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	<title>Opinião &#8211; Green Savers</title>
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	<description>Notícias sobre sustentabilidade, ambiente, alterações climáticas, biodiversidade, florestas, finanças verdes, empresas, economia, ODS</description>
	<lastBuildDate>Tue, 28 Apr 2026 11:33:38 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Opinião &#8211; Green Savers</title>
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		<title>Telhados de fibrocimento: um problema com solução energética</title>
		<link>https://greensavers.sapo.pt/telhados-de-fibrocimento-um-problema-com-solucao-energetica/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 28 Apr 2026 11:33:38 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[nacional]]></category>
		<category><![CDATA[opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[Durante décadas, milhares de naves industriais em Portugal foram construídas com coberturas de fibrocimento. À época, era uma solução barata, leve e funcional. Hoje, os milhões de metros quadrados que subsistem com esta tipologia de cobertura representam um problema estrutural, ambiental e de saúde pública e, paradoxalmente, uma oportunidade estratégica.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><strong><em>Por Pedro Silva, Country Manager Prosolia Portugal</em></strong></p>
<p>Portugal celebra hoje, dia 28 de abril, mais um Dia Nacional de Prevenção e Segurança no Trabalho. Uma oportunidade para relembrarmos que a proteção começa na estrutura, mais concretamente no telhado.</p>
<p>Durante décadas, milhares de naves industriais em Portugal foram construídas com coberturas de fibrocimento. À época, era uma solução barata, leve e funcional. Hoje, os milhões de metros quadrados que subsistem com esta tipologia de cobertura representam um problema estrutural, ambiental e de saúde pública e, paradoxalmente, uma oportunidade estratégica.</p>
<p>Grande parte das coberturas de fibrocimento instaladas nas décadas de 60 e 70 contêm amianto, um material comprovadamente cancerígeno. Mesmo nas versões mais recentes, já sem amianto, o problema não desaparece: trata-se de um material frágil, que fissura com facilidade, permite infiltrações e se degrada com o passar dos anos. Qualquer intervenção que exerça pressão sobre estas placas aumenta significativamente o risco de rutura.</p>
<p>É precisamente por isso que não é viável instalar painéis solares diretamente sobre telhados de fibrocimento. A fixação das estruturas de suporte dos módulos fotovoltaicos provoca fissuras e, no caso das coberturas com amianto, pode originar a libertação de fibras perigosas, algo proibido e totalmente incompatível com as regras de segurança e saúde no trabalho. Em Portugal, a remoção e o manuseamento de materiais com amianto estão sujeitos a regras rigorosas, enquadradas por legislação específica que obriga à identificação, controlo e remoção segura destes materiais, precisamente devido ao risco comprovado para a saúde humana.</p>
<p><strong>O verdadeiro desafio está na estrutura</strong></p>
<p>As coberturas em fibrocimento foram amplamente utilizadas porque eram leves e permitiam estruturas de suporte mais aligeiradas. O problema é que essas mesmas estruturas, as asnas, pilares e madres que sustentam o edifício, não foram dimensionadas para suportar cargas adicionais significativas, como as de uma central fotovoltaica moderna.</p>
<p>Mesmo que se substituísse apenas a cobertura por um painel-sanduíche e se instalassem os painéis solares por cima, existiria o risco de comprometer a estabilidade do edifício. Não está em causa apenas a troca do “telhado”, mas sim a requalificação estrutural do imóvel.</p>
<p>Num projeto bem dimensionado, a intervenção deve incluir a substituição da cobertura, o reforço da estrutura e a fixação do sistema solar diretamente aos elementos estruturais do edifício e não apenas à nova cobertura. Esta abordagem garante uma solidez muito superior, particularmente relevante num contexto de fenómenos meteorológicos cada vez mais frequentes e intensos. O resultado é um edifício mais resistente, mais seguro e preparado para o futuro.</p>
<p><strong>Previsibilidade financeira e investimento sem capital próprio</strong></p>
<p>A substituição da cobertura aliada à instalação de uma central fotovoltaica tem um impacto direto: permite produzir energia própria, reduzir custos e diminuir a exposição à volatilidade do mercado. Ao consumir a energia no local, a empresa reduz também a dependência da rede e das tarifas de acesso, protegendo-se de decisões regulatórias e oscilações externas. Trata-se de uma solução “dois em um”: resolve um problema estrutural e cria uma fonte de energia competitiva e previsível.</p>
<p>Quando integrada num modelo PPA (Power Purchase Agreement), elimina-se a necessidade de investimento inicial. O promotor assume o custo da intervenção, cobertura, reforço estrutural e central solar, e a empresa paga apenas a energia que consome, a um preço acordado.</p>
<p>Este modelo converte um investimento significativo numa despesa operacional estável, sem recurso a capital próprio ou endividamento, permitindo previsibilidade orçamental, proteção face à volatilidade energética e libertação de liquidez para o core business.</p>
<p>Não falamos, portanto, da mera instalação de painéis solares. É um investimento completo e integrado na requalificação dos edifícios, na proteção das pessoas e na preparação empresas para um futuro energético mais exigente e mais competitivo. E, quando bem desenhada, esta transição não pesa no balanço das empresas, trabalha a favor dele.</p>
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		<item>
		<title>Adaptação climática no Algarve: estamos a medir o que importa?</title>
		<link>https://greensavers.sapo.pt/adaptacao-climatica-no-algarve-estamos-a-medir-o-que-importa/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 22 Apr 2026 10:08:43 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[nacional]]></category>
		<category><![CDATA[opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[Nos últimos anos, têm sido propostas e/ou implementadas várias medidas: projetos de dessalinização, reutilização de águas residuais, intervenções de proteção costeira, iniciativas de restauro ecológico e planos regionais de adaptação. O problema já não é a ausência de ação.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div class="relative basis-auto flex-col -mb-(--composer-overlap-px) pb-(--composer-overlap-px) [--composer-overlap-px:28px] grow flex">
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<p data-start="0" data-end="62"><em><strong>Por Maria João Sacadura, Environmental Policy &amp; Sustainability | Monitoring &amp; Evaluation </strong></em></p>
