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	<title>Opinião &#8211; Green Savers</title>
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	<description>Notícias sobre sustentabilidade, ambiente, alterações climáticas, biodiversidade, florestas, finanças verdes, empresas, economia, ODS</description>
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	<title>Opinião &#8211; Green Savers</title>
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	<item>
		<title>REEEs: Da responsabilidade coletiva ao potencial para a economia circular</title>
		<link>https://greensavers.sapo.pt/reees-da-responsabilidade-coletiva-ao-potencial-para-a-economia-circular/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 14 Oct 2026 13:02:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[nacional]]></category>
		<category><![CDATA[opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[A resposta não pode passar por depositá-los no lixo comum. Os chamados REEEs – Resíduos de Equipamentos Elétricos e Eletrónicos – resultam de uma mistura complexa de materiais que exigem um tratamento especializado.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em><strong>Por Alexander Uzcategui, Sustainability Coordinator da Worten</strong></em></p>
<p>Vivemos rodeados de tecnologia. Dos pequenos acessórios que cabem na palma da mão aos grandes eletrodomésticos presentes em qualquer casa, todos os dias usamos equipamentos elétricos e eletrónicos que tornam a nossa vida mais simples, prática e confortável. Mas há um lado da equação de que falamos menos: o que acontece quando esses equipamentos deixam de funcionar ou caem em desuso?</p>
<p>A resposta não pode passar por depositá-los no lixo comum. Os chamados REEEs – Resíduos de Equipamentos Elétricos e Eletrónicos – resultam de uma mistura complexa de materiais que exigem um tratamento especializado. Dentro de um mesmo equipamento convivem metais como o ferro, aço, cobre e alumínio, mas também recursos de elevado valor como o ouro, prata ou paládio. A estes somam-se plásticos, vidro, baterias e até gases ou líquidos. Se por um lado encontramos matérias-primas críticas e reutilizáveis, por outro lidamos com substâncias potencialmente perigosas, que representam riscos significativos quando libertadas no ambiente.</p>
<p>É aqui que a reciclagem assume um papel decisivo. Basta pensar em alguns exemplos: metais ferrosos e não ferrosos, assim como os metais preciosos, presentes nos chips e circuitos, podem ser recuperados e reaproveitados em novos equipamentos, reduzindo a necessidade de extrair matérias-primas. Da mesma forma, também o plástico das carcaças e cabos pode dar origem a novos produtos. Já materiais como o vidro de ecrãs e monitores, que frequentemente contêm chumbo ou outros elementos tóxicos, precisam de tratamento adequado para não contaminar solos e águas. E no caso das baterias, que acumulam metais pesados como o chumbo, lítio ou cádmio, a reciclagem é essencial para prevenir riscos graves para a saúde e acidentes como incêndios ou explosões.</p>
<p>A verdade é que os REEEs não são apenas resíduos. São, ao mesmo tempo, uma fonte de recursos valiosos e uma ameaça silenciosa quando não têm o destino adequado. Descartar um REEE nos resíduos indiferenciados significa deixar que estes equipamentos acabem em aterros, incineradoras ou abandonados em locais impróprios, libertando substâncias tóxicas que entram nos ecossistemas e que, por essa via, podem entrar na nossa cadeia alimentar.</p>
<p>A reciclagem adequada, por outro lado, soma benefícios. Além de proteger o ambiente, ao evitar a contaminação do ar, solo e água, permite conservar recursos valiosos. Em média, reciclar corretamente permite poupar 60% a 95% da energia e 40 a 90% da água que seria necessária para produzir o mesmo metal a partir de matérias-primas virgens.  Além disso, quando tratados por entidades certificadas, estes resíduos deixam de representar um risco e passam a integrar um ciclo sustentável.</p>
<p>Mas esta responsabilidade não recai apenas sobre os consumidores. As marcas que produzem e comercializam estes equipamentos têm também um papel central para assegurar que existem soluções de recolha acessíveis, comunicar de forma clara sobre o destino a dar a cada produto em fim de vida e investir em parcerias com entidades certificadas que garantam o correto tratamento dos resíduos. Assumir esta responsabilidade é parte do compromisso com os clientes e com a sociedade, garantindo que o ciclo de vida dos produtos termina de forma segura e responsável. E para os consumidores, o processo é muito simples e<strong> </strong>gratuito: no momento da receção do novo equipamento de grande e média dimensão, é possível entregar o antigo, que será encaminhado para a entidade certificada, responsável pelo seu correto tratamento e posterior reciclagem. Já os pequenos REEEs podem ser entregues diretamente na loja, para serem depois devidamente encaminhados e reciclados.</p>
<p>Na União Europeia, a meta é clara: recolher 65% do peso médio dos Equipamentos Elétricos e Eletrónicos colocados no mercado nos últimos 3 anos. Em Portugal, porém, ficamos ainda muito aquém desse objetivo, com taxas de recolha abaixo dos 30%. Este é um desafio que não pode ser ignorado. Cabe-nos a todos – cidadãos, empresas e instituições – contribuir para que cada equipamento seja encaminhado e reciclado corretamente. A boa notícia? Contribuir para a economia circular é um gesto simples, gratuito e com enorme impacto positivo.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>“(Im)previsível e (in)evitável: o risco “real” da catástrofe”</title>
		<link>https://greensavers.sapo.pt/imprevisivel-e-inevitavel-o-risco-real-da-catastrofe/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 09 Oct 2026 13:05:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[nacional]]></category>
		<category><![CDATA[opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[Para assegurar a resiliência de uma comunidade é fundamental existir uma abordagem de envolvimento, de união, de partilha de informação e de implementação dos diversos níveis do conhecimento, que deve ser assegurada pelo Estado, por todas as entidades público-privadas e pelo cidadão.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em><strong>Por Luis Carvalho, Coordenador Municipal de Proteção Civil e Comandante da Policia Municipal da Amadora</strong></em></p>
