<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Manchete &#8211; Green Savers</title>
	<atom:link href="https://greensavers.sapo.pt/temas/manchete/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://greensavers.sapo.pt</link>
	<description>Notícias sobre sustentabilidade, ambiente, alterações climáticas, biodiversidade, florestas, finanças verdes, empresas, economia, ODS</description>
	<lastBuildDate>Fri, 03 Jul 2026 08:31:46 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-PT</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	

<image>
	<url>https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2026/01/gs-favicon-100x100.png</url>
	<title>Manchete &#8211; Green Savers</title>
	<link>https://greensavers.sapo.pt</link>
	<width>32</width>
	<height>32</height>
</image> 
	<item>
		<title>Três das quatro espécies de girafas estão a recuperar, mas ameaças persistem</title>
		<link>https://greensavers.sapo.pt/tres-das-quatro-especies-de-girafas-estao-a-recuperar-mas-ameacas-persistem/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Filipe Pimentel Rações]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 05 Jul 2026 15:55:36 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Animais]]></category>
		<category><![CDATA[Biodiversidade]]></category>
		<category><![CDATA[Manchete]]></category>
		<category><![CDATA[Natureza]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://greensavers.sapo.pt/?p=273614</guid>

					<description><![CDATA[As melhorias nas tendências populacionais são “um resultado direto de ações de conservação eficazes”, bem como de intensa investigação e de uma maior sensibilização global para a sua proteção]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Em 2024, um <a href="https://journals.plos.org/plosone/article?id=10.1371/journal.pone.0315043" target="_blank" rel="noopener">estudo publicado na revista ‘PLOS One’</a> declarava ao mundo que, apesar do que se pensava e apesar de algumas resistências em reconhecê-lo oficialmente, há, na verdade, quatro espécies distintas de girafas: a girafa-masai (<em>Giraffa tippelskirchi</em>), a girafa-do-norte (<em>Giraffa camelopardalis</em>), a girafa-do-sul (<em>Giraffa giraffa</em>) e a girafa-reticulada (<em>Giraffa reticulata</em>).</p>
<p>A discussão sobre se existe realmente mais do que uma espécie de girafa ainda não é pacífica e não há exatamente um consenso científico sobre o assunto. Contudo, esse estudo, que se baseia em diferenças na forma e estrutura do crânio e dos ossicones (pequenos altos no topo da cabeça tanto de machos como de fêmeas, semelhantes a cornos), assegura que existem mesmo quatro espécies.</p>
<p>De acordo com a Giraffe Conservation Foundation (GCF), cujos membros participaram nesse estudo, as populações de três das espécies (girafa-do-norte, girafa-reticulada e girafa-do-sul) têm vindo a crescem ao longo dos últimos 30 anos. As populações de girafa-masai, embora não tenham os mesmos níveis de recuperação que as demais, também dão sinais de estabilidade, no que a GCF entende como “um forte sinal de resiliência”.</p>
<p>Os números foram avançados no relatório anual da organização sobre o estado de conservação das girafas em África, o único continente onde atualmente existem em regime selvagem.</p>
<p>De acordo com a GCF, as melhorias nas tendências populacionais são “um resultado direto de ações de conservação eficazes”, bem como de intensa investigação e de uma maior sensibilização global para a sua proteção.</p>
<p>Fruto de um trabalho extenuante, os especialistas estimam que existiam, até junho deste ano, cerca de 43.926 girafas-masai, 7.037 girafas-do-norte, 20.901 girafas-reticuladas e 68.837 girafas-do-sul. Para que o leitor possa ter um termo de comparação, em 1995 estimava-se que existiam 72.290 girafas-masai, 23.771 girafas-do-norte, 36 mil girafas-reticuladas e 31.700 girafas-do-sul. De facto, as populações de girafas-do-sul são as únicas que hoje são mais numerosas do que eram há três décadas.</p>
<p>O relatório atualiza também o mapa de distribuição geográfica das quatro espécies, com as girafas-do-sul concentradas sobretudo na África do Sul, Angola, Botswana, Moçambique, Zâmbia e Zimbabué e as girafas-masai na Tanzânia e da zona de fronteira com o Quénia, onde se encontram as girafas-reticuladas. As populações de girafas-do-norte estão um pouco difundidas pelo centro do continente, em países como o Níger, a República Centro Africana, o Chade, os Camarões e do Sudão do Sul.</p>
<p>Para Julian Fennessy, diretor de conservação e cofundador da GCF, salienta, em comunicado, que os dados plasmados no relatório “apelam a uma reavaliação urgente” da girafa na Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da União Internacional para a Conservação da Natureza, onde ainda só está listada uma espécie, com a categoria de “Vulnerável” ao risco de extinção.</p>
<p>O responsável diz ainda que é preciso reforçar o lugar das girafas em acordos internacionais de proteção de animais selvagens, como a <a href="https://greensavers.sapo.pt/dev/50-anos-de-cites-trafico-de-especies-e-uma-ameaca-tremenda-a-biodiversidade/">Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas de Fauna e Flora Selvagens (CITES),</a> e que cada espécie deve ser um plano de conservação próprio, pois, assegura, soluções de tamanho único “não as salvarão”. Isto, porque, apesar dos esforços de conservação e de algumas boas notícias, ameaças como a caça-furtiva e a perda de habitat persistem e continuam a pôr em risco o futuro desses animais.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Ouro dos resíduos eletrónicos abre um valioso caminho para os mineiros e para o ambiente</title>
		<link>https://greensavers.sapo.pt/ouro-dos-residuos-eletronicos-abre-um-valioso-caminho-para-os-mineiros-e-para-o-ambiente/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 27 Jun 2026 13:55:42 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Manchete]]></category>
		<category><![CDATA[estudo]]></category>
		<category><![CDATA[internacional]]></category>
		<category><![CDATA[ouro]]></category>
		<category><![CDATA[resíduos]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://greensavers.sapo.pt/?p=273921</guid>

					<description><![CDATA[Uma equipa interdisciplinar de especialistas em química verde, engenharia e física da Universidade de Flinders desenvolveu uma abordagem mais segura e sustentável para extrair e recuperar ouro de minérios e resíduos eletrónicos.  A técnica de extração de ouro promete reduzir os níveis de resíduos tóxicos da exploração mineira e mostra que é possível recuperar ouro de elevada pureza a partir da reciclagem de componentes valiosos das placas de circuitos impressos de computadores fora de uso.
