de 370% entre 2015 e 2022, para os 5,3 mil milhões de euros. Ainda assim, o turismo costeiro e os transportes são os que mais contribuem para o valo acrescentado bruto da UE, com 82 mil milhões e 62 mil milhões, respetivamente.</p>
<p>Seja como for, as ERM são um dos grandes pilares da Economia Azul Sustentável e têm o potencial para revolucionar muitos dos outros, além de serem indispensáveis para os esforços de mitigação e adaptação climáticas da UE e, de forma mais abrangente, para que o bloco reduza os impactos da sua economia no planeta.</p>
<p>A atestar isso, ainda que noutra escala, a Agência Internacional de Energia Renovável (IRENA), num relatório de 2020, declarava que “os oceanos possuem um potencial de energia renovável abundante e pouco explorado, que pode impulsionar uma economia azul global vigorosa nos próximos anos”.</p>
<p><strong>Uma força incansável</strong></p>
<p>Aproveitar a força dos mares e dos oceanos para gerar energia não é nada de novo. Contudo, os avanços tecnológicos e novos posicionamentos políticos, financeiros e sociais estão a permitir desbravar novas rotas, de tal forma que esses mundos de água salgada agitados permanentemente por forças incansáveis são por muitos considerados fundamentais para os esforços de descarbonização das sociedades e para a resiliência económica em tempos de crises planetárias.</p>
<p>A força dos mares e oceanos é um recurso energético inesgotável, basta conseguir aproveitá-lo.</p>
<p>Existem vários tipos de ERM. Tal como em terra, a eólica e a solar fotovoltaica serão, talvez, as mais familiares. Só que, naturalmente, têm adaptações. A eólica em meio marinho (também chamada de offshore) pode ser fixa, com as turbinas afixadas ao fundo do mar em profundidades até 60 metros, ou flutuantes, em que as turbinas estão colocadas em bases que flutuam à superfície, presas apenas por cabos de amarração ao leito marinho, a mais de 60 metros de profundidade, para não andarem à deriva.</p>
<p>A eólica offshore é o tipo de ERM mais consolidado na UE. Em 2023, tinha uma potência instalada acumulada de cerca de 18,9 gigawatts (GW), distribuída por 11 países, mais 2,1 GW do que no ano anterior. Dados preliminares sugerem que em 2024 continuou a aumentar, para os 21,2 GW.</p>
<p>A UE definiu como meta chegar os 111 GW de potência até 2030 e aos 317 GW até 2050. A intenção é que, no virar da próxima década, a eólica offshore contribua para que, no conjunto de todas as fontes energéticas, as renováveis representem, pelo menos, 42,5% do total.</p>
<p>Para perceber a solar offshore, imagine o leitor um conjunto de painéis fotovoltaicos sobre uma estrutura flutuante a boiar ao sabor da ondulação, tal como já se vê no Alqueva. Existem ainda outras tecnologias de produção de energia através das forças marinhas. Por vezes também chamadas de energias oceânicas (mas aqui, para efeitos de simplificação, agrupam-se todas em ERM), há a energia das ondas, a das correntes e a das marés, e ainda a que é obtida através das variações da temperatura ou da salinidade da água.</p>
<p>A implementação de cada uma dessas tecnologias depende, acima de tudo, das condições físicas do local onde se pretende colocá-las. Por exemplo, nas áreas marinhas com correntes fracas não será apropriado, nem financeiramente viável, instalar tecnologias de energia das correntes.</p>
<p>A eólica offshore é a que está mais tecnologicamente desenvolvida e a que maior aceitação já conquista no mercado, com uma presença especialmente significativa nas águas marinhas ao largo da costa do Norte da Europa, onde se erguem centenas de turbinas em parques eólicos com potências instaladas da ordem dos GW. A nível mundial essa potência ronda os 83 GW e mais cerca de 48 GW estão em desenvolvimento.</p>
<p>Outros tipos de ERM, como as marés, as correntes e as ondas “estão bem menos consolidados, com capacidades instaladas cumulativamente na ordem de algumas dezenas de [megawatts]”, diz-nos Paulo Rosa Santos, Professor Catedrático da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto e investigador do Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental (CIIMAR). As restantes tecnologias, como os gradientes térmicos e de salinidade, “têm um desenvolvimento ainda mais limitado”, afirma.</p>
<figure id="attachment_301070" aria-describedby="caption-attachment-301070" style="width: 500px" class="wp-caption aligncenter"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-301070 size-full" src="https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2026/07/Paulo-Rosa-Santos-e1783089809834.png" alt="" width="500" height="500" /><figcaption id="caption-attachment-301070" class="wp-caption-text">Paulo Rosa Santos, Professor Catedrático da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto e investigador do Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental (CIIMAR).</figcaption></figure>
<p>É por isso que a eólica offshore é a ERM que será mais importante nos esforços de transição energética, pelo menos no curto-prazo, dando “um contributo relevante para a redução da dependência de combustíveis fósseis e para o reforço da segurança energética”, explica-nos Bernardo Silva, responsável de energias renováveis no centro de investigação INESC TEC.</p>
<p>Apesar de menos desenvolvida do que a eólica offshore, a energia das ondas tem também feito “avanços consistentes”, diz o também Professor Auxiliar na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto. Esses progressos têm sido conseguidos, por exemplo, ao nível da comercialização de conversores de energia das ondas instalados em infraestruturas costeiras, como diques e portos, e também com o desenvolvimento e teste de protótipos de dispositivos para instalação em mar aberto.</p>
<p>Em Portugal, o cenário não é muito diferente do plano global, com a eólica offshore em primeiro plano, mas com outros tipos de ERM a ganharem terreno, ainda que a uma escala bem menor.</p>
<p><strong>As renováveis marinhas em Portugal</strong></p>
<p>O peso da eólica offshore na transição energética de Portugal é evidente em documentos estratégicos como o Plano Nacional de Energia e Clima (PNEC 2030), onde se considera que esse recurso é “mais constante e mais elevado do que em terra”. O país quer alcançar uma potência instalada de renováveis offshore de 2 GW até 2030, algo que se pensa que não acontecerá nesse prazo, mas a meta, para já, mantém-se.</p>
<p>Seja como for, essa intenção está refletida no Plano de Afetação para as Energias Renováveis Offshore (PAER), aprovado no ano passado, e no qual foram definidas quatro áreas para exploração de eólica offshore que têm o potencial para uma capacidade instalada conjunta de cerca de 9,4 GW: Viana do Castelo, Leixões, Figueira da Foz e Sines. Uma quinta área, Aguçadoura, consta do PAER, mas apenas para projetos não-comerciais de investigação ou de demonstração.</p>
<p>Bernardo Silva aponta que, em Portugal, a ERM com “maior potencial de adoção” é a eólica offshore flutuante, “em virtude das elevadas profundidades da costa portuguesa”.</p>
<figure id="attachment_301065" aria-describedby="caption-attachment-301065" style="width: 464px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="wp-image-301065 size-full" src="https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2026/07/Bernardo-Silva-responsavel-de-energias-renovaveis-no-centro-de-investigacao-INESC-TEC-e1783089713489.jpg" alt="" width="464" height="421" srcset="https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2026/07/Bernardo-Silva-responsavel-de-energias-renovaveis-no-centro-de-investigacao-INESC-TEC-e1783089713489.jpg 464w, https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2026/07/Bernardo-Silva-responsavel-de-energias-renovaveis-no-centro-de-investigacao-INESC-TEC-e1783089713489-300x272.jpg 300w" sizes="(max-width: 464px) 100vw, 464px" /><figcaption id="caption-attachment-301065" class="wp-caption-text">Bernardo Silva, responsável de energias renováveis no centro de investigação INESC TEC e Professor Auxiliar na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto.</figcaption></figure>
<p>Um exemplo marcante é o projeto <a href="https://greensavers.sapo.pt/coexistencia-entre-eolicas-offshore-e-biodiversidade-marinha-e-possivel-com-monitorizacao-continua-e-acao-atempada/" target="_blank" rel="noopener">WindFloat Atlantic</a>, instalado no final de 2019 a 18 quilómetros da costa de Viana do Castelo, onde a profundidade ronda os 100 metros, e em operação desde 2020. Conta com três turbinas eólicas em plataformas flutuantes, com uma potência de 8,4 MW cada, por isso, com uma potência instalada acumulada de cerca de 25 MW.</p>
<p>Paulo Rosa Santos, apontando para o WindFloat, diz que Portugal tem “um bom histórico no âmbito da eólica offshore flutuante”. Contudo, refere também que estão a decorrer ou previstos vários projetos na área da energia das ondas, como o ONDEP em Peniche, o VianaWave nas águas da região Norte do país, e o projeto da Eco Wave Power na Barra do Douro.</p>
<p>Apesar de a eólica offshore ser vista como a mais competitiva das ERM em Portugal, o catedrático da Universidade do Porto reconhece que “se estes projetos existiram e continuam a existir, há um claro interesse em investir neles”. Mas para essas tecnologias poderem tornar-se tão competitivas quanto a eólica offshore, será preciso “mais tempo e desenvolvimento”, afirma.</p>
<p>Assim, os especialistas consideram que a eólica offshore, particularmente a flutuante, e as ondas são as ERM que, pelo menos durante as próximas décadas, fortalecerão a presença do país nas renováveis marinhas.</p>
<p>Bernardo Silva, do INESC TEC, diz que essas duas tecnologias têm “um elevado potencial de desenvolvimento”, sendo “particularmente promissoras” e tendo “capacidade para valorizar de forma significativa os recursos renováveis disponíveis”. Além disso, podem contribuir de forma muito relevante para “a produção de energia elétrica e para o cumprimento dos objetivos nacionais de transição energética”, aponta o especialista.</p>