<p data-start="64" data-end="376">O Algarve está entre as regiões da Europa onde os impactos das alterações climáticas se fazem sentir de forma mais precoce e intensa. A escassez de água, a maior frequência de fenómenos extremos e a pressão crescente sobre os ecossistemas tornam a adaptação climática não apenas uma prioridade, mas uma urgência.</p>
<p data-start="378" data-end="652">Nos últimos anos, têm sido propostas e/ou implementadas várias medidas: projetos de dessalinização, reutilização de águas residuais, intervenções de proteção costeira, iniciativas de restauro ecológico e planos regionais de adaptação. O problema já não é a ausência de ação.</p>
<p data-start="654" data-end="716">A questão é outra: sabemos se estas medidas estão a funcionar?</p>
<p data-start="718" data-end="1046">Grande parte das respostas continua a ser reativa, surgindo após eventos extremos, em vez de antecipar riscos. E, mesmo quando são implementadas medidas de adaptação, raramente existe uma avaliação sistemática dos seus resultados. Falta uma visão integrada que permita perceber o impacto real das múltiplas iniciativas em curso.</p>
<p data-start="1048" data-end="1371">Este não é um problema de falta de dados. Os sistemas de abastecimento de água são monitorizados, existem indicadores energéticos e os impactos ambientais estão amplamente documentados. O que falta é ligar estes dados a objetivos concretos de política pública, através de sistemas de monitorização e avaliação consistentes.</p>
<p data-start="1373" data-end="1416">O mesmo padrão repete-se em vários setores.</p>
<p data-start="1418" data-end="1649">Na energia, o progresso é frequentemente medido em capacidade instalada de fontes renováveis. No entanto, isso pouco nos diz sobre a resiliência dos sistemas, o acesso das comunidades ou a sua capacidade de resposta a perturbações.</p>
<p data-start="1651" data-end="1882">Na gestão da água, fala-se na reutilização, na redução de perdas e na futura central de dessalinização. Mas persistem fugas nas redes, a reutilização avança lentamente e subsistem dúvidas sobre a prioridade das soluções escolhidas.</p>
<p data-start="1884" data-end="2057">Ao mesmo tempo, continuam a expandir-se modelos agrícolas intensivos e altamente consumidores de água, enquanto a pequena agricultura local enfrenta dificuldades crescentes.</p>
<p data-start="2059" data-end="2369">Também os ecossistemas revelam esta fragilidade. A erosão costeira, a perda de biodiversidade e a pressão sobre os recursos naturais estão bem identificadas. Mas, sem indicadores claros de resiliência e recuperação, torna-se difícil avaliar se os esforços de conservação estão a produzir resultados duradouros.</p>
<p data-start="2371" data-end="2742">O maior desafio poderá, no entanto, estar na governação. A participação pública, a transparência e a coordenação institucional são reconhecidas como essenciais para uma adaptação eficaz. Ainda assim, raramente são avaliadas de forma sistemática. Sem métricas, não é possível perceber se os sistemas de governação estão a funcionar ou a responder adequadamente aos riscos.</p>
<p data-start="2744" data-end="2886">Sem medição, não há responsabilização. E, sem responsabilização, a adaptação climática corre o risco de se tornar simbólica, em vez de eficaz.</p>
<p data-start="2888" data-end="3200">Este vazio tem consequências práticas. Limita a capacidade de decisão dos responsáveis políticos, reduz a aprendizagem institucional e dificulta o envolvimento das comunidades. Num contexto em que os impactos das alterações climáticas se intensificam, saber o que funciona — e o que não funciona — é fundamental.</p>
<p data-start="3202" data-end="3350" data-is-last-node="" data-is-only-node="">A adaptação climática no Algarve não precisa apenas de mais medidas. Precisa de saber se as medidas existentes estão, de facto, a fazer a diferença.</p>
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		<title>A energia limpa drena o combustível da guerra</title>
		<link>https://greensavers.sapo.pt/a-energia-limpa-drena-o-combustivel-da-guerra/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 10 Apr 2026 08:35:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[nacional]]></category>
		<category><![CDATA[opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[Olhe para o mapa mundo e tente localizar os grandes conflitos de hoje. Do Levante às estepes da Eurásia e ao Golfo Pérsico, os padrões de libertação e segurança alinham-se com precisão cirúrgica sobre algumas das jazidas mais valiosas do planeta.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em><strong>Por <span class="xs1">Filipe Ferreira, investigador na Meliore Foundation e na Zero Carbon Analytics</span></strong></em></p>
<p><em>“War? What is it good for?”</em> O hino soul de Edwin Starr, de 1970, deu um veredicto definitivo: <em>“Absolutely nothing.”</em> Mas Starr não tinha em conta os autocratas de hoje. Mais de meio século após o lançamento da canção, para homens como Donald Trump, Benjamin Netanyahu ou Vladimir Putin, a guerra não é algo a evitar, é o setor de crescimento por excelência.</p>
<p>Olhe para o mapa mundo e tente localizar os grandes conflitos de hoje. Do Levante às estepes da Eurásia e ao Golfo Pérsico, os padrões de libertação e segurança alinham-se com precisão cirúrgica sobre algumas das jazidas mais valiosas do planeta. Onde Starr nada via de valor, o autoritário moderno vê um desperdício imperdoável de capital potencial. Para eles, a guerra é a ferramenta definitiva para colher os combustíveis do passado e arrebatar os minerais que ditarão o amanhã.</p>
<p>As brasas dos fogos de artifício de Ano Novo ainda arrefeciam na Venezuela quando foi incendiada por uma faísca diferente: o desencadeamento da Operação Resolução Absoluta. Quando os militares norte-americanos caíram sobre Caracas para arrastar Nicolás Maduro para Nova Iorque, Washington falou em “reimplementar democracia” e “esmagar o narcoterrorismo”. Bastou menos de um dia para que esse pretexto humanitário se evaporasse.</p>
<p>A Venezuela detém as maiores reservas de petróleo do planeta, mais de <a href="https://www.eia.gov/international/content/analysis/countries_long/Venezuela/" target="_blank" rel="noopener">300 mil milhões de barris de petróleo bruto</a> &#8211; um espólio energético demasiado vasto para a atual administração americana ignorar numa era de escassez de oferta. Poucas horas após a incursão, a retórica de Donald Trump passou de a de um libertador relutante para a de um diretor-geral implacável. Os Estados Unidos, declarou ele, iriam &#8220;gerir&#8221; a Venezuela durante a sua transição, enquanto as gigantes petrolíferas americanas entrariam em cena para &#8220;reparar e operar&#8221; um sistema energético &#8220;podre&#8221;. Já não se tratava de reconstrução nacional &#8211; se é que alguma vez o tivesse sido &#8211; era algo mais direto: a conversão tranquila de um Estado soberano num depósito estratégico de combustível.</p>