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Uma equipa interdisciplinar de especialistas em química verde, engenharia e física da Universidade de Flinders desenvolveu uma abordagem mais segura e sustentável para extrair e recuperar ouro de minérios e resíduos eletrónicos.</p>
<p><a href="https://www.nature.com/articles/s41893-025-01586-w" target="_blank" rel="noopener">Explicada</a> na revista Nature Sustainability, a técnica de extração de ouro promete reduzir os níveis de resíduos tóxicos da exploração mineira e mostra que é possível recuperar ouro de elevada pureza a partir da reciclagem de componentes valiosos das placas de circuitos impressos de computadores fora de uso.</p>
<p>A equipa do projeto, liderada pelo Professor Justin Chalker, de Matthew Flinders, aplicou este método integrado para a extração de ouro de alto rendimento de muitas fontes &#8211; recuperando mesmo vestígios de ouro encontrados em fluxos de resíduos científicos.</p>
<p>O progresso no sentido de uma recuperação de ouro mais segura e sustentável foi demonstrado para resíduos eletrónicos, resíduos de metais mistos e concentrados de minério.</p>
<p>“O estudo apresentou muitas inovações, incluindo um reagente de lixiviação novo e reciclável derivado de um composto utilizado para desinfetar a água”, afirma o Professor de Química Justin Chalker, que dirige o Laboratório Chalker na Faculdade de Ciências e Engenharia da Universidade Flinders.</p>
<p>“A equipa também desenvolveu uma forma totalmente nova de fabricar o sorvente de polímero, ou o material que liga o ouro após a extração para a água, utilizando a luz para iniciar a reação chave&#8221;, acrescenta.</p>
<p>O novo estudo apresenta uma extensa investigação sobre os mecanismos, o âmbito e as limitações dos métodos, e a equipa planeia agora trabalhar com operações de mineração e reciclagem de resíduos eletrónicos para testar o método em maior escala.</p>
<p>“O objetivo é fornecer métodos eficazes de recuperação de ouro que apoiem as muitas utilizações do ouro, diminuindo simultaneamente o impacto no ambiente e na saúde humana”, afirma o Professor Chalker.</p>
<p>O novo processo utiliza um composto benigno e de baixo custo para extrair o ouro. Este reagente é amplamente utilizado no saneamento e desinfeção da água. Quando ativado pela água salgada, o reagente pode dissolver o ouro.</p>
<p>Em seguida, o ouro pode ser ligado seletivamente a um novo polímero rico em enxofre desenvolvido pela equipa de Flinders. A seletividade do polímero permite a recuperação do ouro mesmo em misturas altamente complexas.</p>
<p>O ouro pode então ser recuperado desencadeando o processo de “desfazer” o polímero e convertê-lo de novo em monómero. Isto permite que o ouro seja recuperado e que o polímero seja reciclado e reutilizado.</p>
<p>A procura global de ouro é impulsionada pelo seu elevado valor económico e monetário, mas é também um elemento vital na eletrónica, medicina, tecnologias aeroespaciais e outros produtos e indústrias. Contudo, a extração do metal anterior pode implicar a utilização de substâncias altamente tóxicas, como o cianeto e o mercúrio, para a extração do ouro &#8211; e outros impactos ambientais negativos na água, no ar e na terra, incluindo emissões de CO2 e desflorestação.</p>
<p>O objetivo do projeto liderado por Flinders era fornecer métodos alternativos que fossem mais seguros do que o mercúrio ou o cianeto na extração e recuperação do ouro.</p>
<p>A equipa também colaborou com peritos nos EUA e no Peru para validar o método no minério, num esforço para apoiar as minas de pequena escala que, de outra forma, dependem do mercúrio tóxico para amalgamar o ouro.</p>
<p>A extração de ouro utiliza normalmente cianeto altamente tóxico para extrair o ouro do minério, com riscos para a vida selvagem e para o ambiente em geral se não for devidamente contido. As minas de ouro artesanais e de pequena escala ainda utilizam mercúrio para amalgamar o ouro. Infelizmente, a utilização de mercúrio na extração de ouro é uma das maiores fontes de poluição por mercúrio na Terra.</p>
<p>O Professor Chalker afirma que as colaborações interdisciplinares de investigação com a indústria e os grupos ambientais ajudarão a resolver problemas altamente complexos que apoiam a economia e o ambiente.</p>
<p>“Estamos especialmente gratos aos nossos parceiros de engenharia, mineiros e filantrópicos por apoiarem a tradução das descobertas laboratoriais em demonstrações em maior escala das técnicas de recuperação de ouro.”</p>
<p>Os principais autores do novo e importante estudo &#8211; os investigadores associados de pós-doutoramento da Universidade Flinders, Max Mann, Thomas Nicholls, Harshal Patel e Lynn Lisboa &#8211; testaram extensivamente a nova técnica em pilhas de resíduos eletrónicos, com o objetivo de encontrar soluções mais sustentáveis e de economia circular para utilizar melhor os recursos cada vez mais escassos no mundo. Muitos componentes dos resíduos eletrónicos, como as unidades de CPU e as placas de memória RAM, contêm metais valiosos como o ouro e o cobre.</p>
<p>Mann afirma: “Este documento mostra que são necessárias colaborações interdisciplinares para resolver os grandes problemas mundiais de gestão das crescentes reservas de resíduos eletrónicos”.</p>
<p>Nicholls, bolseiro da ARC DECRA, acrescenta: &#8220;O sorvente de ouro recentemente desenvolvido é produzido através de uma abordagem sustentável em que a luz UV é utilizada para produzir o polímero rico em enxofre. Depois, a reciclagem do polímero após a recuperação do ouro aumenta ainda mais as credenciais ecológicas deste método&#8221;.</p>
<p>Patel explica que &#8220;mergulhámos num monte de resíduos eletrónicos e saímos de lá com um bloco de ouro! Espero que esta investigação inspire soluções com impacto para desafios globais prementes&#8221;.</p>
<p>“Com a crescente procura tecnológica e social de ouro, é cada vez mais importante desenvolver métodos seguros e versáteis para purificar o ouro de várias fontes”, conclui o Dr. Lisboa.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Entrevista: “Muitas empresas estão habituadas a soluções baseadas em plásticos ou metais e têm receio de experimentar alternativas”</title>
		<link>https://greensavers.sapo.pt/entrevista-a-presidente-da-almascience-muitas-empresas-estao-habituadas-a-solucoes-baseadas-em-plasticos-ou-metais-e-tem-receio-de-experimentar-alternativas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ana Filipa Rego]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 14 Jun 2026 07:55:36 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Águas e Resíduos]]></category>
		<category><![CDATA[Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[Inovação & Tecnologia]]></category>
		<category><![CDATA[Manchete]]></category>
		<category><![CDATA[AlmaScience]]></category>
		<category><![CDATA[nacional]]></category>
		<category><![CDATA[Plásticos]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://greensavers.sapo.pt/?p=287028</guid>

					<description><![CDATA[Apostar em tecnologia sustentável é possível sem comprometer desempenho ou lucro. Em entrevista à Green Savers, Carlos Silva, Presidente e CEO da AlmaScience, revela como o laboratório português transforma investigação em protótipos funcionais que promovem a eletrónica verde e materiais circulares no mercado nacional.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p data-start="62" data-end="560">Muitas empresas portuguesas continuam presas a soluções tradicionais em plástico e metal, mas a AlmaScience prova que é possível apostar em tecnologia sustentável sem comprometer desempenho ou lucro. Em entrevista à Green Savers, Carlos Silva, Presidente e CEO da AlmaScience, explica como o laboratório transforma investigação em protótipos funcionais com impacto real na indústria. O objetivo é impulsionar a eletrónica verde e materiais circulares no mercado nacional.</p>