<p>A responsabilidade da redução do risco de catástrofe é uma missão que compete a todos e, por ética e princípios de humanismo e solidariedade, deve fazer parte do quotidiano, desde a forma como se educam os mais jovens até como planeamos as nossas cidades. Para assegurar a resiliência de uma comunidade é fundamental existir uma abordagem de envolvimento, de união, de partilha de informação e de implementação dos diversos níveis do conhecimento, que deve ser assegurada pelo Estado, por todas as entidades público-privadas e pelo cidadão. É verdade que o nível de responsabilidade é diferenciado, cabendo ao Estado (administração central e local), o papel de liderança de forma a promover um alinhamento intersectorial para garantir que as comunidades se estruturem para o imprevisível e para o inevitável, com o apoio de todas as entidades que compõem a sociedade.</p>
<p>Apesar da consciência global, a complexidade com que os fenómenos têm atingido as populações, particularmente neste século, deve remete-nos para uma discussão, nos diferentes patamares (internacional, nacional e local) em torno daquilo que é a real capacidade da preparação, da resposta e da recuperação das autoridades e das comunidades. Três certezas temos praticamente como certas: a primeira, é a que estamos mais expostos aos riscos que conhecemos (e que ainda não conhecemos!); a segunda, é a que as entidades e as autoridades estão, numa forma geral, mais bem preparadas para lidar com o risco e com a catástrofe. É indiscutível, por exemplo, que existe um know-how técnico, científico e operacional para a gestão dos riscos e das catástrofes em Portugal, muito maior do que em comparação com o final do século passado. É igualmente indiscutível que, existe um esforço notório do nível local em “muscular” a sua capacidade de antecipação, intervenção e de reposição da normalidade, tendo em conta a perigosidade e as vulnerabilidades existentes; a terceira, é que na década de 2000 os cenários preconizados pela Organização das Nações Unidas apontavam para um aumento substancial do impacto das catástrofes nas comunidades, a par do aumento da temperatura média do ar e do oceano, até 2030, que de facto está a acontecer.</p>
<p>Ora, o que nos deve preocupar, neste momento, é que as incertezas suplantam-se às certezas. O paradigma das catástrofes em diversos contextos políticos, demográficos, económicos e sociais, e com níveis de investimento diferenciados, evidenciam inúmeras fragilidades em comum na comunicação do risco, no socorro e no suporte às populações. Factos: no Japão, apesar de uma cultura de risco exemplar, o tsunami em 2011 fez perto de 19 mil mortes e gerou um prejuízo de 300 mil milhões de euros. A elevação de mais de 50 metros do fundo do mar, foi a maior elevação observada num único sismo; Em Pedrógão Grande, no ano de 2017, os incêndios rurais onde morreram 66 pessoas tiveram por base o desprovimento das faixas de gestão de combustível e de proteção aos aglomerados da população, e<br />
uma severidade meteorológica caracterizada por tempo quente e seco. Mais recentemente (outubro de 2024), em Valência, choveu 445,4 litros por metro quadrado, em 24 horas. Choveu tanto num dia como é normal chover num ano inteiro na região de Valência &#8211; a média anual de precipitação na Comunidade Valenciana é de cerca de 500 mm. Dias antes da catástrofe, a Agência Estatal de Meteorologia (AEMET) avisou as autoridades e a população de que havia 70% de probabilidades de ocorrência de chuvas torrenciais. Às 7:30 da manhã do dia da catástrofe, emitiu um aviso vermelho para tempo severo. As autoridades regionais só enviaram mensagens de texto à população para ficarem em casa pouco depois das 20:00 horas. Morreram 224 pessoas.</p>
<p>Nestes três exemplos, é notória a urgência de reduzirmos o impacto do imprevisível e do inevitável, e de reforçarmos a capacitação da população para ter condições de resistir e adaptar-se à catástrofe. Assumirmos que não existem recursos humanos e de logística suficientes, das autoridades e entidades competentes, para garantirem a resposta sustentada a uma catástrofe, que assuma um impacto disruptivo no quotidiano das cidades, deve ser visto como uma oportunidade e não como uma ameaça. Não devemos perpetuar a ideia de que perante 8.600 ocorrências em 48 horas, como aconteceu com a Depressão Martinho (março 2025), conseguimos a eficiência desejada na salvaguarda de todas as pessoas, animais e bens.</p>
<p>Portugal tem sem dúvida um nível de solidariedade relevante, em situações de resposta e recuperação à catástrofe. Existem vários exemplos de mobilização da população para o apoio às comunidades afetadas. Mas por outro lado, falta-nos mais diálogo e a capacidade de consolidarmos as soluções que se impõem para que a cultura de prevenção e de planeamento se instale no quotidiano. A falha de energia que afetou a Península Ibérica, no passado 28 de abril de 2025, é demonstrativa disso mesmo: inúmeras debilidades das estruturas locais e nacionais no garante da segurança, do socorro e da saúde das populações, assim como, do ponto de vista individual foi notória a incapacidade de termos acautelada a sustentação das nossas necessidades básicas numa situação disruptiva.</p>
<p>O imprevisível e o inevitável devem ser assumidos como um cenário real, no que à catástrofe diz respeito. E para enfrentar esse cenário devemos, rapidamente, apostar em dois princípios: o da comunicação clara e efetiva à população, dos riscos existentes e potenciais, para que seja percetível por todos que a responsabilidade da preparação, da resposta e da recuperação a uma catástrofe, deve ser partilhada; e o da capacitação da população, para cenários de exceção, através das dimensões do ensino e do associativismo, onde existem as condições e o tempo para o diálogo, reflexão e implementação de programas e\ou projetos nas áreas do suporte básico de vida e do planeamento de emergência familiar.</p>
<p>Uma população informada e capacitada garantirá um nível de resiliência superior, do ponto de vista individual e coletivo. E é nisso que devemos estar todos apostados em conseguir!</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>O futuro do montado decide-se no território</title>
		<link>https://greensavers.sapo.pt/o-futuro-do-montado-decide-se-no-territorio/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 25 Sep 2026 14:02:28 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[nacional]]></category>