<p>Por seu lado, Daniel Clemente, também da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto e investigador do CIIMAR, explica que o foco nesses dois tipos de ERM se deve, sobretudo, a três grandes fatores. Um prende-se com a exposição do país ao Atlântico, que lança vento e agita as águas marinhas de tal forma que cria um recurso “bastante significativo”. Outro tem a ver com o histórico que Portugal tem já no desenvolvimento e implementação dessas tecnologias, e um terceiro está relacionado com as características da costa portuguesa que “restringem algumas soluções”.</p>
<figure id="attachment_301067" aria-describedby="caption-attachment-301067" style="width: 213px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="wp-image-301067 " src="https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2026/07/Daniel-Clemente-investigador-do-Centro-Interdisciplinar-de-Investigacao-Marinha-e-Ambiental-CIIMAR.png" alt="" width="213" height="266" /><figcaption id="caption-attachment-301067" class="wp-caption-text">Daniel Clemente, da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto e investigador do Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental (CIIMAR).</figcaption></figure>
<p>Ao contrário do que acontece, por exemplo, no Mar do Norte, a plataforma continental portuguesa é mais íngreme e afunda mais rapidamente, pelo que eólicas offshore fixas tornam&#8211;se inviáveis. Por essa razão, a aposta de Portugal nas ERM incidirá, especialmente, na eólica offshore flutuante e na energia das ondas.</p>
<p>Quanto à solar offshore, apesar de ser possível, na prática será difícil implementá-la, especialmente devido à agitação marítima que fustiga a costa portuguesa, às grandes profundidades e dificuldades relativamente à manutenção dos equipamentos e infraestruturas. Difícil, mas não impossível.</p>
<p><strong>Há barreiras e limitações…</strong></p>
<p>Apesar de Portugal ser um “país de mar” e um dos Estados-membros da União Europeia com mais área de águas marinhas sob a sua jurisdição, há, no entanto, alguns fatores que atrasam ou impedem mesmo um maior avanço nas ERM no contexto nacional.</p>
<p>Um deles tem a ver com os atuais modelos de financiamento e com o risco associado aos investimentos nas ERM, especialmente nas fases iniciais de implementação. A isso acrescem desafios relacionados com “o desenvolvimento à escala destas soluções”, conta-nos Bernardo Silva, do INESC TEC, em particular no que diz respeito “à capacidade das cadeias de valor necessárias à construção, instalação e operação e manutenção dos parques”. O também colaborador do INESCTEC.OCEAN, o primeiro Centro de Excelência em Engenharia e Investigação do Oceano em Portugal, considera que esses são “elementos críticos” que devem ser devidamente considerados “no desenho de políticas públicas e instrumentos de apoios adequados”.</p>
<p>Algo semelhante nos diz Daniel Clemente, que recorda que outras tecnologias, como as hidroelétricas e a solar e eólica em terra, no início dos seus caminhos, tiveram dificuldades em ser competitivas. E isso acontece simplesmente porque “nenhuma tecnologia nasce ‘perfeita’”, sublinha o investigador do CIIMAR.</p>
<p>“Tem de ser melhorada, desenvolvida e incrementada para se tornar competitiva”, refere, e para isso são precisos apoios, tal como os que foram e continuam a ser atribuídos, por exemplo, à solar e à eólica em terra, que agora são muito atrativas e mais baratas do que os combustíveis fósseis.</p>
<p>No caso da ERM, considera Daniel Clemente, “é muito provável que a receita seja semelhante”, especialmente com uma articulação virtuosa entre setor público e setor privado. “Sem essa sinergia, apoios e esforço no sentido de desenvolver as tecnologias e reduzir custos, as empresas ou fecham portas ou ficam de fora dos leilões.”</p>
<p>Além das questões de apoios e financiamentos, há também desafios relacionados com o acesso a matérias-primas críticas e, de forma mais abrangente, aos mercados das tecnologias das renováveis, onde a China se firma como um colosso e ainda faz sombra à Europa.</p>
<p>A juntar a tudo isso, a dificuldade em conseguir mão-de-obra qualificada e especializada surge também como uma barreira à expansão das ERM, além de que, como diz Paulo Rosa Santos, do CIIMAR, se antecipa uma competição “particularmente feroz” por sistemas, equipamentos, espaços nos portos marítimos, tanto dentro dos setores das renováveis como com outros.</p>
<p>A volatilidade dos mercados internacionais e dos preços e problemas de congestionamento da rede elétrica são também desafios que podem atrasar o avanço das ERM, em Portugal e mais além.</p>
<p>Bernardo Silva chama-nos a atenção para uma outra questão relevante, a “insuficiente maturidade da cadeia de valor nacional, refletida na reduzida integração de fornecedores locais e na dependência de componentes e serviços externos”. Isso é agravado por “constrangimentos ao nível da cadeia logística”, especialmente na capacidade portuária, no transporte especializado e “na coordenação entre os diferentes elos da cadeia”.</p>
<p>Salienta o investigador do INESC TEC que para mitigar esses obstáculos é “fundamental” criar políticas públicas que “promovam o reforço da capacidade industrial, a qualificação de recursos humanos e a criação de condições favoráveis ao investimento”, numa “abordagem estratégica e sustentável” ao desenvolvimento das ERM.</p>
<p>E deixa uma sugestão: criar uma “aliança ibérica para o setor offshore”, que, segundo ele, poderá permitir “um maior impulso para os desenvolvimentos ibéricos e, posteriormente, no fornecimento para novos mercados em diferentes geografias”.</p>
<p><strong>…mas também há oportunidades</strong></p>
<p>Apesar de todas as barreiras, existem janelas de oportunidade que podem ser aproveitadas. Paulo Rosa Santos, catedrático e investigador do CIIMAR, fala da importância de o setor das ERM explorar sinergias com outras áreas, como a do armazenamento de energia e a da produção de combustíveis alternativos. E aponta o exemplo do projeto HYDEA, do qual é parceira a Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, e que tem como objetivo descarbonizar os portos do Atlântico Norte através do hidrogénio verde.</p>
<p>Uma vez que cerca de 70% do hidrogénio produzido atualmente em todo o mundo provém do gás natural, através de um processo chamado <em>steam reforming</em>, Paulo Rosa Santos acredita que as ERM podem ser centrais na produção de hidrogénio através da eletrólise da água, o chamado “hidrogénio verde”. Dessa forma, as ERM podem dar um novo impulso à descarbonização de vários setores, e Portugal poderia assumir a dianteira desses esforços.</p>
<p>Ademais, o especialista salienta a importância do desenvolvimento das tecnologias de armazenamento de energia, tanto para a expansão das ERM como de outros tipos de energia renovável, apontando que “a intermitência das renováveis é uma questão muito relevante hoje em dia, até para a estabilidade da rede elétrica”. Quando as tecnologias de ERM – sejam elas a eólica offshore flutuante, a energia das ondas, das marés ou das correntes – estiverem já bem desenvolvidas e o seu potencial e eficácia bem demonstrados, então “teremos acesso a um recurso ainda mais vasto para explorar”, assegura Paulo Rosa Santos.</p>
<p><strong>ERM e a Economia Azul</strong></p>
<p>As renováveis marinhas são uma das colunas-mestras da Economia Azul Sustentável, com benefícios a múltiplos níveis: ambiental, social, económico, social, industrial. Por isso mesmo, têm um peso significativo na Economia Azul Sustentável, caso contrário “não se estaria a investir tanto nelas, correto?”, lança-nos Daniel Clemente, do CIIMAR.</p>
<p>Além da vertente ambiental da redução das emissões de gases com efeito de estufa e da mitigação das alterações climáticas, as ERM têm também um “efeito multiplicador” na indústria nacional, diz Bernardo Silva, do INESC TEC. Em especial nos setores naval e metalomecânico, mas também nas áreas associadas à construção, instalação, operação e manutenção de infraestruturas offshore, “contribuindo para o fortalecimento e modernização do tecido industrial”.</p>
<p>Além disso, uma Economia Azul dinamizada pelas ERM criará mais empregos, especialmente os qualificados, e abrirá caminho a novos modelos de negócio, atraindo investimento e valorizando os conhecimentos técnico e científico em Portugal. Em 2022, o setor das renováveis marinhas empregava cerca de 17.000 pessoas na UE, um salto de 200% face a 2015, e tudo indica que, com a maturação e desenvolvimento das ERM e dos mercados em que torno delas gravitam, esse crescimento ganhará um maior impulso.</p>
<p>A título de exemplo, prevê-se que até 2030 a indústria eólica europeia, em terra e no mar, empregará mais de 900.000 pessoas e contribuirá mais de 100 mil milhões de euros para a economia da UE.</p>
<p>“Este dinamismo económico reforça a capacidade do país em explorar de forma sustentável os seus recursos marítimos, consolidando a economia azul como um pilar de crescimento alinhado com os objetivos de neutralidade carbónica e transição energética”, declara Bernardo Silva.</p>
<p>As ERM são também vistas como basilares para a descarbonização dos setores económicos ligados aos mares e oceanos, não só pela produção de energia elétrica, mas também de hidrogénio de fontes renováveis, pelo que, por isso mesmo, têm são centrais na promoção de uma Economia Azul que seja realmente sustentável, e não apenas no papel ou em campanhas de marketing. “Portugal, com a sua vasta costa, histórico de exploração e desenvolvimento de ERMs, instituições de excelência, recursos humanos capacitados, estratégia ambiciosa, mecanismos legislativos e financeiros, empresas vanguardistas na área e portos marítimos envolvidos tem uma oportunidade dourada para apostar neste setor chave da Economia Azul”, sentencia Paulo Rosa Santos.</p>