<p data-start="562" data-end="1040">Criada em 2020, a AlmaScience surgiu para colmatar uma lacuna na inovação nacional: aproximar a investigação científica das necessidades reais das empresas. Com uma equipa multidisciplinar que junta químicos, engenheiros, especialistas em design e negócio, o laboratório desenvolve soluções práticas como sensores de papel biodegradáveis, rótulos de hidrogel e sistemas inteligentes para retalho, mostrando que sustentabilidade e desempenho podem coexistir.</p>
<p data-start="1042" data-end="1577">O projeto desafia a resistência das empresas a abandonar métodos convencionais, defendendo que materiais naturais e processos de baixo impacto ambiental podem ser igualmente eficazes. Iniciativas como o PaperWeight AI ou a PetriTag comprovam que produtos verdes podem ser comercialmente viáveis e escaláveis. Para Carlos Silva, Portugal tem potencial para liderar a transição para a eletrónica verde, mas é preciso coragem empresarial, regulamentação adequada e pioneiros que abram caminho à inovação sustentável.</p>
<p><strong>A AlmaScience nasceu com um propósito muito claro de promover a eletrónica verde. O que motivou a criação deste laboratório e que lacuna veio colmatar no panorama nacional da inovação?</strong></p>
<p>A AlmaScience nasceu em 2020 com o objetivo de responder diretamente a um problema do nosso mercado &#8211; a necessidade de se encurtar a distância entre a investigação de ponta e as necessidades reais da indústria na área da sustentabilidade. Acreditamos que ao facilitar este contacto, conseguimos fazer parte da solução para aumentar a competitividade e promover a adoção de tecnologias por parte do tecido empresarial português.</p>
<p>Cinco anos depois, o balanço é muito positivo porque os líderes de mercado valorizam esta agilidade na execução e a entrega de protótipos funcionais.</p>
<p><strong>Como é que a AlmaScience concilia o rigor científico com a necessidade de criar soluções tecnológicas que tenham aplicação prática e valor comercial?</strong></p>
<p>Na AlmaScience, o rigor científico e a aplicabilidade prática não são objetivos separados — trabalham em conjunto desde o primeiro dia com o intuito de criar soluções sustentáveis, que do ponto de vista ecológico quer do ponto de vista económico.</p>
<p>A nossa equipa multidisciplinar inclui cerca de 25 doutorados e mestres em áreas como química, ciência dos materiais e eletrónica, mas também especialistas em desenvolvimento de produto e negócio. Esta combinação garante que a excelência científica está sempre ao serviço de uma aplicação prática.</p>
<p>O nosso processo começa com um workshop de inovação com cada parceiro, onde mapeamos os seus desafios reais. A partir daí, construímos agendas de I&amp;D com objetivos comerciais claros, marcos mensuráveis e prazos definidos. Trabalhamos em ciclos curtos, com provas de conceito rápidas e protótipos funcionais.</p>
<p>Os nossos investigadores não estão isolados em laboratórios — integram equipas que trabalham lado a lado com as empresas. O segredo está em falar simultaneamente a linguagem da ciência e a linguagem dos negócios, garantindo que cada projeto tem viabilidade técnica e comercial.</p>
<p><strong>O vosso laboratório em Almada é descrito como um espaço de investigação aplicada. Pode explicar-nos o que distingue este modelo de um laboratório tradicional de investigação?</strong></p>
<p>Tal como o nome indica, o facto de sermos um laboratório de investigação aplicada significa que tudo o que desenvolvemos tem aplicação prática. Para nós, passar da teoria à prática é a premissa mais importante, por isso, trabalhamos com foco na aplicabilidade e escalabilidade industrial desde a fase de conceção. Quando chega o momento de testar em contexto real, estamos 100% preparados para o fazer.</p>
<p><strong>A AlmaScience aposta em materiais naturais e processos de baixo impacto ambiental. Quais são os principais desafios em trabalhar com este tipo de materiais em vez dos convencionais?</strong></p>
<p>O principal desafio é demonstrar que materiais naturais como o papel e a celulose podem ter o mesmo desempenho — ou até superior — que os materiais convencionais, mas de forma sustentável.</p>
<p>Trabalhar com materiais naturais exige inovação constante. Temos de desenvolver processos de funcionalização que permitam criar sensores, componentes eletrónicos e materiais ativos a partir de papel, mantendo a fiabilidade e a eficiência que o mercado exige.</p>
<p>Outro desafio é a mudança de mentalidade. Muitas empresas estão habituadas a soluções baseadas em plásticos ou metais e têm receio de experimentar alternativas. Por isso, é fundamental demonstrar através de protótipos funcionais e testes reais que as nossas soluções são não só sustentáveis, mas também comercialmente viáveis e competitivas.</p>
<p>Felizmente, contamos com uma base florestal extraordinária em Portugal e com conhecimento profundo sobre transformação de celulose. Isto dá-nos uma vantagem competitiva natural para liderar esta transição para materiais mais sustentáveis e funcionais.</p>
<p><strong>Um dos conceitos centrais que defendem é o da “vida útil apropriada”. Pode explicar-nos melhor esta ideia e como é que ela se traduz na prática dos vossos projetos?</strong></p>
<p>Este conceito é uma consequência natural da nossa aposta em desenvolver soluções economicamente sustentáveis. Ou seja, acreditamos que a tecnologia deve durar exatamente o tempo que for útil, porque depois de cumprir a sua missão, passa a ser apenas um resíduo. E este aspeto é particularmente relevante em áreas como a eletrónica. As nossas soluções respeitam o ciclo de vida do produto, evitam desperdícios e encaixam-se num futuro circular.</p>
<p><strong>Como é que a AlmaScience procura sensibilizar os seus parceiros e clientes para esta visão mais sustentável da tecnologia, que contraria a lógica do “quanto mais durável, melhor”?</strong></p>
<p>Com a aplicação prática. A viabilidade prática e financeira do produto são os dois fatores que mais interessam aos nossos parceiros. Se demonstrarmos que, além de sustentáveis, as nossas soluções são comercialmente viáveis, o resto deixa de ser relevante. E para esta mudança de mentalidade tem contribuído o facto de a sustentabilidade já ser uma exigência natural por parte dos grandes líderes e das maiores empresas.</p>
<p><strong>A AlmaScience tem desenvolvido soluções para diferentes setores – retalho, logística, alimentação e bebidas, entre outros. Há algum projeto que considere particularmente emblemático do vosso trabalho e da vossa filosofia?</strong></p>
<p>Temos muito orgulho em todos os projetos, mas existem três que demonstram a polivalência da AlmaScience e que refletem o nosso posicionamento enquanto centro de inovação colaborativo com impacto real.</p>
<p>O PaperWeight AI, ou sensores de papel para prateleiras inteligentes em retalho. Ou seja, estes sensores comunicam diretamente para o armazém e avisam quando as prateleiras estão desfalcadas. Isto permite perceber em tempo real se é necessário repor os produtos, evitando falhas e tornando o processo mais eficiente. A PaperWeight AI (www.paperweight.ai) é a primeira spin-off da AlmaScience e a primeira spin-off originada por um CoLab nacional. Neste momento tem projetos-piloto a decorrer e/ou a iniciar em breve com diversos retalhistas em Portugal e no estrangeiro.</p>
<p>Temos também a PetriTag, que é um sensor biodegradável que se coloca em embalagens alimentares para deteção precoce de contaminação bacteriana.</p>
<p>Ou o GELA, que é um rótulo de arrefecimento rápido à base de hidrogel celulósico. Este gel acelera significativamente o processo de arrefecimento, de modo que uma garrafa de cerveja fica fria em poucos minutos. O projeto-piloto está em curso com um grande produtor de bebidas nacional.</p>
