Saber onde restaurar primeiro é um dos desafios que se colocam agora aos Estados-membros da União Europeia, depois da entrega dos respetivos Planos Nacionais de Restauro. Portugal foi o terceiro país a apresentar o seu plano, a 28 de agosto, e uma investigação do Laboratório Associado TERRA propõe agora uma ferramenta para ajudar a definir prioridades nos ecossistemas de água doce, foi divulgado em comunicado.
Segundo a mesma fonte, os investigadores desenvolveram um mapa que identifica, em todo o território da União Europeia, as zonas onde o restauro ecológico poderá gerar maiores benefícios através dos chamados serviços dos ecossistemas. A metodologia, publicada na revista científica Ecosystems and People sob o título Spatial assessment of co-benefit restoration priorities for freshwater ecosystems in Europe, procura responder a uma questão central: onde restaurar de forma a maximizar os benefícios para a sociedade?
Rios, lagos e zonas húmidas estão entre os ecossistemas com maior biodiversidade e desempenham funções como a regulação de cheias, a retenção de nutrientes e o fornecimento de água, além de suportarem atividades como a pesca e o turismo. Apesar desta importância, encontram-se sujeitos a diversas pressões ambientais e humanas e em processo de degradação.
Segundo os investigadores, uma das limitações das atuais abordagens de restauro é o facto de muitas intervenções serem pensadas à escala de um determinado troço de rio ou projeto, sem uma visão de conjunto que permita definir estratégias de gestão a uma escala mais ampla.
A metodologia desenvolvida pelo TERRA procura responder a esse problema através da combinação de dados sobre o estado dos ecossistemas com informação sobre a sua capacidade para fornecer serviços à sociedade. O resultado é um Índice de Potencial de Restauro, representado num mapa que permite distinguir, entre as áreas que necessitam de intervenção, aquelas onde o restauro poderá proporcionar maiores benefícios.
“Este trabalho permite aos países priorizar o restauro de sistemas de água doce. Conseguimos determinar onde é que o restauro é mais fácil de fazer e onde existe maior potencial de benefício para a sociedade. É uma ferramenta útil para gerir os ecossistemas e determinante para a versão final dos planos nacionais de restauro”, explica Paulo Branco, diretor executivo do Laboratório Associado TERRA e investigador do Centro de Estudos Florestais (CEF).
A ferramenta surge num momento em que os Estados-membros começam a passar da definição dos planos para a implementação das medidas previstas no Regulamento Europeu do Restauro da Natureza. A legislação estabelece como meta o restauro de pelo menos 20% das áreas terrestres e marinhas da União Europeia até 2030 e de todos os ecossistemas que dele necessitem até 2050. Inclui ainda o objetivo de recuperar pelo menos 25 mil quilómetros de rios de curso livre.
Com a entrega do plano português concluída, o mapa desenvolvido pelo TERRA poderá assim constituir um instrumento de apoio à decisão sobre onde concentrar esforços de restauro nos ecossistemas fluviais, aproximando a informação científica das necessidades de planeamento e gestão.