		<category><![CDATA[opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[O montado sustenta a criação de gado, a apicultura, a produção de bolota, cogumelos e plantas aromáticas, a caça e o turismo de natureza.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em><strong>Por: Nuno Mamede Santos | Instituto de Planeamento Regenerativo | Terracrua Design</strong></em></p>
<p>O Dia Nacional da Sustentabilidade, assinalado a 25 de setembro, é uma oportunidade para aproximar as pessoas dos problemas concretos do território. No Alentejo, e particularmente no concelho de Odemira, isso implica falar do montado, da sua importância e das condições necessárias para assegurar a sua continuidade.</p>
<p>Apesar de a produção de cortiça ser a atividade mais reconhecida, está longe de ser a única. O montado sustenta a criação de gado, a apicultura, a produção de bolota, cogumelos e plantas aromáticas, a caça e o turismo de natureza. Protege o solo, alberga biodiversidade, armazena carbono e participa na regulação do ciclo da água. É também uma paisagem habitada e trabalhada, associada a conhecimentos, profissões e formas de vida que continuam a marcar o Alentejo. O seu valor ambiental, económico e social resulta precisamente desta combinação.</p>
<p>Mas importa não o romantizar. Não estamos perante uma floresta natural que permaneceu intacta até aos nossos dias. O montado é uma paisagem construída ao longo de gerações através da seleção das espécies que se regeneravam espontaneamente, da manutenção de sobreiros e azinheiras, da abertura de clareiras, do pastoreio, da agricultura e da extração de diferentes produtos.</p>
<p>Preservar o montado não pode, por isso, significar conservar uma fotografia idealizada do passado. Algumas práticas antigas continuam a fazer sentido; outras foram desenvolvidas para condições sociais, económicas e ambientais que já não existem. O desafio não é escolher entre tradição e mudança, é perceber o que continua a funcionar, o que deixou de funcionar e o que precisa de ser adaptado.</p>
<p>Atualmente, o montado enfrenta também alguns desafios. Falta de regeneração natural, envelhecimento das árvores, doenças, erosão, compactação do solo, mobilizações frequentes, cargas de pastoreio desajustadas e períodos prolongados de seca. Estes fatores atuam em conjunto, e, por isso, não existe uma causa única para o declínio nem uma solução única.</p>
<p>Parte do declínio do montado poderá estar relacionado com esta simplificação. Ao longo do tempo, aplicámos uma receita relativamente uniforme a territórios que são naturalmente diversos. Eliminámos estratos de vegetação, mobilizámos o solo de forma repetida e levámos a produção até zonas que deveriam cumprir funções de proteção, infiltração ou conservação.</p>
<p>A recuperação do montado deve, por isso, começar por uma leitura conjunta da topografia, da água, dos acessos, do solo, da vegetação e do modo de produção. Uma intervenção isolada pode resolver um problema local e criar outro a jusante. Desta forma, nem todas as intervenções exigem grandes investimentos. Algumas mudanças podem começar com observação, planeamento e uma alteração gradual da gestão.</p>
<p>A carga animal deve também ela ser ajustada à capacidade real da pastagem e à estação do ano. O pastoreio pode ser uma ferramenta importante de gestão, mas a permanência excessiva dos animais no mesmo local compacta o solo e impede a regeneração.</p>
<p>Além disso, é necessário proteger a regeneração natural, as linhas de água e a vegetação ripícola, evitando a circulação de máquinas nas zonas mais sensíveis. Estas áreas desempenham funções importantes de proteção, infiltração e abrigo.</p>
<p>Não se trata de substituir uma receita uniforme por outra. Um montado em Odemira, sob influência atlântica, não responde exatamente como um montado do interior alentejano. A profundidade do solo, a exposição, a geologia, a precipitação, a topografia e o histórico de gestão devem orientar cada decisão.</p>
<p>Por isso, não podemos pedir aos pequenos agricultores e proprietários que assumam sozinhos a regeneração de um sistema que presta serviços a toda a sociedade. Proteger o solo, infiltrar água, conservar biodiversidade, reduzir o risco de incêndio e manter uma paisagem habitada tem custos. Estas funções devem ser reconhecidas através de apoio técnico, políticas públicas adequadas e modelos de remuneração que valorizem os serviços prestados pelo território.</p>
<p>É necessário apostar na literacia das comunidades. Existe hoje muita informação técnica sobre o montado, mas essa informação nem sempre chega a quem toma decisões diariamente no terreno. Os pequenos agricultores e proprietários recebem recomendações dispersas, por vezes contraditórias, e nem sempre encontram espaços onde possam confrontá-las com a sua experiência.</p>
<p>É aqui que projetos culturais como &#8220;Histórias à Sombra do Montado&#8221; podem desempenhar um papel importante.</p>
<p>A banda desenhada não substitui o trabalho técnico, claro. Pode, contudo, levar o tema a escolas, cafés, associações e casas onde um manual especializado dificilmente chegaria. Pode explicar um problema sem começar por um regulamento e apresentar uma prática sem transformar a conversa numa aula.</p>
<p>Acredito que a pergunta se sempre fizemos assim, porque temos agora de fazer de outra maneira?&#8221; não deve ser evitada. Deve ser discutida com respeito pelo conhecimento de quem trabalha a terra, mas também com atenção ao que o próprio território nos está a mostrar.</p>
<p>No Dia Nacional da Sustentabilidade, a mensagem que importa deixar é simples: o montado não é uma paisagem garantida nem uma receita para aplicar uniformemente. É o resultado de decisões tomadas ao longo de gerações. A sua continuidade dependerá das decisões que tomarmos agora; da capacidade de voltar a distinguir vales, encostas, cumeadas e linhas de água; de recuperar o mosaico da paisagem; e de gerir cada lugar de acordo com as condições e funções que lhe são próprias.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Estaremos perante o “engagement da catástrofe”?</title>
		<link>https://greensavers.sapo.pt/estaremos-perante-o-engagement-da-catastrofe/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 03 Sep 2026 08:02:23 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[catástrofe]]></category>
		<category><![CDATA[nacional]]></category>
		<category><![CDATA[opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[As catástrofes, quer se originem por causas naturais ou através da intervenção do ser humano, são dos temas mais badalados diariamente. Seja nos telejornais, nas redes sociais ou nas conversas de café.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em><strong>Por José Rolão é Digital Marketeer e Social Media Specialist *</strong></em></p>