<p><strong>Contributos para a transição energética</strong></p>
<p>Por agora, a transição energética em Portugal tem assentado mais fortemente nas renováveis em terra, especialmente na eólica e solar, que, por isso, são já peças essenciais dos esforços de descarbonização do país.</p>
<p>Na senda do abandono progressivo dos combustíveis fósseis em vários quadrantes das nossas sociedades e economias, e com o crescendo da eletrificação, tudo aponta para que haja “um aumento substancial da procura de eletricidade”, como descreve Bernardo Silva. A eletrificação da indústria e a grande expansão da mobilidade elétrica são já fatores familiares, mas o investigador do INESC TEC aponta também o “surgimento de novos consumos elétricos associados à produção de hidrogénio verde e ao crescimento dos centros de dados e de processamento ligados à inteligência artificial”.</p>
<p>Assumindo essa trajetória de aumento do consumo de energia, e que o país pretende manter-se fiel aos compromissos climáticos e de descarbonização assumidos, será preciso reforçar a capacidade de produção das renováveis, também em terra, mas especialmente no mar.</p>
<p>“Para além da modernização e otimização dos parques renováveis existentes em terra”, diz-nos Bernardo Silva, “torna-se estratégico explorar o potencial ainda pouco aproveitado das energias marítimas renováveis, particularmente no contexto português, caracterizado por um vasto espaço marítimo e recursos oceânicos relevantes”.</p>
<p>A força das ERM na transição energética tornar-se-á cada vez maior à medida que novos projetos forem sendo implementados, que as tecnologias amadurecem e que forem criadas condições – regulatórias, industriais, financeiras – que favoreçam o seu desenvolvimento em larga escala.</p>
<p>As renováveis marinhas vão seguindo um caminho de consolidação, com uma tendência de crescimento em várias delas, como a eólica offshore, enquanto a relevância estratégica de outras, ainda não tão desenvolvidas, deve ser vista mais a médio ou a longo prazo.</p>
<p>“Alguns ‘soluços’ pontuais”, como diz Daniel Clemente, podem também lançar uma ou outra pedra no caminho das ERM, como guerras, mudanças de estratégia, como no caso do atual governo dos Estados Unidos da América, a competição entre atores-chave, como a UE e a China, quebras nas cadeias de abastecimento e fragilidades nos apoios ou na concessão de explorações.</p>
<p>São tudo fatores que “podem facilmente ditar o fim ou desinteresse de projetos e empresas relevantes, atrasando a implementação da ERM”, refere o investigador do CIIMAR, assegurando, contudo, que “os sistemas estão a tornar-se mais resilientes e eficientes, e em alguns casos maiores” e que “há uma expansão da potência instalada e da energia produzida”.</p>
<p>Nos próximos anos, o crescimento das ERM será impulsionado pela eólica offshore, mas, com o passar do tempo, as restantes tecnologias ocuparão o seu lugar na produção de energia, engrossando ainda mais as fileiras da descarbonização e da sustentabilidade da economia ligada aos mares e oceanos.</p>
<p>“Cada uma terá o seu espaço próprio, mas todas darão o seu contributo para minorar a quota de combustíveis fósseis no mercado e incrementar o papel das renováveis nos mixes energéticos”, diz Daniel Clemente, e, assim, na demanda histórica da transição energética.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div id="brxe-apmpck" class="brxe-post-content bm-blog-single-11__post-content">
<p><em>*Artigo publicado originalmente na revista de março de 2026.</em></p>
</div>
]]></content:encoded>
					
		
		
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		<item>
		<title>Argentina anuncia construção de novo reator nuclear com financiamento 100% privado</title>
		<link>https://greensavers.sapo.pt/argentina-anuncia-construcao-de-novo-reator-nuclear-com-financiamento-100-privado/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Green Savers com Lusa]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 08 Jul 2026 17:01:07 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Green Savers]]></category>
		<category><![CDATA[argentina]]></category>
		<category><![CDATA[internacional]]></category>
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					<description><![CDATA[O "primeiro reator nuclear financiado a 100% por capital privado", como sublinhou o Presidente argentino, Javier Milei, está estimado em 1.200 milhões de dólares (1.051,85 milhões de euros), e irá criar 2.000 postos de trabalho, ainda segundo o chefe de Estado.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>A Argentina anunciou na terça-feira a construção de um novo reator nuclear perto da capital, financiado a 100% por investimento privado, numa altura em que a Comissão Nacional de Energia Nuclear enfrenta medidas de austeridade.</p>
<p class="text-paragraph">O &#8220;primeiro reator nuclear financiado a 100% por capital privado&#8221;, como sublinhou o Presidente argentino, Javier Milei, está estimado em 1.200 milhões de dólares (1.051,85 milhões de euros), e irá criar 2.000 postos de trabalho, ainda segundo o chefe de Estado.</p>
<p class="text-paragraph">A empresa Meitner Energy, com capital norte-americano e argentino, &#8220;investirá 1.200 milhões de dólares na construção de um reator nuclear modular de 300 megawatts nas instalações de Atucha&#8221;, a norte de Buenos Aires, precisou o porta-voz da Presidência, Adrián Ravier, durante uma conferência de imprensa.</p>
<p class="text-paragraph">O anúncio surge num momento em que a Comissão Nacional de Energia Atómica (CNEA) se encontra no centro de um conflito social, na sequência de despedimentos.</p>
<p class="text-paragraph">O presidente da CNEA, Martín Porro, despediu há uma semana 61 funcionários, que exerciam &#8220;principalmente funções administrativas&#8221;. A decisão desencadeou manifestações em frente à instituição.</p>
<p class="text-paragraph">Segundo a Associação dos Trabalhadores do Estado (ATE), cerca de uma centena de funcionários dos 3.000 que integram a CNEA foram despedidos na semana passada e dois quadros apresentaram demissão.</p>
<p class="text-paragraph">Os despedimentos inscrevem-se no âmbito de medidas de austeridade implementadas por Milei na maioria dos setores, incluindo o nuclear.</p>
<p class="text-paragraph">Desde que assumiu o poder em 2023, o orçamento da CNEA foi reduzido em 58%, segundo o meio de comunicação argentino Chequeado, que citou dados oficiais.</p>
<p class="text-paragraph">A Argentina conta com três centrais nucleares em funcionamento: Atucha I, Atucha II e Embalse, que contribuem para gerar cerca de 8% da produção de eletricidade do país.</p>
<p class="text-paragraph">Apenas dois outros países possuem esta tecnologia na América Latina: o Brasil e o México.</p>
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		<item>
		<title>Investigadores defendem quatro medidas urgentes para proteger florestas urbanas e espaços verdes</title>
		<link>https://greensavers.sapo.pt/investigadores-defendem-quatro-medidas-urgentes-para-proteger-florestas-urbanas-e-espacos-verdes/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 07 Jul 2026 13:01:24 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Green Savers]]></category>
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					<description><![CDATA[Especialistas alertam que as cidades estão a perder árvores maduras e biodiversidade devido às alterações climáticas, à expansão urbana e à falta de investimento.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p data-start="268" data-end="627">Um grupo internacional de investigadores apelou à adoção de quatro medidas prioritárias para travar a degradação das florestas urbanas e dos espaços verdes nas cidades. Segundo os autores, estes ecossistemas enfrentam ameaças crescentes provocadas pelas alterações climáticas, pela expansão urbana, pela fraca proteção legal e pelo financiamento insuficiente.</p>
<p data-start="629" data-end="1032">Num <a href="https://journals.plos.org/climate/article?id=10.1371/journal.pclm.0000953&amp;utm_source=pr&amp;utm_medium=email&amp;utm_campaign=plos006" target="_blank" rel="noopener">ensaio</a> elaborado por investigadores internacionais, os especialistas sublinham que as florestas urbanas desempenham um papel essencial no funcionamento dos ecossistemas e na prestação de serviços fundamentais para a qualidade de vida nas cidades, incluindo a regulação da temperatura, a melhoria da qualidade do ar, a gestão das águas pluviais e a promoção da biodiversidade.</p>
<p data-start="1034" data-end="1218">Os autores defendem que as florestas urbanas devem ser encaradas como uma forma de infraestrutura crítica viva, ao mesmo nível de outros equipamentos e serviços urbanos essenciais.</p>
<p data-start="1034" data-end="1218"><strong>Quatro prioridades para as cidades</strong></p>
<p data-start="1260" data-end="1381">O documento identifica quatro áreas de ação consideradas fundamentais para proteger e reforçar os espaços verdes urbanos:</p>
<p data-start="1383" data-end="1450"><strong data-start="1383" data-end="1450">1. Investir nas florestas urbanas como infraestrutura essencial</strong></p>
<p data-start="1452" data-end="1689">Os investigadores defendem um aumento do investimento público e privado na plantação, manutenção e gestão de árvores e espaços verdes, reconhecendo o seu contributo para a saúde pública, a adaptação climática e a sustentabilidade urbana.</p>
<p data-start="1691" data-end="1743"><strong data-start="1691" data-end="1743">2. Garantir acesso equitativo aos espaços verdes</strong></p>
<p data-start="1745" data-end="1968">O ensaio destaca a necessidade de assegurar que todas as comunidades, independentemente da sua localização ou condição socioeconómica, tenham acesso a áreas verdes de qualidade, reduzindo desigualdades ambientais e sociais.</p>