<p>Além deste projetos, o impacto da AlmaScience mede-se também em inovação gerada: entre 2020 e 2024 iniciámos 24 processos de patente, abrangendo 11 tecnologias distintas, e participámos em várias Agendas Mobilizadoras do PRR e projetos internacionais. Estes números refletem a nossa capacidade de transformar conhecimento em propriedade intelectual e valor económico.</p>
<p><strong>O PaperWeight AI foi recentemente distinguida com o Prémio Nacional de Inovação. Que impacto espera que esta tecnologia tenha no setor do retalho e quais são os próximos passos na sua evolução?</strong></p>
<p>O PaperWeight AI vai certamente revolucionar as prateleiras de todos os supermercados, porque o retorno de investimento é quase imediato e porque os estudos demonstram que, hoje em dia, os retalhistas estão a perder 2 a 6% das vendas por falhas na reposição. Não temos dúvidas de que as vantagens deste sistema, juntamente com a simplicidade da instalação e operação e a eficiência na recolha e tratamento de dados, vão ser rapidamente percebidas.</p>
<p>Este sistema é benéfico não só para os retalhistas como para os clientes e marcas porque os produtos passam a estar sempre disponíveis. E, sem ruturas de stock, não se perdem vendas.</p>
<p><strong>O PetriTag e o GELA são exemplos de produtos com uma forte componente de utilidade prática. Como é que conseguem transformar ideias inovadoras em soluções prontas a integrar-se nos processos das empresas?</strong></p>
<p>Transformamos ideias em soluções reais porque trabalhamos desde o início com os utilizadores finais. Cada projeto nasce de um desafio concreto identificado em conjunto com a indústria. A partir daí, aplicamos metodologias ágeis de I&amp;D, com ciclos curtos de prototipagem e validação em contexto real. A nossa equipa combina ciência, engenharia e design de produto, garantindo que cada inovação é tecnicamente sólida, escalável e pronta a integrar-se nos processos industriais sem fricção.</p>
<p><strong>A AlmaScience é uma organização sem fins lucrativos e trabalha num modelo de ecossistema com vários parceiros. De que forma esta abordagem colaborativa contribui para acelerar a inovação sustentável?</strong></p>
<p>Esta abordagem permite uma enorme sinergia entre todos os envolvidos e a proximidade com que trabalhamos permite partilhar conhecimento, desafios e recursos. Por exemplo, os nossos investigadores não estão isolados; eles fazem parte de equipas multidisciplinares que incluem especialistas em produto, negócio e desenvolvimento de produto. Esta abordagem faz com que todos trabalhem em equipa e em simultâneo para um objetivo comum, sem se perder tempo com teorias que depois são inviáveis na prática.</p>
<p><strong>Com nove associados de áreas tão distintas, como se garante uma visão comum e uma coordenação eficaz entre entidades académicas, empresariais e institucionais?</strong></p>
<p>A chave está no propósito partilhado: transformar ciência em impacto sustentável. O nosso modelo de governação e os grupos de trabalho temáticos asseguram alinhamento entre academia, indústria e instituições. Trabalhamos com objetivos e métricas comuns, ciclos curtos de decisão e comunicação constante. Esta proximidade cria sinergias reais e garante que todos remam na mesma direção — inovação com propósito e valor para o mercado.</p>
<p><strong>Que papel desempenham entidades como a Universidade Nova de Lisboa ou a Imprensa Nacional – Casa da Moeda neste ecossistema de inovação?</strong></p>
<p>A Universidade Nova de Lisboa e a Imprensa Nacional – Casa da Moeda são pilares do nosso ecossistema: a NOVA assegura excelência científica e a INCM aporta visão industrial e experiência em inovação aplicada. Mas o valor da AlmaScience vem também da diversidade dos restantes associados — empresas, centros de investigação e entidades públicas — que trazem desafios reais, know-how especializado e recursos complementares. É esta combinação única que torna o ecossistema vivo, colaborativo e orientado para resultados com impacto sustentável.</p>
<p><strong>Olhando para os próximos anos, quais são as áreas de investigação ou os setores onde vê maior potencial para a eletrónica verde e os materiais funcionais sustentáveis?</strong></p>
<p>Os próximos anos serão decisivos para afirmar Portugal como referência em eletrónica verde e materiais sustentáveis. Vejo grande potencial em setores como embalagem inteligente, saúde, retalho e energia, onde a combinação entre sustentabilidade e digitalização cria novas oportunidades. Temos o talento, os recursos e o ecossistema, falta apenas acreditar mais na nossa capacidade de liderar e transformar conhecimento em impacto global.</p>
<p><strong>Que ambições tem para a AlmaScience a médio prazo? Há planos de expansão internacional ou novos projetos em perspetiva?</strong></p>
<p>A médio prazo gostava de ver a AlmaScience reconhecida como uma referência em inovação sustentável aplicada, com mais spin-offs bem-sucedidas e que tivesse duplicado a atual rede de associados. Isto seria sinal de que a nossa capacidade de investimento também seria maior, logo poderíamos assumir mais projetos e mais ambiciosos.</p>
<p>Daqui a 10 anos gostava que quando se pensasse em tecnologia sustentável, em Portugal ou no resto do mundo, a AlmaScience estivesse no top of mind enquanto laboratório de referência.</p>
<p><strong>Na sua opinião, o que falta ainda a Portugal para se afirmar como um polo de referência na inovação sustentável e na tecnologia verde?</strong></p>
<p>Falta que a sociedade e os decisores passem da teoria à prática, mais concretamente:</p>
<p>Que as empresas tenham coragem para implementar as mudanças que ser sustentável envolve, sobretudo nas cadeias de fornecimento e processos produtivos.</p>
<p>Do ponto de vista regulatório, é necessária regulamentação adequada que penalize o impacto ambiental negativo e incentive alternativas verdes, de modo a que seja vantajoso optar pela inovação sustentável.</p>
<p>E existe ainda a barreira da cultura do quanto mais duradouro, melhor. Mas, como já referi, em tecnologia, o importante é que esta dure enquanto for útil. É urgente comunicar melhor ao mercado e aos consumidores em geral sobre as vantagens de termos uma economia circular efetiva.</p>
<p>A par disto, falta um pioneiro que adote estas tecnologias, comprove a sua eficiência – e todos os outros vão querer seguir.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Baleias-de-bossa têm olhos grandes mas não veem muito bem à distância</title>
		<link>https://greensavers.sapo.pt/baleias-de-bossa-tem-olhos-grandes-mas-nao-veem-muito-bem-a-distancia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Filipe Pimentel Rações]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 24 May 2026 10:55:30 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Animais]]></category>
		<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Manchete]]></category>
		<category><![CDATA[Natureza]]></category>
		<category><![CDATA[animais]]></category>
		<category><![CDATA[baleias]]></category>
		<category><![CDATA[ciência]]></category>
		<category><![CDATA[internacional]]></category>
		<category><![CDATA[natureza]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://greensavers.sapo.pt/?p=271356</guid>

					<description><![CDATA[Com grandes olhos vem uma grande visão. Poderíamos pensar que assim era, mas a realidade é bem diferente. Apesar de terem olhos do tamanho de laranjas, as baleias-de-bossa (Megaptera novaeangliae) parecem sofrer de uma espécie de miopia.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Com grandes olhos vem uma grande visão. Poderíamos pensar que assim era, mas a realidade é bem diferente. Apesar de terem olhos do tamanho de laranjas, as baleias-de-bossa (<em>Megaptera novaeangliae</em>) parecem sofrer de uma espécie de miopia.</p>