<p>Já vos tinha dito que odeio o sensacionalismo? E se vos falar do <strong><em>engagement </em>da catástrofe?</strong> Bem&#8230; primeiro vou contextualizar.</p>
<p>As catástrofes, quer se originem por causas naturais ou através da intervenção do ser humano, são dos temas mais badalados diariamente. Seja nos telejornais, nas redes sociais ou nas conversas de café.</p>
<p>Com a internet e com a facilidade com que todos temos uma câmara no bolso, muitas vezes, passados meros minutos, já circulam vídeos nas redes sociais de um dado acontecimento.</p>
<p>Também os media abordam acontecimentos de catástrofe com a ênfase que todos sabemos. Isto não é uma crítica. É apenas um facto. E muito se deve à curiosidade inata do ser humano. <strong>E por mais que se critique ao se dizer: “estão sempre a falar da mesma coisa, é só tristeza e desgraça”, de certeza que todos nós já nos demos conta de ficarmos atentos aquando de alguma notícia mais trágica. </strong></p>
<p>Basta pensarmos na clássica observação comum de se abrandar para ver um acidente de carro. É errado, empata o trânsito e pode causar até um novo acidente, mas quem nunca?</p>
<p>Na literatura, <strong>uma catástrofe pode ser definida como um acontecimento que foge da normalidade do dia a dia</strong>, indo ao encontro de outros conceitos que traduzem a quebra, geralmente, repentina do quotidiano, como crise, emergência ou desastre (Fassin e Pandolfi, 2013 &amp; Craig Calhoun, 2013), e que podem gerar sofrimento, seja a nível físico ou psicológico, este, que pode tanto durar dias, como anos, entrando-se, assim, no campo do trauma.</p>
<p>Não sou contra que se comuniquem acontecimentos ou imagens de catástrofes. Nem concordo que se trate isso como tabu. <strong>Sou contra o sensacionalismo e a forma como se exploram repetidamente as imagens do sofrimento alheio na busca de visualizações ou de audiência.</strong></p>
<p>Um pai a chorar a morte de uma filha, uma mãe em prantos a ver a sua casa a arder, um funeral transmitido em direto… são imagens que ficam na nossa mente. São imagens exploradas e repetidas vezes sem conta durante dias e, por vezes, semanas, tanto nos media tradicionais como nos canais de televisão, bem como na internet.</p>
<p><strong>E aqui entra uma das questões com que iniciei este artigo: estaremos perante o engagement da catástrofe? </strong></p>
<p>Estas imagens publicadas na internet vão gerar comentários. Os vídeos de puro terror vão catapultar as partilhas. O algoritmo vai entender isto como um conteúdo que deve ser mostrado e que é de interesse e, assim, pode nascer um viral nas redes.</p>
<p>Imagens de impacto sempre vão causar repulsa, mas também vão criar curiosidade, ou como se diz no jargão das redes sociais: <strong><em>engagement </em></strong>comentários, partilhas, likes, etc.</p>
<p>Estaremos, assim, a contribuir todos nós para este “<strong>mercado” do conteúdo das catástrofes?</strong> E falo no plural – media, criadores, utilizadores – pois ou estamos do lado de quem cria, de quem publica, ou de quem simplesmente partilha.</p>
<p>Frases pensadas para despertar curiosidade e espanto. Palavras que são associadas na ótica de prender o utilizador. Não são meros acasos, têm o objetivo de gerar <strong><em>engagement </em>e visualizações.</strong></p>
<p>Muitas vezes, os títulos são sensacionalistas e nem representam o conteúdo total da notícia, o famoso <em>clickbait</em>. Isto sempre aconteceu, mas, na era da internet, na era de tudo ser tão fugaz, “quem tem um título chamativo é rei”.</p>
<p>É também possível depararmo-nos, nos <em>scrolls</em> infinitos que todos fazemos, com vídeos de catástrofes editados com música, timings e ganchos que geram dopamina suficiente para nos prender. <strong>Será este o nicho das catástrofes?</strong></p>
<p>Não culpo os media, não culpo os criadores, não te culpo a ti nem a mim.</p>
<p>São apenas questões para refletir.</p>
<p><strong>Bibliografia:</strong></p>
<p>Fassin, D. e Pandolfi, M. (eds.) (2013). Contemporary states of emergency. The politics of military and humanitarian interventions. New York: Zone Books.</p>
<p>Calhoun, C. (2013). “The Idea of Emergency: Humanitarian Action and Global (Dis) Order”. In Fassin, Didier, e Mariella Pandolfi (eds), Contemporary states of emergency. The politics of military and humanitarian interventions (29-58). New York: Zone Books.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em><strong>*</strong>José Rolão é Digital Marketeer e Social Media Specialist, com experiência em contexto de agência na DCE Loving Brands e no desenvolvimento de projetos próprios, como a plataforma Abelha 7 Trevos e a página Narrativa Hip Hop.</em></p>
<p><em>É licenciado e mestre em Antropologia, pós-graduado em Marketing Digital e pós-graduado em Social Media Marketing, contando ainda com formação complementar em SEO, Content Writing, Meta Ads, Google Ads e Criatividade.</em></p>
<p><em>Desenvolve trabalho nas áreas de estratégia, branding, ativações de marca, criação de conteúdos, social media e marketing digital, com experiência na gestão de marcas, comunidades e campanhas de diferentes setores.</em></p>
<p><em>É autor do livro Abelha 7 Trevos: uma jornada verde, no qual cruza experiência prática, comunicação digital, marketing de conteúdos e marketing de influência.</em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>O verão também se quer tecnologicamente sustentável</title>
		<link>https://greensavers.sapo.pt/o-verao-tambem-se-quer-tecnologicamente-sustentavel/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 17 Aug 2026 14:02:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[nacional]]></category>
		<category><![CDATA[opinião]]></category>
		<category><![CDATA[verão]]></category>
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					<description><![CDATA[De acordo com os fabricantes, como Apple ou Samsung, os smartphones funcionam dentro de intervalos de temperatura definidos, normalmente entre 0°C e 35°C. No verão, essa margem é ultrapassada com facilidade (basta pensar na onda de calor que atravessámos recentemente em Portugal).]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em><strong>Por/Autor: LUÍSA VASCONCELOS, COUNTRY MANAGER DA SWAPPIE</strong></em></p>
