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	<title>Opinião &#8211; Green Savers</title>
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	<description>Notícias sobre sustentabilidade, ambiente, alterações climáticas, biodiversidade, florestas, finanças verdes, empresas, economia, ODS</description>
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	<title>Opinião &#8211; Green Savers</title>
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		<title>Da obrigação à oportunidade. O PPWR e o futuro da embalagem alimentar na Europa</title>
		<link>https://greensavers.sapo.pt/da-obrigacao-a-oportunidade-o-ppwr-e-o-futuro-da-embalagem-alimentar-na-europa/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 25 Jun 2026 09:01:07 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[nacional]]></category>
		<category><![CDATA[opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[Proliferaram iniciativas avulsas e inconsequentes, focadas em nichos mediáticos, como o takeaway, enquanto o essencial permanecia intocado. A preferência por diretivas, em vez de regulamentos, originou uma aplicação desigual entre Estados-Membros.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em><strong>Por</strong> <strong>Luis Rodiles, </strong><strong>Diretor de Negócio Celulose Moldada, The Navigator Company, vencedor do Prémio Cinco Estrelas na categoria “Embalagens Sustentáveis”</strong></em></p>
<p>Nos últimos quinze anos, a crescente consciência da sociedade sobre a necessidade de preservar o planeta traduziu-se num <em>tsunami</em> regulatório em torno da sustentabilidade. A embalagem assumiu um papel central nesse movimento, com mais de 300 iniciativas legislativas na União Europeia entre 2010 e 2023. Contudo, este percurso ficou marcado por uma evidente ausência de visão integrada e coerência.</p>
<p>Proliferaram iniciativas avulsas e inconsequentes, focadas em nichos mediáticos, como o <em>takeaway</em>, enquanto o essencial permanecia intocado. A preferência por diretivas, em vez de regulamentos, originou uma aplicação desigual entre Estados-Membros. Objetivos vagos, calendários pouco exigentes e fraca fiscalização comprometeram a eficácia. Ainda mais crítico, nunca se definiu de forma clara e inequívoca o que constitui, de facto, uma embalagem sustentável.</p>
<p>Em paralelo, nos últimos anos, instalou-se a expectativa de que estaria para chegar uma “regulação decisiva” que se iria sobrepor ao quadro de diretivas comunitárias e leis nacionais. Este contexto de incerteza não deu rumo nem estímulo a um esforço de inovação sustentado, favorecendo a continuidade das soluções tradicionais. Em paralelo, proliferaram alternativas de <em>greenwashing</em> (e.g. embalagens de bagaço de cana-de-açúcar importadas da Ásia à custa de pegadas de carbono colossais) enquanto soluções genuinamente sustentáveis enfrentaram dificuldades de afirmação, penalizadas pelos custos associados à baixa escala e à menor maturidade tecnológica do processo produtivo.</p>
<p>O PPWR surge como um ponto de viragem. Introduz critério, objetivos mensuráveis, prazos definidos e previsibilidade regulatória, todos fatores críticos para decisões estratégicas. A sustentabilidade deixa de ser um elemento reputacional e passa a constituir uma condição de acesso ao mercado e um vetor de diferenciação competitiva.</p>
<p>No domínio das embalagens de plástico, será fundamental acelerar a transição para monomateriais, reduzindo ou eliminando estruturas multimaterial que hoje asseguram desempenho, mas inviabilizam a reciclagem. É também fundamental garantir o acesso a plástico reciclado de grau alimentar, um recurso escasso e dispendioso, que poderá tornar-se um verdadeiro <em>bottleneck</em>.</p>
<p>Já nas soluções de base celulósica, como a fibra moldada e o papel kraft, o desafio centra-se na compatibilização entre propriedades barreira eficazes e requisitos de reciclabilidade exigentes. As tecnologias de <em>coating</em> e laminação terão de evoluir de forma acelerada para responder a este novo equilíbrio.</p>
<p>O horizonte de 2030 exige ação imediata, uma vez que o desenvolvimento tecnológico, a adaptação industrial e a reconfiguração das cadeias de abastecimento implicam ciclos longos e intensivos em capital. A inércia será penalizada, quer por taxas mais elevadas no âmbito da Responsabilidade Alargada do Produtor, quer pela eventual exclusão do mercado.</p>
<p>Neste novo contexto, a questão deixa de ser “quando mudar” e passa a ser “quão rápido conseguimos fazê-lo melhor do que os outros”. O PPWR não é apenas um desafio regulatório, é uma oportunidade estratégica para reposicionar a oferta, capturar valor e liderar a próxima geração de soluções de embalagem.</p>
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		<title>Como criar uma Europa energeticamente independente?</title>
		<link>https://greensavers.sapo.pt/como-criar-uma-europa-energeticamente-independente/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 29 May 2026 14:01:19 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[nacional]]></category>
		<category><![CDATA[opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[Mais do que um episódio pontual e que poderá ser passageiro ou, por outro lado, conjuntural, este contexto reforça a necessidade e enorme importância da Europa reavaliar profundamente as fontes de energia e o próprio modelo energético, com um potencial impacto transformacional em todo o sistema.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><strong><em>Por João Januário diretor de Energia na Minsait em Portugal, Indra Group</em></strong></p>
<p>A atual escalada de tensão no Médio Oriente, em particular o conflito no Irão e os constrangimentos à livre circulação de petroleiros no estreito de Ormuz, volta a expor uma fragilidade estrutural do sistema energético global. Cerca de 20% da produção mundial de petróleo e gás passa por esta região, pelo que qualquer instabilidade geopolítica, seja sob a forma de sanções, conflitos armados ou bloqueios logísticos, traduz-se, quase de imediato, em volatilidade de preços e em incerteza económica. Mais do que um episódio pontual e que poderá ser passageiro ou, por outro lado, conjuntural, este contexto reforça a necessidade e enorme importância da Europa reavaliar profundamente as fontes de energia e o próprio modelo energético, com um potencial impacto transformacional em todo o sistema.</p>
<p>O primeiro efeito é claro nos mercados: choques geopolíticos continuam a ser um fator de risco sistémico. A discussão em torno do nuclear, embora relevante, tem horizontes temporais longos e não responde à urgência do presente. Pelo contrário, tudo indica que assistiremos a uma aceleração do investimento em energias renováveis, não apenas por razões climáticas, mas sobretudo por motivos de segurança e soberania energética, reduzindo a dependência de fornecedores externos e de geografias instáveis.</p>
<p>Em paralelo, ganha força uma tendência estrutural de descentralização. A dependência de grandes infraestruturas centralizadas e de combustíveis fósseis importados, começa a dar lugar a modelos baseados na produção local. O autoconsumo solar, eólico de pequena escala, armazenamento distribuído e comunidades de energia são bons exemplos. Este movimento torna o sistema menos vulnerável a choques externos e aproxima a energia dos cidadãos e das empresas.</p>
<p>Mas esta transformação exige, no entanto, um terceiro pilar essencial, que é do reforço da interligação e da digitalização da rede. A entrada massiva de renováveis, por natureza mais intermitentes, impõe capacidades de gestão em tempo real, redes inteligentes e maior integração entre regiões. Episódios recentes como o apagão de 28 de abril de 2025, ou a tempestade Kristin, em janeiro de 2026, tornaram evidente para toda a sociedade, e não apenas para os agentes do setor, a urgência de sistemas mais resilientes.</p>