<p>Cientistas das universidades de North Carolina em Wilmington e de Duke (ambas no estado norte-americano da Carolina do Norte) descobriram que essas baleias só conseguem discernir detalhes de objetos a uma distância três ou quatro vezes superior ao comprimento do seu corpo. Por exemplo, um adulto que meça 15 metros só conseguirá perceber ao certo o que tem à sua frente se estiver a menos de 60 metros desse objeto.</p>
<p>Assim, e com base em análises à anatomia e aos tecidos dos olhos de baleias-de-bossa, os cientistas calculam que esses grandes cetáceos têm uma acuidade visual de apenas 3,95 ciclos por grau. Veja-se, por exemplo, que os humanos têm uma acuidade visual que se situa algures entre os 60 e os 70 ciclos por grau. Estima-se que a águia-audaz (<em>Aquila audax</em>), uma ave de rapina da Austrália e da Nova Guiné, chega aos 138 ciclos por grau.</p>
<figure id="attachment_271357" aria-describedby="caption-attachment-271357" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-271357 " src="https://greensavers.sapo.pt/dev/wp-content/uploads/2025/05/humpback-whales-see-less-than-we-thought-20250515-ms25591-news.jpg" alt="" width="800" height="533" srcset="https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2025/05/humpback-whales-see-less-than-we-thought-20250515-ms25591-news.jpg 1500w, https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2025/05/humpback-whales-see-less-than-we-thought-20250515-ms25591-news-300x200.jpg 300w, https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2025/05/humpback-whales-see-less-than-we-thought-20250515-ms25591-news-1024x683.jpg 1024w, https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2025/05/humpback-whales-see-less-than-we-thought-20250515-ms25591-news-768x512.jpg 768w, https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2025/05/humpback-whales-see-less-than-we-thought-20250515-ms25591-news-600x400.jpg 600w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-271357" class="wp-caption-text">As investigadoras Lorian Schweikert e Vanessa Moreno estudam um olho de baleia-de-bossa em laboratório na Universidade de North Carolina em Wilmington, nos EUA.<br />Foto: Michael Spencer/UNCW</figcaption></figure>
<p>Esta equipa de investigadores, que publicou as descobertas na <a href="https://royalsocietypublishing.org/doi/epdf/10.1098/rspb.2024.3101" target="_blank" rel="noopener">revista ‘Proceedings of the Royal Society B’</a>, considera que compreender como funciona a visão das baleias-de-bossa, e de outros animais, é fundamental, especialmente para mitigar ameaças como o enredamento em artes de pesca. Não conseguindo detetar pormenores à distância, as baleias-de-bossa não conseguem também perceber que nadam em direção a redes nas quais podem ficar presas, podendo resultar em morte por afogamento, pois as baleias, como mamíferos que são, precisam de ar para sobreviver.</p>
<p>Podemos pensar que uma visão fraca, em comparação com outros animais, como nós, pode colocar as baleias-de-bossa em desvantagem, mas o facto é que para elas a capacidade de ver detalhes de pouco serve. Essas baleias, tal como outras da família dos cetáceos sem dentes, alimentam-se sobretudo de krill e de pequenos peixes que formam cardumes, pelo que distinguir apenas grandes formas difusas chega perfeitamente para saberem onde estão as presas, não havendo necessidade para uma visão mais precisa.</p>
<p>No entanto, para distinguirem redes de pesca, não é uma grande ajuda e pode colocá-las em perigo. Por isso, os investigadores esperam que o conhecimento sobre a visão das baleias-de-bossa possa impulsionar novos designs de redes de pesca que sejam mais visíveis para esses animais, e outros, a fim de se reduzir as mortes por enredamento.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>As infeções fúngicas podem destruir o nosso abastecimento alimentar</title>
		<link>https://greensavers.sapo.pt/as-infecoes-fungicas-podem-destruir-o-nosso-abastecimento-alimentar/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 23 May 2026 15:55:09 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[Biodiversidade]]></category>
		<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Manchete]]></category>
		<category><![CDATA[Natureza]]></category>
		<category><![CDATA[alimentação]]></category>
		<category><![CDATA[ciência]]></category>
		<category><![CDATA[internacional]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://greensavers.sapo.pt/?p=234623</guid>

					<description><![CDATA[Os fungos representam uma ameaça significativa para as culturas em todo o mundo, alertam os cientistas num novo estudo, com efeitos cada vez mais "devastadores" para o nosso abastecimento alimentar.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Os fungos representam uma ameaça significativa para as culturas em todo o mundo, alertam os cientistas num <a href="https://www.nature.com/articles/d41586-023-01465-4" target="_blank" rel="noopener">estudo</a>, com efeitos cada vez mais &#8220;devastadores&#8221; para o nosso abastecimento alimentar.</p>
<p>Temos tendência para nos preocuparmos mais com os agentes patogénicos que afetam diretamente os seres humanos, especialmente os vírus e as bactérias. Mas embora o carvão do milho e a ferrugem do caule possam não nos assustar como o Ébola ou o E. coli, talvez devessem.</p>
<p>Estes fungos já estão a causar estragos, com os produtores a perderem todos os anos até 23% das suas colheitas devido a infeções fúngicas. Os fungos reclamam mais 10 a 20 por cento após a colheita, acrescentam.</p>
<p>Devido aos seus efeitos em cinco das culturas mais calóricas do mundo &#8211; arroz, trigo, milho, soja e batata &#8211; os fungos destroem atualmente alimentos suficientes para fornecer 2.000 calorias por dia durante um ano a entre 600 milhões e 4 mil milhões de pessoas.</p>
<p>E a situação está a piorar graças a uma &#8220;tempestade perfeita&#8221; de fatores que tornam as terras agrícolas perigosamente vulneráveis aos fungos, segundo a fitopatologista Sarah Gurr, da Universidade de Exeter.</p>
<p>Mesmo que não nos transformem em zombies, como um fungo fictício (ou bolor viscoso) faz aos humanos no drama da HBO The Last of Us, estes fungos não são menos um pesadelo, avisa Gurr. Para além disso, são reais.</p>
<p>&#8220;Embora o enredo seja de ficção científica, estamos a alertar para o facto de podermos assistir a uma catástrofe sanitária global causada pela rápida disseminação global de infeções fúngicas à medida que estas desenvolvem uma resistência crescente num mundo em aquecimento&#8221;, afirma. &#8220;A ameaça iminente não tem a ver com zombies, mas com a fome global&#8221;.</p>
<p>Os agricultores lutam contra os fungos há milénios, mas não desta forma, escrevem Gurr e a coautora Eva Stukenbrock, uma genómica ambiental da Universidade Christian-Albrechts de Kiel.</p>
<p>As alterações climáticas são uma diferença fundamental, uma vez que o calor extra está a ajudar alguns fungos a alargarem as suas áreas de distribuição (entre outras adaptações inquietantes), incluindo espécies que ameaçam as principais culturas alimentares.</p>
<p>Os investigadores escrevem que os seres humanos também provocaram esta crise de outras formas, como o estabelecimento de vastas monoculturas de culturas geneticamente semelhantes, que são especialmente suscetíveis a surtos de fungos.</p>
<p>E, embora os fungicidas tenham ajudado os agricultores a evitar esses surtos nas últimas gerações, os fungos estão a encontrar formas de contornar até as defesas mais robustas, explicam Gurr e Stukenbrock.</p>
<p>Muitos fungicidas atuam visando apenas um processo celular, dando espaço aos fungos para desenvolverem resistência &#8211; uma oportunidade que os fungos parecem ansiosos por aproveitar.</p>
<p>À medida que os fungicidas perdem eficácia contra os novos fungos resistentes, os agricultores frustrados reagem por vezes utilizando concentrações mais elevadas dos mesmos fungicidas, o que pode piorar as coisas.</p>