<p>Mas se a Venezuela serviu de modelo, o Irão representa o prémio supremo. O ataque conjunto dos EUA e de Israel, a 28 de fevereiro, também ocorreu sem aviso prévio e com uma justificação muito menos clara. Terá sido um gesto de solidariedade para com Israel? Um ataque preventivo contra um programa nuclear que Netanyahu afirma estar “a semanas de distância” há trinta anos? Ou uma cruzada tardia pelos direitos humanos? Os americanos parecem incapazes de se decidir por uma narrativa, com o próprio Trump a vacilar sobre a missão que ele mesmo autorizou. No entanto, os dados são incontestáveis.</p>
<p>O Irão é um cofre de recursos avaliado em <a href="https://hagueresearch.org/rare-earth-elements-and-iran-a-new-geopolitical-front/" target="_blank" rel="noopener">27 biliões de dólares</a>. Detém as terceiras maiores reservas de petróleo do mundo &#8211; cerca de <a href="https://www.weforum.org/stories/2026/03/where-in-the-world-does-our-oil-come-from/" target="_blank" rel="noopener">208 mil milhões de barris</a> &#8211; e quase <a href="https://assets.kpmg.com/content/dam/kpmgsites/sg/pdf/2025/08/2025-statistical-review-of-world-energy.pdf" target="_blank" rel="noopener">17% do gás natural do planeta</a>. Para além dos hidrocarbonetos, assenta sobre aproximadamente <a href="https://hagueresearch.org/rare-earth-elements-and-iran-a-new-geopolitical-front/" target="_blank" rel="noopener">7% da riqueza mineral total do mundo</a>, incluindo enormes e inexploradas jazidas de cobre, zinco e lítio, que poderão determinar quem sairá vencedor da transição energética global. No entanto, o ativo mais poderoso deste balanço é aquele que está atualmente a estrangular o mundo: o Estreito de Ormuz. O tráfego marítimo afundou 70% e, com 20% do petróleo transportado por via marítima e um quinto do seu gás natural efetivamente paralisados, Teerão provou que detém um interruptor para desligar a economia global.</p>
<p>Após o sucesso que obteve na Venezuela, Trump parece que foi incapaz de resistir à tentação de lançar o arpão àquele que é a &#8216;Moby Dick&#8217; do Médio Oriente. Para ele, a soberania dos outros é secundária face aos interesses económicos e energéticos dos EUA.</p>
<p>Se lhe parece improvável que o presidente dos EUA colocaria em risco a estabilidade global em nome da rentabilidade de ativos, olhe novamente para o mapa e olhe para norte. Há apenas algumas semanas, a fixação era a Gronelândia. Apesar das declarações de Trump, não se registou qualquer ameaça credível por parte da Rússia ou da China. Mas o que realmente existe naquela ilha, sob todo aquele gelo, são <a href="https://pub.geus.dk/da/publications/rare-earth-element-ree-exploration-potential-and-projects-in-gree/?utm_source=chatgpt.com" target="_blank" rel="noopener">38,5 milhões de toneladas de óxidos de terras raras</a> &#8211; minerais estratégicos que definirão o equilíbrio do poder futuro.</p>
<p>Mas o presidente norte-americano pode estar meramente a replicar a cartilha do seu inimigo-tornado-amigo, que voltou a ser inimigo (quem consegue acompanhar a esta altura?): Vladimir Putin. O Kremlin mantém a narrativa de que quer “desnazificar” a Ucrânia, mas a geologia da região sugere um motivo muito mais pragmático.</p>
<p>A Ucrânia detém um inventário mineral avaliado em mais de <a href="https://www.dentons.com/en/insights/articles/2024/august/20/ukraine-critical-minerals?utm_source=chatgpt.com" target="_blank" rel="noopener">26 biliões de dólares</a>, assentando sobre aquela que é, provavelmente, a reserva de lítio mais significativa da Europa &#8211; cerca de <a href="https://www.spglobal.com/energy/en/news-research/latest-news/metals/050125-factbox-us-ukraine-forge-economic-partnership-focused-on-critical-minerals?utm_source=chatgpt.com" target="_blank" rel="noopener">500 mil toneladas</a> deste &#8216;ouro branco&#8217; de alta qualidade, que funciona como o equivalente a um campo petrolífero do século XX. Em nenhum outro local isso é mais significativo do que no Donbass, que detém <a href="https://www.europarl.europa.eu/RegData/etudes/ATAG/2025/765789/EPRS_ATA%282025%29765789_EN.pdf" target="_blank" rel="noopener">25 dos 34 minerais que a UE classifica como críticos para a sua transição energética e autonomia estratégica</a>. Portanto, para Putin, isto vai muito além de reivindicações territoriais ou ambições de legado. Ao assegurar a região, ele aspira a posicionar-se como o fiel da balança da Europa, amarrando as ambições verdes do continente aos caprichos de Moscovo e substituindo efetivamente a sua dependência de gás por outra.</p>
<p>Mas o mapa da pilhagem moderna nem sempre é traçado de antemão, e seria um erro sugerir o contrário. Muitas vezes, o assalto é feito por conveniência. Movemo-nos de novo para oeste no mapa mundo. A guerra atual em Gaza intensificou-se a partir de um choque de queixas históricas e do fantasma desmoronado da solução de dois Estados, impulsionado pelas ambições territoriais explícitas de Benjamin Netanyahu. Mas enquanto o bombardeamento consumia a terra, uma anexação silenciosa desenrolava-se no mar. Apenas algumas semanas após o início do conflito, o Ministério de Energia israelita aproveitou o caos para conceder <a href="https://www.aljazeera.com/opinions/2024/3/6/israel-is-pillaging-not-just-gazas-cities-but-also-its-waters" target="_blank" rel="noopener">novas licenças de exploração de gás natural a pesos pesados europeus como a BP e a Eni</a>. Estas licenças estendem-se diretamente aos territórios marítimos reivindicados pela Palestina, sufocando o jazigo de gás <em>Gaza Marine</em>, há muito adormecido. Com cerca de 1 bilião de pés cúbicos de gás natural, este depósito foi outrora visionado como o motor económico de um potencial Estado palestiniano. Hoje, não passa de um espólio de guerra a ser devorado por interesses transacionais.</p>
<p>Assistimos ao ressurgimento da regra mais antiga da história: o poder pertence a quem conseguir partilhar a crosta terrestre. Estes conflitos, aparentemente dispersos, expõem a mesma vulnerabilidade estrutural de uma economia global que ainda depende de pontos de estrangulamento centralizados e facilmente monopolizados.</p>
<p>A resposta a estes saques não deverá passar pela construção de arpões maiores, mas por esvaziar o oceano onde os agressores pescam. Se a coação vive da posse de recursos fixos e fáceis de sitiar, a liberdade deve nascer da sua descentralização. Ao substituir a extração centralizada pela colheita livre dos elementos, as nações desarmam o autoritarismo na sua génese. A energia renovável afirma-se, portanto, como muito mais do que um imperativo ecológico, afirma-se como um ato de libertação geopolítica, e o novo pilar mestre da segurança nacional, que ditará quem é livre e quem permanece refém da vontade alheia.</p>