<p>Perante este cenário, e à luz das mudanças na política externa muito influenciadas também pela volatilidade da Administração Trump, a pergunta que se impõe é clara: como pode a Europa promover esta transformação e garantir a sua soberania energética?</p>
<p>Tal como em 2022 conseguiu reduzir rapidamente a dependência do petróleo russo (caiu de mais de 40% em 2021 para cerca de 6% em 2025), a Europa tem hoje de mitigar dependências externas, enquanto constrói um sistema mais flexível, distribuído e resiliente. Há alavancas concretas ao seu alcance, como acelerar a produção descentralizada, facilitando o autoconsumo e as comunidades de energia; investir de forma decidida em redes inteligentes e digitalização; reforçar soluções de armazenamento como baterias e hidrogénio verde; e aprofundar as interligações entre países europeus, reforçando uma soberania coletiva baseada num sistema integrado. O renovado interesse de França na interligação com a Península Ibérica é um bom sinal desse caminho.</p>
<p>A este plano junta‑se a necessidade de uma política industrial e tecnológica ambiciosa, capaz de desenvolver cadeias de valor europeias em áreas críticas como de baterias, equipamentos renováveis, dados e inteligência artificial, assim como de uma estabilidade regulatória que combine incentivos claros com simplificação. Sobre as baterias por exemplo, a Agência Internacional de Energia (IEA) estima que a capacidade global de armazenamento de energia terá de aumentar cerca de seis vezes até 2030 para permitir a integração massiva de energias renováveis, sendo as baterias responsáveis por aproximadamente 90% desse crescimento. A Europa precisa de libertar‑se da lógica de que “Europa regula, a América executa”, criando espaço para mais inovação e empreendedorismo, em particular no domínio digital.</p>
<p>No fundo, não se trata de uma Europa que tudo controla, mas de uma Europa que, promovendo a diversificação, a distribuição e a digitalização do seu sistema energético, constrói um modelo mais autónomo, mais interligado e mais resiliente, dando passos firmes rumo à sua soberania energética.</p>
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		<item>
		<title>Os vermelhos que esperamos e as emissões que respiramos</title>
		<link>https://greensavers.sapo.pt/os-vermelhos-que-esperamos-e-as-emissoes-que-respiramos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 29 May 2026 09:02:11 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[nacional]]></category>
		<category><![CDATA[opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[No Dia Mundial da Energia, falamos habitualmente de painéis solares, de carros elétricos, de edifícios com melhor isolamento. Raramente falamos de semáforos. E, no entanto, a forma como gerimos cada ciclo de verde e de vermelho numa cidade tem impacto direto no consumo energético, nas emissões de CO₂ e na qualidade de vida urbana.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><strong><em>Por João Garcia, Business Developer da Yunex Traffic Portugal</em></strong></p>
<p>O Manuel sai de casa às oito da manhã. Tem 15 minutos de carro até ao trabalho, um percurso que atravessa seis cruzamentos com semáforos. Na maior parte dos dias, apanha quatro vermelhos. Em três deles, a via transversal está vazia. O motor fica ligado, a velocidade é zero, e os gases acumulam-se. O Manuel não pensa nisto como um problema energético, só pensa que devia ter saído mais cedo de casa. É que esses três vermelhos, repetidos todos os dias por milhares de condutores, traduzem-se em emissões de CO₂ e num desperdício energético que ninguém contabiliza, mas todos pagamos.</p>
<p>No Dia Mundial da Energia, falamos habitualmente de painéis solares, de carros elétricos, de edifícios com melhor isolamento. Raramente falamos de semáforos. E, no entanto, a forma como gerimos cada ciclo de verde e de vermelho numa cidade tem impacto direto no consumo energético, nas emissões de CO₂ e na qualidade de vida urbana. Uma rede semafórica mal calibrada é mais do que uma frustração para quem conduz, é um desperdício energético, multiplicado por milhões de cruzamentos e carros, repetido dia após dia e raramente reconhecido como prioridade. A eficiência energética na mobilidade urbana começa, precisamente, aqui.</p>
<p>O problema não está nos semáforos em si, está nos planos fixos que ainda regem grande parte da sinalização urbana portuguesa. Estes planos foram desenhados para um padrão de tráfego que raramente corresponde à realidade de hoje. As cidades mudaram e os fluxos tornaram-se imprevisíveis. Mas os semáforos, em muitos casos, continuam a trabalhar com a mesma lógica de décadas atrás: rígida e indiferente ao que se passa no trânsito.</p>
<p>Mas a eficiência energética não termina na fluidez do tráfego. A própria infraestrutura semafórica consome energia, e muito dessa energia é desperdiçada em equipamentos com décadas de uso. A arquitetura eletrónica dos controladores de nova geração, pensada para consumir menos e durar mais, representa um ganho direto na fatura energética dos municípios. Ao multiplicar estas poupanças pelo número de interseções de uma cidade, o impacto torna-se relevante para qualquer estratégia municipal de eficiência energética.</p>
<p>A transição energética nas cidades não acontece apenas quando se instala nova capacidade renovável ou se substituem frotas. Acontece também quando se para de desperdiçar o que já existe. Uma cidade que ainda gere o seu tráfego com planos fixos desatualizados está a desperdiçar combustível, tempo, qualidade do ar e dinheiro público.</p>
<p>Esta transformação não exige grandes obras nem longos horizontes de implementação. A digitalização da mobilidade urbana pode começar no cruzamento mais próximo de casa, com tecnologia testada. O que falta, muitas vezes, não é a solução, é decidir adotar soluções com consistência e visão de conjunto.</p>
<p>No fundo, a pergunta que o Dia Mundial da Energia nos convida a fazer é simples: estamos dispostos a continuar a aceitar que cada vermelho desnecessário representa energia desperdiçada e qualidade de vida perdida?</p>
<p>A infraestrutura que organiza o movimento das nossas cidades é também parte da resposta à crise energética e climática. A eficiência começa onde menos esperamos, às vezes, no cruzamento ao virar da esquina.</p>
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		<item>
		<title>Benefícios do compromisso com a Sustentabilidade em tempos de guerra</title>
		<link>https://greensavers.sapo.pt/beneficios-do-compromisso-com-a-sustentabilidade-em-tempos-de-guerra/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 25 May 2026 09:01:12 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[nacional]]></category>
		<category><![CDATA[opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[As práticas de sustentabilidade promovem uma gestão cuidada e eficiente na utilização dos recursos naturais para satisfazer as necessidades de hoje sem comprometer a satisfação das necessidades das gerações futuras.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em><strong>Por Cláudia Pereira, Professora Coordenadora e Diretora do Mestrado em Sustentabilidade e Relato Empresarial do ISCAP</strong></em></p>
<p>O compromisso com a sustentabilidade enquanto estratégia empresarial para o desenvolvimento do negócio, bem como com a sua monitorização, sai reforçado em tempos de crise e guerra, mesmo considerando o esforço que daí resulta para as economias dos diversos países.</p>
<p>Parece paradoxal reforçar as práticas de sustentabilidade atendendo às dificuldades de financiamento da guerra. Atualmente essas dificuldades são acrescidas pela escassez do fornecimento de combustível fóssil dado encerramento do estreito de Ormuz, implicando uma escalada dos seus preços. Todavia, as práticas de sustentabilidade promovem uma gestão cuidada e eficiente na utilização dos recursos naturais para satisfazer as necessidades de hoje sem comprometer a satisfação das necessidades das gerações futuras.</p>