<p>Há um ritual que se repete todos os anos assim que as temperaturas sobem: praia, piscina, telemóvel sempre por perto para fotografar ou consultar o mapa e não errar o destino das merecidas férias.  Mas raramente pensamos que esse aparelho está, nesta época, particularmente vulnerável, escondendo aqui uma oportunidade simples para um consumo tecnológico mais consciente.</p>
<p>De acordo com os fabricantes, como Apple ou Samsung, os smartphones funcionam dentro de intervalos de temperatura definidos, normalmente entre 0°C e 35°C. No verão, essa margem é ultrapassada com facilidade (basta pensar na onda de calor que atravessámos recentemente em Portugal): um telemóvel esquecido ao sol, no carro ou junto da piscina pode sobreaquecer, degradando a bateria e comprometendo componentes internos. Somam-se outros inimigos sazonais: a areia, que se infiltra em portas e altifalantes; o protetor solar, cujos químicos danificam ecrãs; a água salgada, corrosiva para os circuitos; e a humidade, que favorece a oxidação. Isoladamente, nada disto é dramático, mas a soma de pequenos descuidos ao longo de vários verões é, muitas vezes, a razão real por detrás de uma bateria que já não dura um dia inteiro ou de um ecrã que deixa de responder ao toque.</p>
<p>Proteger o smartphone não exige esforço técnico, apenas atenção, e aqui todos podemos fazer a diferença para um uso e consumo mais consciente da tecnologia. Cuidados como evitar a exposição direta ao sol, usar capas resistentes à água e areia ou até carregar os aparelhos só quando estejam secos e nunca quentes, podem parecer bom senso, mas são também um dos gestos mais eficazes a favor do ambiente. O maior impacto de um smartphone não está no uso diário, mas na fabricação: segundo a <a href="mailto:https://agirpourlatransition.ademe.fr/particuliers/evaluer-son-impact/calculer-impact-achats/calculez-empreinte-carbone-achats-numeriques?">Agência de Transição Ecológica Francesa</a>, cerca de 80% da pegada de carbono de um telemóvel é gerada na produção, podendo um aparelho novo representar entre 30 e mais de 80 kg de CO₂ equivalente ao longo do ciclo de vida. O essencial não é só reciclar bem no fim de vida, mas adiar ao máximo a substituição, já que cada ano adicional de uso representa emissões que deixam de ser geradas.</p>
<p>Segundo o <a href="mailto:https://ewastemonitor.info/the-global-e-waste-monitor-2024/">Global E-waste Monitor 2024</a>, apenas 22,3% do lixo eletrónico gerado em 2024 foi documentado como devidamente reciclado, e o crescimento avança a um ritmo cerca de cinco vezes superior ao da reciclagem &#8211; uma tendência que cada um pode ajudar a contrariar com escolhas simples.</p>
<p>Cuidar bem do smartphone no verão é assim uma contribuição concreta para uma economia mais circular, sem implicar abdicar da inovação. Comprar um aparelho novo continua a fazer sentido quando justificado por necessidades reais, mas fazê-lo por descuido ou por uma bateria degradada precocemente tem custos que ultrapassam o bolso do consumidor.</p>
<p>Não é preciso grandes transformações, mas antes uma consciência voltada para o bom uso e o prolongamento da vida dos dispositivos, com peso acumulado muito positivo quando multiplicados por milhões de utilizadores. A sustentabilidade tecnológica também começa nos pequenos gestos do quotidiano. Este verão, talvez a atitude mais inovadora não seja correr atrás do próximo lançamento, mas aprender a valorizar e a proteger aquilo que já temos</p>
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		<title>Proteger as plantas é proteger o equilíbrio dos ecossistemas</title>
		<link>https://greensavers.sapo.pt/proteger-as-plantas-e-proteger-o-equilibrio-dos-ecossistemas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 24 Jul 2026 14:01:43 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[nacional]]></category>
		<category><![CDATA[opinião]]></category>
		<category><![CDATA[plantas]]></category>
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					<description><![CDATA[As alterações climáticas, a intensificação do comércio internacional e a mobilidade crescente de pessoas e bens têm vindo a facilitar a disseminação de pragas e doenças vegetais para novas regiões, colocando em risco espécies vegetais, habitats naturais e o equilíbrio dos ecossistemas.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><strong><em>Por Ana Paula Cruz Garcia, Subdiretora Geral da DGAV</em></strong></p>
<p>As plantas sustentam a vida tal como a conhecemos. Produzem oxigénio, regulam o clima, contribuem para a resiliência ambiental e constituem a base de ecossistemas inteiros. Apesar desta importância incontornável, a sua proteção continua muitas vezes ausente do debate público, mesmo numa altura em que as alterações climáticas, a perda de biodiversidade e a degradação ambiental ocupam um lugar central nas preocupações globais.</p>
<p>Ao mesmo tempo que cresce a consciência em torno dos desafios ambientais, aumenta também a pressão sobre a saúde das plantas. As alterações climáticas, a intensificação do comércio internacional e a mobilidade crescente de pessoas e bens têm vindo a facilitar a disseminação de pragas e doenças vegetais para novas regiões, colocando em risco espécies vegetais, habitats naturais e o equilíbrio dos ecossistemas.</p>
<p>Pragas invasoras e doenças das plantas estão a expandir-se para novas regiões, muitas vezes sem fatores naturais que limitem a sua propagação. Este fenómeno tem impactos não só na agricultura, mas também nos ecossistemas naturais, afetando espécies vegetais nativas e comprometendo habitats inteiros. Em Portugal e na Europa, exemplos como o fogo bacteriano ou a <em>Xylella fastidiosa</em> ilustram bem a dimensão do problema e as consequências ambientais, económicas e sociais associadas.</p>
<p>A importância das plantas vai muito além da sua função produtiva. São elas que ajudam a regular os ciclos naturais, contribuem para a retenção de água nos solos, e fornecem alimento e abrigo a inúmeras espécies. Quando uma espécie vegetal desaparece ou é gravemente afetada por uma praga ou doença, os impactos podem propagar-se muito para além da espécie em causa, afetando o funcionamento de ecossistemas inteiros, reduzindo a sua capacidade de adaptação a novas pressões ambientais e alterando profundamente as paisagens naturais.</p>