<p>Quando a Rússia cortou as exportações de gás em 80%, a União Europeia respondeu utilizando o seu setor das energias renováveis como a sua linha de defesa. Através de uma implantação sem precedentes de energia solar e eólica, o bloco poupou cerca de <a href="https://zerocarbon-analytics.org/insights/briefings/clean-energy-is-shielding-eu-from-the-worst-of-the-middle-east-crisis/" target="_blank" rel="noopener">100 mil milhões de euros</a> em custos evitados com combustíveis fósseis, evitando assim, de forma eficaz, o colapso energético arquitetado pelo Kremlin.</p>
<p>Assistimos a esta mesma defesa assimétrica durante o atual bloqueio do Estreito de Ormuz. Enquanto nações dependentes de gás natural, como a Tailândia, esgotam as reservas nacionais apenas para congelar os preços dos combustíveis, outras construíram uma almofada de segurança. O Vietname, por exemplo, aproveitou o seu boom solar doméstico para evitar quase <a href="https://zerocarbon-analytics.org/insights/briefings/solar-could-help-vietnam-avoid-almost-usd-600-million-from-coal-and-gas-imports-as-iran-war-drives-up-energy-prices/" target="_blank" rel="noopener">600 milhões de dólares</a> em importações exorbitantes só no mês passado, blindando a sua base industrial contra a escalada global de preços. Da mesma forma, apesar de ser um dos três maiores importadores de gás do Golfo, o Paquistão alicerçou a sua gestão de crise na energia solar. Ao importar 51 gigawatts de módulos solares desde 2022, o país evitou, até à data, uma fatura de <a href="https://gasoutlook.com/analysis/pakistani-solar-boom-is-shielding-it-from-the-hormuz-crisis-new-report/#:~:text=This%20will%20%E2%80%9Csignificantly%20soften%20the,%29%2C%20an%20independent%20research%20organisation." target="_blank" rel="noopener">12 mil milhões de dólares</a> em combustíveis fósseis.</p>
<p>Quando uma nação gera a sua energia a partir do céu e não do solo em disputa, corta o cordão umbilical da dependência. Um Estado hostil pode minar uma fronteira, bombardear um gasoduto ou bloquear um porto, mas não pode conquistar o sol, nem pode desligar o vento. Com a mudança para fontes limpas, a incerteza da volatilidade externa dá lugar à estabilidade de uma variabilidade gerível.</p>
<p>Contudo, as renováveis não constituem, por si só, uma panaceia contra a guerra. Assentes em montanhas de minério, as infraestruturas renováveis exigem seis vezes mais minerais do que o sistema herdado do século passado. Esta dependência física redesenha o perigo: a <a href="https://www.iea.org/reports/the-role-of-critical-minerals-in-clean-energy-transitions" target="_blank" rel="noopener">Agência Internacional de Energia</a> estima que a procura de lítio possa quadruplicar até 2040, enquanto o cobre enfrentará uma escassez severa já na próxima década. O campo de batalha desloca-se do crude para os metais, mas o trunfo estratégico não está na extração, mas no estreito da refinação. Com a China a controlar 85% do processamento global, a transição arrisca-se a replicar as velhas assimetrias de poder, caso não haja uma reforma das cadeias de valor.</p>
<p>A corrida mineral tem de se afirmar pela reserva estratégica e pela reutilização. Ao contrário do petróleo, esta nova dependência não é, obrigatoriamente, uma sentença de servidão perpétua. O hidrocarboneto é uma dívida que nunca se paga: uma vez queimado, evapora-se, exigindo um fluxo de importações constante para que o sistema não entre em paragem cardíaca. Já os minerais podem ser ativos permanentes, e é aqui que a geometria do domínio se altera.</p>
<p>Hoje, a tecnologia já permite recuperar até <a href="https://www.surrey.ac.uk/news/bio-based-technology-successfully-recovers-95-high-purity-lithium-spent-batteries?utm_source=chatgpt.com" target="_blank" rel="noopener">95% do lítio e do cobalto de baterias em fim de vida</a> e estima-se que a reciclagem de ímanes permanentes possa <a href="https://erma.eu/app/uploads/2021/09/01227816.pdf" target="_blank" rel="noopener">suprir até 25% da procura de terras raras da Europa</a> já na próxima década. Uma vez constituído um <em>stock</em> fundamental integrado numa infraestrutura circular, a suscetibilidade de uma nação a choques externos dissipa-se drasticamente. A segurança nacional deixa de ser uma variável de fluxo externo para se tornar uma constante de posse interna.</p>
<p>Sem este domínio da circularidade, o mapa do conflito limitar-se-á a trocar de pigmento &#8211; do ‘ouro negro’ para o ‘ouro branco’ &#8211; e, para os autocratas de amanhã, os despojos da guerra permanecerão exatamente os mesmos.</p>
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		<item>
		<title>Gestão de resíduos nas empresas: custo, regulação e oportunidade</title>
		<link>https://greensavers.sapo.pt/gestao-de-residuos-nas-empresas-custo-regulacao-e-oportunidade/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Green Savers]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 07 Apr 2026 08:50:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Empresas]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[Durante muitos anos, do ponto de vista empresarial, a gestão de resíduos foi encarada, fundamentalmente, como um problema logístico e um custo inevitável da atividade económica.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Por Paulo Praça, Presidente da Direção da ESGRA</strong></p>
<p>Durante muitos anos, do ponto de vista empresarial, a gestão de resíduos foi encarada, fundamentalmente, como um problema logístico e um custo inevitável da atividade económica. Recolher, transportar, tratar e dar destino final aos resíduos representava uma obrigação imposta pela legislação e um custo a minimizar. Contudo, a alteração da política ambiental conduzida pela União Europeia veio introduzir alterações profundas ao nível dos processos produtivos e do enquadramento regulatório.</p>
<p>Atualmente, a gestão de resíduos é simultaneamente um custo, um domínio regulado e uma oportunidade estratégica para as empresas.</p>
<p>Desde logo, importa reconhecer que os resíduos têm uma dimensão económica incontornável. Sempre que uma empresa gera resíduos está, de certa forma, a evidenciar ineficiências no seu processo produtivo. Matérias-primas adquiridas que não se transformam em produto final representam valor perdido. A gestão eficiente dos resíduos pode, por isso, traduzir-se numa redução de custos operacionais, seja através da diminuição da produção de resíduos, seja através da sua valorização material ou energética.</p>
<p>O Plano de Ação da União Europeia para a Economia Circular, lançado no final de 2015, com a missão de promover a transição do modelo de desenvolvimento linear para um modelo de desenvolvimento económico circular e sustentável, teve um papel muito importante ao assinalar a necessidade de mudar a perspetiva do desenvolvimento económico.</p>
<p>O Pacote para a Economia Circular trouxe grandes alterações regulatórias e fixou metas de cumprimento obrigatório em matéria de gestão de resíduos, dirigidas ao setor específico da gestão de resíduos urbanos. Foram, contudo, mais tímidas as alterações dirigidas às empresas, limitando-se a incentivar a celebração de acordos voluntários.</p>