<p>Para esse efeito, importa destacar que o compromisso com a sustentabilidade não se esgota em ações ocasionais, circunscritas num determinado dia ou evento, sem carácter de continuidade, nem sem o devido enquadramento no âmbito do negócio da empresa. Antes requer a sua integração nos valores da empresa e deve constituir parte da sua estratégia. Assim, a identificação dos diversos fatores de <em>Environmental, Social and Governance</em> (ESG) promove a sistematização dos riscos e incertezas de modo a convertê-los em oportunidades e construir soluções que permitam a melhoria continua dos produtos e processos.</p>
<p>Relativamente à componente E (<em>Environmental</em>), esta permite desenvolver diferentes procedimentos capazes de reduzir, reutilizar e reciclar os recursos naturais com o auxílio da implementação de sistemas de gestão baseados nas normas ISO 9000 (Gestão da Qualidade), ISO 14000 (Gestão Ambiental), ISO 26000 (Responsabilidade Social), ISO 45000 (Saúde e Segurança Ocupacional) e ISO 55000 (Gestão de Ativos). Além disso, as ferramentas de contabilidade de gestão como o <em>Balanced Scorecard</em> e o sistema de custeio <em>Activity Based Costing</em> (ABC), constituem estratégias que alavancam a rendibilidade das empresas pela via da redução dos custos. Acresce que o compromisso com a sustentabilidade viabiliza também o aumento das vendas pela captação e fidelização de clientes, os quais são cada vez mais permeáveis às questões da sustentabilidade.  Está em causa uma verdadeira alteração de mentalidades, sendo o preço um fator cada vez menos preponderante nas escolhas feitas pelos consumidores. Igualmente relevante são os critérios de sustentabilidade que começam a ser tidos em conta para a definição dos contratos de dívida em condições mais vantajosas.</p>
<p>Quanto às práticas ESG, na sua componente S (<em>Social</em>), contribuem para o aumento da produtividade ao promover uma eficiente gestão de recursos humanos em condições de inclusão e igualdade a diversos níveis, como género, idades, religião e raças. Ainda no âmbito social, a criação de boas condições de trabalho e socialização proporcionam uma motivação maior e empenho mais forte por parte dos colaboradores das empresas, levando à tão desejada captação e retenção de talentos.</p>
<p>Por sua vez, a componente G (<em>Governance</em>), parente pobre da sigla ESG, é igualmente relevante para garantir que a sustentabilidade não se resume a propaganda e a manobras de distração, de desvio de atenções de práticas ilícitas como e manipulação de preços (dumping) e o <em>greenwashing</em>, ou menos lícitas como a gestão dos resultados financeiros, sendo essencial garantir boas práticas de monitorização e auditoria. Neste domínio, o relato da sustentabilidade e a sua uniformização assumem um papel extremamente relevante de modo a permitir a devida quantificação do compromisso das empresas com as questões da sustentabilidade, de viabilizar a análise da sua evolução, proceder ao controlo e apuramento de desvios e a comparações com as outras empresas. As normas de relato de sustentabilidade mais antigas datam de 1997, tendo sido emitidas pelo <em>Global Reporting Initiative</em> (GRI) e a sua adoção sempre voluntária. Dado o aumento das preocupações com as questões de sustentabilidade, mais instituições e organizações internacionais têm se empenhado no desenvolvimento de regulamentação no sentido de tornar a sua aplicação obrigatória. É o caso da União Europeia que emitiu a <em>Corporate Sustainability Reporting Directive</em> (CSRD) com o objetivo de coordenar a aplicação das normas de relato de sustentabilidade dentro dos Estados Membros, tendo sido criada as <em>European Sustainability Reporting Standards</em> (ESRS) pelo <em>European Financial Reporting Advisory Group </em>(EFRAG). De notar que, as normas de sustentabilidade são de aplicação obrigatória apenas para as empresas de grandes dimensões, porém estas terão de ser criteriosas na seleção dos seus fornecedores de modo que também cumpram com os requisitos ESG. Deste modo, a abrangência das normas de sustentabilidade aumenta substancialmente pela via da cadeia de valor. A nível global, o <em>International Sustainability Standards Board</em> (ISSB), que faz parte da <em>International Financial Reporting Standards (IFRS) Foundation </em>emitiu duas normas de internacionais de sustentabilidade: a IFRS S1 e a IFRS S2.</p>
<p>Em jeito de conclusão é de salientar que a integração dos fatores ESG e a sua monitorização através de normas de sustentabilidade constituem uma estratégia essencial para a eficiência e competitividade das empresas. De facto, a transição para práticas de sustentabilidade contínuas, com foco na transparência e na cadeia de valor, aumenta a resiliência das empresas ao transformar os riscos em oportunidades, potenciando a longevidade dos negócios em contexto de escassez de recursos naturais, por um lado devido ao estilo de vida da maior parte das sociedades contemporâneas, por outro lado devido a crises e conflitos como é o caso da crise resultante do encerramento do estreito de Ormuz.</p>
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		<title>O Momento da Eólica Offshore na Península Ibérica</title>
		<link>https://greensavers.sapo.pt/o-momento-da-eolica-offshore-na-peninsula-iberica/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 22 May 2026 11:01:10 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[eólica offshore]]></category>
		<category><![CDATA[nacional]]></category>
		<category><![CDATA[opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[O que está em causa não é uma crise energética genérica, mas uma crise sistémica associada aos combustíveis fósseis e à dependência externa que estes continuam a impor.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em><strong>Por Tiago Morais, gestor de desenvolvimento de eólica flutuante em Portugal para a Iberbue Wind</strong></em></p>
<p>Durante anos, a Península Ibérica olhou para o mar como uma fronteira energética por desbloquear. Hoje, esse horizonte deixou de ser uma opção estratégica para se tornar uma necessidade sistémica. A Europa enfrenta um momento crítico, marcado pela volatilidade geopolítica e por uma dependência energética externa que condiciona a competitividade industrial e limita a autonomia política. A Península Ibérica, historicamente marcada por níveis insuficientes de interligação com o sistema elétrico europeu, encontra-se particularmente exposta a essa vulnerabilidade.</p>
<p>Neste contexto, o debate já não pode ser enquadrado apenas como transição ecológica. Essa leitura tornou-se insuficiente. O que está em causa não é uma crise energética genérica, mas uma crise sistémica associada aos combustíveis fósseis e à dependência externa que estes continuam a impor. Como ficou evidente na mais recente edição do WindEurope Annual Event 2026, em Madrid, a resposta estrutural passa pela aceleração da eletrificação em larga escala, sustentada por produção renovável doméstica integrada com reforço das redes elétricas, armazenamento, flexibilidade e maior coordenação do sistema elétrico europeu suportada por cadeias de valor capazes de reduzir dependências estratégicas.</p>
<p>Neste contexto, e num cenário marcado pelo crescimento estrutural da procura elétrica associado à digitalização, centros de dados, eletrificação industrial e produção de hidrogénio renovável, a energia eólica offshore surge, assim, como uma componente cada vez mais relevante da futura infraestrutura elétrica europeia, capaz de apoiar a eletrificação industrial, o crescimento da procura elétrica e o reforço da segurança energética. Espanha e Portugal estão bem posicionados para afirmar um papel relevante neste movimento, não apenas pelo potencial eólico das suas costas atlânticas, mas também pela maturação progressiva de competências industriais, logísticas e tecnológicas que já constituem uma base industrial e tecnológica relevante.</p>