<p>Com as temperaturas a subir, os pesticidas a falhar e as grandes monoculturas praticamente indefesas contra os fungos, as nossas culturas são como alvos fáceis.</p>
<p>E uma vez que mais de 8 mil milhões de seres humanos habitam atualmente a Terra &#8211; muitos dos quais já não têm segurança alimentar, muitas vezes devido a outros efeitos das alterações climáticas &#8211; esta não é a melhor altura para os fungos acabarem com as fontes de alimentação, observa Stukenbrock.</p>
<p>&#8220;Como se prevê que a nossa população global aumente, a humanidade enfrenta desafios sem precedentes na produção de alimentos&#8221;, afirma. &#8220;Já estamos a assistir a perdas maciças de colheitas devido a infeções fúngicas, que poderiam sustentar milhões de pessoas todos os anos.&#8221;</p>
<p>Essas perdas já são uma catástrofe que necessita de atenção a nível mundial, mas o novo comentário tem como objetivo realçar a gravidade da situação e o quanto esta ainda pode piorar.</p>
<p>&#8220;Esta tendência preocupante só pode piorar à medida que o aquecimento do planeta torna as infeções fúngicas mais prevalecentes nas culturas europeias e que estas continuam a desenvolver resistência aos antifúngicos&#8221;, afirma Stukenbrock. &#8220;Isto será catastrófico para os países em desenvolvimento e terá também um grande impacto no mundo ocidental.&#8221;</p>
<p>No entanto, uma vez que os seres humanos ajudaram a criar esta confusão, temos pelo menos o poder de a corrigir em parte, argumentam Gurr e Stukenbrock.</p>
<p>Para além do objetivo óbvio, mas difícil de alcançar, de travar as emissões que estão na origem das alterações climáticas, o que já é de importância vital por outras razões, poderá haver algumas formas de proteger melhor as nossas culturas dos fungos a curto prazo.</p>
<p>Os investigadores da Universidade de Exeter desenvolveram novas técnicas que poderão permitir a criação de uma nova classe de fungicidas que visam múltiplos mecanismos celulares, referem Gurr e Stukenbrock, dificultando a evolução da resistência dos fungos.</p>
<p>As investigações sugerem que este tipo de antifúngico pode funcionar contra vários agentes patogénicos importantes, acrescentam, incluindo o smut do milho, a explosão do arroz e o fungo responsável pela murcha-de-fusarium nas bananas.</p>
<p>Mesmo sem melhores fungicidas, podemos reduzir o risco de surtos de fungos apenas adotando melhores práticas agrícolas, sugerem Gurr e Stukenbrock, apontando para um projeto na Dinamarca que obteve sucesso contra infeções fúngicas através da plantação de misturas de sementes geneticamente diversas.</p>
<p>&#8220;As infeções fúngicas estão a ameaçar algumas das nossas culturas mais importantes, desde as batatas aos cereais e às bananas&#8221;, afirma Gurr. &#8220;Já estamos a assistir a perdas maciças, e isto ameaça tornar-se uma catástrofe global à luz do crescimento populacional.&#8221;</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Chimpanzés escolhem deliberadamente os materiais que usam para fazer ferramentas</title>
		<link>https://greensavers.sapo.pt/chimpanzes-escolhem-deliberadamente-os-materiais-que-usam-para-fazer-ferramentas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 23 May 2026 10:55:10 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Animais]]></category>
		<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Manchete]]></category>
		<category><![CDATA[Natureza]]></category>
		<category><![CDATA[chimpanzés]]></category>
		<category><![CDATA[estudo]]></category>
		<category><![CDATA[internacional]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://greensavers.sapo.pt/?p=266838</guid>

					<description><![CDATA[Os chimpanzés na Tanzânia fazem escolhas deliberadas sobre os materiais que usam para construírem as suas ferramentas, como as que usam para aceder ao interior das termiteiras.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Os chimpanzés na Tanzânia fazem escolhas deliberadas sobre os materiais que usam para construírem as suas ferramentas, como as que usam para aceder ao interior das termiteiras.</p>
<p>A conclusão é de uma investigação feita por uma equipa internacional de cientistas, que incluiu Susana Carvalho, investigadora ligada ao Centro Interdisciplinar em Arqueologia e Evolução do Comportamento Humano (ICArEHB) da Universidade do Algarve e ao Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos (CIBIO/InBIO) da Universidade do Porto.</p>
<p>O trabalho foi liderado pela Universidade de Oxford em colaboração, além das instituições portuguesas, com o Instituto Max Planck para a Antropologia Evolutiva, a Universidade de Leipzig e o Instituto Jane Goodall na Tanzânia.</p>
<p>E centrou-se numa população de chimpanzés-comuns (<em>Pan troglodytes</em>) que vivem no Parque Nacional de Gombe Stream, na Tanzânia. Os cientistas queriam testar se esses primatas usavam os materiais mais adequados para chegarem às térmitas.</p>
<p>Através de experiências em campo, a equipa percebeu que os materiais vegetais nunca utilizados pelos chimpanzés eram 175% mais rígidos do que as espécies de plantas que preferiam usar. Uma vez que o interior das termiteiras é composto por inúmeros túneis serpenteantes, usar materiais mais flexíveis é uma vantagem, porque permite aos chimpanzés chegarem onde com materiais mais rígidos não conseguiriam.</p>
<p>“Esta é a primeira prova exaustiva de que os chimpanzés selvagens selecionam materiais de ferramentas para apanhar térmitas com base em propriedades mecânicas específicas”, afirma Alejandra Pascual-Garrido, investigadora da Faculdade de Antropologia da Universidade de Oxford e primeira autora do <a href="https://www.cell.com/iscience/fulltext/S2589-0042(25)00419-5?_returnURL=https%3A%2F%2Flinkinghub.elsevier.com%2Fretrieve%2Fpii%2FS2589004225004195%3Fshowall%3Dtrue" target="_blank" rel="noopener">artigo publicado na revista ‘iScience’</a>.</p>
<p>Como tal, a equipa sugere que os chimpanzés podem possuir algum entendimento de física, que se reflete nas preferências por certos materiais em vez de outros.</p>
<p>“Esta nova abordagem, que combina biomecânica com comportamento animal, ajuda-nos a perceber melhor os processos cognitivos por trás da construção de ferramentas dos chimpanzés e como eles avaliam e selecionam materiais com base nas suas propriedades funcionais”, explica Pascual-Garrido.</p>
<p>Ainda não se sabe ao certo como é que esse conhecimento é aprendido, mantido e transmitido de uma geração para outra, podendo, por exemplo, resultar da observação das progenitoras pelas suas crias. E também, de momento, não é certo se essas preferências estão também presentes no fabrico de outras ferramentas, como as que os chimpanzés usam para capturar formigas e para conseguirem aceder ao mel que está dentro das colmeias.</p>
<p>No entanto, os resultados deste trabalho podem também ajudar a compreender as origens das capacidades de uso e produção de ferramenta dos próprios humanos.</p>
<p>“Estas descobertas têm implicações importantes para a compreensão de como os humanos poderão ter evoluído as suas notáveis capacidades de uso de ferramentas”, diz Adam van Casteren, do Instituto Max Planck para a Antropologia Evolutiva e um dos principais autores do artigo.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Aquecimento do oceano afeta a simbiose entre uma pequena lula e bactérias luminosas</title>
		<link>https://greensavers.sapo.pt/aquecimento-do-oceano-afeta-a-simbiose-entre-uma-pequena-lula-e-bacterias-luminosas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 23 May 2026 07:55:57 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Alterações Climáticas]]></category>
		<category><![CDATA[Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[Animais]]></category>
		<category><![CDATA[Biodiversidade]]></category>