<p>Salienta-se também o Pacto Ecológico Europeu (Green Deal), que tem como objetivo redefinir o compromisso da Comissão para enfrentar os desafios climáticos e ambientais, através da clara assunção de uma nova estratégia de crescimento económico.</p>
<p>Com efeito, o enquadramento regulatório tornou-se progressivamente mais exigente. A política ambiental da União Europeia tem vindo a reforçar instrumentos jurídicos que promovem a prevenção, a reutilização e a reciclagem de resíduos, limitando cada vez mais a deposição em aterro.</p>
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		<title>Quando a água testa as cidades</title>
		<link>https://greensavers.sapo.pt/quando-a-agua-testa-as-cidades/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 27 Mar 2026 11:02:11 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[nacional]]></category>
		<category><![CDATA[opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[As cheias que afetaram várias regiões de Portugal no início deste ano mostram que não basta gerir a escassez: é preciso preparar as cidades para lidar com o excesso, garantindo segurança, resiliência e qualidade de vida.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em><strong>Por Nuno Garcia, diretor-geral da GesConsult</strong></em></p>
<p>Ao celebrarmos o Dia Mundial da Água, importa lembrar que este recurso é, ao mesmo tempo, precioso e um desafio crescente para as cidades portuguesas. As cheias que afetaram várias regiões de Portugal no início deste ano mostram que não basta gerir a escassez: é preciso preparar as cidades para lidar com o excesso, garantindo segurança, resiliência e qualidade de vida. Importa reconhecer que não podemos impedir a ocorrência de cheias, mas podemos e devemos adotar estratégias que permitam minimizar os seus impactos e proteger pessoas, bens e infraestruturas.</p>
<p>O impacto destes episódios é evidente: ruas submersas, garagens inundadas, comércio em pausa, interrupções na mobilidade e prejuízos para famílias, empresas e serviços. Estes eventos deixaram de ser pontuais e são agora vistos como sinais de alerta para repensarmos o planeamento e a construção das nossas cidades.</p>
<p>Durante décadas, o desenvolvimento urbano privilegiou soluções que favoreceram a impermeabilização do solo. Estradas, parques de estacionamento e edifícios reduziram a capacidade do terreno de absorver a água da chuva, acumulando-a rapidamente nas superfícies urbanas e pressionando redes de drenagem muitas vezes insuficientes.</p>
<p>Perante esta realidade, torna-se necessário preparar as cidades para fenómenos extremos. Isso exige uma abordagem integrada, que combine infraestruturas, planeamento urbanístico e tipologias construtivas adaptadas.</p>
<p>Entre as medidas mais eficazes estão soluções que devolvem à cidade parte da sua capacidade natural de absorção de água: pavimentos drenantes, zonas verdes, parques enquanto bacias de retenção e áreas de infiltração que reduzem a acumulação superficial, aliviam a pressão sobre as redes e valorizam o espaço público.</p>
<p>Em áreas vulneráveis, soluções específicas fazem a diferença. Por exemplo, barreiras amovíveis em entradas de edifícios, garagens ou acessos a infraestruturas críticas permitem reagir rapidamente a subidas súbitas do nível da água. Além disso, tipologias construtivas adaptadas, como pisos térreos elevados ou parcialmente livres, permitem que a água circule sem comprometer os espaços habitacionais.</p>
<p>De forma complementar, a manutenção e o dimensionamento adequados das redes de drenagem continuam a ser essenciais. Sarjetas, coletores e bueiros limpos e bem dimensionados garantem que a água escoe de forma eficiente. Sempre que há alterações significativas no uso do solo, é fundamental rever a infraestrutura hidráulica para acompanhar a realidade urbanística.</p>
<p>Conhecer o comportamento da água subterrânea é igualmente crucial, pois a prevenção não se limita à superfície. Estudos hidrogeológicos detalhados ajudam-nos a analisar percursos preferenciais do lençol freático e zonas de maior vulnerabilidade, orientando decisões sobre onde e como construir de forma segura.</p>
<p>Quando integradas numa estratégia de planeamento e engenharia, estas medidas tornam as cidades mais resilientes, salvaguardam pessoas, reduzem custos futuros e fortalecem a confiança das comunidades.</p>
<p>A realidade climática exige que o setor da engenharia, construção e planeamento urbano incorpore a prevenção e a adaptação como princípios estruturantes. Investir nestas soluções é uma decisão estratégica, com benefícios económicas e sociais claros.</p>
<p>Preparar as cidades para a água – seja quando escasseia, seja quando chega em excesso – é uma das grandes responsabilidades do setor nas próximas décadas. Construir cidades resilientes significa aprender a conviver com a água e a usá-la como recurso que protege, sustenta e transforma as nossas comunidades.</p>
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		<item>
		<title>Caberá o mundo em 3 móveis escandinavos?</title>
		<link>https://greensavers.sapo.pt/cabera-o-mundo-em-3-moveis-escandinavos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 18 Mar 2026 10:30:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[nacional]]></category>
		<category><![CDATA[opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[Temos esta necessidade quase infantil de organizar o caos. De arrumar o mundo em gavetas conceptuais para podermos seguir em frente com alguma sensação de controlo. As siglas ajudam. Funcionam como mapas. Não simplificam o território, mas podem indicar o caminho, dando alguma coragem para atravessá-lo.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em><strong>Por Tiago Carrilho, Diretor de Conhecimento e Formação do BCSD Portugal</strong></em></p>
<p>Há qualquer coisa de irónico em tentarmos explicar o estado do mundo com siglas que soam a peças de mobiliário escandinavo: VUCA, BANI, FLUX. Poderiam estar alinhadas numa prateleira minimalista, mas são, afinal, tentativas sérias de traduzir uma realidade que se tornou simultaneamente volátil, frágil e líquida.</p>
<p>Temos esta necessidade quase infantil de organizar o caos. De arrumar o mundo em gavetas conceptuais para podermos seguir em frente com alguma sensação de controlo. As siglas ajudam. Funcionam como mapas. Não simplificam o território, mas podem indicar o caminho, dando alguma coragem para atravessá-lo.</p>
<p>O VUCA ensinou-nos a ler os sistemas: volatilidade, incerteza, complexidade, ambiguidade. Quando observado na perspetiva do bem-comum, continua atual. Recorda-nos que clima, energia, cadeias de valor ou confiança institucional são peças de um mesmo puzzle. Não há soluções isoladas para problemas interdependentes. Ou cooperamos, ou fragmentamo-nos. As consequências podem ser devastadoras na segunda.</p>