<p>Este movimento não é isolado. No início do ano, vários países do Mar do Norte formalizaram um pacto político e industrial para acelerar o desenvolvimento da eólica offshore, das redes interligadas e de modelos coordenados de investimento, com a ambição de transformar a região num polo integrado de produção de energia elétrica limpa à escala europeia. Embora os contextos industriais e geográficos sejam distintos, a experiência do Mar do Norte demonstra a importância de coordenação estratégica, previsibilidade regulatória e planeamento integrado de longo prazo. A mensagem é clara: onde há coordenação estratégica, existe maior capacidade de aceleração e execução de longo prazo.</p>
<p><strong>Um ecossistema ibérico integrado</strong></p>
<p>No caso ibérico, o setor offshore tem sido claro num ponto essencial: a necessidade de previsibilidade. Sem calendários definidos, volumes de leilão estáveis e sinais regulatórios consistentes, o investimento não avança à escala necessária. A cadeia de valor existe, mas exige enquadramento claro para se consolidar em projetos concretos. O compromisso industrial também existe, mas depende de previsibilidade regulatória e visibilidade sobre o pipeline de projetos para se materializar em investimento, emprego e capacidade tecnológica.</p>
<p>A escala adequada é, inevitavelmente, ibérica. Espanha e Portugal têm condições para estruturar um mercado offshore integrado, combinando capacidades complementares e uma logística coordenada. Os portos espanhóis podem desempenhar um papel central como plataformas de suporte para projetos em ambas as costas, enquanto os ativos industriais portugueses reforçam a base de engenharia e fabrico. A não concretização desta articulação arrisca dispersar talento e investimento para outros mercados europeus mais avançados na definição regulatória.</p>
<p><strong>O caso de Portugal</strong></p>
<p>Portugal entra numa fase decisiva do seu percurso offshore. As discussões recentes no WindEurope evidenciaram a importância de assegurar previsibilidade regulatória, clareza sobre o modelo de desenvolvimento do mercado e alinhamento entre objetivos energéticos, industriais e infraestruturais. O diálogo entre operadores e o Governo confirma que o desafio deixou de ser apenas tecnológico, passando também por integração sistémica e pela coordenação de longo prazo do sistema elétrico.</p>
<p>Apesar disso, Portugal dispõe de vantagens relevantes. A estratégia PORTOS 5+ enquadra a rede portuária como peça central de uma transformação industrial mais ampla, com portos como Viana do Castelo, Aveiro, Figueira da Foz e Setúbal posicionados como ativos com potencial estratégico para logística, montagem e operações offshore. Esta base infraestrutural pode ser determinante para integrar o país na cadeia de valor ibérica.</p>
<p>A experiência associada ao projeto WindFloat Atlantic contribuiu para desenvolver competências técnicas, operacionais e industriais relevantes no contexto da tecnologia offshore flutuante. Em paralelo, empresas portuguesas dos setores naval, metalomecânico e de engenharia começam a adaptar capacidades e cadeias de fornecimento às necessidades desta indústria.</p>
<p>A procura de eletricidade também está a mudar a natureza do mercado. A expansão dos centros de dados na Península Ibérica está a criar uma nova base de consumo intensivo e contínuo de eletricidade, alinhada com geração renovável em larga escala. Em paralelo, Portugal tem registado picos históricos de consumo elétrico, mantendo simultaneamente níveis elevados de incorporação renovável, o que confirma a aceleração da eletrificação da economia e a necessidade de nova capacidade elétrica de grande escala complementada por armazenamento e flexibilidade.</p>
<p>Esta evolução está alinhada com a ambição governamental de reduzir significativamente a dependência de combustíveis fósseis na próxima década, através de eletrificação, reforço de renováveis, armazenamento e gases renováveis. No entanto, o enquadramento futuro do setor eólico offshore continua em evolução, refletindo a necessidade de equilibrar objetivos de competitividade, integração do sistema elétrico, impacto tarifário e segurança energética de longo prazo. A consequência é evidente: num contexto em que o setor evolui rapidamente na Europa e em que os investimentos procuram mercados com maior previsibilidade e capacidade de execução, a clareza sobre o modelo de desenvolvimento do mercado em Portugal será determinante para mobilizar capital, capacidade industrial e integração eficiente no sistema elétrico. A transição energética e a transformação digital estão a convergir para a mesma infraestrutura de base. Neste contexto, a eólica offshore poderá assumir um papel estruturante nessa convergência, reforçando a integração ibérica e a ligação ao sistema elétrico europeu.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Recondicionados: da segunda vida ao primeiro valor</title>
		<link>https://greensavers.sapo.pt/recondicionados-da-segunda-vida-ao-primeiro-valor/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 19 May 2026 09:00:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[nacional]]></category>
		<category><![CDATA[opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[No setor tecnológico, habituámo-nos a um modelo linear: produzir, vender, substituir. Computadores, monitores e outros equipamentos periféricos - todos inseridos num ciclo de vida cada vez mais curto, impulsionado pela inovação constante e por uma cultura de atualização permanente.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em><strong>Por: André Amorim, CEO da Viata</strong></em></p>
<p>Durante muito tempo, falar sobre equipamentos recondicionados era ceder a um compromisso. Uma solução de recurso, associada a orçamentos limitados ou a uma lógica de poupança imediata. Mas essa perceção está a mudar &#8211; e rapidamente. Hoje em dia, a verdadeira transformação não está apenas na tecnologia, antes na forma como o mercado redefine o conceito de valor.</p>
<p>No setor tecnológico, habituámo-nos a um modelo linear: produzir, vender, substituir. Computadores, monitores e outros equipamentos periféricos &#8211; todos inseridos num ciclo de vida cada vez mais curto, impulsionado pela inovação constante e por uma cultura de atualização permanente. No entanto, este modelo revelou-se insustentável do ponto de vista ambiental, e ineficiente do ponto de vista económico. Em boa verdade, será que o colaborador de escritório precisa realmente do processador de última geração? Não será que um modelo recondicionado profissional, com dois ou três anos, ultrapassa as necessidades de performance para 95% das suas tarefas?</p>
<p>A mudança é, antes de mais, conceptual. O recondicionado deixou de ser visto como “usado” para passar a ser entendido como “otimizado” &#8211; equipamentos que são testados, certificados, atualizados e reintroduzidos no mercado com risco zero em termos de tempo útil de garantia e de material coberto. Em muitos casos, até com níveis de qualidade indistinguíveis de um produto novo para a maioria das utilizações empresariais &#8211; e isto é uma decisão financeira.</p>
<p>Para as empresas, isto traduz-se numa oportunidade clara: aceder a tecnologia de qualidade, com custos mais controlados e maior flexibilidade na gestão de ativos. Num contexto em que a pressão sobre o investimento tecnológico é constante, optar por soluções recondicionadas pode libertar recursos para áreas estratégicas, sem comprometer a eficiência operacional. Basta pensar que um computador recondicionado de uma gama profissional (com build quality superior, chassis em magnésio/alumínio) é, muitas vezes, mais robusto e duradouro do que um computador novo de gama doméstica (plástico).</p>
<p>E há uma dimensão ainda mais relevante: a capacidade de integrar estes equipamentos num ciclo contínuo de utilização. Um computador não precisa de ter apenas um utilizador ao longo da sua vida útil. Pode, e deve, passar por vários ciclos, sendo recuperado, ajustado e reutilizado. Este modelo não só maximiza o valor de cada ativo, como reduz significativamente o desperdício associado ao setor tecnológico, o chamado lixo eletrónico ou “e-Waste”, o que também impacta a redução de CO2 emitido e o consumo de água, métricas centrais de sustentabilidade.</p>