<p>A proteção das plantas deve, por isso, ser encarada como uma prioridade coletiva e estratégica. Não se trata apenas de salvaguardar culturas agrícolas ou florestais, mas de preservar sistemas naturais dos quais dependem todas as formas de vida, incluindo a humana. A campanha europeia #PlantHealth4Life surge precisamente como um apelo à ação, promovendo uma maior literacia sobre a saúde vegetal e incentivando comportamentos responsáveis que contribuam para prevenir a introdução e propagação de organismos prejudiciais às plantas.</p>
<p>A responsabilidade é partilhada entre decisores políticos, profissionais do setor, cientistas e cidadãos. Pequenos gestos, como evitar transportar plantas entre regiões sem controlo fitossanitário ou reportar sinais de doenças em espécies vegetais, podem fazer a diferença. A consciencialização pública é um pilar fundamental para travar a disseminação de ameaças e proteger o património natural.</p>
<p>Proteger as plantas é, em última análise, proteger o equilíbrio dos ecossistemas e garantir um futuro sustentável. Ignorar este desafio é comprometer não apenas a biodiversidade, mas também a nossa própria qualidade de vida. Reconhecer o valor das plantas é reconhecer o papel fundamental que desempenham na preservação dos sistemas naturais de que todos dependemos. Proteger a sua saúde é, por isso, proteger o futuro.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Estratégia europeia para as Florestas: Desafios de Portugal</title>
		<link>https://greensavers.sapo.pt/estrategia-europeia-para-as-florestas-desafios-de-portugal/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 24 Jul 2026 06:01:47 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[nacional]]></category>
		<category><![CDATA[opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[Os ecossistemas florestais são peças-chave contra as alterações climáticas e a perda da biodiversidade. Ao absorverem e reterem o carbono, as árvores ajudam a mitigar os impactos extremos do clima. Contudo, as próprias florestas enfrentam graves ameaças e pressões crescentes, sendo o aquecimento global uma das principais.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em><strong>Por Teresa Calvão, Professora e investigadora do CENSE da NOVA FCT</strong></em></p>
<p>A preservação das florestas é essencial para garantir um futuro sustentável para o planeta. A Nova Estratégia da União Europeia para as Florestas 2030 propõe um conjunto de medidas para assegurar e consolidar a multifuncionalidade das florestas, abordando em conjunto os aspetos sociais, económicos e ambientais, valorizando o papel dos gestores e proprietários florestais. Está Portugal pronto para este novo paradigma?</p>
<p>Os ecossistemas florestais são peças-chave contra as alterações climáticas e a perda da biodiversidade. Ao absorverem e reterem o carbono, as árvores ajudam a mitigar os impactos extremos do clima. Contudo, as próprias florestas enfrentam graves ameaças e pressões crescentes, sendo o aquecimento global uma das principais.</p>
<p>A estratégia centra-se na proteção, regeneração e gestão sustentável das florestas. Compromete-se a proteger as florestas primárias e seculares, gerir os recursos de forma sustentável e promover práticas de silvicultura próximas da natureza. Incentiva a utilização eficiente da madeira, priorizando os produtos de maior valor e reciclando-a sucessivamente até ao fim da sua vida útil. Além disso, estabelece um roteiro para a plantação de três mil milhões de árvores em toda a Europa até 2030 e propõe uma nova legislação para harmonizar a monitorização e a recolha de dados florestais.</p>
<p>Portugal está a alinhar-se ativamente com as metas definidas, procurando compatibilizar as suas diretrizes políticas com as orientações da estratégia. No entanto, o cumprimento pleno enfrenta desafios estruturais complexos. Nomeadamente, a estrutura fundiária da floresta portuguesa poderá impor dificuldades na sua implementação, uma vez que cerca de 98 por cento é privada e, em algumas regiões do país, fortemente fragmentada.</p>
<p>A viabilidade económica surge como um dos maiores desafios à implementação da nova estratégia, face aos encargos adicionais impostos aos agentes privados e públicos. Torna-se imperativo conciliar estas exigências com a sustentabilidade competitiva do setor e a coesão das zonas rurais. A transição para modelos sustentáveis impõe desafios como custos adicionais elevados. O restauro de ecossistemas e a reflorestação exigem uma elevada quantidade de investimento em mão de obra e monitorização. Paralelamente, as restrições ao corte de madeira e à exploração de biomassa ameaçam reduzir as receitas dos proprietários. Torna-se, por isso, vital criar incentivos financeiros e regimes de pagamento pelos serviços de ecossistema.</p>
<p>A nível social, o desafio consiste em garantir que as medidas sejam socialmente justas e aceites pois as limitações ao uso da floresta podem gerar divergências com as populações locais. Como a floresta é um motor económico rural, as restrições criam receio de desemprego. Em Portugal este cenário é agravado pelo envelhecimento e despovoamento do interior, que provocam escassez de mão de obra qualificada para gerir o território. Há também uma forte necessidade de formação técnica para os agentes do setor e de mediação de conflitos entre os diferentes usos da floresta.</p>
<p>A IA é crucial para cumprir as metas definidas, atuando em áreas essenciais como o combate a incêndios, monitorização da biodiversidade, apoio aos proprietários e harmonização de dados.</p>
<p>A resposta interna à Estratégia da UE para as Florestas 2030 deve ser um modelo híbrido: a definição das diretrizes e o financiamento são centrais. Algumas estratégias de gestão serão desenvolvidas e implementadas a nível regional, como por exemplo a gestão do risco; a execução prática e a gestão operacional têm de ser locais, justificadas pelas especificidades territoriais e pela intervenção direta dos proprietários na operacionalização das medidas.</p>
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		<item>
		<title>A sustentabilidade não é decoração</title>
		<link>https://greensavers.sapo.pt/a-sustentabilidade-nao-e-decoracao/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 17 Jul 2026 10:07:55 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[nacional]]></category>
		<category><![CDATA[opinião]]></category>
		<category><![CDATA[sustentabilidade]]></category>