<p>Depois chegou o BANI e trouxe desconforto. Mostrou que não são apenas os mercados que tremem, a parte mais importante do sistema são as pessoas. Fragilidade, ansiedade, não linearidade, incompreensibilidade. A instabilidade deixou de ser apenas económica ou política. Tornou-se emocional. Liderar passou a ser, também cuidar da confiança, da saúde mental coletiva e de todas as partes integrantes do sistema.</p>
<p>E o FLUX empurrou-nos para a evidência final: a mudança deixou de ser episódio e tornou-se condição. A estabilidade é um intervalo breve entre duas transições. Adaptar-se já não é competência tática é postura existencial. É a qualidade que nos fará construir o futuro de forma resiliente e dando resposta à imprevisibilidade do mundo.</p>
<p>Talvez a maturidade esteja na fusão dos três. VUCA ajuda-nos a compreender o sistema. BANI ajuda-nos a compreender as pessoas. FLUX ensina-nos a mover-nos entre ambos. Juntos formam um novo sistema operativo de liderança &#8211; sistémico, humano e adaptativo.</p>
<p>Responder a este mundo exige super competências. Pensamento sistémico para ler interdependências; inteligência emocional coletiva para reduzir ansiedade e gerar confiança; capacidade adaptativa para aprender em ciclos curtos; coragem para decidir quando o chão parece instável; empatia para construir pontes onde antes havia silos; otimismo radical (não ingenuidade) com a convicção de que é possível criar impacto positivo mesmo em contexto adverso; e propósito e serenidade como âncora quando tudo parece flutuar.</p>
<p>Num mundo de móveis conceptuais e realidades instáveis, a questão já não é como controlar o futuro. É como criar valor económico, social e ambiental enquanto ele se move a alta velocidade, sem perder a humanidade pelo caminho.</p>
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		<item>
		<title>Climatização e transição energética: as tendências que estão a redefinir os edifícios do futuro</title>
		<link>https://greensavers.sapo.pt/climatizacao-e-transicao-energetica-as-tendencias-que-estao-a-redefinir-os-edificios-do-futuro/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 06 Mar 2026 10:02:09 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[climatização]]></category>
		<category><![CDATA[nacional]]></category>
		<category><![CDATA[opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Transição Energética]]></category>
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					<description><![CDATA[Hoje, falar de eficiência energética já não é apenas falar de equipamentos mais eficientes, mas sim de uma transformação estrutural que envolve tecnologia, digitalização, qualificação técnica e políticas públicas coerentes.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em><strong>Por Mário David Carvalho, HVAC sales director na Hisense Portugal</strong></em></p>
<p>A transição energética deixou de ser uma ambição de longo prazo para se tornar uma exigência imediata no setor dos edifícios. Num contexto de metas climáticas cada vez mais ambiciosas, aumento dos custos energéticos e maior consciência ambiental, a climatização assume um papel central na descarbonização do parque edificado, tanto residencial como terciário.</p>
<p>Hoje, falar de eficiência energética já não é apenas falar de equipamentos mais eficientes, mas sim de uma transformação estrutural que envolve tecnologia, digitalização, qualificação técnica e políticas públicas coerentes.</p>
<p>Uma das tendências mais claras no setor é a substituição progressiva de sistemas baseados em combustíveis fósseis por soluções totalmente elétricas, assentes em tecnologias de aerotermia. As bombas de calor ar-água e os sistemas VRF têm vindo a afirmar-se como alternativas maduras, eficientes e alinhadas com os objetivos de neutralidade carbónica.</p>
<p>Esta evolução tecnológica permite não só reduzir de forma significativa o consumo energético e as emissões associadas, como também responder às exigências crescentes de conforto térmico ao longo de todo o ano, incluindo aquecimento, arrefecimento e produção de águas quentes sanitárias.</p>
<p>Paralelamente, a indústria tem vindo a apostar de forma consistente em fluidos frigorigéneos com baixo potencial de aquecimento global (GWP), reforçando o compromisso com soluções mais sustentáveis ao longo de todo o ciclo de vida dos equipamentos.</p>
<p><strong>Eficiência energética começa no edifício, não apenas no equipamento</strong></p>
<p>Outra tendência determinante prende-se com a abordagem integrada à eficiência energética. A realidade do parque edificado português, marcado por edifícios antigos e com fraco desempenho térmico, continua a ser um dos principais obstáculos à rápida melhoria da eficiência energética.</p>
<p>A pobreza energética, que ainda afeta uma parte significativa da população, evidencia que a eficiência não pode ser vista apenas do lado do equipamento. Isolamento térmico, qualidade dos vãos envidraçados e eliminação de infiltrações são fatores decisivos para garantir conforto e reduzir consumos.</p>
<p>Neste contexto, os programas de apoio à reabilitação energética e à eletrificação dos sistemas desempenham um papel crítico. Quando bem estruturados, estes incentivos permitem mitigar o investimento inicial e acelerar a adoção de soluções mais eficientes e sustentáveis.</p>
<p>A digitalização é hoje um dos grandes motores de eficiência no setor AVAC. Sistemas de controlo inteligente, monitorização remota e análise de dados em tempo real deixaram de ser um extra para se tornarem componentes essenciais dos projetos de climatização modernos.</p>
<p>Tecnologias baseadas em inteligência artificial permitem ajustar automaticamente o funcionamento dos equipamentos às condições reais de utilização, evitando desperdícios energéticos e melhorando a experiência do utilizador. A gestão por horários, cenários e ocupação, bem como o acesso contínuo a dados de consumo, contribuem para uma operação mais eficiente, previsível e sustentável.</p>
<p>Adicionalmente, a possibilidade de diagnóstico remoto, atualizações de software remotamente e manutenção preventiva representa uma mudança estrutural na forma como os sistemas são geridos ao longo do tempo, reduzindo custos operacionais e aumentando a fiabilidade.</p>
<p>Apesar da evolução tecnológica, uma das grandes limitações à escala da transição energética continua a ser a escassez de mão-de-obra qualificada. A instalação de sistemas como bombas de calor e VRF exige competências multidisciplinares que vão muito além da instalação tradicional, incluindo eletrónica, hidráulica, gases fluorados e software.</p>
<p>Sem um investimento consistente na formação técnica, o setor corre o risco de não conseguir responder ao volume de renovações energéticas esperado nos próximos anos. Neste cenário, a aposta em academias de formação, parcerias com associações do setor e programas de qualificação profissional será determinante para garantir a qualidade das instalações e o desempenho real dos sistemas.</p>