<p data-start="1970" data-end="2039"><strong data-start="1970" data-end="2039">3. Reforçar a resiliência através da gestão baseada em evidências</strong></p>
<p data-start="2041" data-end="2267">Os autores recomendam estratégias de gestão assentes em dados científicos, monitorização contínua e aprendizagem permanente, permitindo às cidades responder melhor a fenómenos extremos como ondas de calor, secas e tempestades.</p>
<p data-start="2269" data-end="2350"><strong data-start="2269" data-end="2350">4. Integrar as florestas urbanas nas políticas climáticas e de biodiversidade</strong></p>
<p data-start="2352" data-end="2576">A equipa defende que os espaços verdes urbanos devem ser incorporados de forma sistemática nos planos de ação climática, conservação da natureza e ordenamento do território, garantindo uma proteção mais eficaz a longo prazo.</p>
<p data-start="2352" data-end="2576"><strong>Árvores urbanas sob crescente pressão</strong></p>
<p data-start="2621" data-end="2911">Segundo os investigadores, a perda de árvores maduras e a redução da biodiversidade urbana comprometem a capacidade das cidades para enfrentar desafios ambientais cada vez mais intensos. Além disso, a diminuição das áreas verdes pode afetar diretamente a saúde e o bem-estar das populações.</p>
<p data-start="2913" data-end="3163" data-is-last-node="" data-is-only-node="">Os autores concluem que reconhecer as florestas urbanas como elementos estruturais das cidades será determinante para preservar a habitabilidade dos centros urbanos e aumentar a sua capacidade de adaptação às futuras pressões climáticas e ambientais.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Portugal regista novos máximos de consumo de eletricidade no verão</title>
		<link>https://greensavers.sapo.pt/portugal-regista-novos-maximos-de-consumo-de-eletricidade-no-verao/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 07 Jul 2026 08:29:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Green Savers]]></category>
		<category><![CDATA[consumo]]></category>
		<category><![CDATA[Eletricidade]]></category>
		<category><![CDATA[nacional]]></category>
		<category><![CDATA[verão]]></category>
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					<description><![CDATA[No dia 2 de julho, o consumo diário atingiu 165,6 GWh, valor que voltou a ser superado no dia seguinte, 3 de julho, ao alcançar 171,1 GWh. O anterior máximo registado em meses de verão era de 163,4 GWh, registado a 13 de julho de 2022.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Na sequência da onda de calor que se fez sentir em Portugal nos últimos dias, o Sistema Elétrico Nacional registou novos máximos históricos de consumo de eletricidade em meses de verão, tanto em consumo diário como em ponta de consumo, informou a REN em comunicado.</p>
<p>Segundo a mesma fonte, no dia 2 de julho, o consumo diário atingiu 165,6 GWh, valor que voltou a ser superado no dia seguinte, 3 de julho, ao alcançar 171,1 GWh. O anterior máximo registado em meses de verão era de 163,4 GWh, registado a 13 de julho de 2022.</p>
<p>Já a ponta de consumo de verão registou um novo recorde às 20h00 de 2 de julho, quando a procura instantânea de eletricidade atingiu os 8.493 MW, ultrapassando o anterior máximo de 7.918 MW, registado a 30 de junho de 2025.</p>
<p>Estes valores comparam com os valores máximos de inverno que são naturalmente maiores, 197,1 GWh e 10261 MW. Os valores de consumo agora alcançados evidenciam uma tendência de aproximação, que se tem verificado entre os consumos máximos de verão e de inverno.</p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Adaptação climática das infraestruturas críticas “ainda longe da dimensão que o problema exige”</title>
		<link>https://greensavers.sapo.pt/adaptacao-climatica-das-infraestruturas-criticas-ainda-longe-da-dimensao-que-o-problema-exige/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Filipe Pimentel Rações]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 06 Jul 2026 07:03:23 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Alterações Climáticas]]></category>
		<category><![CDATA[Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[Green Savers]]></category>
		<category><![CDATA[Portugal]]></category>
		<category><![CDATA[adaptação climática]]></category>
		<category><![CDATA[entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[infraestruturas]]></category>
		<category><![CDATA[nacional]]></category>
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					<description><![CDATA[Elói Figueiredo, catedrático da Lusófona e engenheiro civil especialista em resiliência das infraestruturas, explica os riscos de não adaptar infraestruturas críticas, como energia, comunicações e transportes, a eventos climáticos extremos cada vez mais frequentes e intensos.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Temperaturas acima dos 40 graus Celsius em muitas regiões de Portugal continental e cerca de dois terços do território sob aviso vermelho. É assim que começa julho, com uma onda de calor que leva os termómetros para máximos históricos em muitos locais, que resseca a terra e faz olhar com apreensão para o que ainda poderá estar por vir.</p>
<p>Isto, depois de um arranque de 2026 que nos presenteou com um “comboio de tempestades” que deixou diversas localidades em estado de calamidade, que destruiu casas, devastou florestas, desalojou famílias, interrompeu negócios e converteu aldeias em réplicas catastróficas de Veneza.</p>
<p>Ainda há estradas destruídas, autarquias, famílias e empresas à espera de apoios financeiros para se reerguerem, telecomunicações que aguardam regularização do serviço, ao mesmo tempo que o calor volta a apertar Portugal e muitos outros países da Europa.</p>
<p>Esta semana a <a href="https://www.facebook.com/photo?fbid=1447884710710639&amp;set=a.316691103830011&amp;locale=pt_PT" target="_blank" rel="noopener">Representação da Comissão Europeia em Portugal</a> recorreu às suas redes sociais online para transmitir uma mensagem ominosa, mas nem por isso inesperada ou divergente dos alertas feitos há anos pelos cientistas: “A Europa está a aquecer ao dobro da média global. Os verões que hoje consideramos extremos podem muito bem tornar-se a norma amanhã”.</p>
<p>Se o calor extremo poderá tornar-se a norma, é preciso pensar, entre outras coisas, sobre a adaptação, especialmente de infraestruturas críticas como a energia, as telecomunicações e as vias de transporte. Recentemente, um troço dos <a href="https://www.bbc.com/news/articles/c5yzl2ll8l8o" target="_blank" rel="noopener">caminhos-de-ferro entre as cidades britânicas de Leamington Spa e Coventry</a> esteve inoperacional por causa de deformação causada pelas altas temperaturas, e <a href="https://www.aljazeera.com/video/newsfeed/2026/6/30/german-heatwave-melts-tram-tracks-triggers-travel-disruptions" target="_blank" rel="noopener">carris de elétrico na cidade alemã de Leipzig derreteram</a>.</p>
<p>É um exemplo entre muitos outros, mas ilustra bem o que o futuro nos reserva. No final de junho, a Comissão Económica das Nações Unidas para a Europa (UNECE) lançou um <a href="https://unece.org/transport/publications/climate-change-impacts-towards-climate-resilient-transport-systems" target="_blank" rel="noopener">relatório</a> no qual antevê grandes riscos para os sistemas de transporte (estradas, ferrovia, portos e aeroportos) na Europa, Ásia Central e América do Norte. A análise diz que se espera que esses sistemas enfrentem “condições climáticas ainda mais adversas” já a partir de 2051, incluindo cheias, calor extremo e aumento do nível do mar.</p>
<p>Os analistas estimam que as infraestruturas de transporte terão de conseguir suportar um aumento de 10 a 50 dias por ano de temperaturas acima dos 25 graus, com algumas áreas a poderem experienciar até 200 dias adicionais acima desse limiar. Isso aumenta o risco de deterioração dos pavimentos, de expansão térmica das juntas de dilatação das pontes, de deformação de caminhos-de-ferro e de incêndios em torno dessas infraestruturas.</p>
<p>Sabendo que o verão ainda agora começou, estará Portugal preparado para lidar com o calor extremo? Serão as infraestruturas críticas nacionais de transporte, energia e comunicações capazes de lidar com as temperaturas elevadas que se preveem?</p>
<p><strong>Um clima que pode já não existir</strong></p>
<p>“De um modo geral, as infraestruturas de energia, comunicações e transportes em Portugal apresentam um nível razoável de robustez”, diz-nos Elói Figueiredo, engenheiro civil e professor catedrático da Universidade Lusófona, em Lisboa. “Contudo, o clima para o qual grande parte das infraestruturas portuguesas foi projetada poderá já não existir”, acrescenta.</p>
<figure id="attachment_301060" aria-describedby="caption-attachment-301060" style="width: 212px" class="wp-caption alignleft"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-301060" src="https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2026/07/eloi-figueiredo-e1783086851239-212x300.jpg" alt="" width="212" height="300" srcset="https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2026/07/eloi-figueiredo-e1783086851239-212x300.jpg 212w, https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2026/07/eloi-figueiredo-e1783086851239.jpg 500w" sizes="auto, (max-width: 212px) 100vw, 212px" /><figcaption id="caption-attachment-301060" class="wp-caption-text">Elói Figueiredo é professor catedrático da Universidade Lusófona, engenheiro civil especialista em resiliência de infraestruturas e coordenador do centro de investigação RISE – Resilient Infrastructure Systems and Environment.</figcaption></figure>