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					<description><![CDATA[As empresas têm prioridades a competir por atenção, recursos limitados e agendas sobrecarregadas. A sustentabilidade parece, muitas vezes, algo que existe à margem do negócio real, disponível quando houver fôlego, orçamento, ou pressão suficiente. Mas o real problema não é a falta de tempo, recursos ou pressão: é a forma como ainda olhamos para o tema, como algo marginal, adicional, opcional, como decoração.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em><strong>Por</strong> <strong>Maria Sousa Martins, Gestora de Conhecimento e Formação do BCSD Portugal</strong></em></p>
<p>Há uma conversa que se repete em várias empresas, de setores e dimensões diferentes. Começa numa reunião formal, numa “conversa de corredor”, ou até em fóruns mais alargados, e termina muitas vezes com: <em>&#8220;<strong>Sabemos que a sustentabilidade é importante. Mas não é central, e agora não é o momento</strong>&#8220;.</em></p>
<p>As empresas têm prioridades a competir por atenção, recursos limitados e agendas sobrecarregadas. A sustentabilidade parece, muitas vezes, algo que existe à margem do negócio real, disponível quando houver fôlego, orçamento, ou pressão suficiente. Mas o real problema não é a falta de tempo, recursos ou pressão: é a forma como ainda olhamos para o tema, como algo marginal, adicional, opcional, como decoração.</p>
<p>Persiste em muitas empresas uma ideia sedutora de que a sustentabilidade é uma camada que se adiciona ao negócio. Umas páginas no relatório anual. Um projeto de comunicação. Uma resposta a um questionário de um cliente ou investidor. Algo voluntário, gerível, adiável.</p>
<blockquote><p><em>“Depois de quase 15 anos a trabalhar estratégia e sustentabilidade em empresas portuguesas e estrangeiras, não me canso de repetir: sustentabilidade não é um tema isolado – tem de ser trabalhado de forma intrínseca e integrada em qualquer negócio”, Maria Sousa Martins</em></p></blockquote>
<p>Não podemos ignorar a evolução que se tem observado nos últimos anos, advindo, em parte, da crescente pressão regulatória, de mercado e de <em>stakeholders</em>, que passou a exigir mais transparência e responsabilidade.</p>
<p>Mas o argumento mais importante é anterior a isso e, na verdade, mais simples: <strong>uma empresa que ignora o sistema em que opera não está apenas a assumir riscos que não vê, está a tomar decisões com base numa fotografia incompleta do negócio</strong>.</p>
<p><strong>Gerir um negócio hoje obriga a um olhar mais amplo do que aquele que os modelos tradicionais de gestão nos ensinaram</strong>. Os resultados financeiros continuam a ser essenciais, mas são apenas parte da fotografia.</p>
<p>As empresas não existem no vazio. Operam dentro de um sistema muito mais complexo do que a maioria dos modelos de gestão reconhece, e ignorar essa complexidade não a elimina. Uma empresa depende de cadeias de valor com vulnerabilidades, de recursos naturais que têm limites físicos reais (cuja escassez progressiva já se está a traduzir em custos operacionais, disrupções logísticas e riscos de abastecimento), de pessoas cujas condições de trabalho afetam a qualidade e a reputação do que se vende e a capacidade de atrair talento, de comunidades cujo equilíbrio social não é um dado adquirido, mas uma condição de operação… Chamar a isto &#8220;externalidades&#8221; é uma escolha contabilística, não uma descrição honesta. Na realidade, são dependências, que têm de ser consideradas e geridas no centro de qualquer negócio.</p>
<p>Felizmente, observamos também que há cada vez mais empresas que reconhecem a importância do tema. Nestes casos, o problema raramente é falta de consciência. É, muitas vezes, a forma como o abordam: iniciativas pontuais, desligadas da estratégia, sem metas claras, sem responsabilização, sem peso real nas decisões.</p>
<p>Esta abordagem não reduz riscos reais, nem cria valor duradouro. <strong>O que protege, o que cria valor, o que diferencia é a integração real e sistémica da sustentabilidade na estratégia central da empresa</strong>. Quando uma empresa começa a trabalhar a sustentabilidade de forma genuinamente integrada, o que muda não é apenas o que reporta: muda a forma como identifica e gere dependências e riscos, como lê o seu negócio, como toma decisões e como gere a sua cultura, porque a sustentabilidade deixa de ser um departamento separado e passa a ser uma forma de pensar e de decidir.</p>
<p>Esta transição não acontece de um dia para o outro. Mas não tem de começar do zero, nem a sós:<strong> o caminho já existe</strong>.</p>
<p>A questão que deve orientar as conversas nas empresas é simples: <strong>estamos dispostos a olhar para o negócio com toda a complexidade que ele tem e a gerir essa complexidade com a seriedade que merece?</strong></p>
<p>Na verdade, não é uma pergunta retórica. É a pergunta que separa as empresas que usam a sustentabilidade como resposta a pressões externas daquelas que a usam como vantagem estratégica real.</p>
<p><strong>A diferença não está nos relatórios</strong>.<strong> Está nas decisões</strong>.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p>&nbsp;</p>
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		<item>
		<title>Confundir eletricidade com energia atrasa a transição</title>
		<link>https://greensavers.sapo.pt/confundir-eletricidade-com-energia-atrasa-a-transicao/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 15 Jul 2026 07:03:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[nacional]]></category>
		<category><![CDATA[opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[Eletricidade e energia são conceitos distintos e é precisamente nessa confusão que se esconde o trabalho que ainda falta fazer. A eletricidade representa hoje pouco menos de um quarto do consumo final de energia em Portugal. Os restantes três quartos são, essencialmente, combustíveis fósseis a queimar em automóveis, camiões, caldeiras industriais, sistemas de aquecimento e processos produtivos.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em><strong>Por Pedro Miranda, </strong><strong>CEO e cofundador da Youdera</strong></em></p>
<p>Os números das primeiras semanas do ano voltaram a posicionar Portugal como caso de sucesso da transição energética. Segundo a Redes Energéticas Nacionais (REN), o consumo elétrico no primeiro trimestre atingiu 14,6 TWh &#8211; ultrapassando o valor recorde da época &#8211; com cerca de 80% de origem renovável, sobretudo hídrica e eólica. Em 2024, as centrais fósseis nacionais cobriram apenas 10% do consumo elétrico, um mínimo histórico.</p>