<p>A lógica deixa de ser “comprar o mais recente” e passa a ser “extrair o máximo valor de cada recurso”, contemplando até a maior facilidade de acesso a peças de substituição.</p>
<p>Neste novo paradigma, a sustentabilidade deixa de ser um argumento moral e passa a ser um argumento de negócio. Empresas que incorporam modelos circulares não estão apenas a reduzir o seu impacto ambiental; estão a aumentar a eficiência, a diferenciar-se no mercado e a responder a uma nova geração de clientes mais exigente e informada.</p>
<p>A tecnologia sempre foi sinónimo de futuro e o futuro passa, cada vez mais, por saber aproveitar melhor o que já temos. No final, o verdadeiro avanço não está apenas na inovação que criamos, mas na inteligência com que utilizamos os recursos disponíveis. O verdadeiro luxo tecnológico já não é a posse do último modelo, mas a afirmação da consciência de que a nossa infraestrutura é inteligente, eficiente e responsável.</p>
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		<title>&#8220;Volta”: do vasilhame da infância à economia circular</title>
		<link>https://greensavers.sapo.pt/volta-do-vasilhame-da-infancia-a-economia-circular/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 12 May 2026 09:01:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[nacional]]></category>
		<category><![CDATA[opinião]]></category>
		<category><![CDATA[volta]]></category>
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					<description><![CDATA[Um sistema deste tipo não serve apenas para aumentar estatísticas de recolha: permite retirar embalagens de fluxos indiferenciados, preservar a qualidade dos materiais e reduzir perdas de valor, aproximando o país de um modelo em que os recursos permanecem em uso por mais tempo.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em><strong>Por: José João Mendes (Prof. Dr.), presidente da Direção da Egas Moniz School of Health &amp; Science*</strong></em></p>
<p>Para muitas pessoas, o lançamento do sistema “Volta” tem algo de novo, mas também de profundamente antigo. Há uma memória coletiva que regressa. A do vasilhame. Durante décadas, devolver garrafas fazia parte da normalidade, não como gesto simbólico, mas como prática económica sensata, baseada na ideia de que uma embalagem tinha valor e não devia ser tratada como lixo após um único uso. O que surge hoje como inovação tecnológica assenta, no fundo, numa raiz cultural bem conhecida: a noção de que os materiais devem circular, e não desaparecer. Essa memória importa, porque lembra que a economia circular é também a atualização de um bom senso de que o modelo descartável foi apagando.</p>
<p>A iniciativa do Governo português deve, por isso, ser lida como mais do que uma medida operacional na gestão de resíduos. O sistema de depósito e reembolso “Volta”, que entrou em vigor no passado dia 10 de abril, prevê ainda um período transitório até 9 de agosto de 2026, durante o qual apenas as embalagens com o seu símbolo estão sujeitas a este regime. Segundo o Governo, a infraestrutura incluirá cerca de 2.500 máquinas automáticas, mais de 8.000 pontos de recolha manual e 48 quiosques para devolução de grandes quantidades, num investimento de 150 milhões de euros.</p>
<p>Mas acredito que o verdadeiro alcance desta medida se compreende à luz da economia circular. Um sistema deste tipo não serve apenas para aumentar estatísticas de recolha: permite retirar embalagens de fluxos indiferenciados, preservar a qualidade dos materiais e reduzir perdas de valor, aproximando o país de um modelo em que os recursos permanecem em uso por mais tempo. Reciclar melhor é importante, mas a circularidade exige que se mantenha a matéria-prima em circuitos de elevada qualidade, com menor contaminação e maior probabilidade de voltar a ser embalagem. É por isso que os sistemas de depósito e reembolso são hoje vistos, na Europa, como instrumentos centrais para cumprir metas de recolha seletiva e de incorporação de material reciclado.</p>
<p>Nesta perspetiva, o “Volta” é também uma medida de sustentabilidade. A experiência internacional demonstra que, quando o incentivo económico é claro e a devolução é simples, os resultados melhoram substancialmente. Na Alemanha, iniciativas como esta atingem taxas superiores a 98%, na Noruega, ultrapassam os 90% e na Suécia mantêm-se próximas dos 88%. Fora da Europa, há também exemplos relevantes. O estado de Oregon, nos Estados Unidos, apresenta taxas de devolução em torno dos 90%, enquanto na Austrália alguns sistemas regionais conseguiram reduzir significativamente o lixo associado a embalagens de bebidas. Ou seja, o sucesso não depende apenas da tecnologia, mas sobretudo da adesão social ao sistema.</p>
<p>Estes casos confirmam que esta medida não é uma especificidade europeia, mas uma ferramenta eficaz em diferentes contextos. Portugal não está, portanto, a inventar um caminho; está finalmente a segui-lo. As metas europeias tornaram-se mais exigentes, a pressão sobre os recursos aumentou e a evidência sobre os impactos do modelo descartável é hoje incontornável. O sistema nacional define objetivos progressivos que culminam na meta de 90% de recolha até 2029, alinhando o país com essas exigências.</p>
<p>Há ainda um duplo benefício de encarar esta medida com seriedade: reduzir a dispersão de embalagens no ambiente significa também diminuir a pressão sobre rios, solos e oceanos, reduzir a formação de microplásticos e limitar a entrada de poluentes nas cadeias alimentares. Devolver uma garrafa ou uma lata torna-se, assim, um gesto com impacto ambiental e também sanitário.</p>
<p>Naturalmente, o êxito deste sistema não está garantido. Haverá dificuldades de arranque, dúvidas dos consumidores na fase de transição e desigualdades territoriais a corrigir. E convém evitar simplificações. Nenhum sistema de depósito resolve, por si só, o problema do desperdício. Sem literacia ambiental e sem mudança de comportamentos, nenhum sistema técnico atingirá o seu potencial. Ainda assim, isso não diminui a relevância do passo agora dado. O mérito da iniciativa está em recolocar o valor do material no centro da política pública e alinhar o interesse individual com o benefício coletivo.</p>
<p>Talvez seja essa a lição mais interessante. O que hoje regressa, em versão tecnológica e escalável, é em parte a velha lógica do vasilhame. Na infância de muitos portugueses, devolver embalagens não era ideologia nem tendência, era simplesmente a forma certa de fazer as coisas. Se o “Volta” conseguir unir essa memória prática à exigência contemporânea da economia circular, poderá fazer mais do que melhorar taxas de recolha. A verdadeira questão não é devolver embalagens, é saber se estamos dispostos a abandonar um modelo de consumo descartável que já sabemos ser insustentável.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>* A Egas Moniz School of Health and Science é uma instituição de ensino superior com sede e campus na Caparica (Almada) e unidade especializada em Sesimbra.</p>
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		<title>Telhados de fibrocimento: um problema com solução energética</title>
		<link>https://greensavers.sapo.pt/telhados-de-fibrocimento-um-problema-com-solucao-energetica/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 28 Apr 2026 11:33:38 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[nacional]]></category>
		<category><![CDATA[opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[Durante décadas, milhares de naves industriais em Portugal foram construídas com coberturas de fibrocimento. À época, era uma solução barata, leve e funcional. Hoje, os milhões de metros quadrados que subsistem com esta tipologia de cobertura representam um problema estrutural, ambiental e de saúde pública e, paradoxalmente, uma oportunidade estratégica.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><strong><em>Por Pedro Silva, Country Manager Prosolia Portugal</em></strong></p>