<p>O especialista em resiliência de infraestruturas, e coordenador do centro de investigação <a href="https://rise.ulusofona.pt/" target="_blank" rel="noopener">RISE – Resilient Infrastructure Systems and Environment,</a> explica que, ao longo de décadas, as infraestruturas em Portugal foram sendo “sucessivamente construídas, adaptadas e sobrepostas”, o que criou “um sistema infraestrutural complexo” no qual coexistem “diferentes gerações, níveis de conhecimento e pressupostos de projeto”.</p>
<p>Grande parte das estradas, das linhas ferroviárias, pontes e sistemas energéticos “foi projetada assumindo um clima relativamente estável”, mas “num contexto de extremos climáticos cada vez mais frequentes, essa premissa deixou provavelmente de ser válida”, avisa.</p>
<p>O calor extremo causa deformações que levam ao limite a capacidade de tolerância de carris e pontes, aceleram a degradação de estradas e sobreaquecem equipamentos elétricos, “o que pode resultar em interrupções temporárias”, avança. Mas o problema não é só das infraestruturas e também se reflete ao nível da qualidade dos serviços prestados.</p>
<p>Elói Figueiredo dá como exemplo “episódios de desconforto térmico” no comboio de longo curso Alfa Pendular, que de desloca entre o Norte e do Sul do país, em alturas de grande calor. Aponta também a “interrupção intermitente” que durante várias semanas atingiu a Linha do Norte devido a inundações e quedas de árvores causadas pelo “comboio de tempestades”, o que, para ele, “provou a falta de resiliência climática da linha ferroviária”.</p>
<p>No dia 3 de julho, a CP – Comboios de Portugal emitiu um <a href="https://www.cp.pt/pt/detalhe-aviso/temperaturas-extremas-julho-26" target="_blank" rel="noopener">aviso</a> no qual dizia, precisamente, que devido à onda de calor que atingia o país era possível a ocorrência de “alterações às condições de circulação e de conforto de alguns comboios”, deixando claro a exposição dessas infraestruturas aos piores efeitos das alterações climáticas.</p>
<p><strong>O conhecimento já existe</strong></p>
<p>Apesar de reconhecer que Portugal está hoje “mais bem capacitado do que há uma década” para responder a fenómenos climáticos fora do comum, e que os responsáveis pela gestão das infraestruturas críticas estão a adquirir “uma cultura de ação”, o catedrático diz que o país continua numa “fase de adaptação reativa”. Ou seja, responde aos eventos depois de acontecerem, “em vez de antecipar sistematicamente riscos futuros”, lamenta.</p>
<p>O conhecimento sobre como adaptar as infraestruturas ao clima que hoje temos já existe, diz-nos Elói Figueiredo, pelo que “o grande desafio” estão em convertê-lo em normas, investimentos e decisões “antes que os danos se tornem mais caros do que a prevenção”.</p>
<p>No que toca a infraestruturas já existentes, o especialista diz que a adaptação climática deve ser central na reabilitação. Entre 2021 e 2023, coordenou o projeto “ClimaBridge”, que estudou o impacto do aumento uniforme da temperatura numa ponte de betão armado no norte do país, construída na década de 1990. Percebeu-se que as normas da altura subestimavam “significativamente” os efeitos das variações de temperatura.</p>
<p>Contudo, as normas europeias relativas ao projeto de estruturas de edifícios e de outras obras de engenharia civil, os chamados Eurocódigos Estruturais, já oferecem “uma margem de segurança mais adequada para enfrentar um clima em mudança”, descreve Elói Figueiredo. “É um novo paradigma no dimensionamento, baseado em projeções futuras e não apenas em dados históricos”, salienta.</p>
<p>Assim, “a ciência e a tecnologia necessárias já existem em muitos domínios”, diz, pelo que resta incorporá-las integralmente na forma como se concebem, implementam, gerem e reabilitam as infraestruturas.</p>
<p><strong>Energia e comunicações</strong></p>
<p>Também as redes energéticas estão a ser impactadas por fenómenos climáticos extremos, agora, especificamente, pela onda de calor. Por exemplo, em França um “apagão” deixou quase 70.000 casas sem eletricidade depois de uma falha num transformador relacionada com o calor extremo.</p>
<p>Em Portugal, a ministra do Ambiente e Energia admite a <a href="https://greensavers.sapo.pt/calor-ministra-do-ambiente-pede-economia-de-agua-e-admite-apagoes-localizados/" target="_blank" rel="noopener">possibilidade de “apagões” localizados</a> devido a uma eventual “sobrecarga da utilização da eletricidade”. Mais calor leva a um maior consumo de eletricidade para aparelhos de refrigeração, como ar condicionado, que sobrecarregam a rede.</p>
<p>“Temos uma rede neste momento muito resiliente, mas não estamos livres disso poder acontecer, como aconteceu em França e em outros países da Europa”, reconhece Maria da Graça Carvalho.</p>
<p>Elói Figueiredo explica que as altas temperaturas e ondas de calor mais frequentes “elevam a probabilidade de perturbações nos sistemas energéticos”. E isso pode traduzir-se, diz-nos o especialista, na redução da eficiência das linhas elétricas, dos transformadores e dos centros de dados. A juntar a isso, o aumento do consumo de eletricidade devido à “utilização intensiva” de sistemas de ar condicionado é mais um fator de pressão.</p>
<p>“A resiliência das infraestruturas energéticas é cada vez mais determinante num clima em mudança”, e “o mesmo raciocínio pode ser aplicado às infraestruturas de comunicação, cuja operação depende da disponibilidade de energia e do controlo térmico dos equipamentos”, aponta o catedrático.</p>
<p>“O aumento da resiliência das infraestruturas energéticas e de comunicação deverá privilegiar a redundância, a descentralização e a capacidade de recuperação rápida após eventos extremos”, defende.</p>
<p><strong>É preciso ir mais longe</strong></p>
<p>No passado mês de junho, o <a href="https://greensavers.sapo.pt/governo-aprovou-nova-estrategia-de-adaptacao-as-alteracoes-climaticas/" target="_blank" rel="noopener">Governo</a> aprovou a nova <a href="https://participa.pt/contents/consultationdocument/ENAAC_2030_2810.pdf" target="_blank" rel="noopener">Estratégia Nacional de Adaptação às Alterações Climáticas 2030</a> (ENAAC2030), que tem como um dos objetivos estratégicos “acelerar a implementação de medidas de adaptação, integrando o risco climático no planeamento, promovendo o ‘climate proofing’ das infraestruturas e atividades, e acelerando a execução de medidas concretas”.</p>
<p>Por todo o documento encontram-se referências aos riscos representados pelas alterações climáticas às infraestruturas em Portugal, bem como à importância de agir para reforçar a sua resiliência a fenómenos extremos. Ainda que seja “um passo importante”, Elói Figueiredo considera que o ENAAC2030 é “insuficiente para garantir a resiliência climática das infraestruturas portuguesas nas próximas décadas”.</p>
<p>Como “grande crítica”, aponta o facto de Portugal não ter ainda “um programa nacional de adaptação das infraestruturas críticas, com prioridades, metas e financiamento claramente definidos”.</p>
<p>“A adaptação climática está a ganhar visibilidade em Portugal, mas a efetivação está ainda longe da dimensão que o problema exige”, sublinha Elói Figueiredo, explicando que “ainda não está sistematizada a integração das projeções climáticas e do risco climático no planeamento das infraestruturas e na priorização de investimentos preventivos na adaptação”.</p>
<p>Mas a responsabilidade não pode ser somente imputada ao Estado central, que, reconhece o especialista, tem um “papel insubstituível” na definição de estratégias nacionais, na regulamentação e no financiamento de infraestruturas críticas. Também os municípios são chamados a contribuir.</p>
<p>Explica o catedrático da Lusófona que as autarquias desempenham “um papel fundamental”, pois “são responsáveis pelo ordenamento do território, pela gestão de grande parte da rede viária local, pela drenagem urbana, pela proteção civil e pela resposta de proximidade às populações”. Por isso, destaca como “decisiva” a integração das alterações climáticas nos instrumentos de planeamento municipal e nos investimentos em infraestruturas locais “para aumentar a resiliência do território português”.</p>
<p>As empresas que gerem sistemas de transportes, energia e comunicações são outros dos intervenientes indispensáveis. Para Elói Figueiredo, essas entidades “têm a responsabilidade de incorporar o risco climático na gestão dos seus ativos e de desenvolver planos de adaptação e continuidade de serviço”. Ainda assim, reconhece que a mobilização dessas empresas para estes esforços “dependerá muito do retorno financeiro imediato da adaptação”.</p>
<p><strong>Ainda não é uma prioridade política</strong></p>
<p>Apesar de estar cada vez mais presente nos debates públicos e políticos, especialmente depois dos eventos extremos que têm assolado o país desde o início do ano, a adaptação climática das infraestruturas críticas “ainda não se tornou uma prioridade política ao mesmo nível de outras áreas”, considera o coordenador do centro de investigação RISE.</p>
<p>E isso é explicado, pelo menos em parte, pelo facto de os “benefícios do investimento preventivo” serem “menos visíveis do que os custos da reconstrução após catástrofe”, explica Elói Figueiredo, que sentencia que “continuamos a investir mais na reparação dos danos do que na redução das vulnerabilidades”.</p>
<p>Para que esse paradigma se altere, “é necessário quantificar economicamente os riscos, demonstrar que a adaptação precoce é mais barata do que a reconstrução reativa e criar mecanismos estáveis de financiamento para a resiliência climática”, esclarece o catedrático. E acrescenta que “o investimento em adaptação deve ser encarado como uma política de segurança nacional e de competitividade económica”.</p>
<p>Estima-se que as tempestades do início do ano terão já este ano um impacto de cerca de mil milhões de euros, cerca de 0,3% do PIB, na receita fiscal e contributiva, um efeito que ainda se fará sentir em 2027, com um impacto previsto de 300 milhões.</p>