<p>O risco é confundir duas coisas que não são a mesma. Eletricidade e energia são conceitos distintos e é precisamente nessa confusão que se esconde o trabalho que ainda falta fazer. A eletricidade representa hoje pouco menos de um quarto do consumo final de energia em Portugal. Os restantes três quartos são, essencialmente, combustíveis fósseis a queimar em automóveis, camiões, caldeiras industriais, sistemas de aquecimento e processos produtivos.</p>
<p>Segundo a Enerdata, transporte e edifícios representam, em conjunto, cerca de 70% da procura final de energia no país e continuam, em larga medida, dependentes de gasóleo, gasolina e gás natural. Ora, se Portugal não produz petróleo nem gás, tem de importar – em 2024, foi importada 64,5% de toda a energia consumida &#8211; de acordo com a Pordata – um valor que se situa bastante acima da média da UE (57%).</p>
<p>Esta é, portanto, a fotografia honesta da transição energética portuguesa: estamos perto da liderança europeia na produção de eletricidade limpa e continuamos dependentes do exterior em tudo o que ainda não é elétrico, sobretudo combustíveis líquidos e gás. Os dois indicadores coexistem porque medem áreas diferentes, pelo que tratá-los como sinónimos nos faz perder o foco no que realmente importa.</p>
<p>O caminho para corrigir esta assimetria é a eletrificação. Cada quilowatt-hora fóssil que se substitui por eletricidade limpa produzida localmente reduz a fatura, as emissões e a dependência geopolítica de Portugal. Outros países europeus já estão a fazer escolhas claras neste sentido. França anunciou que vai proibir a instalação de caldeiras a gás em todos os edifícios novos, com o objetivo de reduzir a dependência do gás importado. Na Áustria, os camiões elétricos pagam apenas cerca de 25% da taxa de portagem aplicada aos equivalentes a gasóleo, uma redução de quase 80% que altera radicalmente a equação económica da logística pesada. Não são gestos simbólicos, são sinais de preço e regulatórios que tornam a opção elétrica óbvia.</p>
<p>Em Portugal, persistem desafios estruturais. O licenciamento continua moroso e os processos de ligação à rede arrastam-se. No parque industrial, muitos edifícios continuam sem condições para avançar: telhados por reabilitar e coberturas com amianto que têm de ser removidas antes de qualquer instalação. Paradoxalmente, o excesso de intervenção pública é parte do problema. A proliferação de subsídios e linhas de apoio &#8211; Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) à cabeça &#8211; cria entropia: muitos decisores adiam investimentos à espera de um apoio que tarda em chegar, ou que vem com contrapartidas pesadas.</p>
<p>Neste processo, há empresas que ficam para trás. O papel do Estado não deveria ser distribuir subsídios indiscriminadamente, mas sim definir regras claras, estáveis e previsíveis. O que falta hoje não é capital ou tecnologia, mas sim largura de banda interna para decidir e executar. A latitude, os recursos endógenos e o nível de renovabilidade já alcançado no sistema elétrico tornam Portugal um dos países europeus mais bem posicionados para se tornar um eletro-estado, capaz de funcionar quase na sua plenitude a eletricidade produzida internamente. É provável que este seja um percurso de 15 ou 20 anos, mas a ambição é realista e decisiva.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>A energia dos resíduos</title>
		<link>https://greensavers.sapo.pt/a-energia-dos-residuos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Green Savers]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 13 Jul 2026 10:50:30 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Águas e Resíduos]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://greensavers.sapo.pt/?p=301413</guid>

					<description><![CDATA[Quando se fala em energia limpa e eficiente associa-se diretamente à produção de energia a partir de fontes renováveis, como o sol e o vento, e muito dificilmente se consegue fazer qualquer ligação com a produção de energia a partir de resíduos.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em>Artigo de opinião de Paulo Praça, Presidente da Direção da ESGRA.</em></p>
<p>Quando se fala em energia limpa e eficiente associa-se diretamente à produção de energia a partir de fontes renováveis, como o sol e o vento, e muito dificilmente se consegue fazer qualquer ligação com a produção de energia a partir de resíduos.</p>
<p>Mas a verdade é que há muito tempo se produz energia elétrica a partir de resíduos urbanos, através de três tipos de instalações: motogeradores, utilizando biogás produzido em unidades de digestão anaeróbia; motogeradores, utilizando biogás produzido em aterros sanitários e centrais de incineração dedicada de resíduos urbanos. A energia elétrica produzida é, em geral, parcialmente consumida na instalação e o remanescente injetado na rede elétrica de serviço público.</p>
<p>Então, como podemos encaixar os conceitos de energia limpa e eficiente? A verdade é que, ao contrário da energia a partir de fontes de energia tradicionalmente consideradas renováveis, em que tem de ser criada toda uma estrutura e meios específicos para este fim, no caso da produção de eletricidade a partir dos resíduos, a produção de energia consiste no aproveitamento de um processo que teria e terá de existir sempre para assegurar o adequado tratamento dos resíduos, constituindo o aproveitamento energético um benefício adicional, para o ambiente e para a sociedade, de forma circular e sustentável.</p>
<p style="text-align: center;"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="1200" height="741" class="aligncenter size-large wp-image-301416" style="max-width: 100%; height: auto;" src="https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2026/07/tratamento-residuos-urbanos-europa.jpg" alt="Tratamento de resíduos urbanos na Europa" srcset="https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2026/07/tratamento-residuos-urbanos-europa.jpg 1200w, https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2026/07/tratamento-residuos-urbanos-europa-300x185.jpg 300w, https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2026/07/tratamento-residuos-urbanos-europa-1024x632.jpg 1024w, https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2026/07/tratamento-residuos-urbanos-europa-768x474.jpg 768w, https://greensavers.sapo.pt/wp-content/uploads/2026/07/tratamento-residuos-urbanos-europa-600x371.jpg 600w" sizes="(max-width: 1200px) 100vw, 1200px" /></p>
<p style="text-align: center;"><em>Tratamento de resíduos urbanos na Europa. Fonte: Eurostat. Última atualização março 2026.</em></p>
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