<p>Portugal celebra hoje, dia 28 de abril, mais um Dia Nacional de Prevenção e Segurança no Trabalho. Uma oportunidade para relembrarmos que a proteção começa na estrutura, mais concretamente no telhado.</p>
<p>Durante décadas, milhares de naves industriais em Portugal foram construídas com coberturas de fibrocimento. À época, era uma solução barata, leve e funcional. Hoje, os milhões de metros quadrados que subsistem com esta tipologia de cobertura representam um problema estrutural, ambiental e de saúde pública e, paradoxalmente, uma oportunidade estratégica.</p>
<p>Grande parte das coberturas de fibrocimento instaladas nas décadas de 60 e 70 contêm amianto, um material comprovadamente cancerígeno. Mesmo nas versões mais recentes, já sem amianto, o problema não desaparece: trata-se de um material frágil, que fissura com facilidade, permite infiltrações e se degrada com o passar dos anos. Qualquer intervenção que exerça pressão sobre estas placas aumenta significativamente o risco de rutura.</p>
<p>É precisamente por isso que não é viável instalar painéis solares diretamente sobre telhados de fibrocimento. A fixação das estruturas de suporte dos módulos fotovoltaicos provoca fissuras e, no caso das coberturas com amianto, pode originar a libertação de fibras perigosas, algo proibido e totalmente incompatível com as regras de segurança e saúde no trabalho. Em Portugal, a remoção e o manuseamento de materiais com amianto estão sujeitos a regras rigorosas, enquadradas por legislação específica que obriga à identificação, controlo e remoção segura destes materiais, precisamente devido ao risco comprovado para a saúde humana.</p>
<p><strong>O verdadeiro desafio está na estrutura</strong></p>
<p>As coberturas em fibrocimento foram amplamente utilizadas porque eram leves e permitiam estruturas de suporte mais aligeiradas. O problema é que essas mesmas estruturas, as asnas, pilares e madres que sustentam o edifício, não foram dimensionadas para suportar cargas adicionais significativas, como as de uma central fotovoltaica moderna.</p>
<p>Mesmo que se substituísse apenas a cobertura por um painel-sanduíche e se instalassem os painéis solares por cima, existiria o risco de comprometer a estabilidade do edifício. Não está em causa apenas a troca do “telhado”, mas sim a requalificação estrutural do imóvel.</p>
<p>Num projeto bem dimensionado, a intervenção deve incluir a substituição da cobertura, o reforço da estrutura e a fixação do sistema solar diretamente aos elementos estruturais do edifício e não apenas à nova cobertura. Esta abordagem garante uma solidez muito superior, particularmente relevante num contexto de fenómenos meteorológicos cada vez mais frequentes e intensos. O resultado é um edifício mais resistente, mais seguro e preparado para o futuro.</p>
<p><strong>Previsibilidade financeira e investimento sem capital próprio</strong></p>
<p>A substituição da cobertura aliada à instalação de uma central fotovoltaica tem um impacto direto: permite produzir energia própria, reduzir custos e diminuir a exposição à volatilidade do mercado. Ao consumir a energia no local, a empresa reduz também a dependência da rede e das tarifas de acesso, protegendo-se de decisões regulatórias e oscilações externas. Trata-se de uma solução “dois em um”: resolve um problema estrutural e cria uma fonte de energia competitiva e previsível.</p>
<p>Quando integrada num modelo PPA (Power Purchase Agreement), elimina-se a necessidade de investimento inicial. O promotor assume o custo da intervenção, cobertura, reforço estrutural e central solar, e a empresa paga apenas a energia que consome, a um preço acordado.</p>
<p>Este modelo converte um investimento significativo numa despesa operacional estável, sem recurso a capital próprio ou endividamento, permitindo previsibilidade orçamental, proteção face à volatilidade energética e libertação de liquidez para o core business.</p>
<p>Não falamos, portanto, da mera instalação de painéis solares. É um investimento completo e integrado na requalificação dos edifícios, na proteção das pessoas e na preparação empresas para um futuro energético mais exigente e mais competitivo. E, quando bem desenhada, esta transição não pesa no balanço das empresas, trabalha a favor dele.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Adaptação climática no Algarve: estamos a medir o que importa?</title>
		<link>https://greensavers.sapo.pt/adaptacao-climatica-no-algarve-estamos-a-medir-o-que-importa/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 22 Apr 2026 10:08:43 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[nacional]]></category>
		<category><![CDATA[opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[Nos últimos anos, têm sido propostas e/ou implementadas várias medidas: projetos de dessalinização, reutilização de águas residuais, intervenções de proteção costeira, iniciativas de restauro ecológico e planos regionais de adaptação. O problema já não é a ausência de ação.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div class="relative basis-auto flex-col -mb-(--composer-overlap-px) pb-(--composer-overlap-px) [--composer-overlap-px:28px] grow flex">
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<p data-start="0" data-end="62"><em><strong>Por Maria João Sacadura, Environmental Policy &amp; Sustainability | Monitoring &amp; Evaluation </strong></em></p>
<p data-start="64" data-end="376">O Algarve está entre as regiões da Europa onde os impactos das alterações climáticas se fazem sentir de forma mais precoce e intensa. A escassez de água, a maior frequência de fenómenos extremos e a pressão crescente sobre os ecossistemas tornam a adaptação climática não apenas uma prioridade, mas uma urgência.</p>
<p data-start="378" data-end="652">Nos últimos anos, têm sido propostas e/ou implementadas várias medidas: projetos de dessalinização, reutilização de águas residuais, intervenções de proteção costeira, iniciativas de restauro ecológico e planos regionais de adaptação. O problema já não é a ausência de ação.</p>
<p data-start="654" data-end="716">A questão é outra: sabemos se estas medidas estão a funcionar?</p>
<p data-start="718" data-end="1046">Grande parte das respostas continua a ser reativa, surgindo após eventos extremos, em vez de antecipar riscos. E, mesmo quando são implementadas medidas de adaptação, raramente existe uma avaliação sistemática dos seus resultados. Falta uma visão integrada que permita perceber o impacto real das múltiplas iniciativas em curso.</p>
<p data-start="1048" data-end="1371">Este não é um problema de falta de dados. Os sistemas de abastecimento de água são monitorizados, existem indicadores energéticos e os impactos ambientais estão amplamente documentados. O que falta é ligar estes dados a objetivos concretos de política pública, através de sistemas de monitorização e avaliação consistentes.</p>
<p data-start="1373" data-end="1416">O mesmo padrão repete-se em vários setores.</p>
<p data-start="1418" data-end="1649">Na energia, o progresso é frequentemente medido em capacidade instalada de fontes renováveis. No entanto, isso pouco nos diz sobre a resiliência dos sistemas, o acesso das comunidades ou a sua capacidade de resposta a perturbações.</p>
<p data-start="1651" data-end="1882">Na gestão da água, fala-se na reutilização, na redução de perdas e na futura central de dessalinização. Mas persistem fugas nas redes, a reutilização avança lentamente e subsistem dúvidas sobre a prioridade das soluções escolhidas.</p>
<p data-start="1884" data-end="2057">Ao mesmo tempo, continuam a expandir-se modelos agrícolas intensivos e altamente consumidores de água, enquanto a pequena agricultura local enfrenta dificuldades crescentes.</p>