<p>Descrevendo as infraestruturas de energia, comunicações e transportes como “a espinha dorsal de sociedades modernas”, cujas falhas “propagam-se rapidamente” pela economia, pelos serviços públicos e pela vida quotidiana de todas as pessoas, Elói Figueiredo sentencia que investir na sua resiliência climática é, na sua essência, “reduzir perdas económicas, proteger vidas humanas, aumentar a segurança do território e garantir a continuidade de serviços essenciais”.</p>
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		<title>Ministra diz que nova interligação elétrica com Espanha protege contra apagões</title>
		<link>https://greensavers.sapo.pt/ministra-diz-que-nova-interligacao-eletrica-com-espanha-protege-contra-apagoes/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Green Savers com Lusa]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 02 Jul 2026 14:03:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Green Savers]]></category>
		<category><![CDATA[apagões]]></category>
		<category><![CDATA[espanha]]></category>
		<category><![CDATA[interligação elétrica]]></category>
		<category><![CDATA[Ministra]]></category>
		<category><![CDATA[nacional]]></category>
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					<description><![CDATA[“Dá-nos maior resiliência, de um lado e de outro, podemos aumentar a capacidade de produzir energias renováveis, dá segurança do abastecimento e menos probabilidade de um apagão”, explicou Maria da Graça Carvalho aos jornalistas em Pontevedra, Galiza, Espanha.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p class="text-paragraph">A ministra do Ambiente e Energia disse hoje que a nova interligação elétrica com Espanha vai dar “mais resiliência à rede” e proteger os países “contra os apagões”.</p>
<p class="text-paragraph">“Dá-nos maior resiliência, de um lado e de outro, podemos aumentar a capacidade de produzir energias renováveis, dá segurança do abastecimento e menos probabilidade de um apagão”, explicou Maria da Graça Carvalho aos jornalistas em Pontevedra, Galiza, Espanha.</p>
<p class="text-paragraph">A ministra falava após a inauguração simbólica da ligação de alta tensão entre a rede portuguesa e a rede espanhola, através das subestações de Ponte de Lima (distrito de Viana do Castelo), Fontefría e Beariz, num investimento de 70 milhões de euros do lado português para reforçar as trocas de eletricidade entre os dois países e a integrar mais energias renováveis.</p>
<p class="text-paragraph">De acordo com a governante, Portugal atingiu já a meta definida pela União Europeia para 2030 de alcançar 15% de interligações entre Portugal e Espanha.</p>
<p class="text-paragraph">“Para ter um sistema elétrico eficiente e sustentável é preciso ter produção, armazenamento e rede. O objetivo é termos uma rede mais forte, tanto em cada um dos países como na interligação entre países”, explicou.</p>
<p class="text-paragraph">No discurso, a ministra destacou o “trabalho redobrado de rendilhado” da nova interligação, necessário para responder às reivindicações de autarcas e reduzir o impacto “no ambiente, na paisagem, nas pessoas e valores culturais”.</p>
<p class="text-paragraph">“Do lado de Portugal a linha atravessa o Parque Nacional da Peneda Gerês. Isso levou a um trabalho redobrado de rendilhado para que tivesse o menor impacto”, vincou.</p>
<p class="text-paragraph">Devido à contestação de autarcas, houve a “necessidade de relocalizar alguns postos” e fazer “um redesenho parcial do traçado”, disse, referindo também as indemnizações da REN – Rede Elétrica Nacional aos municípios portugueses afetados.</p>
<p class="text-paragraph">De acordo com a REN, a nova ligação permitirá atingir de forma sustentada uma capacidade comercial mínima de interligação de 3.000 megawatts nos dois sentidos, conforme acordado em cimeira ibérica entre os governos de Portugal e Espanha.</p>
<p class="text-paragraph">Segundo informação disponível no site da REN, o projeto permite aumentar a capacidade de interligação entre Portugal e Espanha, em linha com os objetivos do Mercado Ibérico de Eletricidade (MIBEL) e com as metas europeias de capacidade transfronteiriça.</p>
<p class="text-paragraph">Na prática, a nova infraestrutura deverá permitir mais trocas de eletricidade entre os dois países, reduzir situações de congestionamento nas redes e facilitar a integração de produção renovável no sistema elétrico.</p>
<p class="text-paragraph">A nova ligação entra em serviço pouco mais de um ano depois do apagão ibérico de 28 de abril de 2025, que afetou Portugal e Espanha e reforçou o debate sobre a necessidade de redes elétricas mais robustas.</p>
<p class="text-paragraph">A interligação faz parte de um novo eixo entre Beariz e Fontefría, em Espanha, e a zona do Porto, passando, em Portugal, pelas subestações de Ponte de Lima e Vila Nova de Famalicão.</p>
<p class="text-paragraph">O projeto contempla uma linha aérea dupla de 400 kV entre Beariz, Fontefría e Ponte de Lima, com uma extensão total estimada de 90 quilómetros, dos quais 18 em Espanha e 72 em Portugal.</p>
<p class="text-paragraph">Numa fase inicial, o troço transfronteiriço entre Fontefría e Ponte de Lima terá apenas um circuito instalado.</p>
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		<title>Até pequenos fragmentos de floresta podem ser importantes refúgios para as aves. Tudo depende da paisagem envolvente</title>
		<link>https://greensavers.sapo.pt/ate-pequenos-fragmentos-de-floresta-podem-ser-importantes-refugios-para-as-aves-tudo-depende-da-paisagem-envolvente/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Filipe Pimentel Rações]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 30 Jun 2026 07:03:10 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Biodiversidade]]></category>
		<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[Green Savers]]></category>
		<category><![CDATA[Natureza]]></category>
		<category><![CDATA[aves]]></category>
		<category><![CDATA[ciência]]></category>
		<category><![CDATA[conservação]]></category>
		<category><![CDATA[entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[internacional]]></category>
		<category><![CDATA[natureza]]></category>
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					<description><![CDATA[O investigador brasileiro Anderson Bueno falou com a Green Savers sobre o seu mais recente estudo científico, que considera ser um sinal de esperança para a conservação das aves num mundo em que as florestas continuam a ser fragmentadas e perdidas.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>As florestas cobrem cerca de um terço da superfície terrestre do planeta, chegando aos quatro mil milhões de hectares. Apesar de a desflorestação ter <a href="https://www.fao.org/newsroom/detail/global-deforestation-slows--but-forests-remain-under-pressure--fao-report-shows/en" target="_blank" rel="noopener">desacelerado</a> de uma taxa de 17,6 milhões de hectares por ano entre 1990 e 2000 para 10,9 milhões entre 2015 e 2025, as florestas continuam sob grande pressão, especialmente devido à expansão de cidades, à degradação causada por infraestruturas como estradas, e sobretudo pela destruição para dar lugar a áreas de exploração agrícola e pecuária.</p>
<p>Perto de metade das florestas da Terra estão nos trópicos, regiões conhecidas pela grande variedade de formas de vida, pelo que se consideram indispensáveis para a conservação da biodiversidade do planeta, além de importantes aliados no combate à crise climática.</p>
<p>Pelo mundo fora, a conversão de florestas em zonas de pasto ou em áreas de cultivo de alimentos, por exemplo, está a fragmentar esses ecossistemas, criando “ilhas” florestais isoladas numa paisagem despida de árvores, ou com apenas uma mão-cheia delas, muito afastadas umas das outras, como torres solitárias que se erguem num “mar” de vegetação rasteira.</p>
<p>É uma teoria relativamente bem estabelecida na Ecologia que os fragmentos florestais têm menos diversidade de espécies quanto menores forem. Contudo, uma investigação recentemente divulgada na revista ‘<a href="https://www.pnas.org/doi/10.1073/pnas.2521783123" target="_blank" rel="noopener">PNAS’</a> vem mostrar que, mesmo sem ampliar a área de um fragmento, é possível aumentar o número de espécies de aves que nele vivem melhorando a qualidade da paisagem envolvente.</p>
<figure id="attachment_300636" aria-describedby="caption-attachment-300636" style="width: 802px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-300636 " src="https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2026/06/1-MAIN-ILLUSTRATION-medium-resolution-contrasting-landscapes-Matheus-Gadelha-scaled.jpg" alt="" width="802" height="992" srcset="https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2026/06/1-MAIN-ILLUSTRATION-medium-resolution-contrasting-landscapes-Matheus-Gadelha-scaled.jpg 2068w, https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2026/06/1-MAIN-ILLUSTRATION-medium-resolution-contrasting-landscapes-Matheus-Gadelha-242x300.jpg 242w, https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2026/06/1-MAIN-ILLUSTRATION-medium-resolution-contrasting-landscapes-Matheus-Gadelha-827x1024.jpg 827w, https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2026/06/1-MAIN-ILLUSTRATION-medium-resolution-contrasting-landscapes-Matheus-Gadelha-768x951.jpg 768w, https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2026/06/1-MAIN-ILLUSTRATION-medium-resolution-contrasting-landscapes-Matheus-Gadelha-1241x1536.jpg 1241w, https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2026/06/1-MAIN-ILLUSTRATION-medium-resolution-contrasting-landscapes-Matheus-Gadelha-1654x2048.jpg 1654w, https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2026/06/1-MAIN-ILLUSTRATION-medium-resolution-contrasting-landscapes-Matheus-Gadelha-600x743.jpg 600w" sizes="auto, (max-width: 802px) 100vw, 802px" /><figcaption id="caption-attachment-300636" class="wp-caption-text">Esta ilustração resume a conclusão desta investigação: é possível aumentar o número de espécies de aves em fragmentos florestais mesmo sem aumentar o próprio fragmento, através da melhoria da paisagem envolvente. Ilustração por Matheus Gadelha.</figcaption></figure>