		<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Manchete]]></category>
		<category><![CDATA[Natureza]]></category>
		<category><![CDATA[animais]]></category>
		<category><![CDATA[ciência]]></category>
		<category><![CDATA[internacional]]></category>
		<category><![CDATA[oceano]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://greensavers.sapo.pt/?p=271528</guid>

					<description><![CDATA[O aumento da temperatura do oceano pode comprometer a eclosão da lula-pigmeia Euprymna scolopes, nativa das águas do Havai, e a sua relação simbiótica com bactérias luminosas, tornando esses cefalópodes mais vulneráveis aos predadores.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O aumento da temperatura do oceano pode comprometer a eclosão da lula-pigmeia <em>Euprymna scolopes</em>, nativa das águas do Havai, e a sua relação simbiótica com bactérias luminosas.</p>
<p>De acordo com uma equipa internacional de cientistas, entre eles investigadores da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e do Centro de Ciências do Mar e do Ambiente (MARE), águas mais quentes afetam negativamente a estratégia de camuflagem noturna da lula, tornando-a vulnerável à predação.</p>
<p>Alguns animais, como os pirilampos, conseguem produzir luz num processo conhecido por bioluminescência. No entanto, 80% de todas as espécies que criam esse tipo de luz vive no oceano. Essa luz pode ser gerada diretamente pelo animal ou através de uma simbiose com bactérias luminosas alojadas em órgãos especializados.</p>
<p>É o que acontece no caso dos sepiolídeos, pequenos moluscos cefalópodes que habitam zonas arenosas costeiras, e que têm uma bioluminescência simbiótica. Durante o seu desenvolvimento embrionário, formam um órgão luminoso especializado que é colonizado por bactérias luminescentes nas primeiras horas após a eclosão. A luz produzida por estas bactérias é utilizada pelos animais como camuflagem durante a noite, permitindo-lhes reduzir o risco de serem predados.</p>
<p>A equipa quis compreender como o aumento da temperatura e da acidez dos oceanos, bem como a intensificação de fenómenos extremos como as ondas de calor marinhas, impactam a simbiose entre a lula <em>E. scolopes</em> e bactérias luminosas da espécie <em>Vibrio fischeri</em>.</p>
<p>Num <a href="https://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/gcb.70243" target="_blank" rel="noopener">artigo publicado na revista ‘Global Change Biology’</a>, revela-se que o aumento da temperatura da água, além de reduzir o sucesso de eclosão e a sobrevivência pós-eclosão das pequenas lulas, faz com que a simbiose seja mais difícil e que tenda a deteriorar-se ao longo do tempo.</p>
<p>O estudo revela ainda que situações de stress térmico, como as ondas de calor marinhas que se prevê que se tornem mais frequentes e intensas, comprometem a formação completa do órgão especializado em bioluminescência onde o animal armazena uma “reserva” de bactérias para condições adversas.</p>
<p>De acordo com os autores, esta investigação mostra que, tal como os corais perdem as suas algas simbióticas durante episódios de branqueamento, também estes pequenos cefalópodes sofrem perdas significativas nas suas relações simbióticas em eventos de stress térmico.</p>
<p>“Ao pensar no impacto da temperatura em animais simbióticos, geralmente pensamos no branqueamento de corais. Aqui, mostramos que os cefalópodes simbióticos também podem ‘branquear’, sendo sensíveis a altas temperaturas nos estágios iniciais da vida”, explica Eve Otjacques, primeira autora do artigo e investigadora do MARE.</p>
<p>“O que também foi surpreendente foi a formação incompleta do órgão de luz durante a eclosão, como se o desenvolvimento tivesse sido interrompido antes do último estágio de desenvolvimento”, acrescenta.</p>
<p>A quebra desta simbiose afeta diretamente a capacidade de camuflagem noturna, tornando estes sepiolídeos havaianos mais vulneráveis à predação, o que pode ter “consequências ecológicas relevantes” nas águas pouco profundas onde ocorrem, alertam os cientistas.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Cientistas revelam como esta espécie rara de peixe &#8220;se esconde&#8221; na luz</title>
		<link>https://greensavers.sapo.pt/cientistas-revelam-como-esta-especie-rara-de-peixe-se-esconde-na-luz/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 17 May 2026 15:55:41 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Animais]]></category>
		<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Manchete]]></category>
		<category><![CDATA[Natureza]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://greensavers.sapo.pt/?p=266842</guid>

					<description><![CDATA[Um peixe que só é encontrado nas profundezas escuras do Mar Vermelho e do Golfo de Aqaba usa a luz para se tornar praticamente invisível.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Os peixes da espécie <em>Vinciguerria mabahiss</em> só são encontrados em águas profundas e escuras na região norte do Mar Vermelho e no Golfo de Aqaba, cujas margens tocam o Egipto, Israel, Jordânia e Arábia Saudita.</p>
<p>Por ser a que, desse género, tem a menor área de distribuição, pouco se sabe sobre a sua biologia e a sua ecologia, sendo, por isso, considerada rada, mas é uma espécie que é capaz de produzir luz, um fenómeno conhecido como bioluminescência. E um grupo de investigadores quis desvendar como é que esse peixe consegue fazê-lo.</p>
<p>Num <a href="https://link.springer.com/article/10.1007/s10228-025-01022-1" target="_blank" rel="noopener">artigo publicado na revista ‘Ichthyological Research’</a>, a equipa estudou os órgãos produtores de luz da espécie, para tentar perceber a sua estrutura e também como é que este peixe enigmático usa a bioluminescência para se movimentar pela água.</p>
<figure id="attachment_266847" aria-describedby="caption-attachment-266847" style="width: 831px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="wp-image-266847 size-full" src="https://greensavers.sapo.pt/dev/wp-content/uploads/2025/03/peixe-Vinciguerria-mabahiss.png" alt="" width="831" height="239" srcset="https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2025/03/peixe-Vinciguerria-mabahiss.png 831w, https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2025/03/peixe-Vinciguerria-mabahiss-300x86.png 300w, https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2025/03/peixe-Vinciguerria-mabahiss-768x221.png 768w, https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2025/03/peixe-Vinciguerria-mabahiss-600x173.png 600w" sizes="(max-width: 831px) 100vw, 831px" /><figcaption id="caption-attachment-266847" class="wp-caption-text">Exemplar de <em>Vinciguerria mabahiss</em> do norte do Mar Vermelho.<br />Foto: Todd Clardy</figcaption></figure>
<p>“Uma das coisas que queríamos fazer era descobrir como esta espécie de peixe usa a luz que ela produz”, explica, em comunicado, Todd Clardy, gestor das coleções ictiológicas do Museu de História Natural de Los Angeles (Estados Unidos da América) e primeiro autor do estudo.</p>
<p>Para isso, analisaram a estrutura celular dos órgãos produtores de luz, chamados de fotóforos, bem como o seu tamanho e disposição ao longo do corpo do peixe. Dessa forma, queriam perceber para que fim o animal produz luz, e os resultados sugerem que a usa para criar um efeito de contraluz.</p>
<p>Ao passo que algumas espécies das zonas menos iluminadas dos mares e oceanos usam a luz para atraírem presas, por exemplo, este pequeno peixe, com cerca de seis centímetros de comprimento, usa a luz para esbater os contornos do seu corpo e, assim, esconder-se de predadores que possam estar em busca da próxima refeição.</p>
<p>“O peixe está camuflado, quase invisível”, aponta Clardy.</p>