<p data-start="2059" data-end="2369">Também os ecossistemas revelam esta fragilidade. A erosão costeira, a perda de biodiversidade e a pressão sobre os recursos naturais estão bem identificadas. Mas, sem indicadores claros de resiliência e recuperação, torna-se difícil avaliar se os esforços de conservação estão a produzir resultados duradouros.</p>
<p data-start="2371" data-end="2742">O maior desafio poderá, no entanto, estar na governação. A participação pública, a transparência e a coordenação institucional são reconhecidas como essenciais para uma adaptação eficaz. Ainda assim, raramente são avaliadas de forma sistemática. Sem métricas, não é possível perceber se os sistemas de governação estão a funcionar ou a responder adequadamente aos riscos.</p>
<p data-start="2744" data-end="2886">Sem medição, não há responsabilização. E, sem responsabilização, a adaptação climática corre o risco de se tornar simbólica, em vez de eficaz.</p>
<p data-start="2888" data-end="3200">Este vazio tem consequências práticas. Limita a capacidade de decisão dos responsáveis políticos, reduz a aprendizagem institucional e dificulta o envolvimento das comunidades. Num contexto em que os impactos das alterações climáticas se intensificam, saber o que funciona — e o que não funciona — é fundamental.</p>
<p data-start="3202" data-end="3350" data-is-last-node="" data-is-only-node="">A adaptação climática no Algarve não precisa apenas de mais medidas. Precisa de saber se as medidas existentes estão, de facto, a fazer a diferença.</p>
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		<item>
		<title>A energia limpa drena o combustível da guerra</title>
		<link>https://greensavers.sapo.pt/a-energia-limpa-drena-o-combustivel-da-guerra/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 10 Apr 2026 08:35:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[nacional]]></category>
		<category><![CDATA[opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[Olhe para o mapa mundo e tente localizar os grandes conflitos de hoje. Do Levante às estepes da Eurásia e ao Golfo Pérsico, os padrões de libertação e segurança alinham-se com precisão cirúrgica sobre algumas das jazidas mais valiosas do planeta.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em><strong>Por <span class="xs1">Filipe Ferreira, investigador na Meliore Foundation e na Zero Carbon Analytics</span></strong></em></p>
<p><em>“War? What is it good for?”</em> O hino soul de Edwin Starr, de 1970, deu um veredicto definitivo: <em>“Absolutely nothing.”</em> Mas Starr não tinha em conta os autocratas de hoje. Mais de meio século após o lançamento da canção, para homens como Donald Trump, Benjamin Netanyahu ou Vladimir Putin, a guerra não é algo a evitar, é o setor de crescimento por excelência.</p>
<p>Olhe para o mapa mundo e tente localizar os grandes conflitos de hoje. Do Levante às estepes da Eurásia e ao Golfo Pérsico, os padrões de libertação e segurança alinham-se com precisão cirúrgica sobre algumas das jazidas mais valiosas do planeta. Onde Starr nada via de valor, o autoritário moderno vê um desperdício imperdoável de capital potencial. Para eles, a guerra é a ferramenta definitiva para colher os combustíveis do passado e arrebatar os minerais que ditarão o amanhã.</p>
<p>As brasas dos fogos de artifício de Ano Novo ainda arrefeciam na Venezuela quando foi incendiada por uma faísca diferente: o desencadeamento da Operação Resolução Absoluta. Quando os militares norte-americanos caíram sobre Caracas para arrastar Nicolás Maduro para Nova Iorque, Washington falou em “reimplementar democracia” e “esmagar o narcoterrorismo”. Bastou menos de um dia para que esse pretexto humanitário se evaporasse.</p>
<p>A Venezuela detém as maiores reservas de petróleo do planeta, mais de <a href="https://www.eia.gov/international/content/analysis/countries_long/Venezuela/" target="_blank" rel="noopener">300 mil milhões de barris de petróleo bruto</a> &#8211; um espólio energético demasiado vasto para a atual administração americana ignorar numa era de escassez de oferta. Poucas horas após a incursão, a retórica de Donald Trump passou de a de um libertador relutante para a de um diretor-geral implacável. Os Estados Unidos, declarou ele, iriam &#8220;gerir&#8221; a Venezuela durante a sua transição, enquanto as gigantes petrolíferas americanas entrariam em cena para &#8220;reparar e operar&#8221; um sistema energético &#8220;podre&#8221;. Já não se tratava de reconstrução nacional &#8211; se é que alguma vez o tivesse sido &#8211; era algo mais direto: a conversão tranquila de um Estado soberano num depósito estratégico de combustível.</p>
<p>Mas se a Venezuela serviu de modelo, o Irão representa o prémio supremo. O ataque conjunto dos EUA e de Israel, a 28 de fevereiro, também ocorreu sem aviso prévio e com uma justificação muito menos clara. Terá sido um gesto de solidariedade para com Israel? Um ataque preventivo contra um programa nuclear que Netanyahu afirma estar “a semanas de distância” há trinta anos? Ou uma cruzada tardia pelos direitos humanos? Os americanos parecem incapazes de se decidir por uma narrativa, com o próprio Trump a vacilar sobre a missão que ele mesmo autorizou. No entanto, os dados são incontestáveis.</p>
<p>O Irão é um cofre de recursos avaliado em <a href="https://hagueresearch.org/rare-earth-elements-and-iran-a-new-geopolitical-front/" target="_blank" rel="noopener">27 biliões de dólares</a>. Detém as terceiras maiores reservas de petróleo do mundo &#8211; cerca de <a href="https://www.weforum.org/stories/2026/03/where-in-the-world-does-our-oil-come-from/" target="_blank" rel="noopener">208 mil milhões de barris</a> &#8211; e quase <a href="https://assets.kpmg.com/content/dam/kpmgsites/sg/pdf/2025/08/2025-statistical-review-of-world-energy.pdf" target="_blank" rel="noopener">17% do gás natural do planeta</a>. Para além dos hidrocarbonetos, assenta sobre aproximadamente <a href="https://hagueresearch.org/rare-earth-elements-and-iran-a-new-geopolitical-front/" target="_blank" rel="noopener">7% da riqueza mineral total do mundo</a>, incluindo enormes e inexploradas jazidas de cobre, zinco e lítio, que poderão determinar quem sairá vencedor da transição energética global. No entanto, o ativo mais poderoso deste balanço é aquele que está atualmente a estrangular o mundo: o Estreito de Ormuz. O tráfego marítimo afundou 70% e, com 20% do petróleo transportado por via marítima e um quinto do seu gás natural efetivamente paralisados, Teerão provou que detém um interruptor para desligar a economia global.</p>
<p>Após o sucesso que obteve na Venezuela, Trump parece que foi incapaz de resistir à tentação de lançar o arpão àquele que é a &#8216;Moby Dick&#8217; do Médio Oriente. Para ele, a soberania dos outros é secundária face aos interesses económicos e energéticos dos EUA.</p>
<p>Se lhe parece improvável que o presidente dos EUA colocaria em risco a estabilidade global em nome da rentabilidade de ativos, olhe novamente para o mapa e olhe para norte. Há apenas algumas semanas, a fixação era a Gronelândia. Apesar das declarações de Trump, não se registou qualquer ameaça credível por parte da Rússia ou da China. Mas o que realmente existe naquela ilha, sob todo aquele gelo, são <a href="https://pub.geus.dk/da/publications/rare-earth-element-ree-exploration-potential-and-projects-in-gree/?utm_source=chatgpt.com" target="_blank" rel="noopener">38,5 milhões de toneladas de óxidos de terras raras</a> &#8211; minerais estratégicos que definirão o equilíbrio do poder futuro.</p>
<p>Mas o presidente norte-americano pode estar meramente a replicar a cartilha do seu inimigo-tornado-amigo, que voltou a ser inimigo (quem consegue acompanhar a esta altura?): Vladimir Putin. O Kremlin mantém a narrativa de que quer “desnazificar” a Ucrânia, mas a geologia da região sugere um motivo muito mais pragmático.</p>