<p>Com esse trabalho, foi possível quantificar o quanto “o que está do lado de fora do fragmento florestal influencia o número de espécies de aves que vivem dentro dele”, explica-nos Anderson Bueno, primeiro autor do estudo que envolveu mais de meia centena de investigadores.</p>
<p>Detalha o ecólogo e professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Farroupilha (IFFar), no Brasil, que “a perda de espécies que seria esperada apenas com base no tamanho do fragmento pode ser atenuada quando a paisagem envolvente é mais favorável, especialmente em fragmentos florestais pequenos”. Assim, se a paisagem envolvente for adequada, a perda de espécies de aves nos fragmentos pode ser reduzida.</p>
<p>Os cientistas reuniram dados de quase duas mil espécies de aves documentadas em mais de mil remanescentes de florestas tropicais e subtropicais em 17 países diferentes, das Américas à Ásia, passando por África. Mais especificamente, olharam para a diversidade de espécies de aves em 669 fragmentos com envolvente terrestre, como áreas de pasto, agricultura ou cidade, e 336 com envolvente aquática, como em reservatórios de centrais hidroelétricas.</p>
<figure id="attachment_300633" aria-describedby="caption-attachment-300633" style="width: 801px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-300633 " src="https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2026/06/2.2-Aerial-view-of-a-forest-fragment-Alexandre-C.-Lees-scaled.jpg" alt="" width="801" height="601" srcset="https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2026/06/2.2-Aerial-view-of-a-forest-fragment-Alexandre-C.-Lees-scaled.jpg 2560w, https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2026/06/2.2-Aerial-view-of-a-forest-fragment-Alexandre-C.-Lees-300x225.jpg 300w, https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2026/06/2.2-Aerial-view-of-a-forest-fragment-Alexandre-C.-Lees-1024x768.jpg 1024w, https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2026/06/2.2-Aerial-view-of-a-forest-fragment-Alexandre-C.-Lees-768x576.jpg 768w, https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2026/06/2.2-Aerial-view-of-a-forest-fragment-Alexandre-C.-Lees-1536x1152.jpg 1536w, https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2026/06/2.2-Aerial-view-of-a-forest-fragment-Alexandre-C.-Lees-2048x1536.jpg 2048w, https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2026/06/2.2-Aerial-view-of-a-forest-fragment-Alexandre-C.-Lees-600x450.jpg 600w" sizes="auto, (max-width: 801px) 100vw, 801px" /><figcaption id="caption-attachment-300633" class="wp-caption-text">Vista aérea de um fragmento de floresta com envolvente terrestre. Foto: Alexander C. Lees.</figcaption></figure>
<p>Para perceber como é que a paisagem envolvente afeta o número de espécies de aves, foram comparados fragmentos florestais cercados por ambientes terrestres modificados pela pecuária, pela agricultura e pela urbanização com “ilhas” florestais rodeadas por água em reservatórios de centrais hidroelétricas.</p>
<p>A equipa acredita que os resultados obtidos são sinais de esperança para a conservação da biodiversidade, uma vez que, mesmo em fragmentos pequenos, é possível ter uma grande quantidade de espécies distintas de aves.</p>
<p><strong>Envolventes de alta qualidade</strong></p>
<p>Tudo depende da qualidade da paisagem que envolve os fragmentos de floresta, asseveram os investigadores. E nem todas as envolventes têm os mesmos efeitos.</p>
<p>Diz-nos Anderson Bueno que a paisagem circundante “mais favorável” a uma maior diversidade de espécies de aves nos fragmentos florestais é “um ambiente terrestre em que há maior presença de vegetação arbórea na vizinhança”, como árvores dispersas, arvoredo que cresce nas margens de massas de águas, como rios e lagos, ou outros fragmentos próximos.</p>
<p>“Os nossos resultados não indicam a existência de um nível mínimo de cobertura arbórea”, esclarece o investigador. “O que observámos foi uma relação gradual”, acrescenta: “quanto maior a presença de vegetação arbórea no entorno dos fragmentos florestais, maior tende a ser o benefício para a biodiversidade”. E esse benefício é ainda mais notório em fragmentos florestais de pequenas dimensões, explica-nos.</p>
<figure id="attachment_300635" aria-describedby="caption-attachment-300635" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-300635 " src="https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2026/06/Anderson-Fieldwork-3.jpg" alt="" width="800" height="600" srcset="https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2026/06/Anderson-Fieldwork-3.jpg 2560w, https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2026/06/Anderson-Fieldwork-3-300x225.jpg 300w, https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2026/06/Anderson-Fieldwork-3-1024x768.jpg 1024w, https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2026/06/Anderson-Fieldwork-3-768x576.jpg 768w, https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2026/06/Anderson-Fieldwork-3-1536x1152.jpg 1536w, https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2026/06/Anderson-Fieldwork-3-2048x1536.jpg 2048w, https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2026/06/Anderson-Fieldwork-3-600x450.jpg 600w" sizes="auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-300635" class="wp-caption-text">O ecólogo brasileiro Anderson Bueno a recolher dados durante trabalho de campo. Foto: Anderson S. Bueno.</figcaption></figure>
<p>O estudo centrou-se em florestas na América Central e do Sul, na África Ocidental e Oriental, na Índia e em países do sudeste asiático, onde se regista uma grande biodiversidade e onde há “um histórico mais recente de perturbações ambientais causadas por atividades humanas”.</p>
<p>Questionado sobre se algo semelhante poderia acontecer em zonas temperadas, como na Europa, Anderson Bueno recorda que, nessas regiões do planeta, há “uma menor variedade de espécies”, comparando com os trópicos, e “um histórico mais antigo do uso da terra”. Por isso, considera que “embora os padrões observados no nosso estudo possam ser aplicáveis a outras regiões do mundo, é provável que os efeitos da qualidade do entorno sobre as espécies que vivem em fragmentos florestais sejam mais pronunciados nas regiões tropicais e subtropicais”.</p>
<p>O investigador refere que práticas que aumentam a presença de árvores na paisagem, como sistemas agroflorestais, em plantações de café e cacau, por exemplo, ou o uso de árvores em “sebes vivas”, podem criar “um entorno mais favorável para espécies silvestres associadas aos fragmentos florestais próximos”. No entanto, o cientista avisa que, dessa forma, “é possível reduzir, mas não eliminar, os impactos da perda de habitat sobre a biodiversidade”.</p>
<figure id="attachment_300637" aria-describedby="caption-attachment-300637" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-300637 " src="https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2026/06/2.4-Pithys-albifrons-White-plumed-Antbird-Anderson-S.-Bueno.jpg" alt="" width="800" height="600" srcset="https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2026/06/2.4-Pithys-albifrons-White-plumed-Antbird-Anderson-S.-Bueno.jpg 2560w, https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2026/06/2.4-Pithys-albifrons-White-plumed-Antbird-Anderson-S.-Bueno-300x225.jpg 300w, https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2026/06/2.4-Pithys-albifrons-White-plumed-Antbird-Anderson-S.-Bueno-1024x768.jpg 1024w, https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2026/06/2.4-Pithys-albifrons-White-plumed-Antbird-Anderson-S.-Bueno-768x576.jpg 768w, https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2026/06/2.4-Pithys-albifrons-White-plumed-Antbird-Anderson-S.-Bueno-1536x1152.jpg 1536w, https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2026/06/2.4-Pithys-albifrons-White-plumed-Antbird-Anderson-S.-Bueno-2048x1536.jpg 2048w, https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2026/06/2.4-Pithys-albifrons-White-plumed-Antbird-Anderson-S.-Bueno-600x450.jpg 600w" sizes="auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-300637" class="wp-caption-text">Para avaliarem a diversidade de aves existente nos fragmentos, os investigadores capturaram e registaram as espécies que encontraram. Este é um papa-formiga-de-topete (<em>Pithys albifrons</em>). Foto: Anderson S. Bueno.</figcaption></figure>
<p>Assim, para realmente proteger a biodiversidade a solução é preservar a floresta, recuperá-la e reunir os seus fragmentos numa só rede contínua de vida.</p>
<p>A grande maioria das paisagens fragmentadas são compostas por pequenas “ilhas” florestais, pelo que, para Anderson Bueno, a “mensagem de esperança” trazida por esta investigação “reside no facto de que esses pequenos pedaços de floresta poderem abrigar mais espécies do que seria esperado com base apenas no seu tamanho, desde que o entorno seja mais favorável à biodiversidade”.</p>
<p>“Ao combinar a proteção da floresta com a melhoria do seu entorno, estaremos a aumentar o valor de conservação dos fragmentos florestais”, sentencia o líder deste estudo.</p>
<p><strong>A floresta ainda tem futuro? Com vontade política e investimento</strong></p>
<p>Apesar de a cobertura florestal a nível global continuar em queda, pressionada pela expansão agrícola e urbana, Anderson Bueno acredita que ainda há motivos para pensar que nem tudo está, para já, perdido.</p>