<p>A bioluminescência não é, na verdade, criada pelo próprio peixe, mas sim por bactérias luminescentes que vivem no fotóforos do animal. Essa luz, aliada a uma densa camada de pigmento que o peixe tem na sua pele que impede que os raios atravessem o seu corpo e a células refletoras que amplificam a luminosidade produzida, permite ao<em> Vinciguerria mabahiss</em> esconder-se na luz, literalmente.</p>
<p>Como é uma espécie com uma distribuição geográfica muito limitada, que vive em profundidade e raramente cruza o caminho de algum humano, não tem um nome comum em nenhuma língua, mas os autores deste trabalho esperam que a investigação incentive outros a estudarem este peixe críptico que, acreditam eles, ajudará a ampliar o conhecimento existente sobre a bioluminescência</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Flamingos criam “tornados aquáticos” para capturarem as suas presas</title>
		<link>https://greensavers.sapo.pt/flamingos-criam-tornados-aquaticos-para-capturarem-as-suas-presas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 17 May 2026 13:55:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Animais]]></category>
		<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Manchete]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://greensavers.sapo.pt/?p=271425</guid>

					<description><![CDATA[Usando as suas patas com membranas interdigitais e os seus bicos em forma de "L", os flamingos caçam ativamente as suas presas, usando a força da deslocação da água em seu proveito.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Avistamentos de grupos de flamingos a caminharem placidamente por zonas alagadas, com as cabeças submersas, podem parecer imagens relativamente tranquilas, mas, abaixo da superfície, pequenas “tempestades” agitam o leito aquático.</p>
<p>Um grupo de investigadores dos Estados Unidos da América (EUA) estudou como os flamingos-chilenos (<em>Phoenicopterus chilensis</em>) no Zoo de Nashville, no estado norte-americano do Tennessee, para tentar perceber como essas aves rosadas, com um dos sistemas de filtração mais sofisticados do mundo aviário, capturam as suas presas.</p>
<p>Os flamingos alimentam-se de partículas em suspensão na água e também de pequenos crustáceos, como copépodes, que nadam livremente. Para conseguirem apanhá-los, os flamingos têm de conseguir concentrá-los num só sítio e engoli-los de uma só assentada, porque capturam um a um seria fastidioso e exigiria muito mais tempo e energia.</p>
<p>Através de experiências em laboratório, para as quais treinarem flamingos para se alimentarem em tanques equipados com câmaras de vídeo e do estudo de modelos em 3D dos seus bicos e patas, os investigadores descobriram que as aves usam as suas patas para agitar os sedimentos no leito da área alagada e para os empurrarem para a frente em espirais. Ao agitarem as suas cabeças para cima e para baixo, os flamingos usam a força da deslocação da água para trazer essas espirais de sedimentos para perto da superfície, criando, no processo, pequenos tornados.</p>
<p><iframe title="YouTube video player" src="https://www.youtube.com/embed/3cgcF8th5Nk?si=1kqzlGXBW2mhhluO" width="560" height="315" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></p>
<p>Por fim, vão abrindo e fechando rápida e continuamente os seus bicos em forma de “L”, formando vórtices ainda mais pequenos que encaminham os sedimentos e as presas diretamente para as suas bocas.</p>
<p>Para os autores do artigo que dá conta desta descoberta, publicado recentemente na <a href="https://www.pnas.org/doi/10.1073/pnas.2503495122" target="_blank" rel="noopener">revista ‘PNAS’</a>, a confirmação deste comportamento deita por terra qualquer ideia de que os flamingos se alimentam passivamente, passando os seus bicos filtradores pela água e apanhando quais partículas ou crustáceos pelo caminho. Em vez disso, os resultados mostram que os flamingos caçam ativamente as suas presas.</p>
<p>“Os flamingos, na verdade, são predadores, estão ativamente à procura de animais que se movem pela água”, diz Victor Ortega Jiménez, da Universidade da Califórnia em Berkeley (EUA) e primeiro autor do estudo.</p>
<p>Para o investigador, estas aves são animais filtradores “super-especializados”, com cabeças, pescoços, patas, bicos e comportamentos que lhes permitem, com eficácia, “capturar esses organismos minúsculos e ágeis”.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Fezes de pinguins podem estar a ajudar a combater alterações climáticas na Antártida</title>
		<link>https://greensavers.sapo.pt/fezes-de-pinguins-podem-estar-a-ajudar-a-combater-alteracoes-climaticas-na-antartida/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 17 May 2026 07:55:07 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Alterações Climáticas]]></category>
		<category><![CDATA[Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[Animais]]></category>
		<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Manchete]]></category>
		<category><![CDATA[Natureza]]></category>
		<category><![CDATA[Antártida]]></category>
		<category><![CDATA[ciência]]></category>
		<category><![CDATA[internacional]]></category>
		<category><![CDATA[pinguins]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://greensavers.sapo.pt/?p=271507</guid>

					<description><![CDATA[Cientistas acreditam que o amoníaco libertado pelas fezes de pinguins e outras aves marinhas está a promover a formação de nuvens que ajudam a mitigar os impactos do aquecimento e a reduzir a perda de gelo marinho.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>O amoníaco que emana das fezes de pinguins podem ajudar a reduzir os efeitos das alterações climáticas na Antártida ao contribuir para o aumento da formação de nuvens.</p>
<p>Esta é a conclusão de uma investigação publicada recentemente na <a href="https://www.nature.com/articles/s43247-025-02312-2" target="_blank" rel="noopener">revista ‘Communications Earth &amp; Environment’</a>, da autoria de uma equipa internacional de 27 cientistas, e que teve como base medições ambientais feitas a oito quilómetros de distância de uma colónia de pinguins-de-adélia (<em>Pygoscelis adeliae</em>), os produtores dessas fezes “anti-alterações climáticas”.</p>
<p>Nos últimos anos, a cobertura de gelo na Antártida tem vindo a diminuir, afetando várias espécies de animais, incluindo esses pinguins e muitas outras aves marinhas, cujas fezes, também conhecidas pelo nome guano, emitem amoníaco que reage com gases que contêm enxofre e criam aerossóis, partículas em torno das quais o vapor de água se condensa, formando, assim, nuvens.</p>
<p>Essas nuvens podem atuar como uma espécie de “escudo”, ajudando a reduzir a quantidade de radicação solar que atravessa a atmosfera e a temperatura à superfície e, dessa forma, eventualmente reduzir a perda de área coberta por gelo.</p>
<p>Na Antártida, os investigadores perceberam que quando o vento soprava da colónia de pinguins-de-adélia os valores de amoníaco eram mais de mil vezes superiores ao normal. Mesmo depois de deixaram a sua colónia, em finais de fevereiro, os níveis de amoníaco no ar ainda se mantinham 100 vezes acima da referência para a região, uma vez que as fezes deixadas no local da colónia continuavam a emitir esse gás.</p>
<p>Para os autores deste artigo, os pinguins, através do seu guano, podem estar a reduzir os efeitos das alterações climáticas no seu próprio habitat. Como tal, consideram que os resultados obtidos mostram que os pinguins e outras aves marinhas “desempenham um papel-chave na formação de partículas” que promovem, por sua vez, a formação de nuvens e reduzem a intensidade dos impactos das alterações climáticas.</p>
<p>Além disso, acreditam que estes pinguins podem realmente estar a ajudar a manter combater o aquecimento em partes da Antártida, desacelerando a perda de gelo marinho, como pequenos “plantadores de nuvens”.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
	</channel>
</rss>