<p><strong>O futuro passa por soluções integradas e sustentáveis</strong></p>
<p>O futuro da climatização será cada vez mais marcado por soluções integradas, capazes de responder simultaneamente a múltiplas necessidades energéticas dos edifícios, com menor impacto ambiental e maior eficiência operacional. Sistemas multifunções, recuperação de calor, integração com plataformas digitais e compatibilidade com fontes de energia renovável serão fatores decisivos na escolha das soluções.</p>
<p>Mais do que uma evolução tecnológica, estamos perante uma mudança de paradigma. A climatização deixa de ser um elemento isolado do edifício para se tornar um eixo central da estratégia energética, ambiental e económica.</p>
<p>Num setor em rápida transformação, a inovação, a digitalização e a qualificação técnica não são apenas tendências — são condições essenciais para construir edifícios mais eficientes, confortáveis e alinhados com os desafios climáticos do presente e do futuro.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Poderá a redução de custos ser realmente a chave para a criação de valor?</title>
		<link>https://greensavers.sapo.pt/podera-a-reducao-de-custos-ser-realmente-a-chave-para-a-criacao-de-valor/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 05 Mar 2026 11:02:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[nacional]]></category>
		<category><![CDATA[opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[Num contexto de volatilidade estrutural dos preços da energia, maior pressão regulatória e margens cada vez mais exigentes, continuar a olhar para a eficiência como mera redução de custos é ignorar uma das mais relevantes alavancas de criação de valor ao dispor das organizações. A verdadeira questão já não é “quanto custa implementar?” mas antes “quanto custa continuar ineficiente?”]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em><strong>Por Edgar Malato, CEO da Ewen Energy</strong></em></p>
<p>Durante demasiado tempo, a eficiência energética foi tratada como um tema secundário nas empresas. Uma linha discreta no orçamento. Um projeto adiado “para quando houver disponibilidade”. Um investimento avaliado quase exclusivamente pelo seu custo inicial. Essa abordagem não é apenas limitada. É estrategicamente perigosa.</p>
<p>Num contexto de volatilidade estrutural dos preços da energia, maior pressão regulatória e margens cada vez mais exigentes, continuar a olhar para a eficiência como mera redução de custos é ignorar uma das mais relevantes alavancas de criação de valor ao dispor das organizações. A verdadeira questão já não é “quanto custa implementar?” mas antes “quanto custa continuar ineficiente?”</p>
<p>O desperdício energético é uma fuga silenciosa de margem. É risco operacional acumulado. É maior exposição a choques externos. É dependência excessiva da rede. Quando a análise deixa de estar centrada no investimento inicial e passa a considerar o ciclo de vida dos ativos, a equação altera-se de forma estrutural. A eficiência deixa de ser um projeto técnico e passa a ser uma decisão estratégica de gestão.</p>
<p>Em Portugal, este debate é particularmente relevante. Muitas empresas continuam a adiar decisões por receio do CAPEX, ignorando que a inação tem um custo acumulado muito superior. A energia desperdiçada todos os dias raramente aparece como linha crítica nos relatórios financeiros, mas corrói competitividade de forma consistente.</p>
<p>Um exemplo concreto pode ser encontrado no setor hoteleiro. Num grande hotel de Lisboa, foi identificado um volume significativo de calor residual que estava simplesmente a ser dissipado para o exterior. Através de um projeto de engenharia focado na recuperação térmica e na otimização dos sistemas, essa energia passou a ser reaproveitada para o aquecimento de águas sanitárias. O resultado foi uma redução de cerca de 26% na fatura de gás, menor exposição à volatilidade do mercado e uma diminuição direta das emissões associadas à operação. Não se instalou mais capacidade. Não se aumentou consumo. Utilizou-se melhor o que já existia.</p>
<p>É aqui que reside a mudança de paradigma. Eficiência energética não é apenas consumir menos. É consumir melhor. É extrair mais valor da mesma infraestrutura. É transformar desperdício em desempenho operacional.</p>
<p>Num mercado onde investidores analisam métricas ESG, clientes exigem responsabilidade ambiental e a competitividade depende cada vez mais da estrutura de custos, eficiência e também reputação, acesso a financiamento e robustez estratégica.</p>
<p>A transição energética não será feita, por isso, apenas com mais produção renovável. Produzir energia limpa para depois a desperdiçar é um contrassenso económico e ambiental. A verdadeira transformação exige inteligência no consumo, engenharia aplicada aos processos e gestão ativa do desempenho energético.</p>
<p>No fim, energia eficiente não é a mais barata à partida. É a que cria mais valor ao longo do tempo. E ignorar isso, hoje, já não é prudência financeira. É perda de competitividade.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>A proteção da vida selvagem começa muitas vezes… em casa!</title>
		<link>https://greensavers.sapo.pt/a-protecao-da-vida-selvagem-comeca-muitas-vezes-em-casa/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 03 Mar 2026 12:01:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[nacional]]></category>
		<category><![CDATA[opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[Por Luís Figueiredo, Diretor-Geral da VALORMED A 3 de março assinala-se o Dia Mundial da Vida Selvagem, uma data que nos convida a olhar para a biodiversidade não como algo distante ou abstrato, mas como parte integrante do equilíbrio que sustenta a vida no planeta — incluindo a nossa. Proteger a vida selvagem é, em [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em><strong>Por Luís Figueiredo, </strong><strong>Diretor-Geral da VALORMED</strong></em></p>
<p>A 3 de março assinala-se o Dia Mundial da Vida Selvagem, uma data que nos convida a olhar para a biodiversidade não como algo distante ou abstrato, mas como parte integrante do equilíbrio que sustenta a vida no planeta — incluindo a nossa. Proteger a vida selvagem é, em última instância, proteger os ecossistemas de que dependemos para viver com saúde e qualidade.</p>
<p>A relação entre a ação humana e o impacto nos <em>habitats</em> naturais é hoje inegável. As escolhas que fazemos no quotidiano deixam marcas. Algumas são visíveis de imediato; outras permanecem silenciosas durante anos, acumulando efeitos nos solos, na água e nas cadeias alimentares. Entre essas escolhas está a forma como utilizamos e descartamos os medicamentos que já não precisamos ou ultrapassaram o seu prazo de validade.</p>