<p>O primeiro motivo tem a ver com a legislação. Diz-nos o investigador brasileiro que, no Brasil, “os proprietários rurais devem cumprir leis que garantem a proteção da vegetação nativa e das margens dos rios”, algo que gera benefícios diretos para a biodiversidade.</p>
<p>“A localização das áreas a serem protegidas ou recuperadas pode ser definida de forma estratégica para maximizar esses benefícios”, afirma, acrescentando que um fragmento florestal perto de uma galeria ripícola tende a abrigar mais espécies de aves do que um fragmento com o mesmo tamanho localizado longe da galeria ripícola.</p>
<figure id="attachment_300638" aria-describedby="caption-attachment-300638" style="width: 807px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-300638 " src="https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2026/06/3.06-Tangara-seledon-Green-headed-Tanager-Jose-Carlos-Morante-Filho-scaled.jpg" alt="" width="807" height="538" srcset="https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2026/06/3.06-Tangara-seledon-Green-headed-Tanager-Jose-Carlos-Morante-Filho-scaled.jpg 2560w, https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2026/06/3.06-Tangara-seledon-Green-headed-Tanager-Jose-Carlos-Morante-Filho-300x200.jpg 300w, https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2026/06/3.06-Tangara-seledon-Green-headed-Tanager-Jose-Carlos-Morante-Filho-1024x683.jpg 1024w, https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2026/06/3.06-Tangara-seledon-Green-headed-Tanager-Jose-Carlos-Morante-Filho-768x512.jpg 768w, https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2026/06/3.06-Tangara-seledon-Green-headed-Tanager-Jose-Carlos-Morante-Filho-1536x1024.jpg 1536w, https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2026/06/3.06-Tangara-seledon-Green-headed-Tanager-Jose-Carlos-Morante-Filho-2048x1365.jpg 2048w, https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2026/06/3.06-Tangara-seledon-Green-headed-Tanager-Jose-Carlos-Morante-Filho-600x400.jpg 600w" sizes="auto, (max-width: 807px) 100vw, 807px" /><figcaption id="caption-attachment-300638" class="wp-caption-text">A saíra-sete-cores (<em>Tangara seledon</em>) foi uma das espécies registadas pelos cientistas durante este estudo. Foto: José Carlos Morante-Filho.</figcaption></figure>
<p>O segundo motivo, aponta Anderson Bueno, é económico. Para o ecólogo, “incentivos financeiros, como pagamentos por serviços ambientais, podem estimular proprietários rurais a destinar áreas adicionais de suas propriedades à conservação e à recuperação da vegetação nativa”.</p>
<p>“Esse tipo de incentivo tem o potencial de conciliar a conservação da biodiversidade com os interesses económicos dos proprietários rurais”, salienta, convertendo duas dimensões frequentemente antagónicas em faces de uma mesma moeda.</p>
<p>Recentemente, o presidente brasileiro Lula da Silva revelou que <a href="https://greensavers.sapo.pt/lula-usa-queda-do-desmatamento-na-amazonia-para-confrontar-tarifas-dos-eua/">os alertas de desflorestação</a> na Amazónia caíram 37,5% e 8,2% no Cerrado, entre agosto e maio de 2025 e o mesmo período de 2026. Além disso, estima-se que a perda de floresta na Amazónia tenha sido <a href="https://greensavers.sapo.pt/desflorestacao-na-amazonia-brasileira-caiu-87-em-2025/">reduzida em 8,7%</a> de 2024 para 2025, com uma redução também registada no Cerrado. As conquistas são amplamente atribuídas às políticas ambientais do atual governo brasileiro, que tenta recuperar os danos causados pelo executivo de Jair Bolsonaro.</p>
<p>Para Anderson Bueno, “apesar dos desafios impostos pela perda de habitat e pelas alterações climáticas, avanços recentes na redução da desflorestação na Amazónia brasileira mostram que resultados positivos são possíveis quando há vontade política e investimento em conservação”.</p>
<figure id="attachment_300639" aria-describedby="caption-attachment-300639" style="width: 801px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-300639 " src="https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2026/06/3.01-Amazonian-forest-island-interior-Anderson-S.-Bueno.jpg" alt="" width="801" height="601" srcset="https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2026/06/3.01-Amazonian-forest-island-interior-Anderson-S.-Bueno.jpg 2560w, https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2026/06/3.01-Amazonian-forest-island-interior-Anderson-S.-Bueno-300x225.jpg 300w, https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2026/06/3.01-Amazonian-forest-island-interior-Anderson-S.-Bueno-1024x768.jpg 1024w, https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2026/06/3.01-Amazonian-forest-island-interior-Anderson-S.-Bueno-768x576.jpg 768w, https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2026/06/3.01-Amazonian-forest-island-interior-Anderson-S.-Bueno-1536x1152.jpg 1536w, https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2026/06/3.01-Amazonian-forest-island-interior-Anderson-S.-Bueno-2048x1536.jpg 2048w, https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2026/06/3.01-Amazonian-forest-island-interior-Anderson-S.-Bueno-600x450.jpg 600w" sizes="auto, (max-width: 801px) 100vw, 801px" /><figcaption id="caption-attachment-300639" class="wp-caption-text">Dentro de uma fragmento de floresta na Amazónia. Foto: Anderson S. Bueno.</figcaption></figure>
<p>Lembrando que “as ações humanas são uma grande ameaça à biodiversidade do planeta”, especialmente motivadas pela “crescente demanda de produtos” por parte de “uma população cada vez maior e mais consumista”, o cientista avisa que “o futuro da biodiversidade dependerá da nossa capacidade de alinhar políticas públicas, incentivos económicos e práticas produtivas que reduzam os impactos ambientais e favoreçam a conservação dos ecossistemas naturais”.</p>
<p>Para ele, isso é possível “se a política e a economia caminharem juntas”.</p>
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		<title>Onde de calor na Europa matou 1.300 pessoas desde 21 de junho</title>
		<link>https://greensavers.sapo.pt/onde-de-calor-na-europa-matou-1-300-pessoas-desde-21-de-junho/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Green Savers com Lusa]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 29 Jun 2026 07:47:50 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Green Savers]]></category>
		<category><![CDATA[calor]]></category>
		<category><![CDATA[internacional]]></category>
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					<description><![CDATA[“Foram registadas mais de 1.300 mortes adicionais desde 21 de junho relacionadas com as temperaturas elevadas na Europa”, declarou hoje, no X, o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, Tedros Adhanom Ghebreyesus.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, Tedros Adhanom Ghebreyesus, disse ontem que foram registadas desde 21 de junho &#8220;mais de 1300 mortes adicionais&#8221; relacionadas com as ondas de calor na Europa.</p>
<p class="text-paragraph">“Foram registadas mais de 1.300 mortes adicionais desde 21 de junho relacionadas com as temperaturas elevadas na Europa”, declarou hoje, no X, o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, Tedros Adhanom Ghebreyesus.</p>
<p class="text-paragraph">Tedros assinalou que o continente europeu é o que regista o mais rápido aquecimento, duas vezes mais do que a média global.</p>
<p class="text-paragraph">“Neste momento, 150 milhões de pessoas vivem sob calor extremo, centenas de pessoas morreram, as escolas estão fechadas e as redes elétricas estão a ser postas à prova”, acrescentou.</p>
<p class="text-paragraph">O responsável frisou que este tipo de fenómeno ocorria, antigamwnte, uma vez a cada geração, mas acontece atualmente quase de ano a ano, num contexto em que as casas na Europa, bem como os locais de trabalho e as escolas não foram preparadas para este tipo de temperaturas.</p>
<p class="text-paragraph">Pelo menos 191 milhões de habitantes deverão enfrentar temperaturas superiores a 35 graus celsius (ºC), segundo cálculos da AFP, um número ligeiramente inferior ao de sábado.</p>
<p class="text-paragraph">No sábado, os recordes históricos absolutos continuaram a acumular-se: 37 °C na Dinamarca, 41,5 °C na Alemanha, onde também foi registado um novo recorde de temperatura noturna na noite de sábado para domingo: 29,4 °C em Kubschütz (oeste), contra os 27,2 °C registados em agosto de 2003.</p>
<p class="text-paragraph">Hoje, a República Checa registou um novo recorde, com 41,1 °C, valor registado em Doksany, a norte de Praga.</p>
<p class="text-paragraph">Em Berlim, a polícia tenciona voltar a utilizar canhões de água para ajudar os habitantes da capital a refrescarem-se.</p>
<p class="text-paragraph">Em França, o alerta vermelho já se aplica apenas a dois departamentos do leste do país, estando previsto o seu levantamento para as 20:00 horas.</p>
<p class="text-paragraph">As ondas de calor repetidas são um indicador inequívoco das alterações climáticas, causadas principalmente pela queima de combustíveis fósseis pelos seres humanos.</p>
<p class="text-paragraph">Estudos sugerem que a poluição altera a trajetória e a velocidade da corrente de jato (jet stream) atmosférica, que atravessa o continente de oeste para leste. Estas alterações podem favorecer a formação de sistemas de alta pressão que estagnam sobre a Europa, como a atual “cúpula de calor”.</p>
<p class="text-paragraph">“Esta sucessão de eventos (&#8230;) explica por que razão a Europa está a aquecer mais rapidamente do que outras regiões do mundo durante o verão”, afirmou à AFP, a especialista em oceanos e clima e professora da Universidade de Bremen (Alemanha), Marilena Oltmanns.</p>
<p class="text-paragraph">O aumento da temperatura também afeta os mares, levando a um empobrecimento da sua biodiversidade.</p>
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