<p>A Ucrânia detém um inventário mineral avaliado em mais de <a href="https://www.dentons.com/en/insights/articles/2024/august/20/ukraine-critical-minerals?utm_source=chatgpt.com" target="_blank" rel="noopener">26 biliões de dólares</a>, assentando sobre aquela que é, provavelmente, a reserva de lítio mais significativa da Europa &#8211; cerca de <a href="https://www.spglobal.com/energy/en/news-research/latest-news/metals/050125-factbox-us-ukraine-forge-economic-partnership-focused-on-critical-minerals?utm_source=chatgpt.com" target="_blank" rel="noopener">500 mil toneladas</a> deste &#8216;ouro branco&#8217; de alta qualidade, que funciona como o equivalente a um campo petrolífero do século XX. Em nenhum outro local isso é mais significativo do que no Donbass, que detém <a href="https://www.europarl.europa.eu/RegData/etudes/ATAG/2025/765789/EPRS_ATA%282025%29765789_EN.pdf" target="_blank" rel="noopener">25 dos 34 minerais que a UE classifica como críticos para a sua transição energética e autonomia estratégica</a>. Portanto, para Putin, isto vai muito além de reivindicações territoriais ou ambições de legado. Ao assegurar a região, ele aspira a posicionar-se como o fiel da balança da Europa, amarrando as ambições verdes do continente aos caprichos de Moscovo e substituindo efetivamente a sua dependência de gás por outra.</p>
<p>Mas o mapa da pilhagem moderna nem sempre é traçado de antemão, e seria um erro sugerir o contrário. Muitas vezes, o assalto é feito por conveniência. Movemo-nos de novo para oeste no mapa mundo. A guerra atual em Gaza intensificou-se a partir de um choque de queixas históricas e do fantasma desmoronado da solução de dois Estados, impulsionado pelas ambições territoriais explícitas de Benjamin Netanyahu. Mas enquanto o bombardeamento consumia a terra, uma anexação silenciosa desenrolava-se no mar. Apenas algumas semanas após o início do conflito, o Ministério de Energia israelita aproveitou o caos para conceder <a href="https://www.aljazeera.com/opinions/2024/3/6/israel-is-pillaging-not-just-gazas-cities-but-also-its-waters" target="_blank" rel="noopener">novas licenças de exploração de gás natural a pesos pesados europeus como a BP e a Eni</a>. Estas licenças estendem-se diretamente aos territórios marítimos reivindicados pela Palestina, sufocando o jazigo de gás <em>Gaza Marine</em>, há muito adormecido. Com cerca de 1 bilião de pés cúbicos de gás natural, este depósito foi outrora visionado como o motor económico de um potencial Estado palestiniano. Hoje, não passa de um espólio de guerra a ser devorado por interesses transacionais.</p>
<p>Assistimos ao ressurgimento da regra mais antiga da história: o poder pertence a quem conseguir partilhar a crosta terrestre. Estes conflitos, aparentemente dispersos, expõem a mesma vulnerabilidade estrutural de uma economia global que ainda depende de pontos de estrangulamento centralizados e facilmente monopolizados.</p>
<p>A resposta a estes saques não deverá passar pela construção de arpões maiores, mas por esvaziar o oceano onde os agressores pescam. Se a coação vive da posse de recursos fixos e fáceis de sitiar, a liberdade deve nascer da sua descentralização. Ao substituir a extração centralizada pela colheita livre dos elementos, as nações desarmam o autoritarismo na sua génese. A energia renovável afirma-se, portanto, como muito mais do que um imperativo ecológico, afirma-se como um ato de libertação geopolítica, e o novo pilar mestre da segurança nacional, que ditará quem é livre e quem permanece refém da vontade alheia.</p>
<p>Quando a Rússia cortou as exportações de gás em 80%, a União Europeia respondeu utilizando o seu setor das energias renováveis como a sua linha de defesa. Através de uma implantação sem precedentes de energia solar e eólica, o bloco poupou cerca de <a href="https://zerocarbon-analytics.org/insights/briefings/clean-energy-is-shielding-eu-from-the-worst-of-the-middle-east-crisis/" target="_blank" rel="noopener">100 mil milhões de euros</a> em custos evitados com combustíveis fósseis, evitando assim, de forma eficaz, o colapso energético arquitetado pelo Kremlin.</p>
<p>Assistimos a esta mesma defesa assimétrica durante o atual bloqueio do Estreito de Ormuz. Enquanto nações dependentes de gás natural, como a Tailândia, esgotam as reservas nacionais apenas para congelar os preços dos combustíveis, outras construíram uma almofada de segurança. O Vietname, por exemplo, aproveitou o seu boom solar doméstico para evitar quase <a href="https://zerocarbon-analytics.org/insights/briefings/solar-could-help-vietnam-avoid-almost-usd-600-million-from-coal-and-gas-imports-as-iran-war-drives-up-energy-prices/" target="_blank" rel="noopener">600 milhões de dólares</a> em importações exorbitantes só no mês passado, blindando a sua base industrial contra a escalada global de preços. Da mesma forma, apesar de ser um dos três maiores importadores de gás do Golfo, o Paquistão alicerçou a sua gestão de crise na energia solar. Ao importar 51 gigawatts de módulos solares desde 2022, o país evitou, até à data, uma fatura de <a href="https://gasoutlook.com/analysis/pakistani-solar-boom-is-shielding-it-from-the-hormuz-crisis-new-report/#:~:text=This%20will%20%E2%80%9Csignificantly%20soften%20the,%29%2C%20an%20independent%20research%20organisation." target="_blank" rel="noopener">12 mil milhões de dólares</a> em combustíveis fósseis.</p>
<p>Quando uma nação gera a sua energia a partir do céu e não do solo em disputa, corta o cordão umbilical da dependência. Um Estado hostil pode minar uma fronteira, bombardear um gasoduto ou bloquear um porto, mas não pode conquistar o sol, nem pode desligar o vento. Com a mudança para fontes limpas, a incerteza da volatilidade externa dá lugar à estabilidade de uma variabilidade gerível.</p>
<p>Contudo, as renováveis não constituem, por si só, uma panaceia contra a guerra. Assentes em montanhas de minério, as infraestruturas renováveis exigem seis vezes mais minerais do que o sistema herdado do século passado. Esta dependência física redesenha o perigo: a <a href="https://www.iea.org/reports/the-role-of-critical-minerals-in-clean-energy-transitions" target="_blank" rel="noopener">Agência Internacional de Energia</a> estima que a procura de lítio possa quadruplicar até 2040, enquanto o cobre enfrentará uma escassez severa já na próxima década. O campo de batalha desloca-se do crude para os metais, mas o trunfo estratégico não está na extração, mas no estreito da refinação. Com a China a controlar 85% do processamento global, a transição arrisca-se a replicar as velhas assimetrias de poder, caso não haja uma reforma das cadeias de valor.</p>
<p>A corrida mineral tem de se afirmar pela reserva estratégica e pela reutilização. Ao contrário do petróleo, esta nova dependência não é, obrigatoriamente, uma sentença de servidão perpétua. O hidrocarboneto é uma dívida que nunca se paga: uma vez queimado, evapora-se, exigindo um fluxo de importações constante para que o sistema não entre em paragem cardíaca. Já os minerais podem ser ativos permanentes, e é aqui que a geometria do domínio se altera.</p>
<p>Hoje, a tecnologia já permite recuperar até <a href="https://www.surrey.ac.uk/news/bio-based-technology-successfully-recovers-95-high-purity-lithium-spent-batteries?utm_source=chatgpt.com" target="_blank" rel="noopener">95% do lítio e do cobalto de baterias em fim de vida</a> e estima-se que a reciclagem de ímanes permanentes possa <a href="https://erma.eu/app/uploads/2021/09/01227816.pdf" target="_blank" rel="noopener">suprir até 25% da procura de terras raras da Europa</a> já na próxima década. Uma vez constituído um <em>stock</em> fundamental integrado numa infraestrutura circular, a suscetibilidade de uma nação a choques externos dissipa-se drasticamente. A segurança nacional deixa de ser uma variável de fluxo externo para se tornar uma constante de posse interna.</p>
<p>Sem este domínio da circularidade, o mapa do conflito limitar-se-á a trocar de pigmento &#8211; do ‘ouro negro’ para o ‘ouro branco’ &#8211; e, para os autocratas de amanhã, os despojos da guerra permanecerão exatamente os mesmos.</p>
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