<p>Sabemos que os medicamentos são essenciais para tratar doenças, aliviar sintomas e melhorar a qualidade de vida. No entanto, quando não são corretamente encaminhados após a sua utilização, podem transformar-se numa fonte de contaminação ambiental com consequências profundas. Resíduos de fármacos deitados no lixo comum, ecopontos ou através dos esgotos domésticos acabam por atingir cursos de água, solos agrícolas e ecossistemas naturais, afetando espécies animais e vegetais.</p>
<p>Estudos internacionais têm vindo a demonstrar a presença de substâncias farmacêuticas em rios, lagos e aquíferos, com impacto direto na fauna selvagem — desde alterações comportamentais em peixes até perturbações nos sistemas reprodutivos de várias espécies. Estes efeitos não se limitam à vida animal: regressam até nós através da água, dos alimentos e do desequilíbrio dos ecossistemas.</p>
<p>É fundamental, por isso, compreender que a proteção da vida selvagem começa muitas vezes em casa. Cada embalagem vazia ou medicamento fora de uso e de prazo que não é corretamente encaminhado representa uma potencial marca negativa no ambiente. Em sentido inverso, cada entrega feita num ponto de recolha autorizado é um gesto simples que contribui para preservar a biodiversidade e proteger a saúde pública.</p>
<p>Em Portugal, a VALORMED tem vindo desde 1999 a assegurar a recolha e o tratamento adequado destes resíduos, prevenindo a sua libertação no ambiente e promovendo práticas responsáveis junto da população. Através de uma rede nacional de pontos de recolha em farmácias e parafarmácias, é possível garantir que os resíduos de medicamentos seguem um percurso seguro, sem colocar em risco os ecossistemas.</p>
<p>A campanha nacional VALORMED— “Há escolhas que deixam marcas no futuro do planeta” —, lançada no início deste ano, reforça precisamente esta mensagem: aquilo que descartamos não desaparece. As nossas escolhas diárias deixam marcas reais no futuro do planeta, na vida selvagem e, inevitavelmente, na nossa própria saúde. Já quando optamos pelo encaminhamento correto dos medicamentos, estamos a transformar uma potencial ameaça numa marca positiva de responsabilidade ambiental.</p>
<p>Assinalar o Dia Mundial da Vida Selvagem é, assim, reconhecer que a preservação da biodiversidade não depende apenas de grandes decisões políticas ou de ações globais. Depende também de gestos individuais, repetidos diariamente por milhões de pessoas. Separar os medicamentos fora de uso, entregá-los no local certo e adotar comportamentos conscientes são formas concretas de proteger os ecossistemas e as espécies que neles habitam.</p>
<p>A VALORMED continuará empenhada em mobilizar cidadãos, comunidades e parceiros para esta causa comum. Porque cuidar do ambiente é cuidar da vida em todas as suas formas. E porque as marcas que escolhemos deixar hoje determinam o planeta e a vida selvagem que existirá amanhã.</p>
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		<title>Sustentabilidade em Saúde: quando o planeta é o nosso primeiro paciente</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 02 Mar 2026 12:01:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[nacional]]></category>
		<category><![CDATA[opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[Sustentabilidade, sustentabilidade e mais sustentabilidade. O termo tornou-se omnipresente nos últimos anos. Mas, apesar da repetição, continua frequentemente reduzido à sua dimensão ambiental, como se fosse um tema setorial ou complementar. ]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><strong><em>Por Bernardo Soares, DVM | One Health Director UPPartner</em></strong></p>
<p>Sustentabilidade, sustentabilidade e mais sustentabilidade. O termo tornou-se omnipresente nos últimos anos. Mas, apesar da repetição, continua frequentemente reduzido à sua dimensão ambiental, como se fosse um tema setorial ou complementar. Não é. Sustentabilidade significa sustentar, preservar equilíbrio e garantir continuidade. E, nesse sentido, é impossível falar de futuro sem falar de saúde.</p>
<p>Existe sustentabilidade ambiental, social e económica. Mas há uma dimensão menos discutida e absolutamente central: a sustentabilidade em saúde. Se reconhecemos que a saúde é um dos bens mais preciosos que possuímos, então é imperativo compreendê-la como algo que precisa de ser sustentado — e não apenas tratado quando falha.</p>
<p>A saúde não começa nos hospitais nem nas clínicas. Começa no território. Começa nas escolhas quotidianas: na forma como nos alimentamos, como nos deslocamos, como gerimos resíduos, como cuidamos dos animais e como ocupamos o espaço. Cada decisão individual produz um efeito cumulativo sobre o ambiente que nos envolve — e esse ambiente molda diretamente a nossa saúde.</p>
<p>A relação é simbiótica. Quando o equilíbrio ambiental se deteriora, a saúde humana acompanha esse declínio.</p>
<p>Tomemos o exemplo dos incêndios, uma realidade infelizmente recorrente no nosso país. Para além das causas imediatas, representam um sintoma estrutural de impreparação do território e de ausência de uma cultura preventiva consolidada. A destruição de ecossistemas não se limita à perda de floresta. Significa degradação da qualidade do ar, erosão dos solos, perda de biodiversidade, impacto económico e vulnerabilidade social. Tudo isto se traduz, inevitavelmente, em consequências sanitárias — físicas e mentais — para populações humanas e animais.</p>
<p>Outro exemplo recente são as inundações que atingiram diferentes regiões do país. Para além da intensidade das tempestades, ficou exposta a fragilidade dos solos e a insuficiência de planeamento adaptado a fenómenos extremos. Quando os territórios se tornam vulneráveis e as infraestruturas colapsam, a saúde pública é diretamente afetada. A sustentabilidade ambiental, social, económica e sanitária revela-se, afinal, uma única realidade interligada.</p>
<p>A grande questão é esta: continuamos a tratar a sustentabilidade como um sacrifício ou um custo, quando na verdade é uma estratégia de prevenção. Escolhas mais sustentáveis são, muitas vezes, escolhas mais saudáveis — e mais racionais a médio prazo.</p>
<p>A persistente falta de literacia em saúde está profundamente ligada à insuficiente literacia ambiental. Podemos discutir se são formalmente indissociáveis, mas negar a sua interdependência é um erro crasso. Sem compreender o impacto das nossas escolhas sobre o território e tudo o que nele se insere, dificilmente compreenderemos o impacto dessas mesmas escolhas sobre o nosso próprio bem-estar.</p>
<p>Sustentabilidade em saúde, tal como as alterações climáticas, é uma realidade e uma necessidade, não um mero conceito ideológico A saúde só é verdadeiramente sustentável quando decisões individuais, coletivas e políticas contribuem para manter equilibrado o sistema que nos sustenta.</p>
<p>Cuidar do planeta não é uma agenda paralela à saúde. É a primeira forma de prevenção.</p>
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